Quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

III Semana do Tempo da Quaresma, III Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Roxa

 

Orientai meus passos, Senhor, segundo a vossa palavra, e que o mal não domine sobre mim! (Sl 118, 133)

 

Santos: Antígono e Fortunato (mártires de Roma), Ana Lina (viúva, mártir), Basílio e Procópio (monges de Constantinopla), Gabriel da Virgem Dolorosa (religioso passionista), Honorina da Normandia (virgem, mártir), Juliano, Euno e Besa (mártires de Alexandria), Francisca Ana das Dores de Maria (virgem, bem-aventurada), Manuel de Cremona (bispo, bem-aventurado).

 

Oração do Dia: Ó Deus de bondade, concedei que, formados pela observância da quaresma e nutridos por vossa palavra, saibamos mortificar-nos para vos servir com fervor, sempre unânimes na oração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Deuteronômio (Dt 4, 1.5-9)

É na prática da lei que o povo mostrará sua fidelidade

 

Moisés falou ao povo, dizendo: 1"Agora, Israel, ouve as leis e os decretos que eu vos ensino a cumprir, para que, fazendo-o, vivais e entreis na posse da terra prometida que o Senhor Deus de vossos pais vos dará.

 

5Eis que vos ensinei leis e decretos conforme o Senhor meu Deus me ordenou, para que os pratiqueis na terra em que ides entrar e da qual tomareis posse. 6Vós os guardareis, pois, e os poreis em prática, porque neles está vossa sabedoria e inteligência perante os povos, para que ouvindo todas as leis, digam: 'Na verdade, é sábia e inteligente esta grande nação!' 7Pois, qual é a grande nação cujos deuses lhe são tão próximos quanto o Senhor nosso Deus, sempre que o invocamos? 8E que nação haverá tão grande que tenha leis e decretos tão justos, quanto esta lei que hoje vos ponho diante dos olhos?

 

9Mas toma cuidado! Procura com grande zelo não te esqueceres de tudo o que viste com os próprios olhos, e nada deixes escapar do teu coração por todos os dias de tua vida; antes, ensina-o a teus filhos e netos". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura[1]

Cumpri e praticai as leis e os decretos

 

A lei que o povo de Deus deve observar funda-se na aliança, que dele faz um povo único na face da terra, com identidade e missão específica: "neles está vossa sabedoria e inteligência" (versículo 6). Assim para a Igreja, novo povo de Deus: sua existência está ligada ao novo pacto assinado por Cristo com o próprio sangue; sua missão de salvação universal em Cristo constitui sua razão de ser, sua identidade.

 

Enquanto desenvolve sua missão no contexto histórico em que está inserida, não deve a Igreja confundir-se com o mundo, porém agir nele como o fermento na massa, conservando sua identidade. "Sacramento universal de salvação", ela anuncia fielmente a palavra do Evangelho que recebeu; "germe, e inicio" da grande reunião dos povos, dá graças na assembléia ao Deus-que-nos-é-vizinho, Pai de Cristo Jesus.

 

 

Salmo: 147(147B), 12-13.15-16.19-20 (+12a)
Glorifica o Senhor, Jerusalém!

 

12Ó Sião, canta louvores ao teu Deus! 13Pois reforçou com segurança as tuas portas, e os teus filhos em teu seio abençoou.

 

15Ele envia suas ordens para a terra, e a palavra que ele diz corre veloz. 16Ele faz cair a neve como lá e espalha a geada como cinza.

 

19Anuncia a Jacó sua palavra, seus preceitos suas leis a Israel. 20Nenhum povo recebeu tanto carinho, a nenhum outro revelou os seus preceitos.

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 5, 17-19)

Jesus não veio para abolir a Lei

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 17"Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas". Não vim para abolir; mas para dar-lhes pleno cumprimento. 18Em verdade, eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir; nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da lei, sem que tudo se cumpra. 19Portanto, quem desobedecer a um só desses mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus. Palavra da Salvação!

 

 

Comentário do Evangelho[2]

O mandamento inviolável

 

A severidade com que Jesus tratou a questão da violação dos mandamentos – “mesmo dos menores” – deve ser entendida no contexto de sua pregação e de seu próprio testemunho de vida. Estaria equivocado quem tentasse entendê-la com a mentalidade dos fariseus legalistas da época. O apego deles aos mandamentos estava longe da prática de Jesus. Os fariseus apegavam-se à letra da Lei, o Messias Jesus, no entanto, ia além, buscando viver o espírito escondido nas entrelinhas dessa mesma Lei.


Jesus estava pouco interessado em minúcias, em questões irrelevantes com as quais os fariseus se debatiam. Sua preocupação centrava-se na prática do amor misericordioso, de modo especial em relação aos pobres e marginalizados; na busca constante de fidelidade ao Pai, cuja vontade era um imperativo inquestionável; na relativização das prescrições religiosas, quando estava em jogo a defesa da vida; na liberdade profética diante de tudo quanto se apresentava como empecilho para a realização do Reino. Portanto, seu horizonte era mais vasto e mais radical que o de seus adversários.


Esta é a dinâmica na qual a vida do discípulo deve se inserir, tornando-se para ele como que um mandamento inviolável. E por acreditar que este é o caminho correto de acesso a Deus, o discípulo tanto o pratica como o ensina. O legalismo farisaico é, pois, substituído pela fidelidade incondicional ao Pai.

 

São Gabriel das Dores[3]

São Gabriel de Nossa Senhora das Dores, que o nome de batismo era Francisco Possenti, nasceu na cidade de Assis na Itália em 1838. Órfão de mãe aos quatro anos foi para Espoleto onde estudou em instituição marista e Colégio Jesuíta, onde viveu até os 18 anos. Em 1856 ingressou na congregação da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, fundada por São Paulo da Cruz, ou seja, os Passionistas. Sua espiritualidade foi marcada fortemente pelo amor a Jesus Crucificado e a Nossa Senhora das Dores. São Gabriel de Nossa Senhora das Dores passou a ser chamado desta forma pela sua grande devoção e admiração que nutria pela Virgem Dolorosa. Morreu aos 24 anos, no dia 27 de fevereiro de 1862. Foi beatificado em 1908, pelo Santo Padre Pio X e canonizado em 1920 por Bento XV. Em 1926 o então Papa, Pio XI o nomeou o co-patrono da Ação Católica.

 



[1] MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997

[2] O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A,  ©Paulinas, 1997

[3] www.asj.org.br