| O "DÍZIMO" E A IGREJA NOS PRIMÓRDIOS
A Igreja está
preferindo o uso do "DÍZIMO" em lugar da ESPÓRTULA, do latim
"SPORTULA", que significa CESTO. Os Israelitas entregavam ao SACERDOTE as
PRIMÍCIAS num cesto e no ALTAR:
| "...tomarás as primícias de todos os frutos que recolheres do solo
que Iahweh teu Deus te dará e, colocando-as num cesto, irás ao lugar que Iahweh teu Deus
houver escolhido para aí fazer habitar o seu nome. Virás ao sacerdote... O sacerdote
receberá o cesto da tua mão, colocá-lo-á diante do altar de Iahweh... e te prostrarás
diante de Iahweh teu Deus" (Dt 26,2-11). |
O fato de
ser exigida a entrega ao sacerdote, no lugar que Iahweh teu Deus houver escolhi-do
para aí habitar o seu nome, que colocá-lo-á diante do altar (Dt
26,2-4), e te prostrarás diante de Iahweh teu Deus (Dt 26,11), deixa claro
que se trata de culto com ritual próprio (Dt 26,1-11). Tem um sentido profundamente
religioso que nos escapou. Esse uso passou para o Cristianismo, motivo porque, no
Ofertório da Missa, o Lava-Mãos e a Oração sobre as Oferendas,
são como que resquícios ou vestígios do manuseio do cesto pelo sacerdote. Eram
oferendas espontâneas e voluntárias (2Cor 9,7), inexistindo no Novo Testamento qualquer
manifestação a respeito do dízimo seja aconselhando-o, seja condenando-o.
Cristo referiu-se a ele algumas vezes e somente quanto ao seu uso entre os judeus (Lc
11,42, par.; 18,12). Mas, determinou que o trabalhador tem direito ao seu
salário (Mt 10,9-10), seguido por São Paulo (1 Cor 9,13-14). Com o tempo as
pri-mícias foram substituídas por dinheiro e receberam o nome de espórtula, e assim
existem até hoje em alguns lugares. O uso desta denominação exigia sempre a
explicação de que não era pagamento, mas uma oferta que se fazia e que
Jesus determinara que o sacerdote deveria viver do altar. Acontece, porém,
que, apesar das explicações dadas, a circulação de dinheiro na Igreja sempre trouxe
clima não muito salutar.
HOJE
Até
bem pouco tempo o Quinto Mandamento da Igreja determinava: "Pagar o dízimo segundo o
costume."
A expressão "segundo o costume" caracteriza bem que a
denominação "dízimo" permaneceu em uso, mas o que se ofertava era a espórtula,
e em dinheiro. Criou-se uma espécie de "taxa" para o cerimonial
litúrgico, e a simples referência ao nome "dízimo" nos leva a perceber
a continuidade do sistema israelita. E a delimitação "segundo o costume"
não mais o fixa nos dez por cento tradicionais, a décima parte, como era na
origem. Essa denominação passou a soar como pagamento ou retribuição por um serviço
ou benefício prestado, o que se torna muito constrangedor, pois o Sacramento não tem
preço ou valor monetário que lhe corresponda. Também não é serviço que se presta que
deva ser pago, não é comércio ou troca, "toma-lá-dá-cá".
Grave é o fiel perder o sentido da sua participação religiosa e
desempenhar o papel meramente passivo. Torna-se mero assistente, o
pagante, o dono da festa, detentor de direitos, podendo
exigir o que queira, mesmo em detrimento das necessidades espirituais da comunidade
eclesial. Não participando do ato, tudo lhe é místico e mágico, mais
supersticioso que cristão. Pior que tudo é a indiferença e frieza ao ritual litúrgico,
como se nada significasse, sentido-se até mesmo aliviado ao terminar. É que, com o
desenrolar da História, e por causa de várias transformações havidas, bem como
incompreensões e perseguições, os fundamentos teológicos das oferendas, e
dentre elas do "dízimo", se perderam. Hoje, ocorrendo o mesmo fenômeno
de esvaziamento com alguns Sacramentos, a Igreja passou a exigir cursos até mesmo dos
pais e padrinhos de Batismo, Matrimônio, Crisma, numa espécie de reciclagem, como se diz
atualmente, para a retomada dos conhecimentos religiosos esquecidos. Quando ao "dízimo",
vigora o recém-promulgado Catecismo da Igreja Católica, 2.ª parte do n.º 2043, do
Texto Latino (cfr. a publicação portuguesa), segundo a qual:
| "O QUINTO PRECEITO ("Contribuir para as despesas do culto e para
a sustentação do clero segundo os legítimos usos e costumes e as determinações da
Igreja"), aponta aos fiéis a obrigação de, conforme as suas possibilidades,
"prover às necessidades da Igreja, de forma que ela possa dispor do necessário para
o culto divino, para as obras apostólicas e de caridade e para a honesta sustentação
dos seus ministros" (Editora Gráfica de
Coimbra, Tradução do Texto Latino Oficial; destaques propositais). |
Este dispositivo dá à oferenda uma dimensão não mais limitada
seja na quantidade, seja nos usos e costumes. Sua dinâmica obrigatória é conforme a
consciência eclesial de cada fiel e a equação: "conforme as possibilidades de
cada fiel e conforme as necessidades da Igreja". As "necessidades da
Igreja" são dimensionadas genericamente em o "necessário para o culto
divino, para as obras apostólicas e de caridade e para a honesta sustentação dos seus
ministros". Com isto, abre os mais amplos horizontes e com dinâmicas
expressões, que escapam ao então ultrapassado e impróprio termo "dízimo",
a "décima parte". Necessariamente se impõe um novo nome e mais
apropriado: usaremos aqui OFERENDAS
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AS OFERENDAS E A RELIGIÃO
ISRAELITA
É
de César Cantu a frase: "Povo que não conhece a sua história é navegante que
navega sem rumo".
Quando se perde o liame da história da instituição cai-se na rotina e se desliga do
sentido original. O rito perde o princípio que lhe serviu de fundamento e coesão
estrutural, passa-se então a seguir a letra que mata e não o espírito
que vivifica (2Cor 3,6). Impõe-se por isso a pesquisa no Antigo Testamento da
instituição das oferendas entre os israelitas. Para isto teremos de registrar fatos
conhecidos correndo o risco da prolixidade. Mas, para não ocasionar saltos no raciocínio
preferimos correr o risco. Registramos o que já é do conhecimento geral para manter o
seqüência do pensa-mento e a coerência das conclusões.
O que atualmente entendemos como religião tinha o nome de aliança
entre os israelitas. Aliança de exclusiva iniciativa de Deus, contraída inicialmente com
Absacrifício (Gn 12,8b; 26,25; 28,17-22), centro gravitacional do culto desde
então. De Jacó veio o Povo de Israel, formado pelas doze tribos oriundas de seus doze
filhos. Moisés confirma e repete essa Aliança com o Povo de Israel no Monte Sinai,
selando-a também com o sacrifício (Gn 24,1-8), que se torna o centro essencial dela, e o
seu culto significava e atualizava a união de Deus com todo e cada um do então já Povo
de Iahweh. Institui-se o sacerdócio, pois onde não há sacerdócio não
há sacrifício e onde não há sacrifício não há sacerdócio (Hb
8,3): Iahweh após a Páscoa institui o sacerdócio de Aarão (Ex 28-29).
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AS OFERENDAS E O "DÍZIMO"
Não
se pode confundir o Dízimo dos Israelitas com o mencionado em Gn 14,20 ou Gn
28,22, nem com o de outros povos, praticados em reconhecimento por algum benefício
recebido. Aquele, o Dízimo dos Israelitas, é a entrega a uma parte da Tribo de
Levi da parcela que lhe coube como herança na Terra Prometida (Nm
18,20-24), já que não recebeu uma parte da terra objeto da conquista a que teria
direito. Também, a outra parte da mesma tribo, a Casa de Aarão, que também não
tivera herança, recebia em seu lugar outras oferendas (Nm 18,1-19). Os levitas,
assim chamados os que recebiam o dízimo, também o entregavam à Casa de Aarão
(Nm 18,25-29), ramo principal dos mesmos levitas. Pode-se dizer que a Casa de
Aarão detinha o sacerdócio pleno (Ex 28-29) e os demais levitas exerciam o
sacerdócio auxiliar, entregues à Casa de Aarão em lugar dos primogênitos (Nm 3-8,
"os doados"). A Bíblia esclarece assim que o dízimo é uma das oferendas,
e que ambas significam ou representam a porção de herança da Terra Prometida devida à
Tribo de Levi, (Nm 11-18) separada para o exercício perene do sacerdócio: a
herança que lhes coube é o próprio Deus, significado no que Lhe é destinado no sacrifício:
"Iahweh disse a Aarão: 'Não terás herança alguma na terra deles e
nenhuma parte haverá para ti no meio deles. Eu sou a tua parte e a tua herança no
meio dos Filhos de Israel" (Nm 18,20)
"...os levitas não possuirão herança alguma no meio dos
Filhos de Israel, visto que são os dízimos que os Filhos de Israel separam
para Iahweh, que eu dou por herança..." (Nm 18,23-24)
"Eis o que te pertencerá das coisas santíssimas, das oferendas
apresentadas: todas as oferendas que me restituírem os Filhos de Israel, a título
de oblação, de sacrifício pelo pecado e de sacrifício de reparação; são coisas
santíssimas que te pertencerão..." (Nm 18,9). |
Facilmente se
percebe que as oferendas, dentre elas o dízimo, não eram pagamento nem
donativo nem contribuição nem qualquer outro nome do que se dá gratuitamente, mas
eram a herança da Tribo de Levi. Por isso a décima parte, o dízimo,
em virtude das doze tribos, deduzida a deles, cada uma lhes entregava um décimo, recebiam
com justiça o seu quinhão, completando-se a sua parte com as "cidades que cada
tribo lhe daria em proporção com o seu quinhão" (Nm 35,1-8). Hoje não existe essa
situação na Igreja, não havendo motivo para se falar em "dízimo ou décima
parte". Por isso colocamos no título a palavra "dízimo" entre aspas.
Também dízimo não se confunde com espórtula, esta significando as primícias
que se entregava num cesto, como acima transcrito: são coisas distintas, pois a
primícia é outra forma de oferenda. Dessa maneira, em vez de trabalharem a terra para a
própria manutenção, trabalhariam "na seara do Senhor", a serviço de Deus.
Não lhes era um pagamento, mas um direito advindo da eleição de que foram alvo: "separados"
por Iahweh para o exercício do sacerdócio, centro gravitacional do Culto da
Aliança (Ex 24,1-8). Sendo Iahweh o dono de toda a terra, dava Tribo de Levi a função
do sacerdócio e todas as oferendas que Lhe eram destinadas e Lhe pertenciam (Ex 24,8,
"...imolaram a Iahweh..."). Dessa maneira, torna-se a Tribo de Levi o ponto de
convergência de toda a atividade material e espiritual dos israelitas: a comunidade do
Povo de Iahweh unida pela Aliança e em obediência a Sua Vontade, em torno do Altar.
Além das primícias e dízimos muitas eram as oferendas
destinadas a Iahweh, tais como os primogênitos das vacas e ovelhas (Ex 22,29), a oblação
(Lv 2), as vítimas (ou hóstias) dos sacrifícios (Lv 1-7; Nm 18),
das quais algumas partes eram entregues aos sacerdotes. Essas oferendas não
substituíam nem dispensavam o dever de cada um doar espontaneamente ofertas para a
construção do templo; para o santuário e para as vestimentas para o sacerdócio (Ex
25,2...; 35,5...; 39,43); o siclo do santuário, a que cada um, sem distinção de classe,
estava obrigado (Ex 30,11-16; Mt 17,24); os dons voluntários ou votivos (Dt 12,11; Mc
12,41) etc.. Uma não dispensa a outra, pois cada uma tem uma destinação e um objetivo
adequado.
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O SENTIDO RELIGIOSO DA OFERENDA
A Bíblia, por si mesma, não revela em uma simples leitura toda a sua
dimensão cultural. Tendo sido escrita para os israelitas do tempo, seus condicionamentos
culturais não necessitavam esclarecimentos, vividos que eram por todos. Para melhor se
compreender isto basta um exemplo: imagine-se um escritor brasileiro descrevendo uma
situação confusa de hoje, que use a expressão "'embananou' o 'meio de
campo'". Para nós, culturalmente condicionados ao uso da expressão
"embananou" e pelo "futebol", fácil é a compreensão do que quisera
dizer o escritor. Mas, para um simples leitor daqui a quatro mil anos, que desconheça o
"embananar", ser-lhe-á impossível, se não fizer uma análise mais profunda de
nossa cultura, e relacionar a expressão com o efeito da "banana" e com as
regras do "futebol". Da mesma forma, a Bíblia está repleta de narrações
desse tipo, culturalmente condicionadas ao tempo em que foram escritas, exigindo análise
mais atenta para se compreendê-las. Acontece o mesmo quando se busca compreender sentido
religioso ou a teologia das oferendas na cultura israelita.
Inicialmente é de se recordar, para um melhor raciocínio, a
prática sistemática da entrega da herança da Tribo de Levi, que se constituía das
oferendas para a casa de Aarão, o sacerdócio pleno, e dos dízimos para os demais
levitas, o sacerdócio auxiliar. Tratando-se de entrega ao próprio Deus (cfr. abaixo:
"...oferece o pão do teu Deus"), desfrutavam de uma importância espiritual e
sagrada, equivalente à representação vicária de Iahweh entre as demais tribos, que se
traduzia em profundo respeito e veneração em virtude da santidade sacerdotal:
| "...o sacerdote é consagrado a
seu Deus. Tu o tratarás como santo, pois oferece o pão do teu Deus. Será santo para ti,
pois eu sou santo, eu, Iahweh, que vos santifico" (Lv 21,7c-8).
|
Formava-se então, em torno do sacerdócio, verdadeira comunidade
espiritual e mística das tribos israelitas, unindo, material e espiritualmente, todos e
cada um de todas as tribos, uns com os outros, entre si e com os sacerdotes, e por meio
destes com o próprio Iahweh. Além daquela já mencionada entrega das primícias em um
cesto (Dt 26,2-4), há ainda outra prática sistemática culturalmente condicionada,
quando se determina que se deve "comer" as oferendas:
| "Não poderás comer em tuas cidades o dízimo do teu
trigo, do teu vinho novo e do teu óleo, nem os primogênitos das tuas vacas e
ovelhas, nem algo dos sacrifícios votivos que hajas prometido, ou dos teus sacrifícios
espontâneos, ou ainda dons da tua mão, tu os comerás diante de Iahweh
teu Deus, somente no lugar que Iahweh, teu Deus, houver escolhido, tu, teu filho,
tua filha..." (Dt 12,17-18; leia-se também Dt 12,11-12; 14,22-26).
|
A seguir literalmente esta perícope, o israelita que fosse entregar
as primícias, o dízimo, os primogênitos, em suma, as oferendas,
teria que "comê-las' no lugar escolhido por Iahweh Deus", nada
entregando à Tribo dos Levitas da herança que lhe pertencia. Mas, o israelita de então
compreendeu facilmente que Deus usara os termos do Ritual do Sacrifício. As oferendas
destinada a Deus, deveriam ser consagradas ou santificadas no altar
pelo sacerdote. Delas "comeriam" o ofertante e sua família, o
sacerdote e "o próprio Deus":
| "Em relação a Iahweh vosso Deus... buscá-lo-eis somente no
lugar... escolhido... para ai colocar o seu nome e fazê-lo habitar. Levareis para lá
vossos holocaustos e vossos sacrifícios, vossos dízimos e os dons de vossas mãos,
vossos sacrifícios votivos e vossos sacrifícios espontâneos, os primogênitos das
vossas vacas e das vossas ovelhas. E comereis lá, diante de Iahweh vosso Deus, ...vós
e vossas famílias..." (Dt 12,4-7). |
É São Paulo quem esclarece com maior objetividade
o sentido da manducação das oferendas, quando afirma:
| "...os
que comem as vítimas consagradas não estão em comunhão com o altar?"
(1Cor 10,18). |
E Jesus
confirma tudo isso quando, referindo-se ao Altar, diz:
| "Cegos! Que é maior, a oferta ou
o altar que santifica a oferta?" (Mt 23,19). |
Ora, desde a Aliança do Sinai o sacrifício se
torna o centro gravitacional do culto israelita, tendo sido até mesmo concluída com a
aspersão de sangue no Altar e no Povo (Ex 24,4b-8). Nele as oferendas são "o
pão do teu Deus" (Lv 21,8), santificadas no Altar, e "comendo-as",
entra-se em comunhão com Iahweh. Então, não é outro o sentido religioso das oferendas,
ou a sua teologia: Por meio delas, "comendo-as" num sacrifício,
entra-se em comunhão com Iahweh.
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AS OFERENDAS E O SACRIFÍCIO
A Bíblia
nos mostra várias conotações dos sacrifícios israelitas, pelo que se torna
indispensável o exame de algumas, mesmo superficialmente, para que se compreenda o que é
um sacrifício e se fundamente a sua finalidade. Inicialmente, é de se mencionar o que
poder-se-ia denominar de substituição, desde quando da entrega pelo próprio Deus
de um cordeiro para ser imolado por Abraão no lugar de seu filho unigênito Isaac,
eficazmente aceito (Gn 22,13.16). Usada também nos holocaustos (Lv 1,4), nos sacrifícios
de reparação ou pelo pecado (Lv ,15-20.24-26.29-31.33-35 etc.), bem como nos
sacrifícios de comunhão, de eficácia reconhecida:
| Porá a mão sobre a cabeça da vítima... O sacerdote fará assim o rito
de expiação para esse homem, e ele será perdoado" (Lv 4,29-31).
|
A
substituição de maior relevância que se conhece é a de Jesus Cristo, a vítima do
pecado:
| "Mas
Deus demonstra seu amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando
éramos ainda pecadores" (Rm 5,8). |
Outra conotação subjacente ao sacrifício é a solidariedade, advinda da
Aliança, de todos e de cada um dos membros do Povo de Israel, tanto no bem como no mal
que a comprometesse. É o que retrata o episódio de Acã:
| "Mas
os filhos de Israel tornaram-se culpados de violação do anátema: Acã... apoderou-se de
coisas que estavam sob anátema; e a ira de Iahweh inflamou-se contra os filhos de
Israel" (Jos 7,1). |
Um só membro, de uma única tribo, violou a determinação de Deus e todos os
filhos de todas as tribos de Israel caíram sob a ira de Iahweh, e perderam a batalha de
Hai! Somente após o castigo do culpado é que se consegue conquistá-la (Jos 7,1-26).
Aqui aparece a solidariedade no mal com a derrota havida com a transgressão e a
solidariedade no bem com a vitória após o castigo do transgressor. Esta solidariedade
vem também quando Deus poupa os israelitas por intercessão de Moisés (Ex 32,30-34),
pela ação de Finéias em Fregor (Nm 25,10-11), na figura do Servo de Deus (Is 53,4-6.12)
e várias outras passagens. Destaca-se a Obra da Redenção de Jesus que trouxe o bem,
livrando-nos do mal que trouxe Adão. São Paulo resume essa noção de solidariedade,
indispensável para a compreensão do sacrifício, ao dizer:
| E se as
primícias são santas, a massa também o será; e, se as raízes são santas, os ramos
também o serão (Rm 11,16). |
Apenas estes dois elementos foram suficientes para os Israelitas de então
compreenderem o sentido e o alcance da ordem de comer as oferendas no lugar indicado
por Deus: somente uma parte delas seria comida e em
sacrifício, significando-as em sua totalidade, para a santificação. À
santificação da parte corresponderia a santificação do todo. Comeriam-nas
o ofertante e sua família, o sacerdote e, com a queima de algumas partes delas, o
próprio Deus (Lv 3,5,16 etc.), estabelecendo-se então a santificação de todos
com a santificação da parte.
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AS OFERENDAS, O SACRIFÍCIO E A SANTIDADE
Outros elementos existem, indispensáveis para a compreensão da necessidade
espiritual da entrega das oferendas num altar. Deus se compromete com os Filhos de Israel,
a partir da Aliança com o Patriarca Abraão, a torná-los "um reino de sacerdotes e
uma nação santa" (Ex 19,6). Pode-se dizer que a santidade é o objetivo principal
da Aliança, pois Deus é santo e tudo o que lhe pertencer deve ser santo:
| "Sede santos, porque Eu, Iahweh vosso Deus sou santo" (Lv 1-2).
|
Ninguém, porém, por si só, pode ser santo; é Deus quem
santifica e Ele mesmo dá as normas para a santificação:
| "Guardareis
os meus estatutos e os praticareis, pois sou eu, Iahweh, que vos santifico" (Lv
20,8). |
Também especifica as normas rituais (Lv 1-7), as legais
(Lv 11-16), as morais (Lv 17-23; Ex 20-23) e até mesmo as sacerdotais (Lv 8-10) para essa
santificação, cujos princípios basilares podem se resumir em dois:
o primeiro já foi mencionado: só Deus é Santo e santifica o que lhe
pertence, principalmente o Seu Povo; e,
o segundo: o comportamento de cada um e de todo o Povo de Iahweh reflete a
Santidade de Deus, dada a exigência do cumprimento de normas de santidade de vida,
corporificados no Decálogo e no Código da Aliança etc..
A Santidade é um atributo de Deus. No entanto, no Homem, mesmo
sendo exigida a interior (Ex 20,17; Dt 5,21), é exteriorizada apenas pelo comportamento
ou conduta. E é-lhe impossível ser santo como Deus o é. Pode refleti-la como num
espelho, pelo seu comportamento ou conduta, seja familiar, seja profissional, seja social
(Mt 5,16). Antes do pecado original, o Homem é a imagem de Deus (Gn 1,26; Sl
8,6; Sb 2,23; 2 Pe 1,4; Col 3,10; 2 Cor 3,18; Rm 8,29); após o pecado Adão gera um filho
que reflete então a imagem de Deus comprometida, "imagem de
Adão" (Gn 5,3), sem as perfeições naturais recebidas antes (Gn 1,26), não mais a
mesma Santidade de Deus. O retor-no do Homem a Deus, à Vida em Graça,
refletindo em si mesmo a santidade de Deus perdida, é obra da Redenção em
Jesus Cristo que o faz Homem Novo:
| "...os
que de antemão ele conheceu, esses também predestinou a serem conformes à imagem de seu
filho, a fim de ser ele o primogênito entre muitos irmãos" (Rm 8,29).
|
Essa Redenção estava "em germe" na Obra de
Santificação e já se operava no Povo de Israel, "em figura". É a mesma
dinâmica da solidariedade da parte com o todo:
| "Israel era santo para Iahweh,
as primícias de sua colheita" (Jr 2,3 |
Com a Santificação das Primícias vai se operar a Santificação da Massa toda
(Rm 11,16). Esta santificação está estreitamente vinculada à Aliança que Deus
contraiu com o Povo no Sinai, que ratifica o comportamento fiel dos Patriarcas, que
andaram com Deus: - Noé foi libertado da cor-rupção do mundo por ser justo
e andar com Deus (Gn 6,9); os Patriarcas, libertos do paganismo, firmam uma Aliança
com Deus (Gn 12,1; Jos 24,1-13); e, finalmente tirou o então formado Povo de Deus do
Egito para dar-lhe a Terra Prometida, os Mandamentos e o Código da Aliança. Em cada uma
dessas ocasiões foi oferecido um sacrifício com a aspersão do sangue no Altar e, por
último, também no Povo:
| "...depois
que Moisés proclamou a todo o povo cada Mandamento da Lei, ele tomou o sangue de novilhos
e de bodes... e aspergiu o próprio livro e todo o povo, anunciando: 'Este é o sangue da
Aliança que Deus vos ordenou.' Em seguida ele aspergiu com o sangue a tenda e todos os
utensílios do culto. Segundo a lei, quase todas as coisas se purificam com sangue; e sem
efusão de sangue não há remissão" (Hb 9,19-22). |
Surge outro elemento integrante do sacrifício, o sangue que
expia, e "sem a efusão dele não há purificação e remissão" (Lv 8,15.24.30;
9,15-18; 16,19; 17,11), aliado ao "altar que santifica a oferenda" (Mt 23,19),
exigindo a consagração dos sacerdotes e dos utensílios para o culto (Ex 25-30),
destacando-se:
| "Oferecerás
pelo altar um sacrifício pelo pecado, quando fizeres por ele a expiação, e o ungirás
para consagrá-lo. Durante sete dias farás a expiação pelo altar, e o consagrarás;
assim, o altar será santíssimo, e tudo que o tocar será santificado" (Ex
29,36-37). |
Depara-se com um ritual especial, a unção sagrada, e é o
próprio Deus que determina o modo de prepará-la para os fins específicos da
santificação de tudo, até mesmo dos sacerdotes:
| "...farás
um óleo para a unção sagrada... com ele ungirás... o altar dos holocaustos...
consagrarás essas coisas e serão muito santas; quem as tocar ficará santificado.
Ungirás também a Aarão e seus filhos e os consagrarás para que exerçam o sacerdócio
em minha honra" (Ex 30,25-30). |
Conclui-se que pela unção sagrada santifica-se o altar e o sacerdote,
oferecendo-se em seguida o sacrifício pelo pecado (Ex 29,36) para a eficácia do ato, eis
que a vítima oferecida completa o ritual, pois sem a hóstia ou oferenda não há
sacrifício, nem santificação. Só se completa o ato litúrgico com a oferenda
queimada em suave perfume de agradável odor a Iahweh (Lv 3,5). Pela importância do
sacrifício somente dele poder-se-ia participar quem estivesse em estado de pureza legal e
de santidade (cfr. Lv 7,20-21; 11,44-45). Caso algo as comprometesse dever-se-ia purificar
antes, conforme rituais específicos (Lv 11,25.28.32.40). No caso da santidade violada
havia ainda os sacrifícios: o holocausto, o sacrifício de expiação ou o sacrifício de
reparação ou o sacrifício pelo pecado. Impunha-se as mãos sobre a cabeça da vítima
perfazendo-se a substituição do ofertante por ela (Lv 1,4). No holocausto a vítima toda
é queimada [o fogo, desde Abraão, significa o próprio Iahweh (Gn 15,17)], por ninguém
comida, estando eivada pelo pecado do ofertante. Já nos sacrifí-cios pelo pecado algumas
partes eram comidas apenas pelos sacerdotes e outras queimadas (Lv 6,19.23). Não é a
estes tipos de sacrifícios que Iahweh se refere quando determina a manducação das
oferendas.
O Israelita compreendeu, sem esforço algum, que Iahweh se referia à refeição sagrada
ou sacrifício de comunhão, do qual todos comem (Lv 3,1-7), quando
determinou que as oferendas as primícias e o dízimo fossem comidas (Dt
12,17-18; leia-se também Dt 12,11-12; 14,22-26)., e muito mais ainda. Compreendeu que,
além da comunhão que se estabelecia, acontecia a santificação do todo pela
santificação da parte. A partir da santificação da oferenda estabelecia-se a dos
partici-pantes do sacrifício, do ofertante e sua família e seus convidados, e até mesmo
a tribo e todo o Povo de Israel: pela entrega da herança de Levi ao sacerdote e em se
comendo das coisas santificadas tonava-se santificado e em comunhão uns com
os outros e com Iahweh.
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A TEOLOGIA DAS OFERENDAS
Tudo isso
explodiu no Cristianismo sem dificuldades ou óbices de qualquer espécie. Cristo nunca se
referiu à fundação de nova religião, nem insinuou uma vez sequer uma separação do
judaísmo. Os Apóstolos e os primeiros cristãos continuaram freqüentando o templo e as
cerimônias litúrgicas dos judeus (Lc 24,53; At 2,46; 3,1 etc.). O próprio Jesus
dissera:
| "Não penseis que vim revogar a Lei e os Profetas. Não vim
revogá-los, mas dar-lhes pleno cumprimento, porque em verdade vos digo que, até que
passem o céu e a terra, não será omitido nem um "iota", nem um
"til" da Lei, sem que tudo seja realizado" (Mt 5,17-18). |
Por causa dessa afinidade e continuidade, todo o aculturamento
religioso que não conflitava com a doutrina de Cristo penetrou nos rituais litúrgicos da
Igreja. Principalmente na Fração do Pão, a Eucaristia, de que os sacrifícios
israelitas eram "figura" (1 Cor 10,6.11; Rm 15,4; Hb 9,24; Gl 4,24-26):
"Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue é
verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e
eu nele" (Jo 6,56).
"...Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e
disse: 'Isto é o meu corpo, que é para vós; fazei isto em memória de mim.' Do mesmo
modo, após a ceia, também tomou o cálice, dizendo: 'Este cálice é a nova aliança em
meu sangue; todas as vezes que dele beberdes, fazei-o em memória de mim" (1 Cor
11,23-25). |
Jesus se apresenta como a vítima, a própria oferenda, a
essência de todo o sacrifício e desde o Antigo Testamento fonte da comunhão do Homem
com Deus. Quando anuncia a Ceia Eucarística (Jo 6) os judeus arrepiam-se ao ouvirem-no
falar em "comer a sua carne" e "beber o seu sangue".
Compreenderam, aculturados tal como seus antepassados, que Jesus
seria a vítima ou hóstia do sacrifício (Jo 6,69). Da mesma forma sentiram profunda
aversão, culturalmente comprometidos, com a modificação em "beber o sangue",
o que lhes fora sempre vedado (Lv 12,16.23). O sangue era considerado "a sede da
vida":
| "Porque a vida da carne está no sangue. E este sangue eu vo-lo tenho
dado para fazer o rito de expiação sobre o altar, pelas vossas vidas; pois é o sangue
que faz a expiação pela vida" (Lv 17,11). |
Já os primeiros cristãos compreenderam que o sacrifício que lhes
era entregue era o de comunhão, pois dele comeriam todos, tal como na refeição sagrada,
e ao "beberem o sangue" beberiam a "Vida de Cristo". Tanto é assim
que São Paulo o compara com os sacrifícios pagãos distinguindo-os do sacrifício
israelita (1 Cor 10,14-20). Destaca além do caráter sacrificial dele, também o caráter
sacramental pela "comunhão com o corpo e com o sangue do Senhor" (1 Cor 10,16),
dEle recebendo a vida divina, a graça:
| "Assim
como o Pai, que vive, me enviou e eu vivo pelo Pai, também aquele que de mim se alimenta
viverá por mim..." (Jo 6,57). |
Receber a Vida de Cristo é santificar-se, "cumprindo em
plenitude o que os sacrifícios antigos prefiguravam" (Hb 9,9-14). Jesus vincula o
seu sacrifício à Aliança do Sinai (Ex 24,8), "cumprindo-a" (MT 5,17-18):
"Este é o Cálice da Nova
Aliança em meu Sangue..." (! Cor 10,25).
"Este é o Sangue da Aliança que Iahweh fez conosco..." (Ex
24,8). |
Assim, cada vez que se celebra a Eucaristia e se come e se
bebe o corpo e o sangue do Senhor, o sangue dEle é aspergido em todo o "corpo
místico de Cristo", a Igreja (Ef 1,22-23; Col 1,18), "santificando-o".
"Perpetua" a Aliança de Moisés (Ex 24,8) e o "sacrifício da cruz"
(Sacrosanctum Concilium n.º 47). Jesus é o "Santo de Deus" (Jo 6,69).
Não há um só elemento em figura nos sacrifícios israelitas que não esteja
em plenitude no Sacrifício da Eucaristia. Para Ela é que se convergem, da
mesma forma, as oferendas, não mais como a herança de uma tribo ou sacerdotal, mas a
herança do Corpo Místico de Cristo em toda a plenitude. É também, até mesmo pela
simples entrega delas, a unificação de todos, material e es-piritualmente,
santificando-se na oferenda consagrada, ao comer cada um e todos a hóstia (=vítima)
santa, antecipando-se o Banquete Messiânico (Lc 22,18; 1 Cor 11,26) da Comunidade
Eclesial en-tão formada, pela manducação do Corpo do Senhor. Jesus é a própria
oferenda, não como entre os Israelitas onde Deus se significava nela para alimentar uma
tribo; agora é o próprio Jesus Res-suscitado, o Filho de Deus Vivo, o Santo de Deus, que
alimenta o Seu Próprio Corpo, unificando-O e santificando-O:
| "Já que há um só pão, nós, embora muitos, somos um só corpo,
visto que todos participamos desse único pão ... aqueles que comem as vítimas
sacrificadas não estão em comunhão com o altar?" (1 Cor 10,17).
|
Com as oferendas depositadas no altar durante o Ofertório, na
consagração da hóstia, atinge-se a comunhão com Deus e com os irmãos, no Corpo
Místico de Cristo e recebendo o próprio Cristo, no corpo e sangue, o cristão volta a
refletir a "imagem de Deus" perdida pelo pecado:
| "E
nós que, com a face descoberta refletimos como num espelho a Glória do Senhor, somos
transfigurados nessa mesma imagem, cada vez mais resplandecente, pela ação do Senhor,
que é Espírito" (2 Cor 3,18). |
De tudo o que foi exposto conclui-se que a oferenda é um culto a Deus, a
participação do trabalho humano, tal como se diz no início da Missa, na
constituição material da vítima (=hóstia) consagrada, a oferenda santa por
excelência, o próprio Corpo e Sangue de Cristo, a essência do sacrifício, a
unificação, centro e ápice da comunhão e santificação da Igreja, em plenitude. Com a
oferenda se participa na Obra de Santificação de todo o mundo pela santificação de uma
parte. É ser vítima consagrada com Cristo, em união plena e indissolúvel. Faz-se parte
de toda a atividade da Igreja tal como o Catecismo enseja, participando de toda a
satisfação das necessidades dela, de forma que ela possa dispor do necessário
para o culto divino, para as obras apostólicas e de caridade e para a honesta
sustentação de seus ministros. Além de vítima ou hóstia o fiel deve ter
consciência da sua participação também em todo ato litúrgico, tanto nos demais
sacramentos, onde está presente materialmente com o fruto dos rendimentos de seu
trabalho, bem como em toda e qualquer obra da ou ato Igreja, sem outro interesse que a
comunhão com Deus, nunca a espera de qualquer recom-pensa ou fortuna. Não é um negócio
que faz com Deus, é um ato litúrgico, um culto.
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O QUE A OFERENDA NÃO É...
Não é "dízimo": assim denominá-la é
minimizá-la, e encará-la "apenas" como solução dos problemas
econômico-financeiros da comunidade ou como meio de sustentação do clero ou do culto;
é desvirtuá-la, desviando-a de sua finalidade precípua e fundamental de meio por
excelência de comunhão com o Pai, com o Filho e com o Espírito Santo. A oferenda é um
culto a Deus, um ato litúrgico praticado pelo Homem Todo na Comunidade Eclesial, que
assim se santifica oferecendo o seu trabalho para a santificação de toda a Igreja e do
mundo todo, doando-se a si mesmo e tornando-se vítima com Jesus.
Não tem um valor estipulado em porcentagem, mas deve,
"conforme as possibilidades de cada um, prover às necessidades da Igreja, de forma
que ela possa dispor do necessário para o culto divino, para as obras apostólicas e de
caridade e para a honesta sustentação dos seus ministros", o que indica a
transparência com a mais ampla divulgação do plano pastoral e plena participação de
cada um, conforme a sua própria vocação pessoal, bem como o orçamento e a receita da
paróquia.
A oferenda não isenta o fiel de outras participações, até
mesmo de caráter extraordinário que possam ocorrer ou de qualquer outra natureza,
necessárias e concernentes para a vida comunitária. Não se confunde com os deveres
individuais de caridade nem os substitui ou anula, nem ainda com as obrigações sociais
de cada pessoa ou obras de misericórdia. Também não substitui a espórtula, que ocupa o
lugar das primícias devidas a Deus, que, por sua vez, também não se confunde nem impede
a participação com oferendas voluntárias ou votivas
A oferenda não é uma doação, deve ser entregue, é um
direito da Igreja (Mt 10,10; 1Cor 9,11-14). Não pode ser objeto de nenhuma organização
de controle ou fiscalização, no que vai contrariar a vivência do fiel no seu conteúdo
doutrinário. Estará "pagando", não "comungando", nem
"cultuando".
"Deus não faz acepção de pessoas" (Dt 10,17; At 10,34; Rm
2,11; Gl 2,6; Ef 6,9; Cl 3,25; Tg 2,1; 1Pe 1,17), não cabendo a classificação
meritória de "dizimistas", por vários outros motivos:
Contraria toda a "teologia comunitária" da
oferenda, com a qual se estabelece pela própria natureza dela a vida em comunhão com
Deus e com todo o Povo de Deus pelo sacrifício.
Fere a realidade do Corpo Místico de Cristo, que não é uma
figura de ficção. Qualquer contribuição pessoal, por mais individual que seja, é a
participação de todos na santificação dos membros, principalmente aqueles que nada
possuem e não podem doar nada, devendo ser muitas vezes objeto da
"misericórdia" da comunidade de fiéis. Apesar dessa situação deles, também
participam igualmente do Corpo Místico de Cristo (Fl 1,12; 3,10; Cl 1,24; 1Cor 10,16; 2Tm
1,8).
Estabelece uma distinção que não pode existir no
Sacrifício Missa ou Eucaristia, pois sendo a oferenda um culto que a Igreja presta a
Deus, estabelece-se neste culto uma discriminação comunitária. Não se deve perder de
vista que uma das "virtudes" que o fariseu apontou contra o
"publicano" da Parábola foi o de "pagar o dízimo de todos os seus
rendimentos" (Lc 18,12) e nem por isso foi justificado...
A oferenda deve ser entregue em virtude de seu sentido espiritual e
religioso, sem outro interesse que o litúrgico, um culto, sentindo o fiel a sua
participação no Sacrifício de Cristo como Hóstia ou Vítima, um só Corpo com Ele,
não se insinuando na Igreja o sentido material desligado do religioso, para também por
esse meio se santificar e se sacramentar o humano.
José Haical Haddad
Rua Dr. Francisco Sales, 166
Caixa Postal 50
Lavras - Minas Gerais
BIBLIOGRAFIA
1. Introdução à Bíblia
- 10 vols. Direção Geral: P. Teodorico Ballarini, OFM Cap., VOZES.
2. La Sainte Bible - 16 vols., Sous la Direcion de Louis Pirot et Albert
Clamer - Paris.
3. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo - Russell Norman
Champlin.
4. Los Evangelios Apocrifos - Aurelio de Santos Otero. Biblioteca de Áutores
Cristianos.
5. Nuevo Testamento Trilingüe - José Maria Bover y José O'Callaghan - BAC,
Madrid.
6. Chave Lingüística do N. Testamento Grego - Fritz Rienecker/Cleon
Rogers.Vida Nova.
7. Vida de Cristo - Giuseppe Ricciotti.
8. Antologia dos Santos Padres - Cirilo Folch Gomes, OSB.
9. Patrologia - Berthold Altaner e Alfred Stuiber
10 Verbum Dei, Comentario a la Sagrada Escritura - B. Orchard e outros; 4
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11. Novo Testamento - Tradução Portugueza, 1909, Bahia, Typ. de S.
Francisco.
12. Teologia do Evangelho de São João - Bento Silva Santos, OSB.
13. A Interpretação do Quarto Evangelho - C. H. Dodd.
14. O Evangelho de São João - Juan Mateos e Juan Barreto.
15. Synopse des Quatre Évangiles - P. Benoit & M. -E. Boismard
Tome I Textes
Tome II (Apresentam uma teoria de "Como se formaram os
Evangelhos")
Tome III - L'Évangile de Jean
16. O Antigo Testamento, Fonte de Vida Espiritual - Paul-Marie De La Croix.
17. O PAI: Deus em Seu Mistério - François-Xavier Durrwell.
18. Vários Comentários aos Evangelhos.
19. Metodologia do Novo Testamento - Wilhelm Egger.
20. Jesus Existiu? - René Latourelle.
21. Mysterium Salutis - 27 vols. - Diversos Autores - Vozes.
22. Suma Teológica - São Tomás de Aquino, 3ª Parte, Questões 73 a 83.
23. Catecismo da Igreja Católica - João Paulo II.
24. Diversa Monografia do Tema "DÍZIMO'.
25. Vocabulário de Teologia Bíblica, Direção de Xavier Léon-Dufour S. J., mais 70
exegetas, Tradução de Fr. Simão Voigt.
26. Dicionário Enciclopédico da Bíblia, A. Van Den Born, Ed. Vozes.
27. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, Lothar Coenen -
Colin Brown, 4 volumes, Edições Vida Nova.
28. O Novo Dicionário da Bíblia, Editor Organizador - J. D. Douglas, e vários
assistentes, 2 volumês, Edições Vida Nova.
29. Dicionário Bíblico, John L. Machenzie, Edições Paulinas.
30. Dicionário Bíblico, Mons. A. Vincent, Edições Paulinas.
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