Quinta Parte
5.31. O Deuteronômio e o Novo Testamento Os lugares comuns, que mais se acentuam no Deuteronômio são: a Libertação do Egito, as várias Sedições e Apostasias, verdadeiras Tentações pelas quais passou Israel no Deserto, e a insistente Promessa de "Felicidade" e "Bênçãos" na Terra Prometida, "terra onde flui o leite e o mel". Eram vinculados indestacavelmente ao cumprimento das exigências da Aliança, expressas pelos Mandamentos de Iahweh, a cuja obediência e fidelidade se comprometeu livremente, fiel que se manteve aos desejos dos Patriarcas, seus antepassados. É aqui em Deuteronômio que a "felicidade" é anunciada, pela modificação feita no Decálogo do Sinai (Ex 20,12), quando apresentado por Moisés em Moab (Dt 5,16):
Essa "Teologia do Deuteronômio", da "felicidade" ou "bem estar", coroando toda a Obra da Aliança com a conquista de Canaã, vai se projetar em toda a Terra Prometida, como uma fruição abençoada na "terra onde flui o leite e o mel". Porém, tudo aquilo que Moisés advertiu, vai acontecer, num quadro de "Tentações" a Israel, para se desviar de Iahweh em busca de Glórias Humanas, perturbando a consumação histórica e a plenitude da "Promessa". Somente com Jesus, o Messias, o Ungido, o Cristo, é que essa Promessa vai se "cumprir", vinculando-se ainda aos Mandamentos, tal como Ele mesmo diz: "17 Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir.18 Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra.19 Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus.20 Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus." (Mt 5,17-20). Essa consumação transparece na pregação dos primórdios e na narrativa dos Evangelhos, no mesmo esquema em "figura", da "felicidade" na "Terra Prometida". Enquanto essa "felicidade" será expressa com o termo neo testamentário de "Bem Aventurança", a "Terra Prometida" o será com o de "Reino dos Céus". E, o anúncio vai se concretizar quando, após o Batismo de João (At 10,37-38), ao partir para a Vida Pública, Jesus se liberta das Glórias Humanas no Deserto, resistindo às Tentações, tal como Israel nas várias sedições e apostasias superadas. Nessa Tentação, Jesus significativamente rejeita as insinuações que Lhe oferece Satanás, de Glória Humana, com parte das instruções de Moisés no Deserto (cfr. Dt 8,3 / Dt 6,16 / Dt 6,13): "1 A seguir, foi Jesus levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo.2 E, depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome.3 Então, o tentador, aproximando-se, lhe disse: Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães.4 Jesus, porém, respondeu: Está escrito: "Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus" [cfr. Dt 8,3].5 Então, o diabo o levou à Cidade Santa, colocou-o sobre o pináculo do templo6 e lhe disse: Se és Filho de Deus, atira-te abaixo, porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a teu respeito que te guardem; e: Eles te susterão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra.7 Respondeu-lhe Jesus: Também está escrito: "Não tentarás o Senhor, teu Deus" [cfr. Dt 6,16].8 Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles9 e lhe disse: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.10 Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: "Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto"[cfr. Dt 6,13].11 Com isto, o deixou o diabo, e eis que vieram anjos e o serviram." (Mt 4,1-11 / Lc 4,1-13). Após essa narrativa, os Evangelistas se bipartem: um, Mateus (Mt 4-7), vai evocar Moisés com as Leis da Aliança no "Monte" Sinai, e dispõe Jesus também num "Monte" (Mt 5,1), com as Bem Aventuranças e o Sermão da Montanha (Mt 5,1-7,28), regras de felicidade no Reino dos Céus, que Jesus proclama. Por sua vez, o outro, Lucas, apresenta as mesmas Bem Aventuranças num "lugar plano" (Lc 6,17) evocando a mesma Aliança então ratificada nas "Planícies de Moab" (Dt 28,69), dividindo-as em "Bênçãos e Maldições" (Lc 6,20-22 / Lc 6,22-26), tal com em Deuteronômio (Dt 28,1-14 / Dt 28,15-68), prosseguindo com as regras de bem viver de Cristo (Lc 6,27-49). |
Tome I - Textes Tome II - ["Como se formaram os Evangelhos"] Tome III - LÉvangile de Jean
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