Segunda, 19 de maio de 2008

7ª Semana do Tempo Comum, 3ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Verde

 

Confiei, Senhor, na vossa misericórdia; meu coração exulta porque me salvais. Cantarei ao Senhor pelo bem que me fez. (Sl. 12, 6)

 

 

Hoje: Dia do Defensor Público

 

Santos: Ivo de Kermartin (sacerdote), Prudenciana (mártir), Madre Maria Stollenwek (bem aventurada), Pedro Celestino (monge, eremita, Papa), Dunstano (abade beneditino e bispo de Worceste e de Londres), Teófilo de Corte (Confessor franciscano, 1ª Ordem), Prudente (mártir), Calógero (mártir), Partênio (mártir), Alcuíno (Abade), Agostinho Novello (Beato), Pedro Wright (Beato, mártir). 

 

Oração: Concedei, ó Deus todo-poderoso, que, procurando conhecer sempre o que é reto, realizemos vossa vontade em nossas palavras e ações. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

Leitura: Tiago (Tg 3, 13-18)
A sabedoria, que vem do alto, é pura

 

Caríssimos, 13quem dentre vós é sábio e inteligente? Que ele mostre, por seu reto modo de proceder, a sua prática em sábia mansidão. 14Mas se fomentais, no coração, amargo ciúme e rivalidade, não vos glorieis nem procedais em contradição com a verdade. 15Essa não é a sabedoria que vem do alto. Ao contrário, é terrena, materialista, diabólica! 16Onde há inveja e rivalidade, aí estão as desordens e toda espécie de obras más. 17Por outra parte, a sabedoria que vem do alto é, antes de tudo, pura, depois pacífica, modesta, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcial idade e sem fingimento. 18O fruto da justiça é semeado na paz, para aqueles que promovem a paz. Palavra do Senhor!

 

 

 

Comentando a I Leitura[1]

A língua, nenhum homem consegue domá-la

 

A língua e as palavras, especialmente quando usadas com ares de quem quer erigir-se mestre sem razões para sê-lo, ou para acusar injustamente os irmãos, estraçalham a união entre os homens e dentro da Igreja. Deve haver liberdade de palavra na Igreja, mas não para ferir a caridade. Pode acontecer que a prontidão para falar, ensinar, contestar; supere de muito a de escutar; receber e praticar a palavra de Deus. O silêncio, a meditação e a atuação da palavra são hoje mais necessários do que nunca, mesmo para libertar-nos da alienação das palavras e das mensagens em demasia, estas freqüentemente corrosivas e dispersivas, que investem contra nós de todo lado.

 

 

 

Salmo: 18(19B), 8.9.10.15 (R/.9a)

Os ensinos do Senhor são sempre retos, alegria ao coração!

 

A lei do Senhor Deus é perfeita, conforto para a alma! O testemunho do Senhor é fiel, sabedoria dos humildes.

 

Os preceitos do Senhor são precisos, alegria ao coração. O mandamento do Senhor é brilhante, para os olhos é uma luz.

 

É puro o temor do Senhor, imutável para sempre. Os julgamentos do Senhor são corretos e justos igualmente.

 

Que vos agrade o cantar dos meus lábios e a voz da minha alma; que ela chegue até vós, ó Senhor, meu rochedo e redentor!

 

Evangelho do dia: Marcos (Mc 9, 14-29)

Tudo é possível para quem tem fé

 

Naquele tempo, 14descendo Jesus do monte com Pedro, Tiago e João e chegando perto dos outros discípulos, viram que estavam rodeados por uma grande multidão. Alguns mestres da lei estavam discutindo com eles. 15Logo que a multidão viu Jesus, ficou surpresa e correu para saudá-lo. 16Jesus perguntou aos discípulos: "O que discutis com eles?"

 

17Alguém da multidão respondeu: "Mestre, eu trouxe a ti meu filho que tem um espírito mudo. 18Cada vez que o espírito o ataca, joga-o no chão e ele começa a espumar, range os dentes e fica completamente rijo. Eu pedi aos teus discípulos para ex-pulsarem o espírito. Mas eles não conseguiram". 19Jesus disse: "Ó geração incrédula! Até quando estarei convosco? Até quando terei que suportar-vos? Trazei aqui o menino 20E levaram-lhe o menino. Quando o espírito viu Jesus, sacudiu violentamente o menino, que caiu no chão e começou a rolar e a espumar pela boca. 21Jesus perguntou ao pai: "Desde quando ele está assim?" O pai respondeu: "Desde criança. 22E muitas vezes, o espírito já o lançou no fogo e na água para matá-lo. Se podes fazer alguma coisa, tem piedade de nós e ajuda-nos". 23Jesus disse: "Se podes!... Tudo é possível para quem tem fé". 24O pai do menino disse em alta voz: "Eu tenho fé, mas ajuda a minha falta de fé".

 

25Jesus viu que a multidão acorria par a junto dele. Então ordenou ao espírito impuro: "Espírito mudo e surdo, eu te ordeno que saias do menino e nunca mais entres nele". 26O espírito sacudiu o menino com violência, deu um grito e saiu. O menino ficou como morto, e por isso todos diziam: "Ele morreu!" 27Mas Jesus pegou a mão do menino, levantou-o e o menino ficou de pé. 28Depois que Jesus entrou em casa, os discípulos lhe perguntaram a sós: "Por que nós não conseguimos expulsar o espírito?" 29Jesus respondeu: "Essa espécie de demônios não pode ser expulsa de nenhum modo, a não ser pela oração". Palavra da Salvação!

 

Essa passagem bíblica também está presente nos seguintes sinóticos

Mt 17, 14-21 e Lc 9, 37-42 (O epilético endemoninhado)

 

 

 

Comentário o Evangelho[2]

Raça incrédula!

 

Como entender a reação enérgica de Jesus, quando alguém lhe disse que os discípulos não foram capazes de expulsar um espírito mudo, que infernizava a vida de um menino? Eles foram chamados de "raça incrédula", incapaz de realizar a missão confiada por Jesus, por pura falta de fé. Se foram enviados para expulsar os demônios, por que hesitaram neste caso concreto? Só porque o demônio se mostrava tão feroz?

 

O desabafo de Jesus estava carregado de evocações. Lembrava o povo de Israel no deserto, quando foi incapaz de perceber o amor salvífico que Deus lhe manifestara de tantos modos. Agindo desta forma, colocaram Deus e seu enviado sob suspeita.

 

No episódio evangélico, pode ter havido falta de fé nos discípulos, quando se viram diante de um caso difícil de possessão demoníaca. Devem ter duvidado do poder recebido do Mestre, julgando-o insuficiente para resolver aquela situação. Por sua vez, o pai do menino possuído pelo espírito mudo deve ter desconfiado do poder dos apóstolos, preferindo recorrer diretamente a Jesus. De onde a impossibilidade de o milagre ser realizado.

 

A confissão do pai - "Creio, Senhor! Mas aumenta minha fé" - deveria ter sido feita também pelos discípulos, já que também eles necessitavam de fortificar a própria fé, para não serem vítimas da dúvida, nos momentos difíceis de seu ministério. 

 

 

São Ivo Kermantin[1]

 

 

 

Aos 14 anos foi a Paris onde cursou filosofia e teologia, direito civil e direito canônico. Ordenado sacerdote, por quatro anos foi juiz eclesiástico na diocese de Rennes. Era chamado o Advogado dos Pobres. Um dia livrou uma pobre mulher da prisão, quando lhe faltava apenas o veredicto final. Dois farsantes haviam entregue à ela uma mala com ouro e dinheiro, para que a guardasse e somente a entregasse na presença dos dois. Passados alguns dias, os ladrões levaram adiante o seu plano: o primeiro conseguiu que a mulher lhe entregasse a mala e o segundo a levou ao tribunal, acusando-a de roubo. Compadecido dela, Santo Ivo foi ao tribunal e disse: "Esta mulher sabe onde se encontra a mala e está disposta a exibi-la". Pediram então que ela a mostrasse. Santo Ivo acrescentou, então: "Uma vez que a acusada somente pode devolver a mala na presença dos dois interessados, fica o demandante obrigado a apresentar o seu companheiro neste tribunal... "Santo Ivo granjeou a estima de todos pela integridade de vida e pela imparcialidade de seus juízos. Ele próprio ia buscar nos castelos o cavalo, o carneiro roubado dos pobres sob o pretexto de impostos não pagos. É um dos mais populares santos da Bretanha. Pode-se dizer que toda a sua vida foi dedicada à prática da virtude da Justiça, como advogado e depois como sacerdote e juiz eclesiástico. Atendia gratuitamente aos pobres e desvalidos, dando-lhes orientação jurídica segura para que seus direitos fossem respeitados. Faleceu aos 50 anos, e já em vida gozava de fama de grande santidade.

 

 

 



[1] www.asj.org.br