Quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

São João Bosco (Presbítero) Memória, 2ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Branca

 

 

Deixai vir a mim os pequeninos e não os impeçais, diz o Senhor. O reino do céu pertence aos que se parecem com eles. (Mc 10,14)

 

 

Santos: Atanásio de Modon (bispo), Bobino de Troyes (monge, bispo), Ciro e João (mártires), Eusébio de São Galo (monge), Francisco Xavier Bianchi (barnabita), Geminiano de Módena (bispo), João de Angelus (monge), Júlio (presbítero) e Juliano (seu irmão, diácono de Novara), Marcela de Roma (viúva), Martinho de Córdova (mártir), Metrano de Alexandria (mártir), Nicetas de Novgorod (bispo), Saturnino, Tirso e Vitor (mártires de Alexandria), Tarcísio, Zótico, Ciríaco e Companheiros (mártires de Alexandria), Trifena de Císico (mãe de família, mártir), Ulfia de Amiens (virgem), Luísa Albertoni (viúva, bem-aventurada), Maria Cristina (rainha, bem-aventurada), Paula Gambara-Costa (mãe de família, bem-aventurada).

 

Oração: Ó Deus, que suscitastes São João Bosco para educador e pai dos adolescentes, fazei que, inflamados da mesma caridade, procuremos a salvação de nossos irmãos, colocando-nos inteiramente ao vosso serviço. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: II Samuel (2Sm 7, 18-19.24-29)
Davi reza reconhecendo que foi escolhido por graça

 

Depois que Natã falara a Davi, o rei entrou no tabernáculo, 18foi assentar-se diante do Senhor e disse: "Quem sou eu, Senhor Deus, e o que é a minha família, para que me tenhas conduzido até aqui? 19Mas, como isto te parecia pouco, Senhor Deus, ainda fizeste promessas à casa do teu servo para um futuro distante. Porque esta é a lei do homem, Senhor Deus! 24Estabeleceste o teu povo, Israel, para que ele seja para sempre o teu povo; e tu, Senhor, te tornaste o seu Deus. 25Agora, Senhor Deus, cumpre para sempre a promessa que fizeste ao teu servo e sua casa, e faze como disseste! 26Então o teu nome será exaltado para sempre, e dirão: 'O Senhor todo-poderoso é o Deus de Israel'. E a casa do teu servo Davi permanecerá estável na tua presença. 27Pois tu, Senhor todo-poderoso, Deus de Israel, fizeste esta revelação ao teu servo: 'Eu te construirei uma casa.

 

Por isso o teu servo se animou a dirigir-te esta oração. 28Agora, Senhor Deus, tu és Deus e tuas palavras são verdadeiras. Pois que fizeste esta bela promessa ao teu servo, 29abençoa, então, a casa do teu servo, para que ela permaneça para sempre na tua presença. Porque és tu, Senhor Deus, que falaste, e é graças à tua bênção que a casa do teu servo será abençoada para sempre". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura[1]

Quem sou eu, Senhor Deus, e o que é a minha família?

 

Em sua oração, inclui Davi todo o povo: neste sentido, faz pensar na oração sacerdotal de Jesus, no momento em que as promessas messiânicas atingem sua realização e o pastor dá a vida por seu rebanho. Em situação análoga estão os pastores, educadores, cristãos "empenhados", e qualquer que tenha recebido autoridade sobre outros. Quando rezam, não podem deixar de apresentar a Deus aqueles por quem são responsáveis, também quando não os podem "representar" oficialmente, mas por­que "na vida" (ao menos em parte) seus destinos são comuns.

 

Somos solidários com os homens do passado e do futuro, numa perspectiva de história da salvação, que percorremos como Davi com sentimento de humildade e reconhecimento, louvor e confiança no Deus que nos guia. Talvez devemos sentir ainda mais vivamente o papel da Igreja como força unificante da "casa de Deus" que é depois toda a humanidade, no momento em que "bendizemos" com a oração eucarística o Deus fiel às promessas, e dele recebemos, no Cristo, toda bênção: realidade já presente e, ao mesmo tempo, promessa de plenitude definitiva.

 

 

 

Salmo: 131(132), 1-2.3-5.11.12.13-14 (+.Lc 1, 32b)

O Senhor vai dar-lhe o trono de seu pai, o rei Davi

 

Recordai-vos, ó Senhor, do rei Davi e de quanto vos foi ele dedicado; do juramento que ao Senhor havia feito e de seu voto ao pode­roso de Jacó.

 

"Não entrarei na minha tenda, minha casa, nem subirei à minha cama em que repouso, não deixarei adormecerem os meus olhos, nem cochilarem em descanso minhas pálpebras, até que eu ache um lugar para o Senhor, uma casa para o forte de Jacó!"

 

O Senhor fez a Davi um juramento, uma promessa que jamais renegará: "Um herdeiro que é fruto do teu ventre colocarei sobre o trono em teu lugar!

 

Se teus filhos conservarem minha aliança e os preceitos que lhes dei a conhecer, os filhos deles igualmente hão de sentar-se eternamente sobre o trono que te dei!"

 

Pois o Senhor quis para si Jerusalém e a desejou para que fosse sua morada: "Eis o lugar do meu repouso para sempre, eu fico aqui: este é o lugar que preferi!"

 

 

Evangelho do Dia: Marcos (Mc 4, 21-25)

Como receber e transmitir o ensinamento de Jesus

 

Naquele tempo, Jesus disse à multidão: 21"Quem é que traz uma lâmpada para colocá-la debaixo de um caixote ou debaixo da cama? Ao contrário, não a coloca num candeeiro? 22Assim, tudo o que está escondido deverá tornar-se manifesto, e tudo que está em segredo deverá ser descoberto. 23Se alguém tem ouvi­dos para ouvir, ouça". 24Jesus dizia ainda: "Prestai atenção no que ouvis: com a mesma medida com que medirdes, também vós se­reis medidos; e vos será dado ainda mais. 25Ao que tem alguma coisa, será dado ainda mais; do que não tem, será tirado até mesmo o que ele tem". Palavra da Salvação!

 

 

 

Comentário o Evangelho

Onde colocar a luz

A pregação de Jesus não visava a um grupinho de privilegiados, membros de uma confraria esotérica, rodeada de mistérios. Pelo contrário, o Mestre desejava que sua mensagem fosse conhecida por todos, sem excluir ninguém. To­dos tinham esse direito, embora permanecendo livres de aceita-­la ou rejeitá-la.

 

O lugar da Palavra, na história humana, assemelha-se àquele ocupado por uma lâmpada, assim que é acesa. Seria insensatez acender uma lâmpada para, em seguida, esconde-­la debaixo de um caixote ou da cama. Será necessário encontrar um lugar estratégico, de forma que seus raios atinjam todos os cantos do ambiente, mesmo os mais escondidos. Assim acontece com a Palavra de Deus: não é privilégio de um punhado de pessoas. Antes, como a lâmpada, deverá ser colocada no lugar certo, para iluminar a todos.

 

Dando continuidade à missão de Jesus, compete aos discípulos descobrir qual é o lugar ideal para a proclamação da Palavra, a fim de que ela possa atingir o maior número de pessoas.

 

Daqui se deduz a necessidade de o discípulo de Jesus ser corajoso na proclamação do Reino. Em cada circunstância, deverá descobrir o lugar melhor para anunciá-lo.(O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulina, 1998)

 

 

 

São João Bosco[2]

 

A oração da missa põe em realce o carisma do santo que hoje veneramos: "Deus suscitou São João Bosco para dar à juventude um mestre e um pai".

 

Nasceu em 1815, num lugarejo próximo a Turim, chamado Becchi. Com dois anos de idade perdeu o pai, e a mãe, D. Margarida teve que lutar contra a pobreza para criar seus filhos. Aos dez anos, João teve um sonho profético no qual viu como Cristo o conduzia junto de um bando de rapazes vadios que o destratavam e blasfemavam. Irado, João queria bater neles, mas Cristo lhe disse: "Não com pancadas, mas com mansidão e amor os farás teus amigos".

 

João desejava ser padre, mas não tinha recursos para estudar e os irmãos mais velhos reclamavam sua presença no trabalho do campo. Contudo, à custa de incontáveis sacrifícios, com a proteção da mãe e a ajuda de vizinhos, conseguiu entrar no seminário. Ao aproximar-se do  sacerdócio D. Margarida o advertiu:  "Eu  nasci  na pobreza, vivi sempre pobre e desejo morrer pobre. Se tu desejas tornar-te padre para ficar rico, eu nunca irei te visitar".

 

Aos 26 anos, ordenou-se sacerdote e desde então foi universalmente conhecido com o nome de "Dom Bosco". No início de sua vida sacerdotal, estava decidido a ser missionário nas Índias. Entretanto, seu diretor espiritual, São José Cafasso, que o conhecia profundamente, opôs-se dizendo que sua missão era os jovens de Turim.

 

De fato, a escola da vida de menino pobre tornou-o profundamente sensível aos problemas dos jovens abandonados ou que viviam longe de suas famílias como operários. Desta constatação e preocupação nasceram as “Oratórias”, células-bases do grande esforço educacional de Dom Bosco e seus salesianos. Seu método de apostolado era partilhar em tudo da vida dos jovens. Abriu escolas de alfabetização, de artesanato, casas de hospedagem, campos de diversão para os jovens com catequese e orientação profissional. Sua obra era uma inovação tão radical em seu tempo, que chegou a ser contrariado até pela autoridade eclesiástica.

 

Certa vez, dois eclesiásticos de alta posição foram de carruagem, a fim de levá-lo a um hospital de loucos. Dom Bosco, por uma intuição profética, percebeu a jogada e a revidou. Fez com que eles entrassem primeiro, fechou a porta e deu ordem ao condutor: "Levai-os ligeiro ao manicômio!”

 

Em 1864, Dom Bosco fundou uma congregação religiosa que perpetuou suas iniciativas em favor dos jovens e colocou-a sob a proteção de São Francisco de Sales; daí o nome Salesianos. Para atender à educação feminina fundou, com a colaboração de Santa Domínica Mazzarello, o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora.

 

Sua grande arma formativa foi o método preventivo, segundo o conhecido ditado: "Vale mais prevenir que remediar". Numa carta aos seus colaboradores, Dom Bosco dizia: "Se desejamos ser solícitos pela felicidade de nossos alunos e levá-los a cumprir seus deveres, é indispensável jamais esquecer-nos de que fazeis às vezes dos pais dos queridos meninos. Por eles sempre com amor trabalhei, estudei e exerci meu sacerdócio. Quantas vezes no curso de minha vida tive de me persuadir dessa grande verdade! E mais fácil encolerizar-se do que agüentar, ameaçar a criança do que persuadi-la; direi mesmo, mais cômodo para nossa impaciência e soberba impor castigos aos obstinados do que corrigi-los, tolerando-os com firmeza e suavidade".

 

Natureza e graça dotaram Dom Bosco de ricas prendas: estatura atlética, pendor para a música e para a poesia, memória incomum, palavra fácil e convincente, espírito de liderança; todos esses dons e qualidades a serviço do amor profundo a Cristo fizeram dele o modelo ideal de educador e apóstolo da juventude. Contudo, o cuidado com a juventude não esgotou o zelo apostólico de Dom Bosco. Ele foi capelão das prisões de Turim, familiarizando-se de tal modo com os presos que conseguia levá-los a passeio fora de Turim sem que algum se atrevesse a fugir.

 

Dom Bosco foi também escritor, promovendo a boa imprensa com a publicação das leituras católicas, em fascículos mensais e fundando a Biblioteca da Juventude Católica Italiana. Alargando mais seus horizontes apostólicos, formou missionários para a evangelização dos infiéis. Em 1875, enviava missionários à Patagônia, em 1883, ao Mato Grosso, onde é bem conhecido o zelo deles entre os índios Bororos e os Xavantes.

 

Ao falecer, em Turim, no dia 31 de janeiro de 1888, sua instituição contava com 64 casas de religiosos em diversas nações e mais de mil padres salesianos. Atualmente, não há nação livre que não conte com obras salesianos. Canonizado por Pio XI, em 1934, João Bosco foi proclamado modelo acabado para sacerdotes e educadores.

 

Para sua reflexão pessoal[3]

 

Marcos reuniu pequenas parábolas que demandam diferentes interpretações, conforme os contextos nos quais elas são utilizadas. O propósito é permitir que o leitor mais atento acolha a Palavra de Jesus, isto é, a sua mensagem, de maneira mais pessoal e mais profunda. Marcos aqui sugere que pensemos com muito mais cuidado sobre o significado da vida e da mensagem de Jesus para nós mesmos, antes de dividi-la com outros irmãos. Não dá para sairmos por ai, com idéias fundamentalistas sobre a Palavra; precisamos lê as Escrituras com mais cuidado, com mais discernimento, com mais meditação, antes de compartilhar os seus ensinamentos para o próximo.

 

 



[1] Extraído do MISSAL COTIDIANO,  ©Paulus, 1997

[2] O SANTO DO DIA, Dom Servilio Conti, ©Vozes, 1997

[3] Everaldo Souto Salvador, ofs, Mundo Católico