Domingo, 25 de maio de 2008
8º do Tempo Comum, Ano “A”, 4ª Semana do Saltério (Livro III), cor litúrgica Verde
O Senhor se tornou o meu apoio, libertou-me da angústia e me salvou porque me ama. (Sl 17, 19-20)
Hoje: Dia do Industrial, dia da Costureira, dia do Massagista e dia Nacional da Adoção, dia da África
Santos: Gregório VII (papa, memória facultativa), Beda, "o Venerável" (presbítero beneditino e doutor da Igreja, memória facultativa), Urbano I (papa e mártir), Dionísio (bispo de Milão), Zenóbio (bispo de Florença), Adelmo (monge beneditino, Bispo de Sherborne), Madalena Sofia Barat (fundadora da Congregação das Damas do Sagrado Coração de Jesus, virgem), Leão (ou Lyé, abade), Genádio (Bispo de Astorga), Clarito, João de Cetina e Pedro de Dueñas (mártires franciscanos, 1ª Ordem).
Oração: Fazei, ó Deus, que os acontecimentos deste mundo decorram na paz que desejais e vossa Igreja vos possa servir, alegre e tranqüila. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
1ª
Leitura: Isaías (Is 49, 14-15)
Eu não te esquecerei
14Disse Sião: “O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-se de mim!” 15Acaso pode a mulher esquecer-se do filho pequeno, a ponto de não ter pena do fruto de seu ventre? Se ela se esquecer, eu, porém, não me esquecerei de ti. Palavra do Senhor!
Salmo
61 (62), 2-3.6-7.8-9ab (+6a)
Só em Deus a minha alma tem repouso,
só ele é meu rochedo e salvação
Só em Deus a minha alma tem repouso, porque dele é que me vem a salvação! Só ele é meu rochedo e salvação, a fortaleza, onde encontro segurança!
Só em Deus a minha alma tem repouso, porque dele é que me vem a salvação! Só ele é meu rochedo e salvação, a fortaleza, onde encontro segurança!
A minha glória e salvação estão em Deus; o meu refúgio e rocha firme é o Senhor! Povo todo, esperai sempre no Senhor, e abri diante dele o coração.
II Leitura: I Coríntios (1Cor 4, 1-5)
E o fez sentar-se à sua direita nos céus
Irmãos: 1Que todo o mundo nos considere como servidores de Cristo e administradores dos mistérios de Deus. 2A este respeito, o que se exige dos administradores é que sejam fiéis.
3Quando a mim, pouco me importa ser julgado por vós ou por algum tribunal humano. Nem eu me julgo a mim mesmo. 4É verdade que minha consciência não me acusa de nada. Mas não é por isso que eu posso ser considerado justo.
5Quem me julga é o Senhor. Portanto, não queirais julgar antes do tempo. Aguardai que o Senhor venha. Ele iluminará o que estiver escondido nas trevas e manifestará os projetos dos corações. Então, cada um receberá de Deus o louvor que tiver merecido. Palavra do Senhor!
Evangelho: Mateus (Mt 6, 24-34)
Não vos preocupeis com o dia de amanhã
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 24“Ninguém pode servir a dois senhores; pois, ou odiará um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro.
25Por isso eu vos digo: não vos preocupeis com a vossa vida, com o que havereis de comer ou beber; nem com o vosso corpo, com o que havereis de vestir. Afinal, a vida não vale mais do que o alimento, e o corpo, mais do que a roupa? 26Olhai os pássaros dos céus: eles não semeiam, não colhem nem ajuntam em armazéns. No entanto, vosso Pai que está nos céus os alimenta. Vós não valeis mais do que os pássaros? 27Quem de vós pode prolongar a duração da própria vida, só pelo fato de se preocupar com isso?
28E por que ficais preocupados com a roupa? Olhai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. 29Porém, eu vos digo: nem o rei Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. 30Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é queimada no forno, não fará ele muito mais por vós, gente de pouca fé?
31Portanto, não vos preocupeis, dizendo: ‘O que vamos comer? O que vamos beber? Como vamos nos vestir? 32Os pagãos é que procuram essas coisas. Vosso Pai, que está nos céus, sabe que precisais de tudo isso.
33Pelo contrário, buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo.
34Portanto, não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá suas preocupações! Para cada dia bastam seus próprios problemas”. Palavra da Salvação!
Confiança em Deus[1]
O ensinamento do evangelho tem dois aspectos: por um lado, acentua a impossibilidade de se Server a dois senhores (os dois caminhos)., e por outro, realça a atitude do cristão diante das preocupações e trabalhos da vida; Por um lado, o reino de Deis não admite divisões: por outro, a opção de tudo o mais. É um convite a arrancar-nos ao culto do dinheiro, que é uma idolatria, e a ter confiança em Deus, cuja ativa solicitude para com seus filhos nos é descrita. Esta mesma solicitude é expressa pelo profeta Isaías, na 1ª leitura, com uma linguagem de ternura comovente e ilimitada.
Deus é fiel a seu plano de salvação
À base da confiança do homem está a certeza da fidelidade de Deus. Deus é a “rocha” de Israel (Dt 32,4); este nome simboliza a sua imutável fidelidade, a verdade de suas palavras, a firmeza de suas promessas, apesar das infidelidades do homem e de suas contínuas voltas à idolatria. As suas palavras não passam (Is 40,8), suas promessas serão mantidas (Tb 14,4). Deus não mente nem volta atrás (Nm 23, 19). Seu desígnio divino, desígnio de amor, se realizará infalivelmente (Sl 32,11; Is 25,1). O homem pode, portanto, confiar. Deus vela sobre o mundo (Gn 8,22), dando o sol e a chuva a todos, bons e maus (MT 5, 45).
A fisionomia de Deus, na Bíblia, é a de Pai que vela sobre suas criaturas e provê às suas necessidades: “Dais a todos o alimento a seu tempo” (Sl 144, 15; 103,27), tanto aos animais como aos homens. Mas a providência de Deus se manifesta principalmente na história; não como um destino rígido que sujeita o homem à sorte, anulando a liberdade, nem com uma intervenção mágica que impede a iniciativa do homem, mas como desígnio ou plano de salvação no qual se encontram e colaboram Deus e o homem.
Se o que conta é o home, para que Deus?
Há os que esperam tudo de Deus, chuva ou bom tempo, bom resultado nos exames ou sucesso nos negócios. Rezam para obter dele alguma coisa, e o esperam tranquilamente. É um conceito errado de confiança. Não serve a Deus, mas se servem dele.
Há também os que nada esperam de Deus. Crêem que a confiança em Deus impedimento ao progresso do homem.
Apresentamos aqui uma página que se pode definir de “anti-evangelho”, que leva a penetrar mais profundamente na riqueza de perspectivas da página evangélica:
“Crer! Para que crer? Vós, cristãos, esperais de Deus coisas que nós já conhecemos e de que vivemos sem ele. Outrora, quando tudo ia mal: e se lançavam contra Deus. Mas, mesmo blasfemando, reconheciam sua divindade... Hoje, Deus não pode mais enganar-nos, não se espera mais nada dele... Deus não é mais que uma idéia inútil...
Durante 2.000 anos os homens rezaram, e no entanto tiveram que ganhar um pão insuficiente, com o suor de seu rosto. Rezaram, e encontraram muitas vezes a carestia e até a miséria. Agora, eles desviam o curso dos rios, irrigando assim imensas terras incultas; amanhã o trigo surgirá com tanta abundância que os homens não terão mais fome. A idéia de Deus é uma muralha que oculta o homem”.
Confiança plena, mas não passiva.
O cristão, apoiado nas palavras de Jesus, evita a concepção ingênua e mágica dos que ciniam em Deus passivamente e no quietismo, e também a pretensão orgulhosa de ateu que risca o nome de Deus do seu horizonte. A confiança do cristão em Deus é total e sem reservas, mas não passiva e alienante. Pelo contrário, desta confiança precisamente nasce sua atividade, porque sabe que seu trabalho é continuação da obra criadora de Deus. É colaborador de Deus e, como ele, “construtor para a eternidade”. Deus como se tudo dependesse de sua intervenção.
“o cosmos, animado por Deus com dinamismo inteiro e voltado para aperfeiçoamento crescente, cujo termo só Deus conhece, foi por ele dado ao homem para que o domine e extraia delo tudo o que seu gênio e sua criatividade o inspiram. O homem se descobre colaborador de Deus, artífice do próprio destino sobre a terra, porque tudo foi posto à sua disposição”.