NÚMEROS
Primeira Parte
Os últimos dias do Sinai
5.3. PURIFICAÇÃO FINAL: Distribuída a função de cada uma das tribos e das respectivas famílias, antes da partida para a Guerra Santa de Conquista, impunha-se uma "purificação geral". Não poderia participar do acampamento nada que não fosse "sagrado", por assim dizer o "puro", "santo", em condições de estar na Habitação de Iahweh, o Santuário: "...fora do acampamento todo leproso, e todo o que padece fluxo, e a todo o que está imundo por ter tocado num morto..." - aqueles mesmos vistos quando da edificação do Santuário, as "pureza legais" instituídas por determinação de Iahweh "para que não contaminem o meu acampamento". A princípio foram excluídos do acampamento apenas os leprosos (Lv 13,46) a que, tendo-se em vista a campanha militar santa vão se acrescer outros (Dt 23,10-15), e se ampliar quanto ao contato com mortos (Nm 19,11-16). Parte então Moisés para uma "purificação mais ampla", indispensável em face das normas impostas pela Aliança, pelo que alia-se à "pureza legal", a "pureza moral", a conduta ou comportamento quanto ao "próximo", tratadas com a mesma seriedade quanto à Santificação que se exigia (Lv 5,20-26): Aqui se esbarra com uma das práticas que soa como uma preparação para a equidade e justiça na distribuição da Terra Prometida entre as várias tribos. Nada recebendo em propriedades a de Levi, separada para o Sacerdócio e dele devendo viver, ficará com tudo o que for consagrado bem como com as vítimas dos sacrifícios (cfr. Nm 18,8-32), como se fossem entregues a Iahweh. Aqui, no caso de não se conseguir restituir ao lesado, entregar-se-á ao sacerdote: "Mas, se esse homem não tiver parente chegado, a quem se possa fazer a restituição pelo dano, esta será feita a Iahweh..." - Aqui aparece o direito familiar comunitário nos bens (Lv 25,25), inexistindo parentes vivos do morto e refletindo-se a soberania de Iahweh em toda essa regulamentação. Não tendo "herdeiros" para se restituir o dano fá-lo-á a Iahweh entregando-o ao Sacerdote. Também o "carneiro de expiação" pertencerá ao Celebrante do Sacrifício, na mesma perspectiva e como entrega da "herança" da tribo (Nm 18,8-10), conforme a proporcionalidade da distribuição de propriedades. Ocorria também a necessidade de segurança familiar, base da sociedade patriarcal, que muito concorre para a paz comunitária. Desde sempre destacam-se duas causas principais de quebra desta paz que se busca necessariamente: o adultério da mulher, sem testemunhas para prová-lo e o ciúme do marido, até mesmo quando suspeita de mulher inocente. Daí a Lei do Ciúme ou a Ordália ou Julgamento de Deus, tal com culturalmente em uso também entre os pagãos até mesmo para outros casos da mesma forma graves: "Disse mais Iahweh a Moisés: Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Se a mulher de alguém se desviar pecando contra ele, e algum homem se deitar com ela, sendo isso oculto aos olhos de seu marido e conservado encoberto, se ela se tiver contaminado, e contra ela não houver testemunha, por não ter sido apanhada em flagrante; se o espírito de ciúmes vier sobre ele (...) e de sua mulher tiver ciúmes, mesmo que ela não se tenha contaminado; o homem trará sua mulher perante o sacerdote, e juntamente trará a sua oferta por ela, (...) oferta comemorativa, que traz a iniqüidade à memória...(...)...Esta é a lei dos ciúmes, no tocante à mulher que, violando o voto conjugal, se desviar e for contaminada; ou no tocante ao homem sobre quem vier o espírito de ciúmes, e se enciumar de sua mulher; ele apresentará a mulher perante Iahweh, e o sacerdote cumprirá para com ela toda esta lei. Esse homem será livre da iniqüidade; a mulher, porém, levará sobre si a sua iniqüidade" (Nm 5,11-15.29-31). A Ordália tem o seguinte ritual (Nm 5,16-24) que termina no Sacrifício da Oblação que se oferece para ser queimado, com a conseqüência a ser manifestada por ato de Iahweh na mulher (Nm 5,21): "...se ela se tiver contaminado...(...)...inchar-lhe-á o ventre, a coxa se lhe consumirá e a mulher será por maldição no meio do seu povo. E, se a mulher não se tiver contaminado, mas for inocente, então será livre, e conceberá filhos" - a mulher não mais conceberia filhos no caso da culpa é o que significam as palavras: "será por maldição no meio do seu povo" em confronto com a afirmação final no caso da inocência dela: "então será livre, e conceberá filhos". |
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