Quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

III Semana do Tempo da Quaresma, III Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Roxa

 

Eu sou a salvação do povo, diz o Senhor: quando, em qualquer aflição, clamarem por mim, eu os ouvirei e serei seu Deus para sempre.

 

Santos: Mártires da Peste de Alexandria, Protério (bispo e mártir), Romano e Lupicino (abades), Hilário (papa), Osvaldo de Worcester (arcebispo), Ângela de Foligno (beata e viúva), Vilana de Florença (beata e matrona), Hedviges da Polônia (beata e matrona), Antônia de Florença (beata e viúva), Luísa Albertoni (beata e viúva).

 

Oração do Dia: À medida que se aproxima a festa da salvação, nós vos pedimos, ó Deus, que nos preparemos com maior empenho para celebrar o mistério da Páscoa. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Jeremias (Jr 7, 23-28)

Esta é a nação que não escutou a voz do Senhor

 

Assim fala o Senhor: 23"Dei esta ordem ao povo dizendo: Ouvi a minha voz, assim serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo; e segui adiante por todo o caminho que eu vos indicar para serdes felizes.

 

24Mas eles não ouviram e não prestaram atenção; ao contrário, seguindo as más inclinações do coração, andaram para trás e não para frente, 25desde o dia em que seus pais saíram do Egito até o dia de hoje. A todos enviei meus servos, os profetas, e enviei-os cada dia, começando bem cedo; 26mas não ouviram e não prestaram atenção; procedendo ainda pior que seus pais.

 

27Se falares todas essas coisas, eles não te escutarão, e, se os chamares, não te darão resposta. 28Dirás, então: Esta é a nação que não escutou a voz do Senhor, seu Deus, e não aceitou correção. Sua fé morreu, foi arrancada de sua boca". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura[1]

Esta é a nação que não escutou a voz do Senhor, seu Deus

 

Ao formalismo do tempo de Sião pode corresponder; no culto cristão, o formalismo da Palavra. Ao escutá-la, portanto, cumpre ter disposição interior para aceitá-la como expressão da vontade de Deus e norma de ações. A palavra de Deus não pode encontrar esta resposta se não for lida no acontecimento que se cumpre, se não revelar a presença de Deus no mundo atual. Caso contrário, permanece abstrata e ineficaz. De fato a Palavra de Deus, mesmo inspirada, e sobretudo a palavra da pregação, não são absolutas, porquanto são apenas a interpretação e o comentário de uma Palavra mais profunda que é a manifestação de Deus através do acontecimento. (Os relatos da ressurreição de Jesus são palavras de Deus, como são palavras de Deus, embora em outro nível, as alocuções dos sacerdotes na Páscoa; mas a verdadeira Palavra de Deus é a ressurreição de Cristo, o acontecimento entrelaçado na vida dos homens mediante o qual Deus falou). A Palavra de Deus, por conseguinte é mais profunda do que tudo o que dela se diz. A obediência à palavra é, por isso, comunhão com Deus, presente em nossa vida e em nossos atos, verificada à luz objetiva das palavras ditas sobre a Palavra.

 

 

Salmo: 94(95), 1-2.6-7.8-9 (R/.8)
Oxalá ouvísseis hoje a voz do Senhor: não fecheis os vossos corações

 

1Vinde, exultemos de alegria no Senhor, aclamemos o Rochedo que nos salva! 2A seu encontro caminhemos com louvores, e com cantos de alegria o celebremos!

 

6Vinde adoremos e prostremo-nos por terra, e ajoelhemos ante o Deus que nos criou! 7Porque ele é o nosso Deus, nosso Pastor; e nós somos o seu povo e seu rebanho, as ovelhas que conduz com sua mão.

 

8Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: "Não fecheis os corações como em Meriba, 9como em Massa, no deserto, aquele dia, em que outrora vossos pais me provocaram, apesar de terem visto as minhas obras".

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 11, 14-23)

Todo reino dividido contra si mesmo será destruído

 

Naquele tempo, 14Jesus estava expulsando um demônio que era mudo. Quando o demônio saiu, o mudo começou a falar, e as multidões ficaram admiradas. 15Mas alguns disseram: É por Belzebu, o príncipe dos demônios, que ele expulsa os demônios". 16Outros, para tentar Jesus, pediam-lhe um sinal do céu. 17Mas, conhecendo seus pensamentos, Jesus disse-lhes: "Todo reino dividido contra si mesmo será destruído; e cairá uma casa por cima da outra. 18Ora, se até Satanás está dividido contra si mesmo, como poderá sobreviver o seu reino? Vós dizeis que é por Belzebu que eu expulso os demônios. 19Se é por meio de Belzebu que eu expulso demônios, vossos filhos os expulsam por meio de quem? Por isso, eles mesmos serão vossos juizes. 20Mas, se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então chegou para vós o Reino de Deus.

 

21Quando um homem forte e bem armado guarda a própria casa, seus bens estão seguros. 22Mas, quando chega um homem mais forte do que ele, vence-o, arranca-lhe a armadura na qual ele confiava, e reparte o que roubou. 23Quem não está comigo está contra mim. E quem não recolhe comigo dispersa". Palavra da Salvação!

 

 

Comentário do Evangelho[2]

O Reino está entre nós

 

A presença do Reino de Deus na história da humanidade revelava-se no poder de Jesus de expulsar os demônios, libertando todo ser humano desse poder opressor. Essa libertação significava a retomada do senhorio de Deus na vida de quem era dominado pelo maligno, possibilitando-lhe, novamente, a vivência do amor e da solidariedade.


Jesus personificava o Reino de Deus na medida em que estava todo centrado no Pai, cujas obras buscava realizar. Em suas ações, revelava-se “o dedo de Deus” na vida de tantas pessoas privadas de sua dignidade.


Contudo, isto não era evidente! Só quem estava sintonizado com Jesus tinha condições de perceber Deus agindo por meio dele. Caso contrário, corria-se o risco de interpretá-lo mal e fazê-lo objeto de falsas acusações.

 

Foi o que aconteceu quando o acusaram de agir com o poder de Belzebu, o chefe dos demônios. Ou quando exigiam dele sinais sempre mais mirabolantes, como prova da autenticidade do seu messianismo.


O fato de ser incompreendido não impedia Jesus de seguir adiante. Movia-o somente a consciência de dever ser fiel ao Pai. Por isso, não cessava de dar testemunho do amor que Deus derramava sobre a humanidade.

 

 

São Romano[3]

O monge Romano era discípulo de um dos primeiros mosteiros do Ocidente, o de Ainay, próximo a Lyon, na França, no século IV, quando nascia a vida monástica abaixo da linha do Equador. Ele foi também um dos primeiros monges ocidentais. Romano achava as regras do mosteiro muito brandas. Então, com apenas uma Bíblia, o que para ele era o indispensável para viver, sumiu nos arredores da cidade. Só foi localizado anos depois por Lupicino, que se tornou seu aluno e seguidor. A eles se juntaram muitos outros que desejavam ser eremitas, fundando um mosteiro em Condat e outro em Beaume, desta vez com a disciplina que Romano achava correta. Conta-se que, durante uma viagem de Romano ao túmulo de São Maurício, em Genebra, ele e um discípulo que o acompanhava e que também foi canonizado, São Pelade, hospedaram-se numa choupana onde havia dois leprosos. Romano os abraçou, solidarizou-se com eles e, na manhã seguinte, os dois estavam curados. Diz a lenda que este foi apenas o começo de uma viagem cheia de prodígios e milagres. Voltando dessa peregrinação, São Romano voltou à solidão e assim morreu aos 73 anos de idade.



[1] MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997

[2] O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A,  ©Paulinas, 1997

[3] www.asj.org.br