Quarta-feira, 4 de junho de 2008

9ª Semana do Tempo Comum, 1ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Verde

 

Olhai para mim, Senhor, e tende piedade, pois vovo sozinho e infeliz. Vede minha miséria

e minha dor e perdoai todos os meus pecados! (Sl 24, 16.18)

 

Hoje: Dia mundial contra a agressão infantil e dia do engenheiro agrimensor

 

Santos: Justino (165, mártir palestino), Cândida, Herculano de Piegaro, Afonso Navarrete, Fernando Ayala, João Story, Tespésio (Séc. III, Capadócia), Isquirião (Séc. III, Egito), Próculo (Séc. III, Itália), Inácio (Espanha), Panfílio (309, mártir, Cesaréia da Palestina), Valêncio, Branca, Próculo (542, bispo) e Próculo (304, soldado), Caprásio (430), Vistrano (849), Simeão (1035, Siracusa/Sicília), Êneco (1057, abade), Teobaldo de Alba (1150), João Pelingotto (1304), Herculano  de Piegaro (1451), João Storey (15,71, beato, mártir), Félix de Nicósia (1787, beato)

 

Oração: Ó Deus, cuja providência jamais falha, nós vos suplicamos humildemente: afastai de nós o que é nocivo e concedei-nos tudo o que for útil. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

Leitura: 2ª Carta de S. Paulo a Timóteo (2Tm 1, 1-3.6-12)

Reavivar a chama do dom de Deus

 

1Paulo, apóstolo de Jesus Cristo pelo desígnio de Deus referente à promessa de vida que temos em Cristo Jesus, 2a Timóteo, meu querido filho: Graça, misericórdia e paz da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor! 3Dou graças a Deus, a quem sirvo com a consciência pura, como aprendi dos meus antepassados, quando me lembro de ti, dia e noite, nas minhas orações. 6Por este motivo, exorto-te a reavivar a chama do dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos. 7Pois Deus não nos deu um espírito de timidez mas de fortaleza, de amor e sobriedade. 8Não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor nem de mim, seu prisioneiro, mas sofre comigo pelo evangelho, fortificado pelo poder de Deus.

 

9Deus nos salvou e nos chamou com uma vocação santa, não devido às nossas obras, mas em virtude do seu desígnio e da sua graça, que nos foi dada em Cristo Jesus desde toda a eternidade. 10Esta graça foi revelada agora, pela manifestação de nosso Salvador, Jesus Cristo. Ele não só destruiu a morte, como também fez brilhar a vida e a imortalidade por meio do evangelho, 11do qual fui constituído anunciador, apóstolo e mestre. 12Esta é a causa pela qual estou sofrendo, mas não me envergonho, porque sei em quem coloquei a minha fé. E tenho a certeza de que ele é capaz de guardar aquilo que me foi confiado até o grande dia. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura1

Exorto-te a reavivar a chama do dom de Deus

que recebeste pela imposição das minhas mãos

 

Sentimos como dirigido a nós o testamento espiritual de Paulo: é um brado de luta. Cumpre ser fiéis a Jesus, sem temor! A “vida em Cristo” entrou no mundo (versículos 1.10; 2,11) e os cristãos têm por missão anunciá-la e difundi-la. Para isto nos foi dado não “um Espírito de timidez, mas de força, de amor, de sabedoria.” Não devemos envergonhar-nos de dar testemunho de Cristo. É necessário coragem diante de opositores externos e internos à comunidade. Como Paulo, não tem desgostos, porque lutou bem e está em vias de dar a Cristo o supremo testemunho de fé e amor, precisamos não nos deixar desgastar pela luta, mas permanecer unidos aos que receberam de Cristo a missão de guiar a comunidade dos fiéis.

 

 

 

Salmo: 122 (123), 1-2a. 2bcd (R/.1a)

Ó Senhor, para vós eu levanto meus olhos

 

Eu levanto os meus olhos para vós, que habitais nos altos céus. Como os olhos dos escravos estão fitos nas mãos do seu senhor.

 

Como os olhos das escravas estão fitos nas mãos de sua senhora, assim os nossos olhos, no Senhor, até de nós ter piedade.

 

 

Evangelho: Marcos (Mc 12, 18-27)

Ele não é Deus de mortos, mas de vivos!

 

Naquele tempo, 18vieram ter com Jesus alguns saduceus, os quais afirmam que não existe ressurreição, e lhe propuseram este caso: 19Mestre, Moisés deu-nos esta prescrição: Se morrer o irmão de alguém e deixar a esposa sem filhos, o irmão desse homem deve casar-se com a viúva, a fim de garantir a descendência de seu irmão. 20Ora, havia sete irmãos, o mais velho casou-se, e morreu sem deixar descendência. 21O segundo casou-se com a viúva, e morreu sem deixar descendência. E a mesma coisa aconteceu com o terceiro. 22E nenhum dos sete deixou descendência. Por último, morreu também a mulher. 23Na ressurreição, quando eles ressuscitarem, de quem será ela mulher? Por que os sete se casaram com ela!" 24Jesus respondeu: "Acaso, vós não estais enganados, por não conhecerdes as Escrituras nem o poder de Deus? 25Com efeito, quando os mortos ressuscitarem, os homens e as mulheres não se casarão, pois serão como os anjos do céu. 26Quanto ao fato da ressurreição dos mortos, não lestes, no livro de Moisés, na passagem da sarça ardente, como Deus lhe falou: 'eu sou o Deus de Abraão, o Deus de lsaac e o Deus de Jacó'? 27Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos! Vós estais muito enganados". Palavra da Salvação!

 

 

 

Comentando o Evangelho[1]

Uma grosseria teológica

 

A pergunta que os saduceus fizeram a Jesus revelou uma grosseria teológica. Por não aceitarem a ressurreição, imaginaram poder confundi-lo com um casuísmo sem fundamento. Assim é que se deve entender a história da mulher que se casou, sucessivamente, com sete irmãos, e, por fim, ela própria morreu. De qual dos sete irmãos seria esposa na ressurreição?


Jesus questionou a teologia subjacente à problemática assim apresentada. Ela supõe que Deus seja tão sem criatividade, a ponto de dever repetir, na vida eterna, o mesmo esquema da vida terrena, devendo resolver as aporias pendentes da presente vida.


Esta imagem de Deus foi posta sob suspeita. Por seu poder divino, a experiência da ressurreição consiste numa nova criação, cuja perfeição deve ser entendida a partir de novos parâmetros. As relações interpessoais não serão uma cópia do modo de vida terreno. Simbolicamente, Jesus afirma que os seres humanos ressuscitados "serão como anjos no céu", sem estarem sujeitos à contingência da morte, sem necessidade de reproduzir-se e assegurar descendência.


A dificuldade de os saduceus aceitarem a ressurreição dependia do esquema teológico que eles tinham. Por isso, incorriam em erro. O Deus de Jesus, no entanto, é bem diferente!

 

 

São Francisco Caracciolo[2]

 

 

 

 

 

Seu primeiro e verdadeiro nome era Ascânio e morava junto à Congregação dos Brancos da Justiça, e se dedicavam aos presidiários, condenados à morte. Aos 21 anos, foi acometido por uma enfermidade terrível na pele, semelhante a lepra, e todos acreditavam ser incurável. Então Francisco fez a Deus esta promessa: "Se me curas desta enfermidade, dedicarei minha vida ao sacerdócio e ao apostolado". Curado milagrosamente, decidiu cumprir com sua promessa, indo para Nápoles e a outros lugares. Assim que se ordenou sacerdote uniu-se a um grupo de apostolado que se dedicava a atender a presidiários. Em 1588 um grande apóstolo chamado João Adorno, dispôs edificar uma comunidade religiosa, dedicando a metade do tempo à oração e a outra metade ao apostolado. Para isto mandou uma carta a um Ascânio Caracciolo, pedindo-lhe conselhos sobre este projeto e propondo-lhe sua colaboração. Porém, sucedeu que os que levavam a carta equivocaram-se de destinatário e em vez de entregá-la a Ascânio entregaram-na a Francisco Caracciolo, que ao lê-la sentiu que esta comunidade era o que ele havia desejado por muitos anos. Com João Adorno fundaram a nova congregação. Durante uma estada com os padres do Oratório caiu gravemente enfermo e veio a falecer. Seu copo foi transportado para Nápoles e sepultado na igreja de Santa Maria Maior. O primeiro de seus numerosos milagres foi a de um aleijado, durante seu funeral. Foi canonizado a 24 de maio de 1807.

 

Não conhecer o amor é não conhecer a vida. (Machado de Assis)

 



[1] Evangelho nosso de cada dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997

[2] Associação do Senhor Jesus.