Quinta-feira, 22 de maio de 2008
Corpo e Sangue de Cristo, 3ª Semana do Saltério (Livro II), cor litúrgica Branca
O Senhor alimentou seu povo com a flor do trigo e com o mel do rochedo o saciou (Sl 80,17)
Hoje: Dia do Apicultor.
Santos: Rita de Cássia (viúva camponesa, santa dos impossíveis), Casto, Marciano (bispo de Ravena), Quitéria (virgem mártir), João Forest (mártir franciscano da 1ª Ordem), Vasto e Emílio (mártires), Romão (abade), Júlia (jovem cristão africana, crucificada na Córsega), Folco, Aton (abade beneditino de Valumbrosa), Casto e Emílio (mártires), Quitéria (Virgem e mártir), Romano (ou Romão), Júlia (mártir), Aigulfo (Bispo de Bourges), Humildade (viúva), Joaquina de Mas y de Vedruna (viúva, fundadora das Carmelitas da Caridade).
Oração: Senhor Jesus Cristo, neste admirável sacramento nos deixastes o memorial da vossa paixão. Dai-nos venerar com tão grande amor o mistério do vosso Corpo e do vosso Sangue, que possamos colher continuamente os frutos da vossa redenção. Vós, que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
I Leitura: Deuteronômio (Dt 8, 2-3.14b-16a)
Deus confortou, alimentou e saciou o
povo na peregrinação do deserto
Moisés falou ao povo, dizendo: 2"Lembra-te de todo o caminho por onde o Senhor teu Deus te conduziu, esses quarenta anos, no deserto, para te humilhar e te pôr à prova, para saber o que tinhas no teu coração e para ver se observarias ou não seus mandamentos. 3Ele te humilhou, fazendo-te passar fome e alimentando-te com o maná que nem tu nem teus pais conhecíeis, para te mostrar que nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca do Senhor.
14bNão te esqueças do Senhor teu Deus que te fez sair do Egito da casa da escravidão, 15e que foi teu guia no vasto e terrível deserto, onde havia serpentes abrasadoras, escorpiões, e uma terra árida e sem água nenhuma. Foi ele que fez jorrar água para ti da pedra duríssima 16ae te alimentou no deserto com maná, que teus pais não conheceram". Palavra do Senhor!
Salmo: 147 (147B), 12-13.14-15.19-20 (R/.12a)
Glorifica
o Senhor, Jerusalém; celebra teu Deus, ó Sião!
Glorifica o Senhor; Jerusalém! Ó Sião, canta louvores ao teu Deus! Pois reforçou com segurança as tuas portas, e os teus filhos em teu seio abençoou.
A paz em teus limites garantiu e te dá como alimento a flor do trigo. Ele envia suas ordens para a terra, e a palavra que ele diz corre veloz.
Anuncia a Jacó sua palavra, seus preceitos e suas leis a Israel. Nenhum povo recebeu tanto carinho, a nenhum outro revelou os seus preceitos.
II Leitura: I Carta de Paulo aos Coríntios (1Cor 10, 16-17)
O pão eucarístico é o sinal que concretiza
a unidade dos cristãos
Irmãos, 16o cálice da bênção, o cálice que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? E o pão que partimos, não é comunhão com o corpo de Cristo? 17Porque há um só pão, nós todos somos um só corpo, pois todos participamos desse único pão. Palavra do Senhor!
Evangelho: João (Jo 6, 51-58)
Eis que estamos subindo para Jerusalém, e
o Filho do Homem via ser entregue
Naquele tempo, disse Jesus às multidões dos judeus: 51"Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo". 52Os judeus discutiam entre si, dizendo: "Como é que ele pode dar a sua carne a comer?"
53Então Jesus disse: "Em verdade, em verdade vos digo, se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. 54Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. 55Porque a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue, verdadeira bebida. 56Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. 57Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por causa do Pai, assim o que me recebe como alimento viverá por causa de mim. 58Este é o pão que desceu do céu. Não é como aquele que os vossos pais comeram. Eles morreram. Aquele que come este pão viverá para sempre". Palavra da Salvação.
Corpo e Sangue de Cristo
John Nascimento
A Liturgia da Palavra da Solenidade do Corpo e Sangue de Jesus – A, lembra-nos que Cristo permanece conosco no Sinal da Sua Páscoa. A vida do homem é povoada de presenças : presenças visíveis e próximas como a de uma mãe que cuida de seu filho que brinca ou que dorme; presenças invisíveis como a de duas pessoas que se amam, pensam uma na outra e se encontram, superando a distância e a separação corporal e física; presenças que proporcionam paz, satisfação e segurança; presenças tempestuosas e perturbadoras que são como uma ameaça... No plano da vivência humana mais profunda, o homem faz a experiência singular de uma presença maravilhosa mas real, que é a revelação e tomada de consciência da presença criadora de Deus que nos faz existir e “em que vivemos, nos movermos e somos” (At 17,28). D’Ele fazemos memória litúrgica e sacramental que, através dos sinais do pão e do vinho, comidos e partilhados pela comunidade, torna presente o Cristo na sua realidade e no mistério da Eucaristia, que é Presença Real
A 1ª Leitura, do Livro do Deuteronômio, diz que, numa época de grande prosperidade econômica, em que o povo de Israel corria o risco de se esquecer de Deus e de se fechar no seu egoísmo, o autor sagrado lembra-lhe a experiência do deserto. Durante essa longa caminhada, em que sentiu ao vivo a sua fraqueza, os bens necessários à vida (alimento, água, libertação da escravatura e proteção dos perigos) não foram dádivas do amor de Deus? Esquecer agora, na abundância, esse amor paternal de Deus, seria uma ingratidão.
- “Hás de recordar todo esse caminho que o Senhor, teu Deus, te fez percorrer, durante quarenta anos no deserto.(...) Não te esqueças, pois, do Senhor, teu Deus” (1ª Leitura).
Mas seria também uma loucura. O homem, com efeito, não pode viver só do pão. Satisfeita toda a fome que sente (fome de justiça, de liberdade e de paz) ele pode sentir-se ainda infeliz. O alimento espiritual, “a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4), é-lhe indispensável para viver feliz e em paz sobre a terra e poder invocar a Deus, como proclama hoje o Salmo Responsorial:
- “Jerusalém, louva o teu Senhor”.
Na 2ª Leitura, S. Paulo diz aos Coríntios, e hoje também a todo o povo cristão que o Pão Vivo, descido do Céu, verdadeiro maná, na caminhada da vida, a Eucaristia realiza a nossa incorporação em Cristo morto e ressuscitado e, por Ele, na Igreja, que é também o Corpo de Cristo. O Pão Eucarístico é assim não apenas sinal, mas alimento de unidade entre os cristãos e destes com Deus.
- “Não é o cálice de bênção que nós abençoamos uma comunhão com o Sangue de Cristo ? Não é o pão que nós partimos uma comunhão com o Corpo de Cristo”? (2ª Leitura).
Comungar o Corpo e o Sangue de Cristo é, pois, comungar o amor que Jesus tem pelo Pai e pelos homens. Cada Comunhão devia ser para nós um compromisso de unidade. Unidade que não deve manifestar-se apenas na assembléia litúrgica, mas deve abranger toda a vida.
O Evangelho é de S. João e diz-nos que a Eucaristia é tão desconcertante para os homens do nosso tempo, como os sinais realizados por Jesus o foram para os Seus contemporâneos. Contudo, aqueles que foram testemunhas da Ressurreição, como João, autor deste Evangelho, e aqueles que hoje, têm fé em Jesus, sabem muito bem que o Filho de Deus feito Homem, vindo para trazer a vida ao mundo, não Se limitou a dar-nos as Suas Palavras ou o Seu exemplo. Deu-nos também, na Eucaristia, a Sua Carne e o Seu Sangue, isto é, a Sua Pessoa.
- “Eu sou o Pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste Pão viverá eternamente. E o Pão que Eu hei de dar é a Minha Carne, que Eu darei pela vida do mundo”. (Evangelho).
No plano da vivência humana profunda, o homem faz a experiência singular de uma presença misteriosa mas real, que atinge o centro do seu ser; uma presença que inspira um inefável sentimento de confiança e segurança e que do seu íntimo o chama. É a revelação e a tomada de consciência da presença criadora de Deus que nos faz existir, daquele Deus “em quem vivemos, nos movemos e somos”(At 17,28), uma presença que “sustenta” o homem, nutre-o”.
A presença de Deus no meio de nós assumiu, na história, a forma visível e tangível de Jesus, imagem visível do Deus invisível, revelador do mistério do Pai. A sua encarnação e o seu nascimento em Belém, sob o império de César Augusto, é o ápice de uma longa série de sinais através dos quais o Deus vivo tinha feito sentir a sua presença (Patriarcas, Reis, Profetas do Antigo Testamento...). Depois da Ascensão, que o subtrai à experiência sensível dos homens, a presença de Jesus muda de sinal mas não muda a realidade. Ele continua e dá-se sob o sinal do pão partido e do vinho, nos quais oferece o seu Corpo como alimento e o seu Sangue como bebida de salvação e de vida. Ele permanece conosco até ao fim do mundo. Ora, podemos encontrar Jesus através da “memória” dele, especialmente a “memória” litúrgica e sacramental, tornando-se assim presente no meio de nós. Não se trata, porém, de uma presença desencarnada, de uma memória que só se restringe a uma recordação. Trata-se de uma memória que, através dos sinais do pão e do vinho, comidos e partilhados pela comunidade, torna presente o Cristo na sua realidade e no mistério que nos são comunicados.
Uma vez que Cristo é o centro e o cume de toda a história da salvação, a Eucaristia – memorial da sua paixão-morte-ressurreição – é lembrança e celebração de toda a história da salvação e das vicissitudes de Israel, “Povo de Deus”; da vida de Cristo; da história e da vida atual da Igreja,”novo Povo de Deus”. Que se deve entender por “memória”?
Na memória conserva-se o passado. Todo o acontecimento humano é transitório, único e irrepetível. Não o podemos deter nem fazer voltar quando já passou. Nisso consiste o seu valor e também o seu limite, a sua raridade, a sua transitoriedade, a sua beleza e a sua impotência. No entanto, podemos reevocar o passado pela lembrança. Dele, pois, guardamos a memória. O sacrifício eucarístico é uma forma de memória substancialmente diferente. Aqueles que, na pobreza da fé, souberem acolher a Cristo, sob o sinal sacramental, unir-se-ão à Sua Morte e Ressurreição, entrarão no Seu mistério, receberão a vida e farão parte do plano da História da Salvação.
Diz o Catecismo da Igreja Católica:
1374. – O modo da presença de Cristo sob as espécies eucarísticas é único. Ele eleva a Eucaristia acima de todos os sacramentos e faz dela ”como que a perfeição da vida espiritual e o fim para que tendem todos os sacramentos” (Suma Theol.3,73,3). No Sacramento da Eucaristia estão “contidos, verdadeira, real e substancialmente, o Corpo e o Sangue conjuntamente com a alma e a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, o Cristo total” (Conc.Trento: DS 1651). “Esta presença chama-se real, não a título exclusivo como se as outras presenças não fossem reais, mas por antonomásia, porque é substancial, quer dizer, por ela está presente Cristo completo, Deus e homem” (MF 39).
Santa Rita de Cássia [1]
De seu nome de batismo Margherita originou o nome Rita, pelo qual é conhecida em todo mundo católico. Contrariada, fez o gosto dos pais: casou-se com um jovem temperamental e violento e tiveram dois filhos. Durante os 18 anos em que esteve casada, tudo fez para que a paz e a harmonia fossem mantidas mesmo tendo um marido brutal que lhe era infiel e a maltratava, até que conseguiu convertê-lo. Porém um ano após, este (Paulo Ferdinando) foi assassinado e seus dois filhos juraram vingar-se dos matadores. Rita pediu a Deus que tirasse a vida dos filhos antes que eles cometessem o pecado da vingança e assim perdessem a alma e mesmo em meio as angústias da perda, foi atendida: um raio os matou. Abalada pela morte do marido e dos filhos, quis recolher-se ao convento das agostinianas de Cássia, mas não foi aceita. Rezou, então, fervorosamente aos santos de sua devoção: São João Batista, Santo Agostinho e São Nicolau de Tolentino. Contam os biógrafos que estes santos lhe apareceram de madrugada em sua casa e conduziram ao convento, mesmo com as portas do convento cerradas. Por 14 anos, até sua morte, trouxe na testa um estigma, associando-se assim à paixão de Cristo. Morreu no mosteiro de Cássia em 1457 e foi canonizada em 1900. É a padroeira das mulheres que sofrem com os maridos, e é também chamada "advogada das causas perdidas" e "Santa dos impossíveis".