Segunda, 20 de dezembro de 2010

Quarto Semana do Advento, Ano “A” 4ª Semana do Saltério, Livro I, cor Litúrgica Roxa

 

Santos: Amon, Zeno, Ptolemeu, Ingen e Teófilo (mártires de Alexandria), Domingos da Brescia (bispo), Domingos de Silos (abade), Eugênio e Macário (mártires da Arábia), Filogônio de Antioquia (bispo), Júlio de Geldoba (mártir), Liberato e Bajulo (mártires de Roma), Pedro Thi (mártir), Ursicínio de Cahors (abade), Ursicínio de St-Ursanne (abade), Gonçalves de Silos (monge, bem-aventurado), Pedro de la Cadireta (mártir, bem-aventurado), Pedro Massaleno (monge, bem-aventurado)

 

Antífona: Um ramo brotará da raiz de Jessé; a glória do Senhor encherá a terra inteira, e toda criatura verá a salvação de Deus (Is 11, 1; 40,5; Lc 3,6)

 

Oração: Senhor Deus, ao anúncio do anjo, a Virgem imaculada acolheu vosso Verbo inefável e, como habitação da divindade, foi inundada pela luz do Espírito Santo. Concedei que, a seu exemplo, abracemos humildemente a vossa vontade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

1ª Leitura: Isaias (Is 7, 10-14)
Eis que uma virgem conceberá

 

Naqueles dias, 10o Senhor falou com Acaz, dizendo: 11“Pede ao Senhor teu Deus que te faça ver um sinal, quer provenha da profundeza da terra, quer venha das alturas do céu”. 12Mas Acaz respondeu: “Não pedirei nem tentarei o Senhor”. 13Disse o profeta: “Ouvi então, vós, casa de Davi; será que achais pouco incomodar os homens e passais a incomodar até o meu Deus? 14Pois bem, o próprio Senhor vos dará um sinal. Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel.” Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura (mesma leitura do domingo)

O Emanuel, nossa esperança

 

O oráculo do Emanuel situa-se em torno do ano 734 a.C. Acaz é rei de Judá. O povo, sobretudo a população de Jerusalém, passa por graves dificuldades. A cidade havia sido cercada por Facéia, rei de Israel, e Rason, rei de Aram, naquela que se costumou chamar de “guerra siro-efraimita”. A coligação entre o rei de Israel e o de Aram tinha como objetivo tomar a cidade de Jerusalém, depor Acaz e estabelecer aí, como rei, o filho de Tabeel (cf. Is 7,6). Desse modo, terminaria a dinastia davídica, truncando a promessa que Deus fizera a Davi de conservar-lhe sempre um descendente no trono de Judá (cf. 2Sm 7,12-16). Não se trata, portanto, de simples disputa pelo poder. Lido com os olhos da fé, o episódio levanta esta questão: até quando Deus continuará sendo aliado do povo que escolheu?


O povo vive um clima de perplexidade, sem que o rei se importe com isso. Diante do perigo externo, recorre a alianças perigosas com a Assíria (cf. 2Rs 16,7), gesto que Isaías condena, pois a esperança do povo está em Javé. Além disso, ele se comporta como idólatra, queimando seu filho único (o herdeiro ao trono) aos ídolos (cf. 2Rs 16,3).


É por isso que ele não pede nenhum sinal a Deus, com a desculpa de não querer tentar o Senhor (Is 7,12). Sua aparente religiosidade esconde a idolatria, e é exatamente isso que o profeta reprova. O sinal tem por objetivo confirmar a proteção de Deus sobre o rei


e o povo, mostrando que ele permanece fiel às suas promessas. Contudo, a fidelidade divina arrisca se tornar estéril por causa do descaso do líder.

 

Apesar de o rei não pedir um sinal “desde as profundidades do reino dos mortos até as alturas lá em cima” (v. 11), Deus se adianta e, por meio de Isaías, dá um sinal de que sua fidelidade perdura para sempre: “A jovem concebeu e dará à luz um filho e lhe dará o nome de Emanuel” (v. 14). O sinal é uma criança, provavelmente Ezequias, o filho de Acaz. Ele não vai garantir a salvação para Acaz, mas devolverá esperança ao povo. Porém, o sinal não possui espaço e tempo determinados; ele se projeta no horizonte da esperança, rompendo as barreiras do tempo. Foi assim que o povo, depois de Isaías, entendeu o oráculo, sonhando com a vinda do Messias. E os primeiros cristãos, à luz das promessas de Deus, descobriram que em Jesus a esperança do povo se realizou e a fidelidade divina atingiu sua expressão máxima.


Mateus cita esse texto a partir da versão grega chamada Septuaginta. Ela – não sabemos o motivo – em vez de “jovem”, como está no hebraico (almá), traz “virgem” (parténos).
Vida Pastoral nº 257 Paulus 2007

 

 

 

Salmo Responsorial: 23 (24), 1-2.3-4ab.5-6 (R/.7c e 10b)
O rei da glória é o senhor onipotente;

abri as portas para que ele possa entrar!

 

1Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra, o mundo inteiro com os seres que o povoam; 2porque ele a tornou firme sobre os mares, e sobre as águas a mantém inabalável.


3“Quem subirá até o monte do Senhor, quem ficará em sua santa habitação?” 4aQuem tem mãos puras e inocente coração, 4bquem não dirige sua mente para o crime.


5Sobre este desce a bênção do Senhor e a recompensa de seu Deus e Salvador”. 6“É assim a geração dos que o procuram, e do Deus de Israel buscam a face”.

 

 

 

Evangelho, Lucas (Lc 1, 26-38)
Anúncio do nascimento de Jesus

 

26No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, 27a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da virgem era Maria. 28O anjo entrou onde ela estava e disse: "Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!" 29Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação.

 

30O anjo, então, disse-lhe: "Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande, será chamado Filho do altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. 33Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim". 34Maria perguntou ao anjo: "Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?"

 

35O anjo respondeu: "O Espírito virá sobre ti, e o poder do altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado santo, Filho de Deus. 36Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, 37porque para Deus nada é impossível". 38Maria, então, disse: "Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!" E o anjo retirou-se.  Palavra da Salvação!

Leitura paralela: MT 1, 18-25

 

 

Comentando o Evangelho

Eis a serva do Senhor

 

Maria ocupou um lugar de destaque no advento da salvação, aceitando acolher a proposta de Deus de assumir a maternidade do Messias Jesus. A escolha de Maria não se explica, no plano humano. Era uma jovem, já prometida em casamento a um descendente da casa de Davi. Não pertencia a nenhuma família nobre e rica, e habitava numa cidade escondida e mal afamada. Não passava por sua mente ligar-se, de algum modo, ao Messias. Humanamente falando, ela não possuía os requisitos necessários para ser mãe do Salvador.

 

O diálogo de Maria com o anjo revelou a imagem que ela fazia de si mesma bem como o que Deus pensava a respeito dela. Da parte de Deus, era considerada repleta de graça, amada por ele, bendita entre todas as mulheres. Em outras palavras, possuidora dos requisitos necessários para ser colaboradora de seu plano de salvação. Este requeria alguém totalmente disponível para Deus, despojado de si mesmo e dos próprios interesses, e disposto a assumir uma missão superior a tudo que se possa imaginar. Maria, por sua vez, tinha consciência de suas limitações. Não podia imaginar que Deus a tivesse em tão alta conta. Não conseguia conciliar a concepção do Messias com o fato de não ter conhecido homem algum. Estava longe de compreender o que significa conceber por obra do Espírito Santo. Contudo, como se sabia serva, não receou aceitar cegamente o projeto de Deus. O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A, ©Paulinas, 1997

 

 

 

Liturgia Diária (Paulus)

Concedei, Senhor, que caminhemos sempre à luz de vossa presença: Vinde, Senhor Jesus.

Livrai nossa vida de todo pecado e conduzi-nos à salvação.

Ajudai cada um de nós a tornar-se templo vivo do Espírito.

Daí saúde a todas as mães e propiciai que vivam na santidade.

Fazei que as crianças cresçam em sabedoria, idade e graça.

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Aceitai, ó Deus, nós vos pedimos, este singular sacrifício que vos oferecemos para que, pela participação neste sacramento, recebamos os bens desejados que a fé nos faz esperar. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

O anjo disse a Maria: “Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus” (Lc 1, 31)

 

Depois da Comunhão:

Guardai, ó Deus, sob a vossa proteção, aqueles que alimentastes com o pão celestial, para que eles encontrem em vossos sacramentos a fonte da verdadeira paz. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

 

Jesus Cristo, Deus conosco

Dom Orani João Tempesta

 

Estamos em plena semana de preparação para o Natal. A liturgia da Igreja nos acompanha na esperança de celebrar a presença atual de Cristo em nossas vidas, além da comemoração de suas vindas histórica e escatológica.

 

Em meio aos barulhos e propagandas que gritam em nossos ouvidos sobre as várias versões deste tempo, o cristão é aquele que conhece o Senhor e celebra a presença do Deus Conosco, o Emanuel.

 

Advento, tempo de abertura de coração ao Senhor Jesus. Ter proximidade com Deus e relacionar-se com Ele é o grande anseio do coração humano. Fazendo a experiência de Sua Presença, a luz ilumina as trevas do mundo e as nossas perguntas, o sentido da vida e seus mistérios e busca da plenitude da existência encontra O Caminho que nossos corações buscam.

 

Muitos ainda não sabem que esse anseio tornou-se realidade. Essa presença esclarecedora e perfeita que pacifica a alma e responde nossas perguntas sobre a existência está em Jesus Cristo Senhor.

 

A boa notícia é que Ele veio e continua conosco! Esse Deus revelado é encontrado na pessoa de Jesus Cristo, Ele é a exata expressão do ser de Deus. “Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas,” (Hebreus 1,3).

 

Emanuel significa Deus conosco. Esta expressão refere-se à presença de Jesus Cristo entre os homens. O texto bíblico descrito no profeta Isaías diz: “Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel.” (Isaías 7,14). No Evangelho de Mateus encontramos a explicação do significado do nome Emanuel; Mateus registra o texto de Isaías e amplia nosso entendimento sobre a profecia que ele viu cumprir-se nos seus dias: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco).” (Mateus 1,23). A profecia se cumpriu! Deus está conosco!

 

Quando compreendemos essa verdade entendemos que Ele está presente em nossa vida quando O buscamos, quando nos relacionamos uns com os outros, quando andamos pela cidade, quando trabalhamos, enfim em todas as circunstâncias da vida Jesus Cristo, o Emanuel prometido, o Deus que está conosco, está presente em nossa existência.

 

Isaías, em sua profecia, nos mostra ainda que existe algo muito especial quando Emanuel (Deus conosco) está entre nós. Falando sobre o juízo que viria a Israel, o profeta diz: “Mesmo que vocês criem estratégias, elas serão frustradas; mesmo que façam planos, não terão sucesso, pois Deus está conosco!” (Isaías 8,10).

 

Quando Jesus, o Senhor, está presente somos iluminados por sua presença. Lembremos que a profecia se cumpriu – Jesus é o Senhor e estará para sempre presente, seu poder é total e sua presença é eterna. “Conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós” (1 Pedro 1,20). Saibamos que onde estivermos ou mesmo aonde formos não podemos nos esconder d’Ele, mas podemos, sim, nos esconder N’Ele (“Vossa vida está escondida com Cristo em Deus”)!

 

Tendo como ponto de partida a presença do Emanuel, Deus conosco em nosso meio, é de suma importância que todos os cristãos preparem bem o seu coração para participarem das festividades natalinas que se aproximam, tanto é que a própria liturgia nos convida a nos prepararmos para este grande acontecimento.

 

Nesta expectativa pelo “Deus que vem” devemos rezar para que exista justiça em todos os lugares. E por isso rezemos: "Vem, senhor Jesus Cristo! Ele sabe como trazer justiça no mundo. Portanto, devemos viver estes dias que antecedem o Natal com os mesmos sentimentos de Maria, que, em Belém, viu resplandecer a luz que ilumina o mundo. Nós somos chamados a ser testemunhas e a proclamar com convicção a verdade do nascimento de Cristo, dom inaudito, que é um tesouro não somente para nós, mas para todos. Disto surge a missão da Evangelização, que consiste justamente em anunciar esta boa notícia.

 

Que nesta semana próxima ao Natal nos preparemos com dignidade para a celebração do nascimento de Jesus, com a participação na liturgia, com uma boa confissão e com a consequente mudança radical de vida para que, na fé, Cristo renasça em nossa vida e nos faça proclamar ao mundo essa grande notícia: “nasceu para vós o Salvador”!

 

Mãe de verdade almeja e cuida para que o filho cresça, em idade, graça e

sabedoria, como o Menino Jesus. (Pe. Antônio Sérgio Magalhães)