3. O PREPARO DO SACERDÓCIO
Ainda na fase descritiva do que lhe "foi mostrado e Moisés viu"
nos dias de seu retiro e contemplação no Monte Sinai, cuida-se
da organização do Sacrifício Israelita, herança
dos Patriarcas, cuja fidelidade havia já sido posta à prova
em séculos de perseguição religiosa no Egito, tendo
sido o principal motivo da evasão geral havida. Agora que se estruturava
em culto definitivo de um povo organizado tornava-se, em conseqüência,
necessário e até mesmo essencial, a instituição
de um Sacerdócio Oficial, não mais aquele cultural, familiar
e mais de acordo com os costumes, exercido até então pelos
Primogênitos, devendo a partir de então ser outorgado a Aarão
e seus filhos (Ex 28,1), completando-se com
o seguinte:
O Óleo para as lâmpadas do Candelabro de "azeite de oliveira puro que os israelitas deveriam trazer para arder continuamente na Tenda da Reunião onde os filhos de Aarão o deveriam preparar a partir de toda a tarde até a manhã" (Ex 27,20-21):
Os Paramentos Sacerdotais (Ex 28,1-43): "mandarás fazer vestes litúrgicas para teu irmão Aarão, em sinal de honra e distinção. Incumbirás por isso artistas bem preparados, que dotei do espírito de sabedoria, de confeccionar as vestes de Aarão, para consagrá-lo como sacerdote a meu serviço. Estas são as vestes que deverão fazer: um peitoral, um efod, um manto, uma túnica bordada, uma mitra e um cinto. Assim farão vestes litúrgicas para teu irmão Aarão e seus filhos para que sejam meus sacerdotes. Utilizarão ouro, púrpura violácea, vermelha e carmesim e linho fino" (Ex 28,2-5). Não é necessário uma descrição detalhada além de uma leitura pessoal, lembrando-se de que a Igreja Católica e outras confissões cristãs aqui se inspiram para o uso dos seus paramentos litúrgicos, principalmente nas Cerimônias Eucarísticas;
A Consagração de Aarão e seus Filhos para o Sacerdócio Perene (Ex 29,1-37 / Ex 30,30), com a responsabilidade do oferecimento do Sacrifício Cotidiano ao amanhecer e ao entardecer, "será um holocausto perpétuo para vossas gerações a ser oferecido à entrada da tenda de reunião, diante do Senhor , lá onde me encontrarei contigo para te falar. É lá que me encontrarei com os israelitas, lugar que será consagrado por minha glória. Consagrarei a tenda de reunião e o altar, bem como Aarão e filhos para que me sirvam como sacerdotes. Habitarei no meio dos israelitas e serei o seu Deus. Eles reconhecerão que eu, o Senhor , sou o seu Deus, que os libertei do Egito para habitar no meio deles. Eu, o Senhor, seu Deus" (Ex 29,42-46);
O Altar dos Perfumes (Ex 30,1-10), todo de ouro puro, motivo que leva a ser também conhecido como o Altar de Ouro (Ex 39,38; 40,5.26), um quadrado de 0,50 m. de lado, com chifres no quatro cantos, revestidos de ouro puro e objeto da expiação sangüínea (Ex 30,10), com as varas de madeira, também revestidas de ouro, presas às argolas para o transporte, onde "Aarão queimará incenso aromático cada manhã e cada entardecer", vedado outro perfume que o descrito juntamente com o Óleo da Unção (Ex 30,34-38);
Far-se-á um recenseamento de homens aptos para a guerra (Nm 1), ocasião em que os de vinte anos para cima que forem alistados deverão pagar em resgate o valor de meio siclo, conforme o siclo do santuário eleito como padrão, "como contribuição ao Senhor a ser aplicado no serviço da Tenda da Reunião" (Ex 30,11-16). Um único valor para "ricos e pobres" esboçando-se aqui a igualdade de todos perante Deus e as futuras oferendas que lhe serão acrescidas para a manutenção do culto e do sacerdócio; foi cobrado de Jesus Cristo e São Pedro (Mt 17,24);
A Bacia de Bronze colocada entre a Tenda da Reunião e o Altar dos Holocaustos para as abluções das mãos e dos pés de Aarão e seus filhos "quando entrarem no Tabernáculo ou se aproximarem do Altar, para oficiar" (Ex 30,17-21); e,
O Óleo para a Unção:
"O Senhor falou a Moisés, dizendo: "Recolhe aromas de primeira qualidade: (...) Farás disto um óleo para a unção sagrada, uma mistura de especiarias preparada segundo a arte da perfumaria. Será este o óleo para a unção sagrada. Ungirás a tenda de reunião, a arca da aliança, a mesa com todos os apetrechos, o candelabro com os utensílios, o altar do incenso, o altar dos holocaustos com os utensílios, bem como a bacia com o suporte. Assim os consagrarás e serão santíssimos; tudo o que os tocar será santo. Ungirás também Aarão e os filhos, consagrando-os para me servirem como sacerdotes. Assim falarás aos israelitas: esse será para mim o óleo da unção sagrada por todas as gerações. Ele não será derramado sobre o corpo de nenhuma pessoa, nem fareis outro parecido, da mesma composição. É coisa sagrada, e devereis considerá-lo como tal. Quem fizer outra mistura semelhante, ou usá-lo sobre um estranho, será eliminado do meio de seu povo" (Ex 30,22-33).
Ao que se vê a Unção com este óleo sagrado santificava e aquilo que tocasse o que fora santificado seria santo. Em primeiro lugar seriam santificados o Tabernáculo com todos os utensílios e objetos usados nos cultos e rituais litúrgicos de então; e, em seguida, Aarão e os Filhos, santificando-os para o exercício do sacerdócio. Além dos sacerdotes futuramente serão ainda ungidos alguns profetas, os reis de Israel (1Sm 24,7; 26,9.11.23; 2Sm 1,14.16; 19,22) que por causa disso serão conhecidos por Messias ou em grego "Cristos". Por tudo isso este Óleo da Unção vai desempenhar o mais importante papel da vida religiosa de Israel atingindo em cheio o Cristianismo, a partir do que passou a ser o nome de Jesus Cristo, que significa Jesus, o Ungido. Cristo não é o sobrenome de Jesus, o nome de sua família, mas um predicado, ou melhor, o seu atributo de ser o "Ungido do Senhor". Assim, o verdadeiro sentido da frase usada por Pedro quando da revelação de que fora alvo (Mt 16,16) é: "Tu és o 'Ungido', o Filho de Deus Vivo".
E, como um remate de toda a obra são apresentadas as essências aromáticas e incenso para "perfumar" o ambiente onde seria ritualmente aspergido ou derramado freqüentemente o sangue, purificando assim o odor advindo:
"O Senhor disse
a Moisés: "Arranja essências aromáticas: resina, âmbar,
galbano, substâncias aromáticas e incenso puro em partes iguais.
Prepararás um incenso perfumado, composto segundo a arte da perfumaria,
bem dosado, puro e santo. Parte dele reduzirás a pó a fim
de pôr diante da arca da aliança na tenda de reunião,
onde me encontrarei contigo. Haveis de considerá-lo como algo de
santo e consagrado. Não deveis fazer para vós outro incenso
da mesma composição. Deverás considerá-lo como
consagrado ao Senhor. Quem preparar outro semelhante para sentir-lhe
o aroma, será eliminado do meio de seu povo" (Ex
30,34-38).
Terminando os preparativos e para a execução de toda a Obra
assim mostrada a Moisés, Deus "infunde de Seu Espírito alguns
artífices", como se faz referências em outros lugares (Gn
41,38; Nm 11,17) verdadeira antecipação da presença
do Espírito Santo caracterizando já "em figura" a finalidade
cristológica das escrituras (1Cor 10,3-4.11;
Gl 3,24; Rm 15,4):
"O Senhor falou
a Moisés, dizendo: "Olha, eu chamei especialmente Beseleel filho
de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá. Enchi-o do espírito
de Deus: sabedoria, habilidade e arte para qualquer tipo de trabalho (...)
Pus também no coração de todos os artesãos
habilidosos a sabedoria para que executem tudo o que te mandei: a tenda
de reunião, a arca da aliança, o propiciatório que
a encobre e todos os acessórios da tenda; a mesa com os utensílios,
o candelabro de ouro puro com os utensílios e o altar do incenso;
o altar do holocausto com os utensílios e a bacia com o suporte;
as alfaias com as vestes litúrgicas do sacerdote Aarão e
de seus filhos, para exercerem o ministério sacerdotal; o óleo
da unção e o incenso aromático para o santuário.
Eles farão tudo conforme te mandei"
(Ex 31,1-11).
Mesmo nos trabalhos destinados ao Santuário, continuava em vigor a disciplina rígida e severa quanto ao Sábado, punindo com a morte qualquer infrator, considerando-se a sua violação como sendo à Aliança Perpétua de que é sinal (Ex 31,12-17). Por fim, entrega a Moisés as "tábuas de pedra escritas pelo dedo de Deus ('Elohim')" (Ex 31,18).
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