Quarta-feira, 28 de maio de 2008
8ª Semana do Tempo Comum, 4ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde
O Senhor se tornou o meu apoio, libertou-me da angústia e me salvou porque me ama. (Sl 17, 19-20)
Santos: Bernardo de Novara, Emílio, Margarida Pole, Crescêncio, Dioscórido, Paulo, Germano (abade e bispo de Paris), Guilherme de Gellone, Págio (bispo de Florença), Bernardo de Montjoux (padroeiro dos montanheses e dos alpinistas), Agostinho (Arcebispo de Cantuária), Senador (Bispo de Milão), Justo (Bispo de Urgel), Inácio (Bispo de Rostov), Margarida (Beata, viúva e mártir), Maria Bartoloméia de Florença (Beata, virgem), Gerardo de Villamagna (beato, confessor franciscano, 3ª Ordem).
Oração: Fazei, ó Deus, que os acontecimentos deste mundo decorram na paz que desejais e vossa Igreja vos possa servir, alegre e tranqüila. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura: I Pedro (1Pd 1, 18-25)
Sabeis que fostes resgatados pelo precioso sangue de Cristo
Caríssimos, 18sabeis que fostes resgatados da vida fútil herdada de vossos pais, não por meio de coisas perecíveis, como a prata ou o ouro, 19mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha nem defeito. 20Antes da criação do mundo, ele foi destinado para isso, e neste final dos tempos, ele apareceu, por amor de vós. 21Por ele é que alcançastes a fé em Deus. Deus o ressuscitou dos mortos e lhe deu a glória, e assim, a vossa fé e esperança estão em Deus. 22Pela obediência à verdade, purificastes as vossas almas, para praticar um amor fraterno sem fingimento. Amai-vos, pois, uns aos outros, de coração e com ardor. 23Nascestes de novo, não de uma semente corruptível, mas incorruptível, mediante a palavra de Deus, viva e permanente. 24Com efeito, "toda carne é como erva, e toda a sua glória como a flor da erva; secou-se a erva, cai a sua flor. 25Mas a palavra do Senhor permanece para sempre". Ora, esta palavra é a que vos foi anunciada no Evangelho. Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura[1]
Sabeis que fostes resgatados pelo precioso sangue de Cristo
Para os cristãos, o evento da morte e ressurreição de Cristo tem a mesma ressonância do evento do Sinai para Israel. Deste se origina todo o Antigo Testamento sobre o primeiro se funda todo o Novo.
O cristão crê em Deus e entra, pelos sacramentos e pela fé, no podo de Deus, porque Cristo – verdadeiro cordeiro pascal – morreu e ressuscitou por ele, e esta morte e ressurreição lhe são continuamente anunciadas por uma palavra viva e eterna. Esta palavra, como semente incorruptível, regenera para a vida – de intenso amor fraterno – todos os que se curvam “à obediência da verdade”. É este o “evangelho”, palavra da “boa-nova”, fonte de nossa alegria.
Salmo: 147(147B), 12-13.14-15.19-20 (R/. 12a)
Glorifica o senhor, Jerusalém!
Glorifica o Senhor, Jerusalém! Ó Sião, canta louvores ao teu Deus! Pois reforçou com segurança as tuas portas, e os teus filhos em teu seio abençoou.
A paz em teus limites garantiu e te dá como alimento a flor do trigo. Ele envia suas ordens para a terra, e a palavra que ele diz corre veloz.
Anuncia a Jacó sua palavra, seus preceitos, suas leis a Israel. Nenhum povo recebeu tanto carinho, a nenhum outro revelou os seus preceitos.
Evangelho: Marcos (Mc 10, 32-45)
Eis que estamos subindo para Jerusalém, o
Filho do Homem via ser entregue
Naquele tempo, 32os discípulos estavam a caminho, subindo para Jerusalém. Jesus ia à frente. Os discípulos estavam espantados, e aqueles que iam atrás estavam com medo. Jesus chamou de novo os Doze à parte e começou a dizer-lhes o que estava para acontecer com ele: 33"Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do homem vai ser entregue aos sumos sacerdotes e aos doutores da lei. Eles o condenarão à morte e o entregarão aos pagãos. 34Vão zombar dele, cuspir nele, vão torturá-lo e matá-lo. E depois de três dias ele ressuscitará".
35Tiago e João, filhos de Zebedeu, foram a Jesus e lhe disseram: "Mestre, queremos que faças por nós o que vamos pedir". 36Ele perguntou: "O que quereis que eu vos faça?" 37Eles responderam: "Deixa-nos sentar um à tua direita e outro à tua esquerda, quando estiveres na tua glória!" 38Jesus então lhes disse: "Vós não sabeis o que pedis. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber? Podeis ser batizados com o batismo com que vou ser batizado?" 39Eles responderam: "Podemos". E ele lhes disse: "Vós bebereis o cálice que eu devo beber; e sereis batizados com o batismo com que eu devo ser batizado. 40Mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. É para aqueles a quem foi reservado".
41Quando os outros dez discípulos ouviram isso, indignaram-se com Tiago e João. 42Jesus os chamou e disse: "Vós sabeis que os chefes das nações as oprimem e os grandes as tiranizam. 43Mas, entre vós, não deve ser assim: quem quiser ser grande, seja vosso servo; 44e quem quiser ser o primeiro, seja o escravo de todos. 45Porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos". Palavra da Salvação.
Comentário o Evangelho[2]
Entre vós não seja assim
A formação dos discípulos exigiu de Jesus estar muito atento ao que se passava no íntimo deles. Muitas vezes, seus ensinamentos eram acolhidos de maneira inconveniente. Ou havia descompasso entre o que era-lhes ensinado e o que eles captavam.
Durante a subida para Jerusalém, o Mestre deu-se conta de como seus discípulos estavam pouco sintonizados com ele. Enquanto declarava estar caminhando para a morte, que seria entregue nas mãos dos estrangeiros e sofreria toda sorte de escárnios e flagelos, os quais culminariam com crucifixão, dois de seus discípulos pretendiam garantir os melhores lugares no Reino que imaginavam iria ser instaurado pelo Messias Jesus. Antes que alguém se antecipasse, queriam estar certos de serem os principais beneficiários desse futuro Reino, entendido em termos políticos.
Jesus não admitiu a pretensão dos discípulos. Combateu-a severamente, e indicou como deve se comportar um discípulo do Reino, para se contrapor à mentalidade dos opressores e tiranos deste mundo. O desejo de grandeza deveria ser substituído pelo ideal de serviço, e a busca dos primeiros lugares haveria de ser substituída pelo ideal de colocar-se como último de todos. Bastava que observassem o comportamento do Mestre que procurava estar a serviço de todos e iria dar a própria vida por todos.
São Germano de Paris[3]
São Germano viveu no século VI. Morreu em Paris no dia 28 de maio de 576. O início de sua vida foi atribulado. Sua mãe tentou abortá-lo. Uma tia quis envenená-lo, mas os planos frustraram-se. Isto graças à criada que se equivocou. Em vez de dar a Germano o copo de vinho envenenado, deu-o a Estratídio, seu primo e filho da mandante. Em 531, foi ordenado sacerdote e, mais tarde, tornou-se abade do mosteiro de São Sinforiano de Autun. Em conseqüência de sua austeridade, os monges destituíram-no do cargo. Em 555 foi eleito bispo de Paris. Fortunato, bispo de Poitiers, contemporâneo seu, descreve o seu amor incondicional pelos pobres: A voz de todo povo, reunindo-se numa só, nem assim exprimiria qual pródigo era ele em esmolas: freqüentemente, contentando-se com uma túnica, cobria com o resto das vestes um pobre nu, assim que, enquanto o pobre se sentia quente, o bem-aventurado padecia frio. Ninguém pode dizer em quantos lugares e em que quantidade libertou cativos... Quando nada lhe restava, permanecia sentado, triste e inquieto, com fisionomia mais grave e conversação mais severa...