LEVÍTICO
| 19. A CONSAGRAÇÃO PARA A CONQUISTA Descortina-se outra regulamentação, necessária à tomada de consciência religiosa do Israelita para a Conquista da Terra Prometida, verdadeira Guerra Santa desde a saída do Egito: Basta uma leitura atenta aos trechos destacados para se perceber a existência de um preparo para uma Conquista armada da Terra de Canaã. Em se tratando de uma conquista religiosa impunha-se uma adesão exclusiva à Aliança, em obediência a Iahweh, o que implica numa consagração plena, que agora se regula. 19.1. A Consagração de Pessoas e Bens - Os Votos e as Oferendas Inicialmente se apresentam os votos, as consagrações de pessoas ou bens e as oferendas voluntárias. Não eram obrigatórios, porém, quando feitos, impunha-se o seu pleno e cabal cumprimento (Dt 23,21-23), ou o seu resgate, qual seja a entrega ao Santuário do valor correspondente, assim avaliado, pois se destinavam à manutenção dos Sacerdotes: O uso de voto envolvendo pessoas ocorria em Israel, tendo acontecido em várias ocasiões (Jz 11,30-40; 13,3-4; 1Sm 1,11). Destaca-se o de Ana, a mãe de Samuel, que o consagrou desde antes do nascimento, com base em outra forma em que se pode apresentar, consoante as palavras que usou " e pela sua cabeça não passará navalha", outro voto, o do Nazireu (Nm 6): "Ela, pois, com amargura de coração, orou a Iahweh, e chorou muito, e fez um voto, dizendo: Iahweh dos exércitos! se atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva não te esqueceres, mas lhe deres um filho varão, a Iahweh o darei por todos os dias da sua vida, e pela sua cabeça não passará navalha" (1Sm 1,10-11). Quanto ao voto de bens pode-se destacar o de Jacó: "Fez também Jacó um voto, dizendo: Se Deus for comigo e me guardar neste caminho que vou seguindo, e me der pão para comer e vestes para vestir, de modo que eu volte em paz à casa de meu pai, e se Iahweh for o meu Deus, então esta pedra que tenho posto como coluna será casa de Deus; e de tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo" (Gn 28,20-22 / Gn 31,13). Resgatava-se da mesma forma e se regulamenta o voto de oferenda de animais: Em todas as oferendas assim voluntárias, uma espécie de simples promessa, se estabelece o valor e o modo do resgate, da importância que se entrega ao Santuário em substituição ao voto. Quando se referir ao um campo levar-se-á em conta o tempo do Jubileu para a avaliação (Lv 27,16-25). Porém, não pode ser objeto de oferenda ou resgate aquilo que já pertence a Iahweh por preceito, tal como os primogênitos (Ex 13,1-2.12-16 / Ex 34,19-20). Um caso de resgate imposto pelo próprio Iahweh é o proveniente da substituição dos primogênitos pelos levitas no exercício do sacerdócio auxiliar (Nm 3,12.40-51). 19.2. Os Interditos ou Anátemas Também não pode ser vendido ou resgatado o que for objeto de consagração por interdito a Iahweh, de que nada era reservado para o ofertante que dava tudo a Iahweh, irrevogavelmente, de forma pacífica ou na guerra . "...toda coisa consagrada será santíssima a Iahweh" (Lv 27,28) - por essa fórmula se percebe que o princípio dessa operação era religioso, e era santíssimo por ter sido subtraído ao profano, não podendo ser resgatado, tal como não se comiam as oferendas dos holocaustos, contaminadas pelo pecado. Assim, não se resgata o que se denomina aqui de interdito ou anátema, que são tanto os despojos ou as prendas advindas dos inimigos e eles mesmos, conquistados ou destroçados por Israel, contaminados pela idolatria (Dt 20,10-20), como as pessoas ou bens que alguém oferece a Iahweh em caráter solene e irrevogável. É que, entre os compromissos da Aliança, há a "Missão de Israel", várias vezes ratificada (cfr. Ex 34,13; Lv 18,3.24-30; Nm 33,52; Dt 7,5; 12,3.29-31): Com base nela, tal como se elaborou as leis atinentes ao "puro e impuro", para se evitar principalmente as práticas dos pagãos que os rodeavam (Os 9,3; Ez 4,13; Tb 1,10-12; Dn 1,8-12; Jdt 12,2-4; Lv 18,2-5) é que se institui o interdito ou anátema, principalmente na Guerra contra pagãos: É a essa interdição que se refere também o fecho das instruções para a Conquista, exatamente pela impossibilidade do resgate: Jesus vai se insurgir contra os abusos decorrentes dos interditos e das oferendas em seu tempo, que passaram a servir de cobertura ao descumprimento da Lei de Deus nos Mandamentos em favor do ofertante, ocasionando verdadeira inversão de valores: "Ele, porém, respondendo, disse-lhes: E vós, por que transgredis o mandamento de Deus por causa da vossa tradição? Pois Deus ordenou: Honra a teu pai e a tua mãe; e, Quem maldisser a seu pai ou a sua mãe, certamente morrerá. Mas vós dizeis: Qualquer que disser a seu pai ou a sua mãe: O sustento que poderias receber de mim é interdito ao Senhor; esse de modo algum terá de honrar a seu pai. E assim por causa da vossa tradição invalidastes a palavra de Deus" (Mt 15,3-6 / Mc 7,10-13).
19.3. - Os Primogênitos, as Primícias e o Dízimo Em virtude de se tratar de oferendas já consagradas a Iahweh, em princípio não podem ser objeto de resgate, mas são regulamentadas de uma maneira especial: "Contudo o primogênito dum animal, que por ser primícia já pertence a Iahweh, ninguém o consagrará. Quer seja boi ou gado miúdo, já pertence a Iahweh. Mas se o primogênito for dum animal imundo, resgatar-se-á segundo a tua avaliação, e a esta se acrescentará a quinta parte; e se não for resgatado, será vendido segundo a tua avaliação. (...) Também todos os dízimos da terra, quer dos cereais, quer do fruto das árvores, pertencem a Iahweh; são consagrados a Iahweh. Se alguém quiser resgatar uma parte dos seus dízimos, acrescentar-lhe-á a quinta parte. Quanto a todo dízimo do gado e do rebanho, de tudo o que passar debaixo da vara, esse dízimo será consagrado a Iahweh. Não se examinará se é bom ou mau, nem se trocará; mas se, com efeito, se trocar, tanto um como o outro será consagrado; não serão resgatados. São esses os mandamentos que Iahweh ordenou a Moisés, para os filhos de Israel, no monte Sinai." (Lv 27,26-27.30-33) O trecho é muito claro dispensando-se outros comentários. Apenas o sistema de seleção então usado de passar debaixo da vara as crias novas do gado, delas tirando o dízimo, faz com que não se destine a Iahweh apenas o refugo, o defeituoso. Ao contrário, obriga a uma separação justa dentre a totalidade, mesmo que aparentemente aleatória, porem não sujeita à escolha de cada um. Por último vai ser regulamentado o resgate do dízimo, uma exceção quanto ao consagrado, mas que, em virtude disso mesmo, deverá ser acrescido de um quinto no valor a ser entregue aos sacerdotes a cujo sustento se destinavam todas as oferendas. |
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Fim do Capítulo 4 |
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