Domingo, 8 de junho de 2008
10º do Tempo Comum, Ano “A”, 2ª Semana do Saltério (Livro III), cor litúrgica Verde
O Senhor é minha luz e minha salvação, a quem poderia eu temer? O Senhor é o baluarte de minha vida, perante quem tremerei? Meus opressores e inimigos, são eles que vacilam e sucumbem. (Sl 26, 1-2)
Santos: Calíopa (virgem, mártir), Círia de Troyes (virgem), Clodulfo de Metz (bispo), Eustadíola de Moyen-Moutier (abadessa), Gildardo de Rouen (bispo), Heráclio de Sens (bispo), Maximino de Aix (bispo), Medardo de Noyon (bispo), Melânia, a mais velha (viúva de Roma), Roberto de Frassinoro (abade), Salustiano da Sardenha (eremita, mártir), Severino de Sanseverino (bispo), Vitorino de Camerino (bispo), William Fitzherbert (bispo de York).
Oração: Ó Deus, fonte de todo bem, atendei ao nosso apelo e fazei-nos, por vossa inspiração, pensar o que é certo e realiza-lo com vossa ajuda. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
1ª
Leitura: Oséias (Os 6, 3-6)
Quero amor e não sacrifícios
3É preciso saber segui-lo para reconhecer o Senhor. Certa como a aurora é a sua vinda, ele virá até nós como as primeiras chuvas, como as chuvas tardias que regam o solo. 4Como vou tratar-te, Efraim? Como vou tratar-te, Judá? O vosso amor é como nuvem pela manhã, como orvalho que cedo se desfaz. 5Eu os desbastei por meio dos profetas, arrasei-os com as palavras de minha boca, como luz, expandem-se meus juízos; 6quero amor, e não sacrifícios, conhecimento de Deus, mais do que holocaustos. Palavra do Senhor!
Salmo: 49(50), 1 e 8.12-13.14-15 (R.23b)
A todo homem que procede retamente, eu
mostrarei a salvação que vem de Deus
Falou o Senhor Deus, chamou a terra, do sol nascente ao sol poente a convocou. Eu não venho censurar teus sacrifícios, pois sempre estão perante mim teus holocaustos.
Não te diria, se com fome eu estivesse, porque é meu o universo e todo ser. Porventura comerei carne de touros? Beberei, acaso, o sangue de carneiros?
Imola a Deus um sacrifício de louvor e cumpre os votos que fizeste ao altíssimo. Invoca-me no dia da angústia, e então te livrarei e hás de louvar-me.
II
Leitura: Romanos (Rm 4, 18-25)
Revigorou-se na fé e deu glória a Deus
Irmãos, 18Abraão, contra toda a humana esperança, firmou-se na esperança e na fé. Assim, tornou-se pai de muitos povos, conforme lhe fora dito: "Assim será a tua posteridade". 19Não fraquejou na fé, à vista de seu físico desvigorado pela idade - cerca de cem anos - ou considerando o útero de Sara já incapaz de conceber. 20Diante da promessa divina, não duvidou por falta de fé, mas revigorou-se na fé e deu glória a Deus, 21convencido de que Deus tem poder para cumprir o que prometeu. 22Esta sua atitude de fé lhe foi creditada como justiça. 23Afirmando que a fé lhe foi creditada como justiça, a Escritura visa não só à pessoa de Abraão, 24mas também a nós, pois a fé será creditada também para nós que cremos naquele que ressuscitou dos mortos, Jesus, nosso Senhor. 25Ele, Jesus, foi entregue por causa de nossos pecados e foi ressuscitado para nossa justificação. Palavra do Senhor!
Evangelho: Mateus (Mt 9, 9-13)
Não vim para chamar os justos, mas os pecadores
Naquele tempo, 9partindo dali, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: "Segue-me!" Ele se levantou e seguiu a Jesus. 10Enquanto Jesus estava à mesa, em casa de Mateus, vieram muitos cobradores de impostos e pecadores e sentaram-se à mesa com Jesus e seus discípulos. 11Alguns fariseus viram isso e perguntaram aos discípulos: "Por que vosso mestre come com os cobradores de impostos e pecadores?" 12Jesus ouviu a pergunta e respondeu: "Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. 13Aprendei, pois, o que significa: 'Quero misericórdia e não sacrifício'. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores". Palavra da Salvação!
Veio para os pecadores[1]
Há algumas categorias de pessoas no evangelho, pelas quais parece que Jesus tinha verdadeira aversão, instintiva incompatibilidade de caráter: são os cine se consideram 'sustos". Diante deles, Jesus se sente desamado e quase inútil, Não pode entrar em diálogo com eles, porque são autosuficientes, não têm necessidade de salvação nem de perdão São pessoas rígidas, incapazes de ir além da justiça; sua religião é a do "dou para que dês" Jesus descreve sua atitude na parábola dos operários da vinha (Mt 20,1-16), que se queixam da generosidade do patrão para cornos que chegaram por último. Na parábola do filho pródigo eles estão figurados no fl!lho mais velho ciumento da bondade do pai para como mais novo que volta para casa (Lc 15,11-32). Seu retrato é o do fariseu que "paga" a Deus até o mínimo imposto, mas despreza intimamente e julga, do alto de sua justiça o publicano que invoca misericórdia (Lc 18,9-14)
Deus busca o homem
A uma religião reduzida à justiça do homem, Jesus opõe uma religião baseada na misericórdia divina (evangelho). Citando Oséias (1ª leitura), lembra que os profetas já negaram o valor dos ritos, ainda que perfeitamente executados, e a observância meticulosa, mas exterior da Lei, a favor de urna religião de amor e misericórdia.
As simpatias de Jesus são ao contrário, pelos pecadores, os desprezados, os “excomungados" do seu tempo, aqueles a quem as pessoas de bem nem ousavam freqüentar, para não se contaminarem. Acusam-no de amigo dos publicanos e das pecadoras. Mas Jesus responde-lhes dizendo que publicanos e prostitutas os precederão no Reino dos céus, e freqüenta suas casas sem se preocupar com as reações escandalizadas que suscita nos que se julgam bons. Participando da mesa dos pecadores, Jesus não só se põe no seu nível, mas começa a realizar o que prometera em Mt 8,11-2: "Muitos virão do oriente e do ocidente e se sentarão à mesa com Abraão, Isaac e Jacó no reino dos céus, enquanto os filhos do Reino serão lançados fora, nas trevas”
Jesus tem predileção pelos marginalizados e rejeitados
Toda vez que, no evangelho, Cristo assume o papel daquele que congrega, dirige sua convocação especialmente às categorias eliminadas das assembléias judaicas. "Sai imediatamente pelas praças e estradas da cidade e traze aqui os pobres, estropiados, cegos e coxos... para que se encha a minha casa” (Lc 14,21.23). A assembléia judaica excluía essas pessoas: "O cego e o coxo não entrarão na casa" (2Sm5,8), como excluía os publicanos e os pecadores. No entanto, parece serem esses os convidados prediletos de Jesus.
Esta abertura de Cristo a toda a humanidade pecadora, no desejo de levar todos à salvação, encontra resistência e suscita escândalo ainda hoje. De fato, em nossos dias ainda existe a tendência a fechar-se em pequenos oásis de fervor religioso, a considerar ou a desejar uma igreja feita de "puros", de uma elite, de empenhados. O sinal da própria fé não se realiza separando ou dividindo os homens em “justos e injustos”, em "bons" e maus em “próximos" e “afastados". Sem acrescentar que muitas vezes o termo de comparação para estabelecer estas divisões é somente a prática exterior, a pertença sociológica, isto é, a identificação da vida de fé com o culto, a prática, a observância. Esta atitude provém de certa mentalidade farisaica, que Jesus repeliu.
Não se pode racionar a misericórdia
Certa mentalidade farisaica pode também se imiscuir (pelo menos como tentação) numa praxis pastoral muito exigente no plano da administração dos sacramentos, pronta a negar com muita facilidade um sacramento quando não vê disposições totalmente positivas, como se os sacramentos não fossem gestos de amor e misericórdia de Jesus, que jamais extingue a mecha que ainda fumega nem parte o caniço rachado. A celebração eucarística também deve superar toda tentação isolacionista. Quando se põe como elemento de divisão entre os de "dentro" e os de "fora”, não corresponde à sua realidade de sinal da assembléia escatológica e messiânica que reúne todos os povos. Não é mais sinal de comunhão, mas de separação... Por isto, os primeiros cristãos viram na eucaristia não só o sacramento do corpo e do sangue de Cristo: viam também um sacramento de perdão, porque a assembléia não é composta só de sadios, mas principalmente de enfermos; não só de justos, mas especialmente de pecadores.