Segunda, 25 de fevereiro de 2008

III Semana do Tempo da Quaresma, III Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Roxa

 

Minha alma anseia, até desfalecer, pelos átrios do Senhor; meu coração e minha carne exultam pelo Deus vivo! (Sl 83,3)

 

Santos: Adeltrudes de Maubeuge (abadessa), Ananias e Companheiros (mártires da Fenícia), Avertano de Limoges (religioso carmelita), Cesário Nazianzeno (irmão de São Gregório Nazianzeno), Donato, Justo, Herena e Companheiros (mártires da África), Etelberto de Kent (rei), Gerlando de Girgenti (bispo), Tarásio de Constantinopla (bispo), Vitorino e Companheiros (mártires de Dióspole, em Tebaida, no Egito), Walburga de Eichstadt (abadessa, foi filha do rei São Ricardo e sobrinha de São Bonifácio, apóstolo da Alemanha; teve dois irmãos santos: São Wilibaldo e São Winibaldo), Adelelmo de Engelberg (abade, bem-aventurado), Constantino (religioso, bem-aventurado), Sebastião Aparício (franciscano, bem-aventurado), Tiago Carvalho e Companheiros (jesuítas, mártires, bem-aventurados), Vitor de São Galo (monge, bem-aventurado).

 

Oração do Dia: Ó Deus, na vossa incansável misericórdia, purificai e protegei a vossa Igreja, governando-a constantemente, pois sem vosso auxílio ela não pode salvar-nos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: II Reis (2Rs 5, 1-15a)

Maamã, general do reio da Síria, leproso

 

Naqueles dias, 1Naamã, general do exército do rei da Síria, era um homem muito estimado e considerado pelo seu senhor, pois foi por meio dele que o Senhor concedeu a vitória aos arameus. Mas esse homem, valente guerreiro, era leproso.

 

2Ora, um bando de arameus que tinha saído da Síria, tinha levado cativa uma moça do país de Israel. Ela ficou a serviço da mulher de Naamã. 3Disse ela à sua senhora: "Ah, se meu senhor se apresentasse ao profeta que reside em Samaria, sem dúvida, ele o livraria da lepra de que padece!" 4Naamã foi então informar o seu senhor: "Uma moça do país de Israel disse isto e isto". 5Disse-lhe o rei Aram: "Vai, que eu enviarei uma carta ao rei de Israel". Naamã partiu, levando consigo dez talentos de prata, seis mil siclos de ouro e dez mudas de roupa. 6E entregou ao rei de Israel a carta, que dizia: "Quando receberes esta carta, saberás que eu te enviei Naamã, meu servo, para que o cures de sua lepra".

 

7O rei de Israel, tendo lido a carta, rasgou suas vestes e disse: "Sou Deus, porventura, que possa dar a morte e a vida, para que este me mande um homem para curá-lo de lepra? Vê-se bem que ele busca pretexto contra mim". 8Quando Eliseu, o homem de Deus, soube que o rei de Israel havia rasgado as vestes, mandou dizer-lhe: "Por que rasgaste tuas vestes? Que ele venha a mim, para que saibas que há um profeta em Israel".

 

9Então Naamã chegou com seus cavalos e carros, e parou a porta da casa de Eliseu. 10Eliseu mandou um mensageiro para lhe dizer: "Vai, lava-te sete vezes no Jordão, e tua carne será curada e ficarás limpo". 11Naamã, irritado, foi-se embora, dizendo: "Eu pensava que ele sairia para me receber e que de pé, invocaria o nome do Senhor, seu Deus, e que tocaria com sua mão o lugar da lepra e me curaria. 12Será que os rios de Damasco, o Abana e o Fartar, não são melhores do que todas as águas de Israel, para eu me banhar nelas e ficar limpo?" Deu meia-volta e partiu indignado. 13Mas seus servos aproximaram-se dele e disseram-lhe: "Senhor, se o profeta te mandasse fazer uma coisa difícil, não a terias feito? Quanto mais agora que ele te disse: 'Lava-te e ficarás limpo"'.

 

14Então ele desceu e mergulhou sete vezes no Jordão, conforme o homem de Deus tinha mandado, e sua carne tornou-se semelhante à de uma criancinha, e ele ficou purificado. 15aEm seguida, voltou com toda a sua comitiva para junto do homem de Deus. Ao chegar, apresentou-se diante dele e disse: "Agora estou convencido de que não há outro Deus em toda terra, senão o que há em Israel!" Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura[1]

Nenhum leproso em Israel foi curado senão Naamã

 

Naamã tinha que superar dois grandes obstáculos em seu itinerário de fé: o amor próprio e a mentalidade mágica. Seu caminho da palavra do profeta ao rito que o curou e à fé explícita, deveria ser o de todo candidato aos sacramentos. O sacramento não opera eficazmente se não for celebrado em um diálogo entre Deus que se revela e o homem que obedece; evidentemente, a Igreja deve respeitar o tempo necessário ao homem para que possa situar-se e amadurecer. A exagerada insistência de outrora, sobre o opus operatium desviou bastante a atenção do opus operantis, como se a eficácia da ação divina suprisse as deficientes disposições de quem recebia o sacramento. Toma-se hoje maior consciência de que o sacramento deve vir no término de um prazo mais ou menos longo, durante, o qual a Igreja exerce o seu ministério profético, com a Proclamação da palavra de Deus e a Leitura dos acontecimentos, e o indivíduo harmoniza sua fé e avalia as condições reais da conversão.

 

Salmo: 41(42), 2.3; 42(43), 3.4 (R/.41[42],3)
Minha alma tem sede de Deus, do Deus

vivo: quando verei a face de Deus?

 

41,2Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: quando verei a face de Deus? Assim como a corça suspira pelas águas correntes, suspira igualmente minh'alma por vós, ó meu Deus!

 

3A minh'alma tem sede de Deus, e deseja o Deus vivo. Quando terei a alegria de ver a face de Deus?

 

42,3Enviai vossa luz, vossa verdade: elas serão o meu guia; que me levem ao vosso Monte santo, até vossa morada!

 

4Então irei aos altares do Senhor, Deus da minha alegria. Vosso louvor cantarei, ao som da harpa, meu Senhor e meu Deus!

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 4, 24-30)

Nenhum profeta é bem recebido em sua pátria

 

Jesus, vindo a Nazaré, disse ao povo na sinagoga: 24"Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. 25De fato, eu vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. 26No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva em Sarepta, na Sidônia. 27E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o sírio".

 

28Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. 29Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até o alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. 30Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho. Palavra da Salvação!

 

 

 

Comentário do Evangelho[2]

A dureza de coração

 

A reação dos habitantes de Nazaré, diante da pregação de Jesus, foi de aberta rejeição. Foi tal o desprezo pelas palavras do Mestre, que eles decidiram eliminá-lo lançando-o de um precipício.


É possível imaginar a decepção de Jesus, diante da rejeição de seus conterrâneos. Ele tentou compreender a situação, rememorando as experiências de profetas do passado que, rejeitados por seu povo, foram bem acolhidos pelos estrangeiros. Assim aconteceu com Elias: num tempo de seca e fome, beneficiou uma mulher estrangeira, da terra dos sidônios. O mesmo sucedeu com Eliseu: curou da lepra um general sírio, ao passo que, em Israel, essa doença vitimava muitas pessoas.


A conclusão de Jesus foi clara: já que o povo de sua cidade insistia em não lhe dar atenção, ele sentiu-se obrigado a ir em busca de quem estivesse disposto a acolhê-lo. Aos duros de coração, no entanto, só restava o castigo.


Longe de nós seguirmos o exemplo do povo de Nazaré. Jesus quer encontrar, em nós, abertura para acolhê-lo e disponibilidade para converter-nos. Ninguém é obrigado a aceitar este convite. Entretanto, fechar-se para Jesus significa recusar a proposta de salvação que ele, em nome do Pai, veio nos trazer.

 

 

Santa Valburga[3]

 

Santa Valburga era abadessa nascida em Wessex era irmã de São Vilibaldo e São Vinebaldo. Acredita-se que ela tenha vivido entre 730 e 780. Sua vida religiosa começou como freiras em Wimbornem e mais tarde juntou-se à missão de São Bonifário de Crediton, na Alemanha. Quando seu irmão Vinebaldo morreu, por volta do ano 761, ela passou a exercer o cargo que antigamente pertencia ao seu irmão, o chefe do mosteiro misto de Heidenhein, onde viveu até falecer. Seu tumulo durante muitos anos foi local de peregrinação, pois acreditava-se que ele expelia um óleo milagroso capaz de curar as mais diferentes doenças. Apesar de ser monja, transformou-se em missionária de todo centro da Europa. Ela revelou-nos, pelos seus escritos, o que significa a peregrinação humana. Foi uma Santa que soube andar, falar, escrever e permanecer no coração dos homens. Viveu no século VIII. Santa Valburga ganhou grande notoriedade na Europa. Todas as noites do dia 1 de maio, os alemães comemoram a Noite de Santa Valburga. A data escolhida é a mesma em que seus restos mortais foram transferidos para a cidade de Eixhstatt.

 



[1] Extraído do COMENTÁRIO BÍBLICO, Vol. III,  ©Loyola, 1999

[2] O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A,  ©Paulinas, 1997

[3] www.asj.org.br