Sábado, 2 de fevereiro de 2008

Apresentação do Senhor (festa), 2ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Branca

 

 

Recebemos, ó Deus, a vossa misericórdia no meio de vosso templo. Vosso louvor se estende, como

o vosso nome, até os confins da terra; toda a justiça se encontra em vossas mãos. (Sl 47, 10-11)

 

 

Hoje: Dia do Religioso e Dia do Agente Fiscal

 

Santos: Adelbaldo de Ostrevant (mártir), Adeloga de Kitzingen (virgem), Columbano de Ghent (eremita), Cornélio, o centurião (batizado ele e sua família, por São Pedro, cf. At 10. Segundo a tradição teria sido o primeiro bispo de Cesaréia da Palestina), Flósculo de Orléans (bispo), Fortunato, Feliciano, Firmo, Cândido e Aproniano (mártires), Joana de Lestonnac (viúva, fundadora), Pedro Cambiano (mártir, bem-aventurado)

 

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, ouvi as nossas súplicas. Assim como o vosso Filho único, revestido da nossa humanidade, foi hoje apresentado no templo, fazei que nos apresentemos diante de vós com os corações purificados. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Na missa: Benção das Velas e Procissão

 

 

Leitura: Malaquias (Ml 3, 1-4)
Senhor, a quem buscais, virá ao seu templo

 

Assim diz o Senhor: 1Eis que envio meu anjo, e ele há de preparar o caminho para mim; logo chegará ao seu templo o dominador, que tentais encontrar, e o anjo da aliança, que desejais. Ei-lo que vem, diz o Senhor dos exércitos; 2e quem poderá fazer-lhe frente, no dia de sua chegada? E quem poderá resistir-lhe, quando ele aparecer? Ele é como o fogo da forja e como a barrela dos lavadeiros; 3e estará a postos, como para fazer derreter e purificar a prata: assim ele purificará os filhos de Levi e os refinará como ouro e como prata, e eles poderão assim fazer oferendas justas ao Senhor. 4Será então aceitável ao Senhor a oblação de Judá e de Jerusalém, como nos primeiros tempos e nos anos antigos. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura[1]

Eu vos enviarei o profeta Elias

 

O dia do Senhor é a vinda de Cristo, que reconcilia os homens com o Pai como Elias restituiu o Senhor ao povo e este ao Senhor: Não é fácil descobrir o dia do Senhor, reconhecer-lhe a visita, se o coração não está reconciliado com Deus. O pecado faz perder a cabeça, porque sacrifica a amizade com Deus. O Senhor vem com seu juízo todos os dias. O seu dia – sua presença – é uma realização espiritual, interior, perpétua. Não podemos viver como quem não é incessantemente julgado por uma luz interior.

 

“Enquanto o amor humano tende a apossar-se do bem que encontra no seu objeto, o amor divino cria o bem na criatura amada” (Tomás de Aquino). Este amor pode ser produzido por Deus num coração completamente aberto a ele e seu, em absoluta disponibilidade. Quanto a nós, temos os nossos Elias, os nossos Batistas, os nossos sinais: precedem, preparam com advertências, com admoestações dos homens e de coisas, de palavras e acontecimentos. São anjos enviados por Deus, sinais de sua solicitude para nos atrair a ele.

 

 

Salmo: 23 (24), 7.8.9.10 (R/.10b)

O Rei da glória é o Senhor Onipotente!

 

portas, levantai vossos frontões! Elevai-vos bem mais alto, antigas portas, a fim de que o rei da glória possa entrar!"

 

Dizei-nos: "Quem é este rei da glória?" "É o Senhor, o valoroso, o onipotente, o Senhor, o poderoso nas batalhas!"

 

portas, levantai vossos frontões! Elevai-vos bem mais alto, antigas portas, a fim de que o rei da glória possa entrar!"

 

Dizei-nos: "Quem é este rei da glória?" "O rei da glória é o Senhor onipotente, o rei da glória é o Senhor Deus do universo".

 

 

Evangelho do Dia: Lucas (Lc 2, 22-40)

Apresentação de Jesus no templo

 

22Quando se completaram os dias para a purificação da mãe e do filho, conforme a lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor. 23Conforme está escrito na lei do Senhor: 'Todo primogênito do sexo masculino deve ser consagrado ao Senhor". 24Foram também oferecer o sacrifício - um par de rolas ou dois pombinhos - como está ordenado na lei do Senhor. 25Em Jerusalém, havia um homem chamado Simeão, o qual era justo e piedoso, e esperava a consolação do povo de Israel. O Espírito Santo estava com ele 26e lhe havia anunciado que não morreria antes de ver o messias que vem do Senhor.

 

27Movido pelo Espírito, Simeão veio ao templo. Quando os pais trouxeram o menino Jesus para cumprir o que a lei ordenava, 28Simeão tomou o menino nos braços e bendisse a Deus: 29"Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz; 30porque meus olhos viram a tua salvação, 31que preparaste diante de todos os povos: 32luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel".

 

33O pai e a mãe de Jesus estavam admirados com o que diziam a respeito dele. 34Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus: "Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. 35Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma".

 

36Havia também uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada; quando jovem, tinha sido casada e vivera sete anos com o marido. 37Depois ficara viúva, e agora já estava com oitenta e quatro anos. Não saía do templo, dia e noite servindo a Deus com jejuns e orações. 38Ana chegou nesse momento e pôs-se a louvar a Deus e a falar do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. 39Depois de cumprirem tudo, conforme a lei do Senhor, voltaram à Galiléia, para Nazaré, sua cidade. 40O menino crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele. Palavra da Salvação!

 

 

 

 

Comentário o Evangelho

Meus olhos viram a salvação

 

Fiéis às tradições religiosas do povo, Maria e José cumpriram o rito de apresentação do filho primogênito. Este gesto simples revestiu-se de simbolismo. Quem tinha sido levado ao templo, mais que filho de Maria e José, era o Filho de Deus.

 
A liturgia de apresentação evidenciou os dois grandes eixos da existência de Jesus: sua humanidade e sua divindade. Fora apresentado o homem Jesus, com todas as suas características socioculturais e familiares, em sua fragilidade de recém-nascido, na pobreza de seus pais, inferiorizado, em termos religiosos, por ser galileu. No menino Jesus, expressou-se a humanidade, de forma irrestrita. Ele não fora poupado em nada, ao aceitar encarnar-se na história humana.


Entretanto, ao consagrá-lo a Deus e fazendo-o, daí em diante, pertencer-lhe totalmente, a liturgia evidenciava a divindade de Jesus. Aquele menino indefeso pertencia inteiramente a Deus, em quem sua existência estava enraizada. Era o Filho de Deus. Por isso, no templo, estava em sua própria casa. Suas palavras e ações seriam a manifestação do amor de Deus. Por meio dele, seria possível chegar até Deus. Uma vez que podia ser contemplada em sua pessoa, sua divindade fazia-se palpável na história humana. Assim se explica por que Simeão viu a salvação de Deus
. (O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulina, 1998)

 

 

Apresentação do Senhor[2]

 

Embora esta festa de 2 de fevereiro caia fora do tempo de Natal, é parte integrante do relato de Natal. É uma faísca do Natal, é uma Epifania do quadragésimo dia.

 

É uma festa antiqüíssima de origem oriental. A Igreja de Jerusalém já a celebrava no século IV. Era celebrada aos quarenta dias da festa da epifania, em 14 de fevereiro. A peregrina Eteria, que conta isto em seu famoso diário, acrescenta o interessante comentário de que se "celebrava com a maior alegria, como se fosse páscoa"'. De Jerusalém, a festa se propagou para outras igrejas do Oriente e do Ocidente. No século VII, se não antes, havia sido introduzida em Roma. A procissão com velas se associou a esta festa. A Igreja romana celebrava a festa quarenta dias depois do natal.

 

Entre as igrejas orientais esta festa era conhecida como "A festa do Encontro" (em grego, Hypapante), nome muito significativo e expressivo, que destaca um aspecto fundamental da festa: o encontro do Ungido de Deus com seu povo. São Lucas narra o fato no capítulo 2 de seu evangelho. Obedecendo à lei mosaica, os pais de Jesus o levaram ao templo quarenta dias depois de seu nascimento para apresentá-lo ao Senhor e fazer uma oferenda por ele 1.

 

Esta festa começou a ser conhecida no Ocidente, a partir do século X, com o nome de Purificação da bem-aventurada virgem Maria. Foi incluída entre as festas de Nossa Senhora. Mas isto não totalmente correto, já que a Igreja celebra neste dia, essencialmente, um mistério de nosso Senhor. No calendário romano, revisado em 1969, o nome foi mudado para "A Apresentação do Senhor". Esta é uma indicação mais verdadeira da natureza e do objeto da festa. Entretanto, isso não quer dizer que subestimemos o papel importantíssimo de Maria nos acontecimentos que celebramos. Os mistérios de Cristo e de sua mãe estão estreitamente ligados, de maneira que nos encontramos aqui com uma espécie de celebração dupla, uma festa de Cristo e de Maria.

 

A bênção das velas antes da missa e a procissão com as velas acesas são características chocantes da celebração atual. O missal romano manteve estes costumes, oferecendo duas formas alternativas de procissão. é adequado que, neste dia, ao escutar o cântico de Simeão no evangelho (Lc 2,22-40), aclamemos a Cristo como "luz para iluminar às nações e para dar glória a teu povo, Israel".

 

 



[1] MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997

[2] www.acidigital.com