Domingo, 17 de agosto de 2008

Assunção de Nossa Senhora, Ofício Solene, 4ª Semana do Saltério, cor Litúrgica Branca

 

 

Grande sinal aparece no céu: uma mulher que tem o sol por manto, a lua

 sob os pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. (Ap 12, 1)

 

Hoje: Dia do Patrimônio Histórico e Dia das Vocações Religiosas

 

Santos: Anastácio de Terni (bispo), Beatriz da Silva (virgem, fundadora das Concepcionistas), Carlomano (765), Clara da Cruz de Montefalco (virgem), Elias de Enna (monge), Estrato, Eusébio (papa), Felipe e Eutíquio (queimados vivos na Ásia Menor, por testemunharem sua felicidade em Cristo), Jacinto de Cracóvia (1257,presbítero), Joana Delanoue de Saumour (fundadora), João de Montemarano (bispo), Liberato e Companheiros (monges, mártires), Mamnés (274, Palestina), Mamede (mártir, filho dos mártires Santa Rufina e São Teodoro), Miro (sacertote grego), Nicolau Politi (eremita na Sicília), Servo.

 

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, que elevastes à glória do céu, em corpo e alma, a imaculada virgem Maria, mãe do vosso Filho, dai-nos viver atentos às coisas do alto, a fim de participarmos da sua glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Missa de Vigília (cf. Missal Dominical): I Leitura: 1 Cr, 15, 3-4.15-16; 16, 1-2;

Salmo: 131/132, 6-7.9-10.13-14; II Leitura: 1Cor 15, 54-57; Evangelho: Lc 11, 27-28.

 

 

Leituras da Missa do Dia

 

I Leitura: Apocalipse (Ap 11, 19a; 12, 1.3-6.10)

A arca da nova aliança

 

19aAbriu-se o Templo de Deus que está no céu e apareceu no Templo a arca da Aliança. 12,1Então apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas. 3Então apareceu outro sinal no céu: um grande dragão, cor de fogo. Tinha sete cabeças e dez chifres e, sobre as cabeças, sete coroas. 4Com a cauda, varria a terça parte das estrelas do céu, atirando-as sobre a terra. O dragão parou diante da mulher que estava para dar à luz, pronto para devorar o seu filho, logo que nascesse. 5E ela deu à luz um filho homem, que veio para governar todas as nações com cetro de ferro. Mas o filho foi levado para junto de Deus e do seu trono. 6A mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. 10Ouvi então uma voz forte no céu, proclamando: "Agora realizou-se a salvação, a força e a realeza do nosso Deus, e o poder do seu Cristo". Palavra do Senhor!

 

 

 

Salmo: 44(45), 10bc.11.12ab.16 (+10b)

À vossa direita se encontra a rainha, com 
veste esplendente de outro de Ofir

 

As filhas de reis vêm ao vosso encontro, e à vossa direita se encontra a rainha com veste esplendente de ouro de Ofir.  

 

Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: "Esquecei vosso povo e a casa paterna! Que o Rei se encante com vossa beleza! Prestai-lhe homenagem: é vosso Senhor!  

 

Entre cantos de festa e com grande alegria, ingressam, então, no palácio real".

 

 

 

 

II Leitura: Coríntios (1Cor 15, 20-27a)
A morte foi derrotada e o que prevalece é a vida eterna

 

Irmãos, 20Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. 21Com efeito, por um homem veio a morte e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos. 22Como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos reviverão. 23Porém, cada qual segundo uma ordem determinada: Em primeiro lugar, Cristo, como primícias; depois, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. 24A seguir, será o fim, quando ele entregar a realeza a Deus-Pai, depois de destruir todo principado e todo poder e força.  

 

25Pois é preciso que ele reine até que todos os seus inimigos estejam debaixo de seus pés. 26O último inimigo a ser destruído é a morte. 27aCom efeito, "Deus pôs tudo debaixo de seus pés". Palavra do Senhor!

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 1, 39-56)
Bendita és tu entre as mulheres

 

Naqueles dias, 39Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judéia. 40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42Com um grande grito, exclamou: "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! 43Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? 44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. 45Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu".  

 

46Então Maria disse: "A minha alma engrandece o Senhor, 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu salvador, 48porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, 49porque o todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, 50e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o respeitam. 51Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. 52Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. 53Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias. 54Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, 55conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre". 56Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa. Palavra da Salvação!

 

 

 

Assunção de Nossa Senhora[1]

 

 

O dogma da Assunção foi definido no ano de 1950, durante o pontificado de Pio XII. Ignoramos se, como e quando se deu a morte de Maria, desde muito cedo festejada como "dormição". É uma solenidade que, correspondendo ao natal (morte) dos outros santos, é considerada a festa principal da Virgem. O dia 15 de agosto lembra provavelmente a dedicação de uma grande igreja a Maria, em Jerusalém.

 

A Igreja celebra hoje em Nossa Senhora a realização do Mistério pascal. Sendo Maria a "cheia de graça", sem sombra alguma de pecado, quis o Pai associá-la à ressurreição de Jesus.

 

Assunta ao céu, Maria está mais perto de nós

 

As três leituras da missa apresentam muito concretamente os valores da assunção de Maria, o lugar que tem no plano da salvação e suas mensagens à humanidade.

 

Maria é a verdadeira 'arca da aliança", é a "mulher vestida de sol", imagem da Igreja (1ª leitura). Como a arca construída por Moisés estava no Templo, porque era "sinal e instrumento da aliança de Deus com seu povo eleito, Maria está no céu em sua integridade humana porque «sinal e instrumento" da nova aliança. A arca continha a Lei e, por ela, Deus respondia aos pedidos do povo; Maria nos oferece Jesus, o proclamador da lei do amor, o realizador da nova aliança de salvação; nele o Pai nos fala e nos escuta. Maria é figura e primícias da Igreja, mãe do Cristo e dos homens, que ela gerou para Deus na dor, sob a cruz do Filho; é, portanto, anúncio da salvação total que se realizará no reino de Deus.

 

Isto se dará por obra do Cristo ressuscitado (2ª leitura), modelo e realizador da ressurreição final gloriosa, comunicada em primeiro lugar a Maria, por causa de sua maternidade divina. A Virgem Imaculada foi o anúncio do fim da redenção, que é levar os homens a uma inocência integral; a Virgem da Assunção é anúncio da meta final da redenção: a glorificação da humanidade em Cristo. Maria chama hoje os cristãos a se considerarem inseridos na história da salvação e destinados a conformar-se a Cristo na glória, felicidade infinita no encontro comunitário da casa do Pai. Por isto, diz o Concilio que a Assunção de Maria é dada à Igreja, aos homens, como "sinal de segura esperança e de consolação". Maria mesma transmite suas mensagens aos homens no seu "Magnificat" (evangelho). Proclama que Deus realizou uma tríplice inversão de falsas situações humanas, para restaurar a humanidade na salvação, obra de Cristo. No campo religioso, Deus derruba as auto-suficiências humanas; confunde os planos dos que nutrem pensamentos de soberba, erguem-se contra Deus e oprimem os homens. No campo político Deus destrói os injustificáveis desníveis humanos, abate os poderosos dos tronos e exalta os humildes; repele aqueles que se apoderam indevidamente dos povos, e aprova os que os servem para promover o bem das pessoas e da sociedade, sem discriminações raciais, culturais ou políticas. No campo social Deus transtorna a aristocracia estabelecida sobre o ouro e os meios de poder; cumula de bens os necessitados e despede de mãos vazias os ricos, para instaurar uma verdadeira fraternidade na sociedade e entre os povos, porque todos são filhos de Deus.

 

Assim, as festas da Imaculada e da Assunção nos lembram toda a história da salvação, aquela história que se realiza hoje para nós, e que, rogamos a Maria, nossa mãe, conduza a plenitude.

 

Maria, imagem da Igreja

 

Maria, glorificada na Assunção, é a criatura que atingiu a plenitude da salvação, até a transfiguração do corpo. É a mulher vestida de sol e coroada de doze estrelas. É a mãe que nos espera e convida a caminhar para o reino de Deus. A Mãe do Senhor é a imagem da Igreja: luminosa garantia de seu destino de salvação, porque o Espírito do Ressuscitado cumprirá plenamente sua missão em todos nós, como o fez nela, que já é aquilo que nós seremos.

 

Muitos não gostam de ouvir falar em "salvação das almas". Expressando-se assim, parece-lhes que a vida, com suas cores, sabores e complementos que a tornam agradável, vá desaparecer; parece-lhes que o corpo não serve para nada. Têm razão, porque não será assim. Maria, assunta ao céu é garantia de que o homem todo se salva, de que os corpos ressurgirão. Para o cristão, a salvação é a ressurreição dos corpos, um mundo novo e a terra nova. Na eucaristia, pão de imortalidade, se encontram os alimentos-base do homem, frutos da terra, da videira e do trabalho do homem; é precisamente a eucaristia a garantia cotidiana de que a salvação atinge o homem todo na sua situação concreta, para arrebatá-lo à morte, a mais terrível inimiga do progresso.

 

SUGESTÕES PRÁTICAS PARA A

SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE MARIA[2]

 

1. Confiar o Magnificat a uma voz de mulher.

No Evangelho, excepcionalmente, porque não confiar o “Magnificat” a uma voz de mulher que poderia lê-lo ou cantá-lo?

 

2. Pensar na participação das crianças.

Uma festa é bem conseguida quando se consegue congregar todas as gerações. Seria bom pensar em particular na participação das crianças: ficarem à volta da estátua de Nossa Senhora durante a procissão do ofertório; fazerem uma oração a Nossa Senhora no final da celebração…

 

3. Oração na lectio divina.

Na meditação da Palavra de Deus (lectio divina), pode-se prolongar o acolhimento das leituras com a oração.

 

No final da primeira leitura:

“Pai do céu, juntamos as nossas vozes à que nos vem do céu para proclamar: Eis agora a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o poder do seu Cristo. Glória a Ti, Deus de vida.

Nós Te pedimos pelas tuas Igrejas, ameaçadas pelos «dragões» da nossa época: a indiferença, as religiosidades desviadas e as perseguições”.

 

No final da segunda leitura:

“Deus Pai, nós Te damos graças pela ressurreição que manifestaste pelo teu Filho Jesus, o novo Adão, e pela assunção na vida gloriosa que revelas em Maria, mãe do teu Filho. Nós Te confiamos os nossos defuntos e as famílias em luto. Releva-nos pela promessa da ressurreição. Transformas as nossas penas em esperança”.

 

No final do Evangelho:

“Nós Te bendizemos, Deus do universo, porque pelo teu Filho ainda pequeno e pela sua mãe, Maria, visitaste o teu povo, vieste até nós. Felizes aqueles que acreditam no cumprimento da tua Palavra. Nós Te pedimos pelas nossas comunidades cristãs, encarregadas, como Maria, de levar Cristo ao mundo. Como fizeste por ela, guia-nos pelo teu Espírito Santo”.

 

4. Oração Eucarística.

Pode-se escolher a Oração Eucarística III, em que a primeira intercessão exprime bem o mistério deste dia.

 

5. Palavra para o caminho.

Um tríplice segredo… A meio do verão, eis uma festa para nos fazer parar junto de Maria e receber dela um tríplice segredo: o segredo da fé sem falha tão bem ajustada a Deus (“Eis a serva do Senhor”…); o segredo da sua esperança confiante em Deus (“nada é impossível a Deus”…); o segredo da sua caridade missionária (“Maria pôs-se a caminho apressadamente”…). E nós podemos pedir-lhe para nos acompanhar no caminho das nossas vidas…

 

Para revisão de vida


Maria, para nós, é companheira de viagem? Inserimo-nos também em nossa comunidade (da família, da comunidade de vida, da pastoral)? Rezamos juntos? Vivemos as alegrias e as dores, as angústias e as esperanças de todos os irmãos da comunidade? Transmitimos ânimo e fé em Deus? Ou desânimo e pessimismo como os que em nada crêem?

 

 

 

Dia das Vocações Sacerdotais

Na Igreja do Brasil, o mês de agosto é sempre um mês vocacional. É o mês das Vocações. Um mês inteiro para você tomar consciência de sua própria vocação humano-cristã e também das demais vocações que existem dentro do Povo de Deus.

 

Uma das lindas vocações do homem é a do Sacerdócio. Os sacerdotes são os ministros das Misericórdias e da Salvação do Senhor Deus. Eles agem no lugar de Cristo. Celebram os sacramentos, reúnem a comunidade na Eucaristia, anunciam ao mundo a Palavra da Salvação, visitam os doentes e os pobres, perdoam os pecados, orientam e dirigem as consciências. Vivem com os irmãos na alegria e no sofrimento. Enfim, continuam na terra a missão do Cristo Redentor.

 

Ser padre é servir. É aceitar desafios. É renunciar muitos valores para servir a Deus e aos irmãos com tempo integral e com dedicação completa. E como nós precisamos de homens assim! Eles levam Jesus aos outros través da sua vida, de seu testemunho, de sua presença no mundo hoje.

 

Por que será que tão poucos jovens escolhem o sacerdócio? Você sabe o que é ser padre? A sua cidade ou o seu grupo de jovens já deu um sacerdote à Igreja? Sensibilidade e consciência vocacional são coisas importantes em qualquer comunidade cristã. O mínimo que se pode fazer é rezar. Mas nós podemos fazer mais. Como e o que fazer: Pense e reflita! Converse com os outros sobre este assunto.

 

 



[1] MISSAL DOMINICAL, Missal da Assembléia Cristã, ©Paulus, 1995

[2] Dehonianos de Portugal