Quarta-feira, 11 de junho de 2008
São Barnabé (Apóstolo), Ofício de memória 2ª Semana do Saltério (Livro III), cor Vermelha
Feliz foi Barnabé, santo de Deus, que mereceu ser contado entre os apóstolos. Era na
verdade um homem bom cheio do Espírito Santo e de fé (At 11,24).
Hoje: Dia do Educador Sanitário
Santos: Barnabé (considerado também como um dos virtuais Apóstolos), Paula Frassinetti, Parísio (monge camaldulense), Maria Rosas Mola e Vallvé; Félix e Fortunato (Aquiléia), João de São Facundo (professor de Direito e de Teologia em Salamanca e eremita de Santo Agostinho).
Oração: Ó Deus, que designastes São Barnabé, cheio de fé e do Espírito Santo para converter as nações, fazei que a vossa Igreja anuncie por palavras e atos o evangelho de Cristo que ele proclamou intrepidamente.. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
I Leitura: Atos (At 11,21b-26; 13,1-3)
Acreditar no evangelho e se converter
Naqueles dias, 11,21bmuitas pessoas acreditaram no Evangelho e se converteram ao Senhor. 22A notícia chegou aos ouvidos da Igreja que estava em Jerusalém. Então enviaram Barnabé até Antioquia.
23Quando Barnabé chegou e viu a graça que Deus havia concedido,
ficou muito alegre e exortou a todos para que permanecessem fiéis ao Senhor,
com firmeza de coração. 24É que ele era um homem bom, cheio do
Espírito Santo e de fé. E uma grande multidão aderiu ao Senhor.
25Então Barnabé partiu para Tarso, à procura de Saulo. 26Tendo
encontrado Saulo, levou-o a Antioquia. Passaram um ano inteiro trabalhando
juntos naquela Igreja, e instruíram uma numerosa multidão. Em Antioquia os
discípulos foram, pela primeira vez, chamados com o nome de cristãos.
13,1Na Igreja de Antioquia, havia profetas e doutores. Eram eles:
Barnabé, Simeão, chamado o Negro, Lúcio de Cirene, Manaém, que fora
criado junto com Herodes, e Saulo. 2Um dia, enquanto celebravam a
liturgia, em honra do Senhor, e jejuavam, o Espírito Santo disse: “Separai para
mim Barnabé e Saulo, a fim de fazerem o trabalho para o qual eu os chamei”. 3Então
eles jejuaram e rezaram, impuseram as mãos sobre Barnabé e Saulo, e
deixaram-nos partir. Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura[1]
Expansão para Antioquia e ajuda a Jerusalém
Os primeiros missionários para Antioquia só falavam aos judeus, mas cristãos da ilha de Chipre e de Cirene, na Líbia africana, converteram também muitos gregos. A Igreja mãe judaica em Jerusalém enviou Barnabé, originário de Chipre, para investigar esse progresso inesperado. Depois que confirmou esse novo tipo de Igreja que incluía pagãos, Barnabé obteve a ajuda de Paulo par lidar com ela. Em Antioquia, foi usado o nome “cristão” pela primeira vez, talvez porque a afluência de pagãos diferenciasse essa Igreja das comunidades judaicas.
Quando profetas cristãos anunciaram que estava para acontecer uma grande fome, a Igreja de Antioquia enviou ajuda às igrejas da Judéia, demonstrando gratidão pelos missionários que lhes foram enviados.
Salmo: 97
(98), 1.2-3ab.3c-4.5-6 (R/.2b)
O Senhor fez conhecer seu poder
salvador, e às nações sua justiça
Cantai
ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios! Sua mão e o seu braço
forte e santo alcançaram-lhe a vitória.
O Senhor
fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça; recordou o seu amor sempre
fiel pela casa de Israel.
Os
confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus. Aclamai o Senhor
Deus, ó terra inteira, alegrai-vos e exultai!
Cantai
Salmos ao Senhor ao som da harpa e da cítara suave! Aclamai, com os clarins e
as trombetas, ao Senhor, o nosso Rei!
Evangelho: Mateus (Mt 10,7-13)
Todo aquele que se encoleriza com
seu irmão, será réu em juízo
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7“Em vosso
caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. 8Curai os
doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De
graça recebestes, de graça deveis dar! 9Não leveis ouro nem prata
nem dinheiro nos vossos cintos; 10nem sacola para o caminho, nem
duas túnicas nem sandálias nem bastão, porque o operário tem direito ao seu
sustento.
11Em qualquer cidade ou povoado onde entrardes, informai-vos para saber quem ali seja digno. Hospedai-vos com ele até a vossa partida. 12Ao entrardes numa casa, saudai-a. 13Se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; se ela não for digna, volte para vós a vossa paz”. Palavra da Salvação!
Comentário o Evangelho[2]
Portadores de paz
Os apóstolos foram orientados a saudar seus hospedeiros, dizendo: "A paz esteja nesta casa!" Esta saudação pode ser entendida como mera formalidade, e sinal de boa educação. Sem dúvida, Jesus não estava ensinando aos apóstolos apenas uma regra de boas maneiras.
A palavra hebraica shalom, traduzida como paz, é rica de
sentidos. Significa prosperidade, bem estar, saúde, boa convivência com o
próximo, respeito pela dignidade alheia, e tantas coisas mais. Tudo isto tem a
ver com o Reino de Deus que anunciavam. Portanto, a paz desejada correspondia à
salvação messiânica instaurada na história humana pelo ministério de Jesus. Aos
apóstolos competia a tarefa de fazê-la chegar a todas as pessoas que
encontrassem ao longo de suas andanças missionárias.
Os milagres que os missionários iriam realizar devem ser
entendidos no contexto da construção da paz almejada por Jesus. Ao curar os
doentes, ressuscitar os mortos, purificar os leprosos e expulsar os demônios,
estavam se colocando a serviço da vida, da reconstrução da dignidade humana, da
libertação de todas as formas de opressão, da reconciliação das pessoas com
Deus. Em suma, entregavam-se, de corpo e alma, à construção da paz. Quem os
acolhia, tornava-se beneficiário desta paz messiânica e salvífica que os
apóstolos tinham para oferecer.
São Barnabé[3]
Embora eleito por Nosso Senhor, Barnabé faz parte do Colégio apostólico e, como São Paulo, é enumerado entre os primeiros propagandistas da religião de Jesus Cristo. Descendente da tribo de Levi, Barnabé era natural da ilha de Cipre, onde a família possuía vivenda. Tinha primitivamente o nome de José.
Discípulo de Gamaliel em Jerusalém, fez belos progressos no estudo das ciências
e, sendo homem de caráter puro e espírito generoso, associou-se aos discípulos
de Nosso Senhor. Depois da ascensão de Jesus Cristo, foi Barnabé um dos
primeiros a vender os bens e entregar aos Apóstolos o troco da venda. Ao que
parece, gozava José de grande estima entre os Apóstolos, que lhe mudaram o nome
de para Barnabé, isto é, "filho da consolação". Se dermos crédito a
São João Crisóstomo, o nome de Barnabé foi-lhe dado por causa da grande
habilidade de consolar os aflitos.
O novo Apóstolo tomou logo parte ativa na administração da Igreja, e foi
ele quem apresentou São Paulo e São Tiago. A presença de Paulo em Jerusalém, de
perseguidor que fora da Igreja, causava isso, tornava-se necessária uma
recomendação especial; e esta foi tão bem feita, que São Pedro não pôs dúvida
em hospedar o antigo perseguidor em sua própria casa, pelo período de quinze
dias.
Quatro ou cinco anos depois, vemo-lo em Antioquia, para onde os Apóstolos o
tinham mandado: pois a Igreja de Antioquia tinha feito grandes progressos.
As conversões tornaram-se tão numerosas, que Barnabé pediu o auxílio de São
Paulo. Ambos trabalharam, com resultados esplêndidos, na nova comunidade, e
foram os fiéis de Antioquia os primeiros que receberam o nome de cristãos.
Barnabé apresenta-se como Apóstolo zelosíssimo, cheio de fé e do Espírito
Santo, sempre disposto à luta contra as dificuldades que se lhe opunham... A
vida foi-lhe continuado martírio, razão por que os Apóstolos, reunidos em
Jerusalém, afirmaram em referência a ele e São Paulo, que esses dois Apóstolos
sacrificaram a vida por amor do nome de Jesus Cristo. Foram eles os portadores
das esmolas arrecadadas em Antioquia, para os cristãos famintos em Jerusalém.
Aos Apóstolos reunidos em oração, veio do Espírito Santo a inspiração de
separar Paulo e Barnabé, para a pregação do Evangelho entre os pagãos. Para
esse fim lhes impuseram as mãos, invocando sobre eles o Espírito Santo.
Sendo assim formalmente recebidos no Colégio dos Apóstolos, iniciaram os
trabalhos apostólicos em Selêucia, na Síria. Associou-se-lhes João Marcos,
sobrinho de Barnabé, e os Apóstolos estenderam a missão de Salamina e Pafos no
Chipre, e a Perge na Panfília. Foi lá que João Marcos, com bastante pesar de
Barnabé, se separou dos companheiros.
Paulo e Barnabé continuaram as viagens apostólicas e pregaram o Evangelho em
Pisídia, na Icônia, Licaônia e Listris. Os pagãos, estupefatos pelos grandes
milagres que testemunhavam, julgaram ver em Paulo o deus Mercúrio; na figura
imponente de Barnabé, porém, quiseram reconhecer o deus Júpiter. Tão grande foi
o entusiasmo pelos Apóstolos de Cristo, que quiseram construir um altar em sua
honra e oferecer-lhes oblações, como a divindades, intento a que Barnabé e
Paulo energicamente se opuseram.
Após longas viagens, voltaram a Antioquia, onde então se pronunciou o desacordo
entre os cristãos por causa da observância da lei Mosaica. Barnabé e Paulo
discordaram da opinião dos cristãos de origem judaica, que julgavam obrigatória
a observação daquelas leis para todos os cristãos, mesmo para os que tinham
vindo ou viessem do paganismo.
Um Concílio apostólico, celebrado no ano de 51, em Jerusalém, decidiu essa questão no sentido favorável a Barnabé e Paulo. Barnabé aliou-se outra vez a João Marcos e com ele trabalhou, ainda muitos anos na vinha do Senhor.
É opinião de muitos que tenha chegado até Milão. São Carlos Borromeu, fazendo referência a São Barnabé, chama-o Apóstolo de Milão. Barnabé morreu na ilha de Chipre, vítima do fanatismo religioso dos judeus, que os lapidaram. O corpo foi descoberto em 485. Sobre o peito estava uma cópia do Evangelho de São Marcos, feita por ele mesmo.