Quinta-feira, 15 de maio de 2008

6ª Semana do Tempo Comum, 2ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Verde

 

Sede o rochedo que me abriga, a casa bem definida que me salva. Sois minha fortaleza

e minha rocha; para honra do vosso nome, vós me conduzis e alimentais. (Sl 30, 3-4)

 

 

Hoje: Dia do Assistente Social e Dia Internacional da Família

 

Santos: Joana; Nereu e Aquiles (mártires, memória facultativa), Pancrácio (mártir, memória facultativa), Epifânio (judeu da Palestina convertido, Bispo de Chipre, monge), Modoaldo (Bispo de Tréveris), Rictrudes (viúva), Germano (Patriarca de Constantinopla), Domingos da Calçada, Francisco Patrizzi, Gema de Solmona (Beata), Joana de Portugal (Beata), João Stone (beato, mártir), Inácio de Laconi (Confessor franciscano da 1ª Ordem).

 

Oração: Ó Deus, que prometestes permanecer nos corações sinceros e retos, dai-nos, por vossa graça, viver de tal modo, que possais habitar em nós.  Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

Leitura: Tiago (Tg 2, 1-9)
A fé cristã remete à caridade fraterna

 

1Meus irmãos, a fé que tendes em nosso Senhor Jesus Cristo glorificado não deve admitir acepção de pessoas. 2Pois bem, imaginai que na vossa reunião entra uma pessoa com anel de ouro no dedo e bem vestida, e também um pobre, com sua roupa surrada, 3e vós dedicais atenção ao que está bem vestido, dizendo-lhe: "Vem sentar-te aqui, à vontade", enquanto dizeis ao pobre: "Fica aí, de pé", ou então: "Senta-te aqui no chão, aos meus pés", 4não fizestes, então, discriminação entre vós? E não vos tornastes juízes com critérios injustos?

 

5Meus queridos irmãos, escutai: não escolheu Deus os pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam? 6Mas vós desprezais o pobre! Ora, não são os ricos que vos oprimem e vos arrastam aos tribunais?

 

7Não são eles que blasfemam contra o nome sublime invocado sobre vós? 8Entretanto, se cumpris a lei régia, conforme a escritura: Amai vosso próximo como a vós mesmo, estais agindo bem. 9Mas se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado e a lei vos acusa como transgressores. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura[1]

Não escolheu Deus os pobres?

 

A "fé em nosso Senhor Jesus Cristo" não admite diversos pesos nem diversas medidas na estima da dignidade dos homens, todos eles chamados a serem seus irmãos. Isto se deve manifestar claramente na assembléia litúrgica e traduzir-se na vida social. O Concílio denunciou fortemente o 'desprezo pelos pobres" na organização econômica da sociedade de hoje: "Em um tempo em que o desenvolvimento da vida econômica, coordenada e orientada de uma forma racional e humana, poderia permitir uma atenuação nas diferenças sociais, com excessiva freqüência essa mesma vida econômica se transforma em causa de agravamento de tais diferenças ou, em alguns lugares, até de retrocesso nas condições sociais dos fracos e de desprezo dos pobres... E, enquanto poucos homens dispõem de um poder de decisão bastante amplo, a muitos falta quase totalmente a possibilidade de agir por iniciativa própria ou sob a própria responsabilidade, permanecendo muitas vezes em condições de vida e de trabalho indignas da pessoa humana". 

 

 

Salmo: 33(34), 2-3.4-5.6-7 (+ 7a)

Este infeliz gritou a Deus e foi ouvido (7a)

 

Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. Minha alma se gloria no Senhor; que ouçam os humildes e se alegrem!

 

Comigo engrandecei ao Senhor Deus, exaltemos todos juntos o seu nome! Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu, e de todos os temores me livrou.

 

Contemplai a sua face e alegrai-vos, e vosso rosto não se cubra de vergonha! Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido, e o Senhor o libertou de toda angústia.

 

 

 Evangelho do dia: Marcos (Mc 8, 27-33)

Os discípulos têm dificuldades de

reconhecer a Jesus como o Salvador

 

Naquele tempo, 27Jesus partiu com seus discípulos para os povoados de Cesaréia de Filipe. No caminho perguntou aos discípulos: "Quem dizem os homens que eu sou?" 28Eles responderam: "Alguns dizem que tu és João Batista; outros que és Elias; outros, ainda, que és um dos profetas". 29Então ele perguntou: "E vós, quem dizeis que eu sou?" Pedro respondeu: "Tu és o messias".

 

30Jesus proibiu-lhes severamente de falar a alguém a seu respeito. 31Em seguida, começou a ensiná-los, dizendo que o Filho do Homem devia sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei, devia ser morto, e ressuscitar depois de três dias. 32Ele dizia isso abertamente. Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo. 33Jesus voltou-se, olhou para os discípulos e repreendeu a Pedro, dizendo: "Vai para longe de mim, Satanás! Tu não pensas como Deus, e sim como os homens". Palavra da Salvação! 

 

 

Comentário o Evangelho[2]

A identidade revelada

 

Ao longo do Evangelho, Jesus proíbe terminantemente que propaguem seus grandes feitos, mormente aqueles milagres que mais explicitavam sua condição de Messias. Com isto, tentava evitar ser enquadrado em esquemas incompatíveis com o seu projeto messiânico. A empolgação diante dos milagres poderia levar a identificações apressadas.

 

Num dado momento, Jesus revelou sua identidade messiânica e ofereceu aos discípulos uma chave de compreensão. Sem dúvida, ele era o Messias. Não, porém, um Messias glorioso, cheio de majestade e poder. Antes, devia sofrer muito, ser rejeitado e padecer a morte, para, então, ressuscitar.

 

Jesus identificou-se como Messias servidor, destinado a pagar o preço de sua opção. Sua glória consistia em colocar-se a serviço dos pobres e marginalizados. Seu poder manifestava-se nos gestos poderosos de cura de multidões abatidas por doenças e enfermidades ou vitimas da opressão dos espíritos impuros. Portanto, uma visão de Messias desprovida de mundanismo, antes toda voltada para o querer do Pai.

 

Os discípulos precisaram de tempo e paciência para assimilar a revelação de Jesus. Afinal, estavam contaminados pelas esperanças messiânicas do povo. Teriam preferido um Messias glorioso, a um Messias, servo sofredor.

 

São Claudio de La Cambière[1]

 

 

 

"Nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus" Mt 4,4. São Cláudio La Colombière, nasceu na França em 1641, numa família muito religiosa. Após completar os estudos humanísticos o jovem Cláudio decidiu entrar no seminário, e pôde ouvir de sua mãe a profecia: "Meu filho, tu hás de ser um santo religioso". Entrou no noviciado da Companhia de Jesus e em meio a muitas lutas ele conseguiu ser fiel a sua vida religiosa, por isso escreveu no seu diário: "Os planos de Deus nunca se realizam senão à custa de grandes sacrifícios". Lecionou até chegar a ser superior do colégio jesuíta. Passou dezoito meses em Paray-le-Monial, na França, tornando-se o guia espiritual e orientador teológico de Santa Margarida Maria Alacoque, bem conhecida de todos nós, por ter sido a grande incentivadora da devoção ao Coração de Jesus. São Cláudio La Colombière tornou-se ainda pregador, em Londres, nos tempos difíceis da Reforma Anglicana. Acabou sendo expulso, vindo a morrer depois, vítima de tuberculose, em 1682. A contemplação precisa da ação para alimentar-se, assim como a ação se alimenta da contemplação. Morreu com quarenta e um anos depois de caluniado por protestantes poderosos que o santo preso e quase condenado a morte, se não fosse a providente intervenção do rei francês Luís XIV. São Cláudio fora expulso da Inglaterra e faleceu em Paray le Monial, conforme Santa Margarida havia profetizado a seu respeito, pois deste local é que iniciou-se a grande devoção ao Sagrado Coração de Jesus, no qual São Cláudio encontrou repouso eterno.

 

 



[1] www.asj.org.br