Quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

I Semana do Tempo Comum, Ano Par, 1ª Semana do Saltério (Livro III), cor Verde

 

 

Ergamos nos nossos olhos para aquele que tem o céu como trono; a multidão

dos anjos o adora, cantando a uma só voz: Eis aquele cujo poder é eterno.

 

Hoje: Dia de São Bernardo

 

Santos: Antônio Maria Pucci (presbítero), Arcádio da Mauritânia (mártir), Bento Biscop (abade), Cesária de Arles (abadessa), João de Ravena (bispo), Martinho de León (agostiniano), Probo de Verona (bispo), Satiro da Acaia (mártir), Tatiana de Roma (mártir), Tígrio e Eutrópio (mártires de Constantinopla), Vitoriano de Asan (abade), Zótico, Rogato, Modesto, Catulo e Companheiros (mártires da África), Bernardo de Corleone (capuchinho, bem-aventurado), João Gaspar Cratz, Manuel d'Abreu, Bartolomeu Alvarez e Vicente da Cunha (jesuítas, mártires do Vietnam, bem-aventurados), Margarida Bourgeoys (virgem, fundadora da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora, bem-aventurada), Pedro Francisco Jamet (presbítero, bem-aventurado)

 

Oração: Ó Deus, atendei como pai às preces do vosso povo; dai-nos a compreensão dos nossos deveres e a força de cumpri-los. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: I Samuel (1 Sm 3, 1-10.19-20)
 Devemos estar atentos aos chamados que Deus nos faz

 

Naqueles dias, 1o jovem Samuel servia ao Senhor na presença de Eli. Naquele tempo a palavra do Senhor era rara e as visões não eram freqüentes. 2Aconteceu que, um dia, Eli estava dormindo no seu quarto. Seus olhos começavam a enfraquecer e já não conseguia enxergar. 3A lâmpada de Deus ainda não se tinha apagado e Samuel estava dormindo no templo do Senhor, onde se encontrava a arca de Deus.

 

4Então o Senhor chamou: "Samuel, Samuel!" Ele respondeu: "Estou aqui". 5E correu para junto de Eli e disse: "Tu me chamaste, aqui estou". Eli respondeu: "Eu não te chamei. Volta a dormir!" E ele foi deitar-se. 6O Senhor chamou de novo: "Samuel, Samuel!" E Samuel levantou-se, foi ter com Eli e disse: "Tu me chamaste, aqui estou". Ele respondeu: "Não te chamei, meu filho. Volta a dormir!" 7Samueí ainda não conhecia o Senhor, pois, até então, a palavra do Senhor não se lhe tinha manifestado. 8O Senhor chamou pela terceira vez: "Samuel, Samuel!" Ele levantou-se, foi para junto de Eli e disse: "Tu me chamaste, aqui estou". Eli compreendeu que era o Senhor que estava chamando o menino.

 

9Então disse a Samuel: "Volta a deitar-se e, se alguém te chamar, responderás: 'Senhor, fala, que teu servo escuta!"' E Samuel voltou ao seu lugar para dormir. 10O Senhor veio, pôs-se junto dele e chamou-o como das outras vezes: "Samuel! Samuel!" E ele respondeu: "Fala, que teu servo escuta". 19Samuel crescia, e o Senhor estava com ele. E não deixava cair por terra nenhuma de suas palavras. 20Todo Israel, desde Dá até Bersabéia, reconheceu que Samuel era um profeta do Senhor. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura[1]

Fala, Senhor, que teu servo escuta

 

O episódio de Samuel é o trecho clássico do Antigo Testamento que manifesta o sentido da vocação profética. Deus confia aos homens missões particulares, sensibiliza-os diante de seu plano de salvação e torna-os disponíveis à sua vontade: "Falai, Senhor que vosso servo escuta". Aqueles que são chamados encontram nesse rapaz um modelo singular. Entretanto, parece importante salientar duas coisas. Nem sempre quem é chamado para tarefas importantes recebe sinais evidentes de sua escolha. Deus age normalmente através de causas segundas, pessoas, acontecimentos, encontros fortuitos. O que importa é saber reconhecer nas causas segundas a vontade de Deus e segui-la com humildade, mas também com coragem.

 

Há um chamado para cada homem. Cada um tem um papel a desempenhar no mundo, na sociedade, na família em que vive. Mais importante ou menos importante, pouco importa; o que vale diante de Deus é desempenhá-lo com fidelidade. Um dos requisitos é saber escutar.

 

Salmo: 39(40), 2 e 5.7-8a.8b-9.10 (R/.cf.8a e 9a)

Eis que venho fazer, com prazer, a vossa vontade, Senhor!

 

Esperando, esperei no Senhor, e inclinando-se, ouviu meu clamor. É feliz quem a Deus se confia; quem não segue os que adoram os ídolos e se perdem por falsos caminhos.

 

Sacrifício e oblação não quisestes, mas abristes, Senhor, meus ouvidos; não pedistes ofertas nem vítimas, holocaustos por nossos pecados. E então eu vos disse: "Eis que venho!"

 

Sobre mim está escrito no livro: "Com prazer faço a vossa vontade, guardo em meu coração vossa lei!"

 

Boas novas de vossa justiça anunciei numa grande assembléia; vós sabeis: não fechei os meus lábios!

 

 

Evangelho: Marcos (Mc 1, 29-39)

A dedicação de Jesus à missão de curar os doentes

 

Naquele tempo,29Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, para a casa de Simão e André. 30A sogra de Simão estava de cama, com febre, e eles logo contaram a Jesus. 31E ele se aproximou, segurou sua mão e ajudou-a a levantar-se. Então, a febre desapareceu; e ela começou a servi-los. 32À tarde, depois do pôr-do-sol, levaram a Jesus todos os doentes e os possuídos pelo demônio. 33A cidade inteira se reuniu em frente da casa.

 

34Jesus curou muitas pessoas de diversas doenças e expulsou muitos demônios. E não deixava que os demônios falassem, pois sabiam quem ele era. 35De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto. 36Simão e seus companheiros foram à procura de Jesus. 37Qúando o encontraram, disseram: "Todos estão te procurando". 38Jesus respondeu: "Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza! Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim". 39E andava por toda a Galiléia, pregando em suas sinagogas e expulsando os demônios. Palavra da Salvação!

 

 

 

Comentário o Evangelho

E pôs-se a servi-los

 

O gesto da sogra de Pedro, após ter sido curada, chama a atenção para um aspecto, às vezes negligenciado por quem foi objeto da misericórdia de Jesus. Como retribuir o benefício recebido, de forma a manifestar gratidão? Colocando-se a serviço do próximo. Não existe maneira melhor de mostrar-se grato ao Senhor.

 

Seria pura ingratidão se alguém, que foi libertado ou curado de algum mal, levasse uma vida egoísta, pensando só em si mesmo. Os gestos de Jesus traziam a marca do amor, de alguém que estava voltado para as necessidades e carências do próximo. Por isso, estava sempre pronto a servir quem quer que fosse. As multidões procuravam-no, trazendo seus doentes e gente possuída pelo demônio. A ninguém ele despedia, sem antes libertá-los de seus males.

 

Esta disposição de Jesus é uma lição de vida. A sogra de Pedro parece tê-la aprendido. Assim que se viu livre da febre, a qual poderia vir a ser fatal, pôs-se a servir Jesus e os discípulos que o acompanhavam. Servi-los, significou vir ao encontro de suas necessidades de missionários, cansados por causa das suas peregrinações por cidades e aldeias. Significou matar-lhes a fome, providenciar-lhes repouso, fazê-los recuperar as forças para continuar a missão. Esta foi a maneira concreta que ela encontrou para retribuir a graça recebida. (O EVANGELHO DO DIA, Ano “A”. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1997)

 

 

Para sua reflexão pessoal[2]

 

Expulsão de demônios, cura de doenças, a prática da oração constante e a busca de outros lugares e aldeias para somente praticar o bem ao próximo. Assim era uma pequena amostra da missão de Jesus no exercício da sua vida pública em nosso meio: só servir ao próximo, sem buscar recompensas, elogios, medalhas, futilidades. Quem diria, Deus, através do seu Filho, no meio de pecadores, fazendo a sua parte, ajudando ao próximo. O que fazer então para diminuir, ou melhor ainda,  erradicar o nosso egoísmo e fazermos algo em favor do outro? O outro está dentro da nossa casa, no nosso trabalho, e principalmente nas ruas, carentes: de comida, de uma palavra de paz, de um afeto, de um conselho, ... São exemplos tão minúsculos do que podemos fazer pelo outro, não é verdade! Quer mudar o mundo? Então mude você mesmo a partir de agora! Quebre paradigmas e faça a sua parte!

 

 

São Marcelo

Este foi um dos primeiros mártires da cristandade: tornou-se Papa num período terrível para Roma, logo após a queda do imperador Deocleciano. Sua função inicial foi reorganizar paróquias devastadas pelo terrível imperador de Roma. Marcelo impôs que o castigo deveria ser dado de acordo com o tamanho do crime. Essa sua decisão foi repudiada e todos ficaram contra ele, tanto que o imperador Maxentius mandou-o para o exílio. Não mais Papa e sim "escravo do Imperador" trabalhou em estábulos em grandes humilhações. Nove meses após, conseguiu fugir e foi encontrado aos trapos, machucado, por uma senhora muito piedosa que por sua vida veio a ser canonizada (santa Lucina) que cuidou dele, acolhendo-o em sua casa. Assim que se recuperou, Marcelo retornou às suas atividades sacerdotais, transformando o lar daquela senhora em uma igreja improvisada. Ali catequizava, celebrava Missas, ouvia confissões, batizava. Quando o Imperador soube disso, ordenou que alguns escravos invadissem o local e colocassem gados dentro daquela casa de orações, como uma forma de tirá-lo dali e assim Marcelo ficar sem lugar para viver. Mas Marcelo permaneceu até morte e ainda tomou conta dos animais. Embora não tenha sofrido uma morte cruel, foi considerado mártir e não por pouco. (www.asj.org.br)

 

 



[1] MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997

[2] Everaldo Souto Salvador, ofs, Mundo Católico