2. O SANTUÁRIO - PLANEJAMENTO GERAL
Moisés vai para o Monte Sinai, em retiro e contemplação,
onde fica "quarenta dias e quarenta noites", duração
de ordem bíblica para significar tempo necessário e completo
para o preparo de uma missão:
"Moisés subiu ao monte e a nuvem cobriu o monte. A glória do Senhor pousou sobre o monte Sinai, e a nuvem o cobriu durante seis dias. No sétimo dia chamou Moisés do meio da nuvem. A glória do Senhor aparecia aos israelitas como um fogo devorador sobre o cume do monte. Moisés, porém, penetrou dentro da nuvem, enquanto subia a montanha, e permaneceu ali quarenta dias e quarenta noites" (Ex 24,15-18).
Findo este tempo, passará Moisés a reivindicar oferendas voluntárias (Ex 37,5-29) e independentes daquelas já pertinentes e advindas das consagrações mencionadas anteriormente, agora destinadas à ornamentação e adorno do culto oficial a Iahweh, apresentando o narrador inicialmente uma descrição do projeto objetivamente delineado:
"O Senhor falou a Moisés: "Dize aos israelitas que ajuntem ofertas para mim. Recebereis a oferta de todos os que derem espontaneamente. Estas são as ofertas que recebereis: ouro, prata, bronze, tecidos de púrpura violácea, vermelha e carmesim, linho fino e crinas de cabra, peles de carneiro tintas de vermelho e peles de golfinho, madeira de acácia, azeite de lâmpada, bálsamo para o óleo de unção e para o incenso aromático, pedras de ônix e outras pedras de engaste para o efod e o peitoral. Eles me farão um santuário, e eu habitarei no meio deles. Fareis tudo conforme o modelo da habitação e seus utensílios que vou te mostrar" (Ex 25,1-9).
"Eles me farão um santuário..." - com a realização desse objetivo ratifica-se toda a Aliança nos mesmos fundamentos dos Patriarcas para a comunhão de vidas, pelo fato de Iahweh "habitar no meio deles". Então o ato de Abraão, Isaac e Jacó edificando sempre um altar para o culto (Gn 12,6-9; 13,3; 26,25; 28,10-22; 35,1-15) há de ser também o objetivo principal da atividade israelita que se inicia. Enquanto em peregrinação, porém, haverá um "santuário peregrino" (Ex 20,24-25) ou até mesmo um "santuário portátil" (Ex 25-26; 27,1-8), em torno do qual serão reunidos, em comunhão de vidas pelo sacrifício, Deus e os Filhos de Israel, ou também comparecendo em sua presença para consultas pessoais (Ex 29,42s / 33,7). Em verdadeira contemplação ["Fareis tudo conforme o modelo de habitação e todos os seus utensílios que te mostrarei" (Ex 25,9)], Moisés, em Nome de Deus e por Ele assistido, planejou toda a composição material do culto com base nos costumes já em prática até mesmo no Egito (Ex 5,3-9; 8,21-24; 10,24-26), regulamentando-o objetivamente nos mínimos detalhes, para apresentar todo o planejamento aos Filhos de Israel, para cuja realização concorreriam voluntariamente. Já se prefigurava e se anunciava a continuidade daquele mesmo desígnio de Deus de conduzir o Homem para a vida partilhada e íntima do Jardim do Éden.
É preciso aqui notar que Moisés está ainda no seu retiro e contemplação no Monte Sinai, e registra a descrição do que viu (Ex 25-31) para a construção futura (Ex 35-40). Em geral os móveis e utensílios seriam ou feitos ou recobertos ou forrados ou tecidos ou bordados com ouro puro e ornados com pedras preciosas (Ex 25,1-9) por causa da santificação que a presença de Deus lhes imprime principalmente na Arca, no Propiciatório (Ex 25,10-22) e no Altar de Incenso (Ex 37,25-28), significada na colocação neles das "tábuas de pedra contendo o Decálogo" (Ex 25,16.21), dos "dois querubins", onde Deus pousava (Ex 25,18-20 / Ex 25,17-21), dos Pães da Proposição e do Incenso para o Dia da Expiação. Isto porque para o israelita a palavra é inseparável da pessoa que a pronuncia, com todos os seus atributos, donde o Decálogo (Dez Palavras "de Deus"), escrito pelo próprio Deus em "tábuas de pedra", ser o sinal da presença da Santidade de Deus no Santuário ou Habitação a ser construído. Daí, pela Santidade presente, compreende-se também o motivo da "fixação dos varais às argolas nos pés (ou cantos)" para o transporte (Ex 25,15), evitando-se que tocasse o solo assim como o contato manual. Mesmo nos varais não tocava pessoa profana, alheia ao sacerdócio, função reservada aos levitas (Nm 8,5-25). Moisés registra todas as medidas, a disposição e a forma da confecção dos utensílios e apetrechos, a começar com a Arca que receberá o nome de Arca da Aliança (Ex 25,10-16) e do Propiciatório (Ex 25,11-22); também, as da Mesa dos Pães da Propiciação ou Apresentação (Ex 25,23-30 / Lv 24,5-9; 1Sm 21,5); e, do Candelabro e seu óleo ou azeite (Ex 25,31-39 / 27,20-21). Foi com respeito a esses Pães da Propiciação que Jesus retrucou a acusação dos fariseus de que os discípulos desrespeitavam o sábado comendo as espigas (Mt 12,1-4), lembrando-lhes que Davi os comera quando teve fome, mesmo "sendo reservado aos sacerdotes" (1Sm 21,5).
A seguir vem a menção do "tabernáculo", que será também conhecido por "tenda da reunião" (Ex 29,42-43 / 33,7), ou ainda em algumas traduções "habitação". Era um volume retangular todo coberto com tábuas e séries de cortinas ligadas e trançadas umas às outras, dividido interiormente em duas partes por uma cortina ou véu. Denominou-se de Santíssimo ou Santo dos Santos à parte antes do véu onde ficaria a Arca e o Propiciatório com os Querubins e de Santo, o local após o véu, onde seriam colocados os demais utensílios mencionados e o "altar de incenso ou de perfumes" (Ex 30,1-10 / 37,25-28). Foi defronte um desse altar de incenso que o Anjo apareceu a Zacarias quando anunciou o nascimento de João Batista (Lc 1,11). E, o véu é aquele que "rasgou no momento da Morte de Cristo" (Mt 27,51; Mc 15,38; Lc 23,45), construído no Templo de Jerusalém tal como o que fora planejado no "Tabernáculo da Peregrinação":
"Farás também um véu de púrpura violácea, vermelha e carmesim e de linho fino torcido, bordado de querubins. Suspenderás o véu em quatro colunas de madeira de acácia recobertas de ouro, providas de ganchos de ouro, e apoiadas em quatro bases de prata. Pendurarás o véu debaixo dos colchetes, e ali, por trás do véu, introduzirás a arca da aliança. O véu servirá para separar o lugar Santo do Santíssimo. Sobre a arca da aliança porás o propiciatório, no lugar Santíssimo. Do lado de fora do véu colocarás a mesa e diante dela o candelabro. Este ficará do lado sul da morada, e a mesa porás ao norte. Para a entrada da tenda farás uma cortina de púrpura violácea, vermelha e carmesim e de linho fino torcido, artisticamente bordada. Para a cortina farás cinco colunas de madeira de acácia, revestidas de ouro e com ganchos de ouro, e fundirás para elas cinco bases de bronze" (Ex 26,31-37)
"No mesmo instante a cortina do Santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes, a terra tremeu e fenderam-se as rochas" (Mt 27,51).
Em redor da "habitação" ou do "tabernáculo"
(Ex 26,1-37 / 33,7-11 / 36,8-19) será
construído o "átrio" (Ex 27,9-19
/ 38.9-20), ampla área em cujo interior, na frente e fora
do "tabernáculo", se disporá a "bacia de
bronze" (Ex 30,17-21 / 38,8 / 1Rs 7,23-28)
e o "altar dos holocaustos" (Ex 27,1-8 / 38,1-7
/ 1Rs 8,64). Tomando-se por base o "côvado", unidade de medida
então usada, de cincoenta centímetros em média, os
vários móveis teriam a descrição resumida e
a medida aproximada:
A Arca (Ex 25,1-22), um baú de madeira de acácia, forrada de ouro, onde colocar-se-iam as Duas Tábuas da lei escritas pelo dedo de Deus, as Tábuas do Testemunho (Ex 25,16.21 / Dt 10,2-5), com 1,25 m. de comprimento, 0,75 m. de largura e 0,75 m. de altura; em cima da qual colocar-se-ia uma tampa de ouro puro, o Propiciatório, com as mesmas medidas de comprimento e largura da arca, onde se ergueriam Dois Querubins (Ex 25,17-18). Diante dela seria colocada uma urna com o Maná (Ex 16,32-34);
A Mesa dos Pães da Proposição ou da Apresentação (Ex 25,23-30) de madeira de acácia, medindo 1 m. de comprimento, 0,5 m. de largura e 0,75 m. de altura, toda revestida e adornada em ouro puro, os vários utensílios necessários, e com argolas nos cantos onde se fixaram os varais, tudo revestido em ouro puro, para o transporte;
O Candelabro (Ex 25,31-40) de ouro puro, em forma de árvore com sete ramos, três de cada lado e um no centro, com o pedestal em forma de caule, e os ramos terminando em formato de amêndoas, flores e botões, dispondo nele sete lâmpadas. Será disposto de forma a projetar luz para a frente (Ex 25,27); sinal da presença de Deus na Arca da Tenda da Reunião, oferecendo aos Israelitas a luz para se orientarem nas trevas, brilhando toda a noite, donde nas Igrejas católicas manter-se acesa a luz do Sacrário, que se denomina também, por causa da presença de Cristo Eucarístico, de Tabernáculo (Ex 27,20-21).
O Tabernáculo (Ex 26,1-30) constituído de séries paralelas de cortinas ligadas por colchetes de ouro e prata e coberturas de pelos de cabra, formando uma Tenda, e por fora todo cercado por tábuas de acácia (Ex 26,16.18), tendo o véu (Ex 26,31-37) separando a área denominada de Santíssimo ou Santo dos Santos, da denominada Santo, medindo respectivamente o Santíssimo 5 m. e o Santo 10 m. de comprimento o que dará para todo o tabernáculo o comprimento de 15 m. e 4,5 m. ou 6 m. de largura (Ex 26,22-25 - trecho de difícil compreensão), que será disposto no sentido norte - sul, dentro do átrio, que será descrito em seguida;
O Altar dos Holocaustos (Ex 27,1-8), de tábuas de madeira de acácia, formando um quadrado medindo 2,50 m. de comprimento e largura, revestido de bronze, oco no centro, ornado com recipientes para cinzas, pás, trinchantes e braseiros de cobre, colocando-se nos seus quatro cantos chifres simbolizando força e poder (Dt 33,17; Sl 22,22), que serão purificados com sangue com a instituição do sacerdócio de Aarão (Ex 29,12; 30,10); e, finalizando a descrição "do que viu" (Ex 25,9.40; 26,30; 27,8). O Átrio (Ex 27,9-19), uma área medindo 50 m. de comprimento (Ex 27,9.18) por 25 m. de largura (Ex 27,13), erguido na direção norte - sul (Ex 27,9-10), com entrada a este (Ex 27,13-14).
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