Quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Quarta Semana do Advento, Ano “A” 4ª Semana do Saltério, Livro I, cor Litúrgica Roxa

 

Hoje: Dia do Vizinho

 

Santos: Dagoberto II da Austrásia (rei, mártir), de Hexham (monge, bispo), João Câncio (presbítero de Cracóvia), João de Kety (presbítero, mártir), Maria Luísa (carmelita, filha do rei Luís XV da França), Mazota de Abernethy (virgem) , Migdônio e Mardônio (mártires da Nicomédia), Sérvulo de Roma (era um paralítico), Teódulo, Saturnino e Companheiros (mártires de Creta), Thorlakur Thorhallsson (bispo de Skalholt), Vitória e Anatólia (virgens, mártires de Sabina), Hartmann de Brixen (bispo, bem-aventurado), Hermann de Scheda (abade, bem-aventurado), Ivo de Chartres (bispo, bem-aventurado), João Cirita (eremita, bem-aventurado), Nicolau Factor (franciscano, bem-aventurado)

 

Antífona: Nascerá para nós um pequenino: ele será chamado Deus e forte; nele serão abençoados todos os povos da terra. (Is 9,6; Sl 71, 17)

 

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, ao aproximar-nos do Natal do vosso Filho, concedei-nos obter a misericórdia do verbo, que se encarnou no seio da virgem e quis viver entre nós. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Malaquias (Ml 3, 1-4.23-24)
 Eis que vos enviarei o profeta Elias

 

Assim fala o Senhor Deus: 1"Eis que envio meu anjo, e ele há de preparar o caminho para mim; logo chegará ao seu templo o Dominador, que tentais encontrar, e o anjo da aliança, que desejais. Ei-lo que vem, diz o Senhor dos exércitos; 2e quem poderá fazer-lhe frente, no dia de sua chegada? E quem poderá resistir-lhe, quando ele aparecer?

 

Ele é como o fogo da forja e como a barrela dos lavadeiros; 3e estará a postos, como para fazer derreter e purificar a prata: assim ele purificará os filhos de Levi e os refinará como ouro e como prata, e eles poderão assim fazer oferendas justas ao Senhor. 4Será então aceitável ao Senhor a oblação de Judá e de Jerusalém, como nos primeiros tempos e nos anos antigos.

 

23Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o dia do Senhor, dia grande e terrível; 24o coração dos pais há de voltar-se para os filhos, e o coração dos filhos para seus pais, para que eu não intervenha, ferindo de maldição a vossa terra". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura
Eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o dia do Senhor

 

O dia do Senhor é a vinda de Cristo, que reconcilia os homens com o Pai, como Elias restituiu o Senhor ao povo e este ao Senhor. Não é fácil descobrir o dia do Senhor, reconhecer-lhe a visita, se o coração não está reconciliado com Deus. O pecado faz perder a cabeça, porque sacrifica a amizade com Deus. O Senhor vem com seu juízo todos os dias. O seu dia sua presença - é uma realização espiritual, interior; perpétua. Não podemos viver como quem não é incessantemente julgado por uma luz interior. Enquanto o amor humano tende a apossar-se do bem que encontra no seu objeto, o amor divino cria o bem na criatura amada" (Tomás de Aquino). Este amor pode ser produzido por Deus num coração completamente aberto a ele e seu, em absoluta disponibilidade. Quanto a nós, temos os nossos Elias, os nossos Batistas, os nossos sinais: precedem, preparam com advertências, com admoestações dos homens e de coisas, de palavras e acontecimentos. São anjos enviados por Deus, sinais de sua solicitude para nos atrair a ele. [MISSAL COTIDIANO. ©Paulus, 1997]

 

Salmo: 24(25), 4bc-5ab.8-9.10 e 14 (R/.Lc 21,28)

Levantai vossa cabeça e olhai, pois, a vossa redenção se aproxima!

 

4bMostrai-me, ó Senhor vossos caminhos e 4cfazei-me conhecer a vossa estrada! 5aVossa verdade me oriente e me conduza, 5bporque sois o Deus da minha salvação!

 

8Senhor é piedade e retidão, e reconduz ao bom caminho os pecadores. 9Ele dirige os humildes na justiça, e aos pobres ele ensina o seu caminho.

 

10Verdade e amor são os caminhos do Senhor para quem guarda sua Aliança e seus preceitos. 14Senhor se torna íntimo aos que o temem e lhes dá a conhecer sua Aliança.

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 1, 57-66)

Nascimento de João Batista

 

57Completou-se o tempo da gravidez de Isabel, e ela deu à luz um filho. 58Os vizinhos e parentes ouviram dizer como o Senhor tinha sido misericordioso para com Isabel, e alegraram-se com ela.

 

59No oitavo dia, foram circuncidar o menino, e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias. 60A mãe porém disse: "Não! Ele vai chamar-se João". 61Os outros disseram: "Não existe nenhum parente teu com esse nome!" 62Então fizeram sinais ao pai, perguntando como ele queria que o menino se chamasse. 63Zacarias pediu uma tabuinha, e escreveu: "João é o seu nome". 64No mesmo instante, a boca de Zacarias se abriu, sua língua se soltou, e ele começou a louvar a Deus.

 

65Todos os vizinhos ficaram com medo, e a notícia espalhou-se por toda a região montanhosa da Judéia. 66E todos os que ouviam a notícia, ficavam pensando: "O que virá a ser este menino?" De fato, a mão do Senhor estava com ele. Palavra da salvação

 

 

Comentando o Evangelho

“João é o seu nome”

 

Com o nascimento de João, Lucas quer demonstrar o cumprimento das palavras do anjo a Zacarias: que Isabel, a estéril, daria à luz um filho que se chamaria João e, que muitos se alegrariam com seu nascimento (1,13-14); e outra promessa mais: João seria cheio do Espírito Santo desde o ventre de sua mãe o que se cumpriu com o movimento da criança no ventre de Isabel quando é visitada por Maria (1, 41-44) (Novo Testamento, Ave-Maria). O nascimento de João é um acontecimento extraordinário, pelas circunstâncias do ocorrido, senão vejamos: a mãe é anciã estéril, o nome inesperado de João, a recuperação da fala de Zacarias.

 

O pai de João, mudo até então, volta a falar logo que o nome dito pelo anjo é confirmado. Os vizinhos se enchem de temor (não de terror), mas de reverência em face dos atos maravilhosos de Deus. Não ficam simplesmente chocadas, mas mostram sua percepção de um significado mais profundo nos acontecimentos (Comentário Bíblico)

 

Segundo o costume do judaísmo mais recente, o nome era dado à criança na circuncisão, mas no AT era imposto na ocasião do nascimento (Gn 4, 1; 21,3; 25, 25-26) A revelação do nome de João é o fato principal desta leitura, toda ela centrada mais na circuncisão do que no nascimento. O acordo de Zacarias e de Isabel quando ao nome de João é percebido como um sinal de Deus e provoca admiração e temor, reação habitual salientada por Lc nas pessoas confrontadas com milagres e outras manifestações divinas (Bíblia dos Capuchinhos).

 

“A mão do Senhor estava com ele” (v. 66c) significa que João é alvo da benevolência de Deus e inspira-se no Antigo Testamento, onde exprime a proteção de Deus sobre os seus fiéis e a sua ação sobre os profetas. João Batista é um anjo enviado por Deus, sinais de sua bondade para nos atrair a Ele. Isabel fez a sua parte; Maria fará a outra parte, a mais importante, obviamente. Everaldo Souto Salvador, ofs (edd@mundocatolico.com.br)

 

 

Preces dos Fiéis (Deus Conosco)

Pela Igreja, que procura mostrar aos povos o caminho do Reino, rezemos: Tende misericórdia de vosso povo, Senhor!

Por todas as raças e nações, para que busquem sem cessar a concórdia e a paz, rezemos.

Para que sejamos misericordiosos, como Deus é misericordioso para conosco, rezemos.

Por aqueles que dedicam suas vidas em favor dos pobres, da justiça e da solidariedade, rezemos.

Para que na América Latina sejamos um povo solidário e irmão, rezemos.

(intenções próprias da Comunidade)

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, que esta oblação, pela qual vos prestamos um culto perfeito, restabeleça nossa amizade convosco, para que possamos celebrar de coração purificado o nascimento do nosso Redentor. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz, e abrir, eu entrarei e cearemos juntos. (Ap 3, 20)

 

Depois da Comunhão:

Ó Deus, concedei a vossa paz aos nossos corações que acabastes de saciar com o pão dos céus, para que possamos esperar com lâmpadas acesas a chegada do vosso Filho que se aproxima. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

São João Câncio

Considerado um dos santos mais representativos e queridos da heróica Polônia, são João Câncio é chamado, pelo povo, de a "glória da nação polonesa" e o "pai da pátria". Isso num país que sempre teve orgulho de sua fé no cristianismo e da fidelidade à cátedra de Pedro.

 

João Câncio nasceu em 23 de junho de 1390, no povoado de Kenty, e viveu sempre em sua cidade, Cracóvia. Lá, conquistou todos os graus acadêmicos e lecionou em sua principal universidade até morrer. A grande preocupação de seu magistério era transmitir aos alunos os conhecimentos "não à luz de uma ciência fria e anônima, mas como irradiação da ciência suprema que tem sua fonte em Deus".

 

Mesmo depois de ordenar-se sacerdote, continuou a cultivar a ciência, ao mesmo tempo que fazia seu trabalho pastoral como vigário da paróquia de Olkusz. Homem de profunda vida interior, jejuava e penitenciava-se semanalmente, ao mesmo tempo que espalhava o amor pelo próximo entre os estudantes e os pobres da cidade.

 

Há um exemplo claro de sua personalidade em sua biografia, que remonta às inúmeras peregrinações e romarias aos túmulos dos mártires em Roma, bem como aos lugares santos da Palestina. Numa dessas incontáveis viagens, foi assaltado. Os bandidos exigiram que João Câncio lhes desse tudo que tinha, depois perguntaram ainda se não estava escondendo mais nada. Ele afirmou que não.

 

Depois que os ladrões partiram, ele se lembrou de que ainda tinha algumas moedas no forro do manto. Achou-as, correu atrás dos bandidos, deu-lhes as moedas e ainda pediu desculpa pelo esquecimento.

 

Anos depois, ao perceber a proximidade da morte, distribuiu os poucos bens que possuía aos pobres, falecendo às vésperas do Natal de 1473. Foi canonizado por Clemente II em 1767. São João Câncio era celebrado no dia 20 de outubro, mas agora sua festa acontece um dia antes daquele que marca sua morte.

 

Para homenagear o "professor santo", que foi modelo para gerações inteiras de religiosos, o papa João Paulo II foi à Polônia em 1979. Na ocasião, consagrou uma capela em memória do padroeiro da Polônia, são João Câncio, na igreja de São Floriano. Nela, na metade do século XX, o mesmo papa, então um jovem sacerdote, iniciava o seu serviço de vigário paroquial.. paulinas.org.br

 

 

Ó vinde, enfim, eterno Deus!

Dom Odílio Pedro Scherer

 

Por estes dias, a Igreja faz a novena litúrgica do Natal, preparando a celebração do Natal do Senhor. A novena é muito bonita e precisa ser mais valorizada na liturgia, com a participação do povo; cada dia é marcado por uma antífona, iniciando com a exclamação “oh”, que expressa a admiração diante daquilo que Deus fez e faz, como também o desejo de conhecer mais a obra de Deus e de ser por ela agraciados.

 

Essas antífonas aparecem na introdução ao Evangelho de cada dia e nos revelam um lado meio esquecido da nossa fé e religiosidade: o espanto sagrado, a maravilha diante da grandeza, profundidade, largueza e beleza do mistério de Deus, que nos envolve, bem como as atitudes espontâneas, que daí decorrem: louvor, adoração, contemplação sem palavras, desejo de entrar mais fundo no “Mistério Santo”, de se deixar tocar e envolver por ele.

 

Talvez, na tentativa de explicar e compreender, queremos enquadrar nos limites estreitos da nossa racionalidade a Realidade primeira, que não é contrária à razão, mas excede tudo o que, racionalmente, possamos dizer dela. Quando a preocupação, diante do fato religioso, é unilateralmente racional, acaba-se caindo na aridez e na atrofia religiosa, na angústia pessimista e asfixiante, ou no moralismo, que reduz a resultados práticos e verificáveis a reação diante do Mistério insondável; ou então, vem a tentação da magia, a vontade de dominar e de se apossar do Mistério, para colocá-lo debaixo do nosso controle e manipular seu uso em função de nossas decisões ou desejos. A magia, nas suas variadas expressões, é uma forma bastante primitiva de religiosidade que, no entanto, também está presente amplamente hoje, nas camadas intelectualizadas.

 

O Advento nos coloca diante do Mistério do Deus que vem e manifesta, de maneira surpreendente seu desígnio de amor e misericórdia para com a humanidade; quem poderia imaginar que Deus, em vez de enviar um anjo de fogo, para combater o mal e fulminar tudo o que se opõe a seus desígnios, enviaria ao mundo seu Filho, nascido pequena criança? Que o Filho de Deus quisesse experimentar em tudo a nossa frágil e precária condição humana? Que o desejo de salvação tão presente no coração humano e manifestado em todas as religiões e culturas dos povos tivesse uma tal resposta de Deus?! Que os sinais da salvação anunciados pelos profetas e experimentados nas contradições da história do Povo de Deus, tivessem uma realização tão surpreendente?!

 

Maravilhas, sim! O Senhor fez conosco maravilhas, santo é seu nome! Por isso, exclamamos, com a Liturgia: “Ó sabedoria do Altíssimo, que tudo determina com doçura e com vigor; oh, vem nos ensinar o caminho da prudência!” (dia 17.12); Oh, guia de Israel, que no Sinai orientastes a Moisés, oh, vinde redimir-nos com braço estendido!” (dia 18.12). ´”Oh, Emanuel, sois nosso rei e orientador, vinde salvar-nos, oh Senhor, nosso Deus!” (21.12). “Oh, rei e Senhor das nações e pedra angular da Igreja, vinde salvar o homem e a mulher, que um dia formastes do barro!” (dia 23.12). E a Liturgia está cheia de outras exclamações de maravilha e louvor, de dor, desejo e gratidão. Como deveria estar cheia a vida de quem crê profundamente em Deus.

 

O papa Bento XVI já repetiu em diversas ocasiões que a nossa experiência religiosa cristã não decorre de um grande ideal ético, por belo e elevado que seja, nem de conclusões racionalmente bem elaboradas, mas do encontro com uma pessoa real, um Tu que nos surpreende, arrebata, fascina, envolve. Esta pessoa é Deus, Mistério grande e insondável e, ao mesmo tempo, um Tu pessoal, que se volta para nós e nos conhece pelo nome; e é Jesus Cristo, “rosto humano de Deus e rosto divino do homem”, que tornou próximo e humano o Mistério Altíssimo; tão humano e tão próximo de nós, que só as crianças e os que se parecem com elas são capazes de acolhê-lo e de se maravilhar, os olhos arregalados e o coração transbordante de alegria: “hoje vimos coisas maravilhosas!”

 

Nossa fé cristã católica é, certamente, traduzida em doutrina e preceitos morais, que expressam de forma coerente e harmônica a compreensão que temos e as atitudes que convém diante do Sublime, que nos envolve. Mas também é rito, mística, poesia; é música, arte, encantamento; é adoração, oração, louvor e busca de captar e traduzir o belo e amoroso daquilo que cremos e esperamos. É dor e arrependimento, é conforto e esperança. É experiência pessoal do amor de Deus, é emoção e alegria. É cultura e rito social, que expandem esta experiência interior e pessoal para os modos de viver e conviver, em expressões simbólicas como as que são abundantes neste tempo de Advento e Natal.

 

Ó sublime Mistério! O res mirabilis! “Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças sempre e em todo lugar, Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso, por Cristo, Senhor nosso!” (Prefácio do Natal 2). Na noite do Natal, a Igreja reza, agradecida: “hoje o céu e a terra trocam seus dons”: a terra entrega ao céu o que tem de mais importante, nossa pobre humanidade, assumida pelo Filho de Deus; e o céu entrega à terra o que tem de mais precioso: o próprio Filho único do Pai eterno. “Dai-nos participar da divindade daquele que uniu a si a nossa humanidade!” (Oração sobre as oferendas). Cessem as palavras. Comece a contemplação! CNBB

 

Dia do Vizinho

Conflitos, fofocas e mexericos são, geralmente, atitudes relacionadas a vizinhos.

 

Mas o papel dos vizinhos e a sua importância uns para os outros é muito maior que isso.

 

Os vizinhos podem virar grandes amigos, podem ajudar quando nos falta algo urgente em nossa casa e são vigilantes quando percebem algo de estranho acontecendo conosco.

 

Além disso, os vizinhos têm um papel muito importante nos bairros.

 

Através do vínculo de amizade e coletividade existente, os vizinhos se organizam para cuidar de seu reduto mais próximo: o setor em que moram.

 

São eles que reivindicam a coleta de lixo quando esta não esta sendo feita corretamente, eles que lutam por melhorias nos bairros e que buscam melhorar cada vez mais os bairros.

 

Conflitos sempre hão de existir, assim como em qualquer relação em que há um grande convívio.

 

Mas as pessoas que vivem em um mesmo bairro, isto é, os vizinhos, sempre terão uma grande importância no desenvolvimento e na manutenção de um bom ambiente nos bairros. Fonte: UFGNet

 

Passagens Bíblicas referentes a vizinho

Ex 11,2; Ex 12,4; Dt 19,14; Dt 22,2; Dt 27,17; 2Sm 14,30; Jo 31,9; Sl 15,3; Pr 3,29; Pr 17, 18;

Pr 27,10; Pr 27,14; Zc 3,10.  

 

 

É Natal quando a gente se torna presente de amor, quando a

nossa missão atinge nosso irmão sofredor. (J. Acácio Santana)