Domingo, 3 de fevereiro de 2008

4ª Semana do Tempo Comum, Ano “A” 4ª Semana do Saltério (III Volume), cor Verde

 

Salvai-nos, Senhor nosso Deus, reuni vossos filhos dispersos pelo mundo, para

que celebremos o vosso santo nome e nos gloriemos em vosso louvor. (Sl 105, 47)

 

Hoje: São Brás, Bispo, Mártir, Memória Facultativa, cor vermelha (não celebrado por ser domingo)

 

Santos do Dia: Adelino de Dinant (abade), Anatólio de Salins (bispo), Brás de Sebaste (Mártir, Armênia), Berlinda de Meerbeke (monge, bispo), Celerino de Cartago (mártir), Celsa e Nona (virgens de Brabant), Claudina Trevenet (religiosa), Deodato de Lagny (monge), Elinando de Froidmont (monge), Félix, Sinfônio, Hipólito e Companheiros (mártires da África), Filipe de Viena (bispo), Francisco Blanco e Companheiros (Mártires de Nagasaki), Ia de Cornwall (virgem, mártir), Laurentino, Inácio e Celerina (mártires da África), Lourenço de Spoleto (bispo), Lourenço de Cantuária (monge, bispo), Lupicínio e Félix (bispo), Margarida da Inglaterra (virgem), Olivério de Portonuovo (monge), Teodoro de Marselha (bispo), Tígrides e Remédio (bispos de Gap), Werburga de Chester (virgem), Werburga de Mercia (mãe de família, depois monja), Ana Maria Rivier (religiosa, bem-aventurada), Estêvão Bellesini (agostiniano, mártir, bem-aventurado), João Nelson (jesuíta, mártir, bem-aventurado), João Zakoly (bispo, bem-aventurado), Joaquim de Sena (religioso, bem-aventurado), Mateus de Girgenti (bispo, bem-aventurado), Nicolau Saggio de Longordi (religioso, bem-aventurado), Odorico Mattiuzzi (franciscano, bem-aventurado), Pedro de Rufia, Antonio Pavoni, Bartolomé Cerveri (presbíteros, mártires, bem-aventurados), Simão Fidati (agostiniano, bem-aventurado)

 

Oração do Dia: Concedei-nos, Senhor nosso Deus, adorar-vos de todo o coração, e amar todas as pessoas com verdadeira caridade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

I Leitura: Sofonias (Sf 2, 3; 3, 12-13)

Na Galiléia, o povo viu brilhar uma grande luz

 

3Buscai o Senhor, humildes da terra, que pondes em prática seus preceitos; praticai a justiça, procurai a humildade; talvez achareis um refúgio no dia da cólera do Senhor. 12E deixarei entre vós um punhado de homens humildes e pobres. E no nome do Senhor porá sua esperança o resto de Israel. 13Eles não cometerão iniqüidades nem falarão mentiras; não se encontrará em sua boca uma língua enganadora; serão apascentados e repousarão, e ninguém os molestará. Palavra do Senhor!

 

 

Salmo: 145 (146), 7.8-9a.9bc-10 (R/. Mt 5, 3)

Felizes os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus.

 

7O Senhor é fiel para sempre, faz justiça aos que são oprimidos; ele dá alimento aos famintos, é o Senhor quem liberta os cativos.


8O Senhor abre os olhos aos cegos o Senhor faz erguer-se o caído; o Senhor ama aquele que é justo, 9aé o Senhor quem protege o estrangeiro.


9bcEle ampara a viúva e o órfão mas confunde os caminhos dos maus. 10O Senhor reinará para sempre! Ó Sião, o teu Deus reinará para sempre e por todos os séculos!

 

 

II Leitura: 1 Coríntios (1Cor 1, 26-31)

     Deus escolheu o que o mundo considera como fraco

 

26Considerai vós mesmos, irmãos, como fostes chamados por Deus. Pois entre vós não há muitos sábios de sabedoria humana nem muitos poderosos nem muitos nobres. 27Na verdade, Deus escolheu o que o mundo considera como estúpido, para assim confundir os sábios; Deus escolheu o que o mundo considera como fraco, para assim confundir o que é forte; 28Deus escolheu o que para o mundo é sem importância e desprezado, o que não tem nenhuma serventia, para assim mostrar a inutilidade do que é considerado importante, 29para que ninguém possa gloriar-se diante dele. 30É graças a ele que vós estais em Cristo Jesus, o qual se tornou para nós, da parte de Deus: sabedoria, justiça, santificação e libertação, 31para que, como está escrito, “quem se gloria, glorie-se no Senhor”. Palavra do Senhor!

 

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 5, 1-12a)

Bem-aventurados os pobres em espírito

 

Naquele tempo, 1vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, 2e Jesus começou a ensiná-los: 3“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus. 4Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados. 5Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra 6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. 9Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. 11Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. 12aAlegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus. Palavra da Salvação!

 

 

 

 

Felizes os pobres [1]

 

O evangelho das bem-aventuranças domina a liturgia da Palavra deste domingo. É a primeira parte do sermão da montanha.

 

Jesus. subindo ao monte nos aparece como o Novo Moisés, promulgador da nova Jei ("mas eu vos digo...!") no novo Sinai. Proclamando bem-aventurados os pobres e os humildes, Jesus fala a linguagem que Deus já havia usado com seu povo através dos profetas, como, por ex., Sofonias, que ouvimos na 1~ leitura. A mesma linguagem emprega são Paulo (2ª leitura): os primeiros a serem chamados são sempre os pequenos, os pobres, os que o mundo despreza, mas que são grandes no reino dos céus.

 

Um sermão revolucionário

 

Este sermão é verdadeiramente uma inversão dos valores tradicionais. Os hebreus cultivavam a convicção de que a prosperidade material, o su­cesso eram sinais da bênção de Deus, e a pobreza e a esterilidade, sinais de maldição. Jesus denuncia a ambigüidade de uma representação terrena da bem-aventurança. Agora, os bem-aventurados  não  são  mais  os

ricos deste mundo, os saciados, os favorecidos, mas os que têm fome e choram, os pobres e perseguidos. É a nova lógica, a que Maria, a bem-aventurada por excelência, canta: "Derrubou os poderosos de seus tronos, elevou os humildes: cumulou de bens os famintos, despediu os ricos de mãos vazias" (Lc 1,52-53).

 

As nove bem-aventuranças de Mateus se resumem na primeira: "Bem-aventurados os pobres em espírito". As outras são corolário e explicitação desta. Reconhecer-se pobre, fraco, não é, porém, antes de tudo, condição social, mas uma disposição interior que toca todo o modo de agir, em qualquer situação em que se esteja. A pobreza, por si só, não é um bem nem uma situação de ascese. Mas ser rico significa ter poder, receber honras e ter uma posição superior à dos outros: aqui é que começa o perigo, porque onde há poder, riqueza e superioridade, há também, e com muita freqüência, oprimidos, esmagados, desprezados. E é a estes que cabe o reino dos céus. Jesus se põe ao lado destes. São eles os eleitos. Jesus se apresenta como o mensageiro enviado por Deus para anunciar aos pobres a Boa-nova; sua solicitude pelos pobres, os infelizes, os doentes era o sinal da sua missão. Jesus leva aos deserdados não só a segurança de que um dia gozarão o reino de Deus, mas anuncia-lhes que este reino já chegou.

 

A missão de Jesus se estende, além dos pobres, a todas as misérias Físicas e espirituais; todos atraem sua compaixão. Inaugurando a era da salvação, Deus concede uma prioridade a todos os que dela têm necessidade mais urgente.

 

Pobreza e sociedade de consumo

 

Em mundo como o nosso, terá ainda sentido o sermão da montanha? Que sentido tem pronunciar este texto numa sociedade de consumo, que mede a felicidade e a bem-aventurança segundo as posses, o sucesso e o poder? E no Terceiro Mundo, subdesenvolvido e oprimido, que sentido tem repetir: "Bem-aventurados os pobres... bem-aventurados os perseguidos? Não ressoará como um ultraje à sua miséria, ou como uma tentativa de narcotizar ou abafar "a ira dos pobres"?

 

No entanto, não podemos anular esta bem-aventurança sem anular o Cristo. De fato, o primeiro pobre é ele, que, sendo rico se fez pobre por nós. Há, pois, nesta bem-aventurança um apelo a seguir Jesus, que não encontrou lugar na hospedaria, que não tinha uma pedra onde recostar a cabeça, que morreu pobre e despojado numa cruz. E o fez para se dar inteiramente aos outros.

 

A multidão que ouve e segue Jesus não se compõe de escribas, fariseus, levitas, sacerdotes do templo, poderosos guardiões da ordem. Mas segue Jesus a multidão anônima do povo miúdo, pescadores e pastores, gente explorada e oprimida pelos poderosos...

 

Pobreza como sinal distintivo das comunidades cristãs

 

A pobreza proclamada por Jesus não deve ser só característica de todo cristão, mas o distintivo e a bem-aventurança da Igreja e da comunidade como tal. Um dos momentos fortes da "conversão" a que o Concílio chamou a Igreja é a pobreza. Acaso não será devido a certa riqueza de meios, certo apego ao dinheiro e ao poder, na Igreja, que em muitos cristãos nasce uma sensação de mal-estar? Em nossas assembléias eucarísticas estão presentes hoje muitas pessoas que dispõem de recursos e de cultura. Eles nunca estarão dispensados de buscar os caminhos da pobreza e de servir seus irmãos indigentes, porque é nos pobres que se encontra, ainda e sempre, aquele que veio para salvar.

 

 

 

 



[1] Missal Cotidiano, ©Paulus, 1995