Quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
II Semana do Tempo da Quaresma, II Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Roxa
Provai-me, ó Deus, e conhecei meus pensamentos: vede se ando pela vereda do mal e conduzi-me nos caminho da eternidade. (Sl 138, 23-24)
Santos: Abílio de Alexandria (bispo), Aristeu de Salamis (mártir), Atanásio de Nicomédia (abade), Margarida de Cortona (franciscana terciária), Maximiano de Ravena (bispo), Papias de Hierápolis (bispo), Pascásio de Viena (bispo), Rainério de Beaulieu (monge), Talássio e Lineu (eremitas), Ângelo Portasole (bispo, bem-aventurado).
Oração do Dia: Ó Deus, que amais e restaurais a inocência, orientai para vós os corações dos vossos filhos e filhas, para que, renovados pelo vosso Espírito, sejamos firmes na fé e eficientes nas obras. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.
I Leitura: Jeremias (Jr 17, 5-10)
Maldito o homem que confia no homem
5Isto diz o Senhor: "Maldito o homem que confia no homem e faz consistir sua força na carne humana, enquanto o seu coração se afasta do Senhor”; 6como os cardos no deserto, ele não vê chegar a floração, prefere vegetar-se na secura do ermo, em região salobra e desabitada.
7Bendito o homem que confia no Senhor, cuja esperança é o Senhor; 8é como a árvore plantada junto às águas, que estende as raízes em busca da umidade, e por isso não teme a chegada do calor: sua folhagem mantém-se verde, não sofre míngua em tempo de seca e nunca deixa de dar frutos. 9Em tudo é enganador o coração, e isto é incurável; quem poderá conhecê-lo?
10Eu sou o Senhor, que perscruto o coração e provo os sentimentos, que dou a cada qual conforme o seu proceder e conforme o fruto de suas obras". Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura
Bendito o homem que põe sua confiança no Senhor
Em quem se deve esperar? No homem, afirmam muitos de nossos contemporâneos, que sonham libertar o mundo das tutelas religiosas para confiá-lo totalmente às mãos do homem. Sua confiança no homem é comovedora, mas segundo a linguagem do profeta eles seriam malditos, iludidos. Acabam por ser homens sem esperança porque lhes falta a confiança na ressurreição. Além disso, constatando a maldade humana, concluem amargamente que o homem não merece confiança.
Só existe uma possibilidade de esperar no homem: esperar no homem Jesus Cristo. Nele Deus nos dá a possibilidade de tornar tudo novo e de crer no futuro. Nele a vida humana torna-se possível e vale a pena ser vivida. É possível, então, esperar também nos outros homens, porque sua graça pode transformá-los e torná-los co-responsáveis, mediante um engajamento fiel no mundo, pela construção de um futuro melhor.
Salmo: 1, 1-2.3.4 e 6 (R/.Sl 39 [40], 5a)
É feliz quem a Deus se confia!
1Feliz é todo aquele que não anda conforme os conselhos dos perversos; que não entra no caminho dos malvados, nem junto aos zombadores vai sentar-se; 2mas encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar.
3Eis que ele é semelhante a uma árvore, que à beira da torrente está plantada; ela sempre dá seus frutos a seu tempo, e jamais as suas folhas vão murchar. Eis que tudo o que ele faz vai prosperar.
4Mas bem outra é a sorte dos perversos. Ao contrário, são iguais à palha seca espalhada e dispersa pelo vento. 5Pois Deus vigia o caminho dos eleitos, mas a estrada dos malvados leva à morte.
Evangelho: Lucas (Lc 16, 19-31)
O homem rico e o pobre Lázaro
Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: 19"Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias. 20Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão, à porta do rico. 21Ele queria matar a fome com as sobras que caiam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas.
22Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado. 23Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado. 24Então gritou: 'Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas'. 25Mas Abraão respondeu: 'Filho, lembra-te de que recebeste teus bens durante a vida e Lázaro, por sua vez, os males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. 26E, além disso, há grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós'.
27O rico insistiu: 'Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa de, meu pai, 28porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não venham também eles para este lugar de tormento'. 29Mas Abraão respondeu: 'Eles têm Moisés e os profetas, que os escutem!' 30 O rico insistiu: 'Não, Pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter'. 31Mas Abraão lhe disse: 'Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos'". Palavra da Salvação!
Comentário do Evangelho[1]
O rico e Lázaro
A parábola evangélica é um alerta premente contra o perigo da riqueza e as conseqüências desastrosas para quem não sabe se servir dela como meio para obter a salvação eterna. A riqueza pode levar à condenação.
O
rico simboliza aquela pessoa cuja vida limita-se à busca de prazeres: da
comida, da bebida, do vestir-se bem, do locupletar-se com bens materiais. Por
isso, não demonstra a mínima preocupação com Deus, nem muito menos com seus
semelhantes, de modo especial, os pobres e marginalizados. Interessa-lhes,
apenas, quem lhes pode proporcionar prazer, e seus companheiros de orgias.
Nada, porém, que possa significar amor e ruptura dos esquemas egoístas.
A riqueza estreitava os horizontes do rico da parábola, impedindo-o de ver para além de seu pequeno mundo. O sofrimento do pobre Lázaro, à sua porta, era-lhe desconhecido. Sua fome contrastava com a opulência dos banquetes que o rico oferecia. Seu corpo coberto de feridas, dando-lhe um aspecto asqueroso, chocava-se com a bela aparência dos convivas do rico, bem vestidos e adornados.
O
desfecho da parábola parece lógico: a insensibilidade do rico farreador
valeu-lhe a condenação eterna de sofrimentos, pois deixara escapar a única
chance de construir sua felicidade eterna, fazendo-se solidário com o
sofrimento do próximo.
São Pedro Damião[2]
O Santo deste dia é reconhecido como Doutor da Igreja, já que pela doutrina e amor a Igreja testemunhou sua vida de santidade. São Pedro Damião nasceu em Ravena em 1007; teve uma infância sofrida devido à morte dos pais. Mais tarde foi acolhido pelo irmão mais velho até entrar na vida religiosa pela Ordem Camaldulense. São Pedro Damião lutou como reformador para, com a ajuda dos irmãos, reformar a vida religiosa. Pedro Damião dirigiu e fundou um grupo de mosteiros que seguiam, com certas variações, a reforma camaldulense. Trabalhou incansavelmente para devolver à vida religiosa seu sentido de consagração total a Deus, na solidão e penitência. A partir de 1046 foi levado a trabalhar para a santificação de toda a Igreja de Cristo. Ajudou vários Papas, até mesmo depois de tornar-se bispo e cardeal de Óstia, perto de Roma. São Pedro Damião esteve muito próximo da Igreja Universal, por isso foi conselheiro e legado papal em 1072.