LEVÍTICO
| 18. EXORTAÇÕES Formam o que se denomina geralmente de "Bênçãos e Maldições" que decorrem do cumprimento ou não das leis ditadas por Iahweh no Monte Sinai, ou seja as Leis da Aliança. A Terra Prometida é tal e qual uma antevisão do Paraíso a que Deus destinou e ainda destina o Homem, e cuja violação do preceito de vida ("bênção") então lhe trouxe a morte ("maldição"). Da mesma forma aqui o abandono de Iahweh e a violação dos preceitos ditados trarão a esterilidade da maldição: "Andarei no meio de vós..." lembra com perfeição uma frase já bem conhecida do Jardim do Éden: "...porei o meu santuário no meio de vós..." - Enquanto em peregrinação a "figura" do Paraíso se concentra no Santuário de Iahweh, cuja edificação se consuma, com vistas à Terra Prometida e o Reino de Deus que vai se inaugurar com a Ressurreição de Jesus [ cfr. Jo 1,14 ('...e habitou entre nós') / Lv 26,12; Ex 25,8; 29,45]: A condição fundamental é a exclusividade da adoração de um só Deus - Iahweh (Lv 26,1-2), por cujo abandono várias "maldições" se manifestarão, denotando a falta da Bênção de Iahweh. Não se trata de simples faltas decorrentes de uma fraqueza humana sempre previsível em qualquer instituição, mas de um desligamento definitivo e obstinado de Iahweh: "Não fareis para vós ídolos, nem para vós levantareis imagem esculpida, nem coluna, nem poreis na vossa terra pedra com figuras, para vos inclinardes a ela; porque eu sou Iahweh o vosso Deus. Guardareis os meus sábados, e reverenciareis o meu santuário. Eu sou Iahweh" (Lv 26,1-2) / "Mas, se não me ouvirdes, e não cumprirdes todos estes mandamentos, e se rejeitardes os meus estatutos, e desprezardes os meus preceitos não cumprindo todas as minhas leis, mas violando a minha aliança, então eu vos tratarei assim: porei sobre vós..." (Lv 26,14-16). A primeira decorrência da preferência e exclusividade de Iahweh como único Deus é a fidelidade aos seus preceitos ou leis em que se exterioriza ou se manifesta eficazmente a Aliança, que se apresenta até mesmo em cada movimento de conversão ou de retorno:: O seu rompimento ocasionará uma série de "maldições" exemplificadas em cinco ameaças destinadas mais a alertar quanto às conseqüências do abandono de Iahweh que propriamente a um castigo. É um chamado pedagógico à conversão: 1. ª) - A Doença e a pilhagem das colheitas feita por inimigos, em virtude da impossibilidade de sua defesa pela fraqueza dos homens ocasionada pelo flagelo:2.ª) - A Esterilidade da Terra, por cuja fertilidade e abundância das colheitas que os levaria ao orgulho levando-os ao esquecimento de Iahweh, pelo que Deus os alerta por querer sempre o retorno deles, ou seja, a conversão: "Se nem ainda com isto me ouvirdes, prosseguirei em castigar-vos sete vezes mais, por causa dos vossos pecados. Pois quebrarei a soberba do vosso poder, e vos farei o céu como ferro e a terra como bronze. Em vão se gastará a vossa força, porquanto a vossa terra não dará o seu produto, nem as árvores da terra darão os seus frutos" (Lv 26,18-20). "Se nem ainda com isto me ouvirdes, prosseguirei em castigar-vos sete vezes mais, por causa dos vossos pecados" - esta frase mostra o caráter pedagógico da conversão que Iahweh lhes imporá "sete vezes", até a exaustão em que "quebrarei a soberba do vosso poder" (o vosso orgulho). A terra nada produzirá por causa do calor excessivo e a seca decorrente. |
3.ª) - A Invasão dos Animais selvagens então comuns na Terra Prometida, ou seja, a atual Palestina: "Ora, se andardes contrariamente para comigo, e não me quiseres ouvir, trarei sobre vós pragas sete vezes mais, conforme os vossos pecados" - a mesma frase pedagógica e crescente da conversão., mostrando a vinda de animais selvagens como um dos frutos da desordem implantada pela idolatria (2Rs 17,25-26). 4.ª) - O Flagelo da Guerra e suas conseqüências como a peste, a fome e a opressão inimiga: Mostra a principal conseqüência do flagelo da guerra, a falta do pão, aqui significada na quantidade tão exígua que "dez mulheres cozerão o vosso pão num só forno, e de novo vo-lo entregarão racionado peso; e o comereis, mas não vos fartareis" 5.ª) - A Devastação do País, o Agravamento da Fome e o Exílio: "Se nem ainda com isto me ouvirdes, mas continuardes a andar contrariamente para comigo, também eu andarei contrariamente para convosco com furor; e vos castigarei sete vezes mais, por causa dos vossos pecados. E comereis a carne de vossos filhos e a carne de vossas filhas. Destruirei os vossos lugares altos, derrubarei as vossas imagens do sol, e lançarei os vossos cadáveres sobre os destroços dos vossos ídolos; e a minha alma vos abominará. Reduzirei as vossas cidades a deserto, e assolarei os vossos santuários, e não cheirarei o vosso cheiro suave. Assolarei a terra, e sobre ela pasmarão os vossos inimigos que nela habitam. Espalhar-vos-ei por entre as nações e, desembainhando a espada, vos perseguirei; a vossa terra será assolada, e as vossas cidades se tornarão em deserto" (Lv 26,27-33). A devastação será de tal envergadura que não mais se conterá nem o amor natural pelo filhos em busca da própria sobrevivência, em que o instinto de conservação da espécie vai falar mais alto a ponto de "comereis a carne de vossos filhos e a carne de vossas filhas", o que acontecia às vezes naquele tempo, pela crueldade dos cercos militares de conquista (cfr. 2Rs 6,28-29; Jr 19,9; Lm 2,20; 4,10; Ez 5,10). Outra conseqüência de envergadura da "maldição" que atingiria os idólatras, além da destruição dos lugares de culto, seria a privação da sepultura (Jr 14,10-13; Jr 22,18-19; Tb 4,3s), o que era considerado uma irreparável tragédia, ficando os mortos expostos ao relento tal e qual as imagens ou ídolos destruídos, igualando-os. Os lugares altos de culto eram usados antigamente eis que quanto mais alto se ficasse mais perto dos céus estar-se-ia. Ali erguiam-se as várias imagens ou ídolos, mencionando-se aqui especificamente uma imagem do "Deus - Sol", que deveria ser uma das idolatrias de então. Após isso tudo, ou após a ocorrência das "maldições" advindas da idolatria implantada, com o exílio, viria a purificação da terra, contrastando com a covardia dos sobreviventes que apodreceriam em terra estrangeira, "por causa de suas iniqüidades e a dos seus pais": Todas as conseqüências dessa idolatria praticada pela infidelidade a Iahweh, seja trocando-O por outro, seja igualando-O a outros deuses do panteão dos outros povos, seriam esquecidas com a conversão futura de descendentes desde que reconhecessem e confessassem o erro dos antecessores juntamente com a expiação das culpas pela aceitação da justa retribuição a que se sujeitaram, traduzida no pedido de perdão. Seria assim uma conversão plena a partir do interior, por causa da fidelidade de Iahweh à Aliança com Abraão, Isaac e Jacó, apesar da impureza advinda pela convívio com povos pagãos, pelo que se tornavam também de certa forma incircuncisos: "Então confessarão a sua iniqüidade, e a iniqüidade de seus pais, com as suas transgressões, com que transgrediram contra mim; igualmente confessarão que, por terem andado contrariamente para comigo, eu também andei contrariamente para com eles, e os trouxe para a terra dos seus inimigos. Se então o seu coração incircunciso se humilhar, e expiarem as suas iniqüidades, eu me lembrarei da minha aliança com Jacó, da minha aliança com Isaque, e da minha aliança com Abraão; e bem assim da terra me lembrarei. A terra também será deixada por eles e repousará nos seus sábados, tendo sido desolada por causa deles; e eles expiarão as suas iniqüidades, em razão mesmo de que rejeitaram os meus preceitos e a desprezaram os meus estatutos. Todavia, ainda assim, quando eles estiverem na terra dos seus inimigos, não os rejeitarei nem os abominarei a ponto de consumi-los totalmente e quebrar a minha aliança com eles; porque eu sou Iahweh o seu Deus. Antes por amor deles me lembrarei da aliança com os seus antepassados, que tirei da terra do Egito aos olhos das nações, para ser o seu Deus. Eu sou Iahweh" (Lv 26,40-45). Aqui finaliza o Código da Aliança e o de Santidade, com a regulamentação de todo o culto e da vida toda dos Israelitas em torno do Deus Único que reconheceram, qual seja, todas as leis que Iahweh entregou a Moisés no Sinai, onde se formalizou com o Povo de Iahweh a Promessa a Abraão, a Isaac e Jacó: "São esses os estatutos, os preceitos e as leis que Iahweh firmou entre si e os filhos de Israel, no monte Sinai, por intermédio de Moisés" (Lv 26,46). Estavam assim preparados espiritualmente para tomar posse da Terra Prometida, ratificando-se a fonte de todas as normas: |
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