Segunda, 4 de fevereiro de 2008

IV Semana do Tempo Comum, Ano Par, 4ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

 

Salvai-nos, Senhor nosso Deus, reuni vossos filhos dispersos pelo mundo, para

que celebremos o vosso santo nome e nos gloriemos em vosso louvor. (Sl 105, 47)

 

Santos: André Corsini (bispo), Aquilino, Geminiano, Gelásio, Magno e Donato (mártires de Fossombrone), Aventino de Chartres (bispo), Aventino de Troyes (eremita), Catarina de Ricci (virgem), Eutíquio de Roma (mártir), Filéas (bispo), Filoromo e Companheiros (mártires), Gilberto de Limerick (bispo), Isidoro de Pelusium (abade), Joana de Valois (rainha, viúva, fundadora), João de Britto (jesuíta, mártir na Índia), José de Leonissa (capuchinho), Nicolau Estudita (abade), Nitardo de Corbie (monge, mártir), Obício de Brescia (monge), Remberto de Bremen (bispo), Teófilo, o Penitente, Vicente de Troyes (bispo), Vulgis de Lobbes (monge, bispo), Isabel Canoni Mora (religiosa, bem-aventurada), João Speed (mártir, bem-aventurado), Maria De Mattias (religiosa, bem-aventurada), Rabano Mauro (monge, bispo, bem-aventurado), Rodolfo Acquaviva, Francisco Pacheco, Carlos Spínola, Tiago Berthieu e Leão Inácio Magno (presbíteros, mártires, bem-aventurados), Simão de St.-Bertin (abade, bem-aventurado)

 

Oração: Concedei-nos, Senhor nosso Deus, adorar-vos de todo o coração, e amar todas as pessoas com verdadeira caridade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: II Samuel (2Sm 15, 13.14.30; 16,5-13a)
Davi foge de Absalão

 

Naqueles dias, 13um mensageiro veio dizer a Davi: "As simpatias de todo o Israel estão com Absalão". 14Davi disse aos servos que estavam com ele em Jerusalém: "Depressa, fujamos, porque, de outro modo, não podemos escapar de Absalão! Apressai-vos em partir, para que não aconteça que ele, chegando, nos apanhe, traga sobre nós a ruína, e passe a cidade ao fio da espada".

 

30Davi caminhava chorando, enquanto subia o monte das Oliveiras, com a cabeça coberta e os pés descalços. E todo o povo que o acompanhava, subia também chorando, com a cabeça coberta.

 

16,5Quando o rei chegou a Baurim, saiu de lá um homem da parentela de Saul, chamado Semei, filho de Gera, que ia proferindo maldições enquanto andava. 6Atirava pedras contra Davi e contra todos os servos do rei, embora toda a tropa e todos os homens de elite seguissem agrupados à direita e à esquerda do rei Davi. 7Semei amaldiçoava-o, dizendo: "Vai-te embora! Vai-te embora, homem sanguinário e criminoso! 8O Senhor fez cair sobre ti todo o sangue da casa de Saul, cujo trono usurpaste, e entregou o trono a teu filho Absalão. Tu estás entregue à tua própria maldade, porque és um homem sanguinário".

 

9Então Abisai, filho de Sárvia, disse ao rei: "Por que há de este cão morto continuar amaldiçoando o senhor, meu rei? Deixa-me passar para lhe cortar a cabeça". 10Mas o rei respondeu: "Não te intrometas, filho de Sárvia! Se ele amaldiçoa e se o Senhor o mandou maldizer a Davi, quem poderia dizer-lhe: 'Por que fazes isto?"' 11E Davi disse a Abisai e a todos os seus servos: "Vede: Se meu filho, que saiu das minhas entranhas, atenta contra a minha vida, com mais razão esse filho de Benjamim. Deixai-o amaldiçoar, conforme a permissão do Senhor. 12TaIvez o Senhor leve em conta a minha miséria, restituindo-me a ventura em lugar da maldição de hoje". 13aE Davi e seus homens seguiram adiante. Palavra do Senhor!

 

 

 

Comentando a I Leitura[1]

Fujamos de Absalão!

 

São admiráveis a mansidão e a humildade de Davi diante das palavras injustas de Semei: faz pensar no Cristo que suporta os insultos e tormentos dos inimigos, sofrendo em expiação dos pecados, que não são seus, mas com os quais se tornou solidário.

 

Cada comunidade (começando pela familiar: marido e mulher, pais e filhos, e chegando até as maiores) conhece momentos de tensão e amargura, em que um lança em rosto do outro, de chofre, todos os erros, verdadeiros ou presumidos, patentes ou ocultos e talvez até já perdoados: momentos de grande amargura para o destinatário (e quantas vezes, posteriormente, de vergonha para quem falou!). Uma atitude justa em tais casos é por certo o silêncio e o perdão: só amando ainda mais é que se consegue remediar as rupturas da caridade. Aquele que recebe a palavra injusta deve questionar-se sobre o grau de culpa que pode ter na incompreensão do outros, e deve aceitá-la em expiação e com humildade.

 

 

Salmo: 3, 2-3.4-5.6-7 (R/.7b)
Levantai-vos, ó Senhor, vinde salvar-me!

 

Quão numerosos, ó Senhor, os que me atacam; quanta gente se levanta contra mim! Muitos dizem, comentando a meu respeito: "Ele não acha a salvação junto de Deus!"

 

Mas sois vós o meu escudo protetor, a minha glória que levanta minha cabeça! Quando eu chamei em alta voz pelo Senhor, do monte santo ele me ouviu e respondeu.

 

Eu me deito e adormeço bem tranqüilo; acordo em paz, pois o Senhor é meu sustento. Não terei medo de milhares que me cerquem e furiosos se levantem contra mim. Levantai-vos, ó Senhor, vinde salvar-me!

 

 

Evangelho: Marcos (Mc 5, 1-20)
O endemoninhado e os porcos

 

Naquele tempo, 1Jesus e seus discípulos chegaram à outra margem do mar, na região dos gerasenos. 2Logo que saiu da barca, um homem possuído por um espírito impuro, saindo de um cemitério, foi ao seu encontro. 3Esse homem morava no meio dos túmulos e ninguém conseguia amarrá-lo, nem mesmo com correntes. 4Muitas vezes tinha sido amarrado com algemas e correntes, mas ele arrebentava as correntes e quebrava as algemas. E ninguém era capaz de dominá-lo. 5Dia e noite ele vagava entre os túmulos e pelos montes, gritando e ferindo-se com pedras.

 

6Vendo Jesus de longe, o endemoninhado correu, caiu de joelhos diante dele 7e gritou bem alto: "Que tens a ver comigo, Jesus, Filho do Deus altíssimo? Eu te conjuro por Deus, não me atormentes!" 8Com efeito, Jesus lhe dizia: "Espírito impuro, sai desse homem!" 9Então Jesus perguntou: "Qual é o teu nome?" O homem respondeu: "Meu nome é 'Legião', porque somos muitos". 10E pedia com insistência pata que Jesus não o expulsasse da região. 11Havia aí perto uma grande manada de porcos, pastando na montanha. 12O espírito impuro suplicou, então: "Manda-nos para os porcos, para que entremos neles".

 

13Jesus permitiu. Os espíritos impuros saíram do homem e entraram nos porcos. E toda a manada, mais ou menos uns dois mil porcos, atirou-se monte abaixo para dentro do mar, onde se afogou. 14Os homens que guardavam os porcos saíram correndo e espalharam a notícia na cidade e nos campos. E as pessoas foram ver o que havia acontecido. 15Elas foram até Jesus e viram o endemoninhado sentado, vestido e no seu perfeito juízo, aquele mesmo que antes estava possuído pela Legião. E ficaram com medo.

 

16Os que tinham presenciado o fato explicaram-lhes o que havia acontecido com o endemoninhado e com os porcos. 17Então começaram a pedir que Jesus fosse embora da região deles. 18Enquanto Jesus entrava de novo na barca, o homem que tinha sido endemoninhado pediu-lhe que o deixasse ficar com ele. 19Jesus, porém, não permitiu. Entretanto, lhe disse: "Vai para casa, para junto dos teus e anuncia-lhes tudo o que o Senhor, em sua misericórdia, fez por ti". 20Então o homem foi embora e começou a pregar na Decápole tudo o que Jesus tinha feito por ele. E todos ficavam admirados. Palavra da Salvação!

 

 

 

Comentando o Evangelho

Proclamando a compaixão

 

Depois de curado de uma pavorosa possessão demoníaca, o homem pediu ao Mestre para tornar-se discípulo dele, "para estar com ele". Jesus recusou o pedido por dois motivos. Em primeiro lugar, porque o discipulado parte sempre da iniciativa do Mestre, que "chama a quem ele quer". Em segundo lugar, porque estava reservada ao pagão beneficiado por Jesus uma outra missão: narrar aos familiares a compaixão que o Senhor lhe havia demonstrado. Uma tarefa de evangelizador!

 

O anúncio do Reino, na boca daquele homem, não consistiria em proclamar uma doutrina nova, e sim, a misericórdia de que foi objeto. Bastaria isto para alertar os pagãos daquela região, para o que estava acontecendo: Deus Pai mostrava-se compassivo para com a humanidade, por meio da ação de seu Filho Jesus.

 

A missão no país dos gerasenos constituía-se numa mostra do que seria a missão dos discípulos, para além dos limites de Israel. Como Jesus, eles deveriam ser mediadores da compaixão divina para com toda a humanidade sofredora e oprimida, instrumentos da libertação que o Senhor quer realizar na vida de cada ser humano, privado de sua dignidade.

 

Mas para se tornar evangelizador é preciso, como o homem geraseno, experimentar pessoalmente a compaixão divina e narrar "o que o Senhor fez por mim". (O EVANGELHO DO DIA, Ano “A”. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998)

 

 

Para sua reflexão pessoal[2]

Jesus age em território pagão e encontra um homem possuído de um espírito imundo que habita em sepulcros. Jesus liberta o homem possesso e toda a impureza se afunda no mar através de uma vara de porcos. Os não-judeus em toda a região de Decápole ouvem o que a misericórdia de Deus fez pelo ex-possesso, agora libertado, através da ação de Jesus.  Jesus se preocupa muito por um então renegado e prepara terreno para a sua missão a todos os não-judeus. Muitas vezes nos somos possessos dos desatinos da sociedade moderna: a troca do ser pelo poder, o acúmulo de bens às custas da exploração inconseqüente de pessoas, a falta de humildade, a irreverência,... Por mais que tenhamos dificuldades de assumir, temos sido possessos dos nossos erros, mesmo que inconscientes e inadequadamente incorporados ao longo da nossa existência, posto que o homem é fruto do meio. E então, é hora de buscarmos a nossa libertação e Jesus é o caminho, único e insubstituível. Ta na hora para uma reflexão pessoal e busca de mudanças. Você é “o cara” a quem Jesus sempre busca; deixe a “ficha cair” e liberte-se. Tome o leme da sua vida mas deixe Jesus ser o seu timoneiro!

 

São João de Brito[3]

Após viver uma infância principesca na corte portuguesa, optou pelo hábito da Companhia de Jesus. Deu adeus ao luxo da casa de seu pai, governador do Rio de Janeiro para viver evangelicamente aos 26 anos de idade, embarcando para Goa, que durante muito tempo foi a sede da Índia Ocidental. Lá completou seus estudos e então partiu para Malabar onde iniciou um trabalho de evangelização por 15 anos. Muito humilde, gostava de aprender com os amigos, estudou a língua, hábitos e costumes do povo. Em contrapartida os hindus apreciavam-no muito e por sua docilidade muitos se convertiam ao cristianismo. Depois retornou à Europa apenas para arrebanhar mais missionários para ajudá-lo no trabalho desenvolvido e retornou a Malabar. Mas nesses tempos houve um bárbaro levante de brâmanes. Revoltados os "sacerdotes" hindus queimavam igrejas e casas dos cristãos. São João de Brito foi preso e logo após ter as mãos e os pés cortados, foi degolado. Antes de morrer escreveu: "Agora espero padecer a morte por meu Deus e Senhor"

 



[1] MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997

[2] Everaldo Souto Salvador, ofs, Mundo Católico

[3] www.asj.org.br