Domingo, 1 de junho de 2008
9º do Tempo Comum, Ano “A”, 1ª Semana do Saltério (Livro III), cor litúrgica Verde
Olhai para mim, Senhor, e tende piedade, pois vovo sozinho e infeliz. Vede minha miséria
e minha dor e perdoai todos os meus pecados! (Sl 24, 16.18)
Hoje: Dia Nacional da Imprensa
Santos: Justino (165, mártir palestino), Cândida, Herculano de Piegaro, Afonso Navarrete, Fernando Ayala, João Story, Tespésio (Séc. III, Capadócia), Isquirião (Séc. III, Egito), Próculo (Séc. III, Itália), Inácio (Espanha), Panfílio (309, mártir, Cesaréia da Palestina), Valêncio, Branca, Próculo (542, bispo) e Próculo (304, soldado), Caprásio (430), Vistrano (849), Simeão (1035, Siracusa/Sicília), Êneco (1057, abade), Teobaldo de Alba (1150), João Pelingotto (1304), Herculano de Piegaro (1451), João Storey (15,71, beato, mártir), Félix de Nicósia (1787, beato)
Oração: Ó Deus, cuja providência jamais falha, nós vos suplicamos humildemente: afastai de nós o que é nocivo e concedei-nos tudo o que for útil. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
1ª
Leitura: Deuteronômio (Dt 11, 18.26-28.32)
Eis que ponho diante de vós bênção e maldição
Moisés falou ao povo dizendo: 18"Incuti estas minhas palavras em vosso coração e em vossa alma; amarrai-as, como sinal, em vossas mãos e colocai-as como faixas sobre a testa. 26Eis que ponho diante de vós bênção e maldição; 27a bênção, se obedecerdes aos mandamentos do Senhor vosso Deus, que hoje vos prescrevo; 28a maldição, se desobedecerdes aos mandamentos do Senhor vosso Deus e vos afastardes do caminho que hoje vos prescrevo, para seguirdes outros deuses que não conhecíeis. 32Tende, pois, grande cuidado em cumprir todos os preceitos e decretos que hoje vos proponho". Palavra do Senhor!
Salmo: 30(31), 2-3a.3bc-4.17 e 25 (R.3b)
Senhor, eu ponho em vós a confiança:
sede uma rocha protetora para mim!
Senhor, eu ponho em vós minha esperança; que eu não fique envergonhado eternamente! Porque sois justo, defendei-me e libertai-me apressai-vos, ó Senhor, em socorrer-me!
Sede uma rocha protetora para mim, um abrigo bem seguro que me salve! Sim, sois vós a minha rocha e fortaleza; por vossa honra orientai-me e conduzi-me!
Mostrai serena a vossa face ao vosso servo, e salvai-me pela vossa compaixão! Fortalecei os corações, tende coragem, todos vós que ao Senhor vos confiais.
II
Leitura: Romanos (Rm 3, 21-25a.28)
O homem é justificado pela fé sem a prática da lei
Irmãos, 21agora, sem depender do regime da Lei, a justiça de Deus se manifestou, atestada pela Lei e pelos profetas; 22justiça de Deus essa, que se realiza mediante a fé em Jesus Cristo, para todos os que têm a fé. Pois diante desta justiça não há distinção: 23todos pecaram e estão privados da glória de Deus, 24e a justificação se dá gratuitamente, por sua graça, em virtude da redenção realizada em Jesus Cristo. 25aDeus destinou Jesus Cristo a ser, por seu próprio sangue, instrumento de expiação mediante a realidade da fé. 28Com efeito, julgamos que o homem é justificado pela fé, sem a prática da Lei judaica. Palavra do Senhor!
Evangelho: Mateus (Mt 7, 21-27)
Por em prática a vontade do Pai
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 21"Nem todo aquele que me diz: 'Senhor, Senhor', entrará no Reino dos céus, mas o que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus. 22Naquele dia, muitos vão me dizer: 'Senhor, Senhor, não foi em teu nome que profetizamos? Não foi em teu nome que expulsamos demônios? E não foi em teu nome que fizemos muitos milagres?' 23Então eu lhes direi publicamente: 'Jamais vos conheci. Afastai-vos de mim, vós que praticais o mal'. 24Ponanto, quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática, é como um homem prudente, que construiu sua casa sobre a rocha. 25Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos deram contra a casa, mas a casa não caiu, porque estava construída sobre a rocha. 26Por outro lado, quem ouve estas minhas palavras e não as põe em prática, é como um homem sem juízo, que construiu sua casa sobre a areia. 27Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos sopraram e deram contra a casa, e a casa caiu, e sua ruína foi completa!" Palavra da Salvação!
Dizer e fazer[1]
O tema dos dois caminhos é tão antigo como a Sagrada Escritura (1ª leitura). A experiência nômade do povo de Israel está na origem desse tema: Israel, de fato, foi constantemente chamado a escolher entre o caminho que leva à meta e o que leva à dispersão e à idolatria. Um vocabulário que se baseia totalmente no termo "caminho" exprime a experiência do povo eleito: extravio, pedra de tropeço, conversão ou volta ao caminho certo, guia que indica a estrada, e pegadas seguidas pelo povo.
Os dois caminhos
O tema dos dois caminhos se encontra no Novo Testamento mais espiritualizado, mas não menos exigente. O cristão deve escolher entre o caminho estreito", que coincide com o plano de Deus e o "caminho largo" que não se preocupa com Deus; entre Deus e Mamon, entre o Espírito e a carne, entre a vida e a morte, entre a luz e as trevas...
Os primeiros cristãos, denominando Cristo e a Igreja com o temo caminho", manifestavam sua vontade de deixar o caminho de dispersão para confiar-se a Jesus como guia, às indicações de sua Palavra é à economia sacramental da Igreja.
O evangelho, na conclusão do sermão da montanha, exprime, de outra forma, o tema dos dois caminhos, das duas atitudes diante da palavra de Deus. Encontra sua unidade na palavra "fazer", "pôr em prática". É preciso "fazer" a vontade do Pai que está nos céus (v. 21), por em pratica" as palavras ouvidas (tema da parábola dos dois filhos: Mt 21,28-30). A parábola das duas casas construídas sobre a rocha ou sobre a areia também trata da oposição entre ouvir apenas e por em prática". Não há religião cristã sem uma opção concreta (o caminho), e não há opção concreta sem empenho ativo (fazer e não só falar).
Como são numerosos, mesmo no povo de Deus, os hábeis oradores, os profetas inúteis, os sábios exegetas... e quão poucos os cristãos empenhados, comprometidos com os problemas, dispostos a dar até a vida pelo que dizem!
O teste da vida cristã
O teste não está no plano das palavras, das veleidades ou boas intenções. De fato, só a palavra não é suficiente; é fugaz, sutil, traiçoeira; seduz e oculta, ilude e sugestiona. A medida do teste está no "fazer". A ação é mais facilmente controlável, confronta-se inevitavelmente com as coisas e os acontecimentos, revela o que se é de fato. A ação pode falhar, mas dificilmente consegue ocultar seu insucesso. Os fatos são testemunho público: julgam-nos pelo que somos, nos absolvem ou nos condenam muito mais do que nossas palavras. As ações são, antes, um teste das nossas palavras. No entanto, pode-se trapacear de dois modos: elaborando palavras vazias e declarações inúteis, ou acumulando ações sem alma. As ações e as obras também podem iludir e tornar-se ocasião de complacência farisaica, de segurança e ostentação. Se, por um lado, Jesus põe de sobreaviso os que se firmam nas palavras e estéreis invocações do nome de Deus, por outro, não poupa seus ais àqueles que confiam nas obras, que pensam ser salvos pelas praticas e pela observância vazia das Tradições e da Lei.
"A fé deve ser integrada na vida, isto é, a consciência do cristão não conhece fissuras; é profundamente unitária.
A dissociação entre fé e vida é grave risco para o cristão, principalmente em certos momentos da idade evolutiva, ou diante de certos compromissos concretos".
Nem verbalismo nem eficientismo
Se a nossa fé não pode ser reduzida ao "dizer", a uma oração separada da vida, convém lembrar, entretanto, que ela não coincide tampouco com o "fazer". Isto é lembrado especialmente hoje, quando tudo na sociedade nos leva a medir os valores, os acontecimentos e as pessoas na base do critério da eficiência, do sucesso, do lucro, da promoção na carreira profissional..., isto é, na base de um fazer que nada tem de evangélico. O agir do evangelho nada tem a ver com o conceito de eficiência e sucesso. Pelo contrário, freqüentemente é um agir. do ponto de vista humano, coroado pelo insucesso e pelo malogro mais paradoxal. Humanamente falando, a vida de Cristo não termina com o sucesso, mas com a mais humilhante falência: a condenação, o abandono dos discípulos, a morte infame na cruz. Mas é precisamente neste insucesso que o mistério da salvação e o triunfo da Páscoa lançam suas raízes.