Segunda, 27 de dezembro de 2010

São João, Apóstolo e Evangelista, Ofício Festivo, 1ª do Saltério, Ano A, cor branca

 

Santos: João Evangelista (Apóstolo), Alano de Quimper (bispo), Fabíola de Roma (viúva, fundou o primeiro Hospital do Ocidente), João Stone (presbítero, mártir), Máximo de Alexandria (bispo), Nicarete de Constantinopla (virgem), Teodoro Graptos (presbítero, mártir), Teófanes Graptos (bispo de Nicéia), Adelaide de Tennenbach (virgem, bem-aventurada), Boaventura Tolomei (dominicano, bem-aventurado), Esso de Beinwil (abade, bem-aventurado), Walter de Wessobrünn (abade, bem-aventurado).

 

Antífona: Foi João que na ceia repousou sobre o peito do Senhor: feliz o apóstolo a quem foram revelados os segredos do reino, e que espalhou por toda a terra as palavras da vida.

 

Oração: Ó Deus, que pelo apóstolo São João nos revelastes os mistérios do vosso Filho, tornai-nos capazes de conhecer e amar o que ele nos ensinou de modo incomparável. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo

 

Leitura: I Carta de São João (1Jo 1, 1-4)
 Testemunha ocular do verbo

 

Caríssimos, 1o que era desde o princípio, o que nós ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos tocaram da palavra da vida  - 2de fato, a vida manifestou-se e nós a vimos, e somos testemunhas, e a vós anunciamos a vida eterna, que estava junto do Pai e que se tornou visível para nós -; 3isso que vimos e ouvimos, nós vos anunciamos, para que estejais em comunhão conosco. E a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo. 4Nós vos escrevemos estas coisas para que a nossa alegria fique completa. Palavra do Senhor!

 

 

Comentário da I Leitura

O que vimos e ouvimos nós vos anunciamos

 

O Evangelho apresenta como sujeito a Palavra (cf. Ap 19,13) e lhe atribui vida. A carta faz da Vida um sujeito (três vezes). É a vida que estava junto ao Pai e se manifestou e é anunciada. Com grande ênfase nos diz que a manifestação ou revelação foi visível, audível e palpável, por isso quem escreve o faz como testemunha ocular com três sentidos (cf. a visão e o paladar do Sl 34, 6,9). Compare-se com a revelação esquiva a Moisés e Elias, “não podes ver o meu rosto, porque ninguém pode vê-lo e continuar vivendo” (Ex 33, 20); “o Senhor não estava no vento... não estava no fogo...” (1Rs 19, 11s). Dois aoristos gregos registram o fato passado, dois perfeitos registram seu resultado permanente (ouvimos e vimos). O apalpar, como alusão provável a Tomé (Jo 20, 27), sugere a ressurreição, não explícita na carta. (BÍBLIA DO PEREGRINO, ©Paulus, 2000)

 

 

Salmo: 96(97), 1-2.5-6.11-12 (R/.12a)

Ó justos, alegrai-vos no Senhor!

 

1Deus é Rei. Exulte a terra de alegria, e as ilhas numerosas rejubilem! 2Treva e nuvem o rodeiam no seu trono, que se apoia na justiça e no direito.

 

5As montanhas se derretem como cera ante a face do Senhor de toda a terra; 6e assim proclama o céu sua justiça, todos os povos podem ver a sua glória.

 

11Uma luz já se levanta para os justos, e a alegria, para os retos corações. 12Homens justos, alegrai-vos no Senhor, celebrai e bendizei seu santo nome!

 

Evangelho: João (Jo 20, 2-8)

João no santo sepulcro

 

No primeiro dia da semana, 2Maria Madalena saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: "Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram". 3Sairam, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo. 4Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. 5Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou. 6Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão 7e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte. 8Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu e acreditou. Palavra da Salvação!

 

Leitura paralela: Mt 28, 1-10; Mc 16, 1-8; Lc 24, 1-12

 

 

Comentário o Evangelho

O sepulcro vazio é sinal e não prova

 

Quando se observa as reações dos participantes, a teologia de João torna-se evidente. Com eles chegam à crença no Senhor ressuscitado? Na cena de abertura, Maria, personagem secundária, vê a pedra removida do túmulo. Sua reação natural: “Tiraram o Senhor do túmulo”. Ela ainda não crê. (Comentário Bíblico)

 

Porque é que o Evangelista atribui tanta importância à diferente posição dos panos? É que as ligaduras e o lençol estavam espalmados no chão da pedra do tumulo, ao passo que o lenço que o Senhor tivera em vota da cabeça não estava espalmado no chão, mas mantinha a forma da cabeça que envolvera. Ou seja, Jesus saíra, ressuscitado; ninguém o tinha desembrulhado. (Bíblia dos Capuchinhos)

 

Pedro é o chefe indiscutido em todo momento, mas o outro discípulo é o predileto. Esteve à direita de Jesus na ceia, ao pé da cruz na morte. Impulsionado pelo amor corre mais depressa e é o primeiro a crer. O “discípulo amado” “viu e creu” porque entendeu que a partir da ressurreição, Jesus vai ser encontrado no coração dos crentes. (Bíblia do Peregrino)

 

O sepulcro, os lençóis e o sudário são sinais de morte que Jesus deixou para trás. O Sepulcro vazio é sinal, não prova, pois pode significar outras coisas: remoção, trasladação; os lençóis separados são sinais mais fortes. O sepulcro vazio proclama que Jesus vivo não deve ser procurado entre os mortos (Novo Testamento, Ave-maria). (Texto compilado por Everaldo Souto Salvador, ofs, edd@mundocatolico.com.br)

 

Oração da Assembleia (Liturgia Diária)

A fim de que a Igreja não se canse de viver e proclamar o Ressuscitado, rezemos. Ouvi-nos e atendei-nos, Senhor.

A fim de que as mães vítimas da violência e da desigualdade se sintam amadas por Deus, rezemos.

A fim de que as famílias sejam canteiros de vocações generosas, rezemos.

A fim de que as autoridades se empenhem pela paz e pelo bem-estar do povo, rezemos.

A fim de que, inspirados por são João, cresçamos no compromisso com a Igreja, rezemos.

(Outras intenções)

 

 

Oração sobre as Oferendas:

Santificai, ó Deus, as nossas oferendas e concedei-nos haurir nesta ceia os mistérios do Verbo eterno, revelados, por esta mesma fonte ao apóstolo João. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

O Verbo se fez carne e habitou entre nós, e da sua plenitude todos nós recebemos (Jo 1, 14-16)

 

Depois da Comunhão:

Ó Deus todo-poderoso, nós vos pedimos que o Verbo feito carne, que são João anunciou com seu evangelho, habite sempre entre nós por este mistério que celebramos. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

 

 

 

Quem era o discípulo amado?

João é o único evangelista que não dá lugar de destaque aos apóstolos, mas menciona-os em diferentes episódios. Ele é também o único que fala da presença de um misterioso personagem, alguém muito próximo de Jesus. Esse discípulo, que tem o privilégio de ser especialmente amado por Jesus, aparece em seis aparições no seu evangelho. Ele esteve na ultima ceia, reclinando sua cabeça no peito de Jesus.

 

Os estudiosos especulam que esse discípulo seria um dos seguintes personagens: Lázaro, o jovem ressuscitado por Jesus; o jovem rico, que um dia se aproximou de Jesus para lhe perguntar o que devia fazer para ganhar a vida eterna; Natanael, aquele discípulo mencionado uma só fez por João e a quem Jesus, quando o viu, lhe disse que era “um verdadeiro israelita, em quem não há maldade” (Jo 1,47); o próprio João, apóstolo e evangelista, que nunca fala de si próprio no seu evangelho, mas que pertencia ao pequeno grupo de três apóstolos preferidos pelo Senhor, ao lado de Pedro e Tiago.

 

Não há convergência entre os exegetas, daí concluir-se que o discípulo amado não existiu, de fato; se existe, somos todos nós. Não se trata de uma figura real, mas de um símbolo daquilo que dever ser todo verdadeiro seguidor de Jesus. É o único que não tem medo de acompanhá-lo na cruz, quando todos o abandonam. De segui-lo até as últimas consequências. É ele que imediatamente crê em sua ressurreição, apenas com um olhar para o interior da tumba. Ele é aquele que segue de perto a Jesus e também a Pedro, ou seja, a hierarquia da Igreja. (Do opúsculo “Que sabemos sobre a Bíblia”, Vol 2, de Ariel Alvarez Valdés, Editora Santuário)

 

São João, apóstolo e evangelista

 

 

Ao evangelista João devemos um Jesus mais íntimo, aquele que mais profundamente se manifesta filho de Deus feito homem. Filho de Zebedeu, rico pescador de Betsaida (Mc 1,20; Mt 4, 18-22; Jo 1,44) e de Salomé, uma das mulheres que se puseram a serviço de Jesus e de seus apóstolos, João foi provavelmente educado, como o irmão Tiago, em ambiente da seita dos zelotes, como mostra a vivacidade de suas réplicas (Mc 3, 17; Lc 9, 53-56). Sendo discípulo de João Batista (Jo 1,35-41), foi encaminhado a Jesus por seu mestre. Uma vez discípulo de Jesus, João foi um dos mais ativos membros do grupo, um daqueles a quem o Senhor confiou maior número de encargos e os mais íntimos segredos (Mt 17, 1-8); Mc 13, 3; Lc 22, 8; Jo 13,23; Mt 26,37; Jo 19,26; 20,3). Tomou parte no Concílio de Jerusalém (Gl 2,9) e, no termo de uma longa vida apostólica, foi exilado na ilha de Patmos, ao tempo de Domiciano (Ap 1). João colocou no centro do seu Evangelho a manifestação de Deus ao mundo na pessoa do Cristo: Jesus é filho de Deus, e se apresenta como tal mediante seus grandes “sou sou” e múltiplas manifestações concretas. A tais manifestações João dá o nome de “testemunho” ou de “missão”, numa série de “sinais” da “glória” de Deus; o mais importante destes “sinais” realiza-se na “hora”  da  glorificação de Cristo no mistério pascal. Estes sinais perpetuam-se na vida da Igreja e nos sacramentos da presença do Senhor. As catas de João prolongam o ensinamento de seu Evangelho. Deus, que é “Amor e Luz”, os deveres cristãos derivados da caridade e as precauções contra o pecado são os temas principais. O Apocalipse é essencialmente uma meditação sobre o significado da história, redigida segundo um gênero literário muito usado no mundo hebraico, e destinada a fortalecer a fé cristã exposta a perseguições: Cristo já venceu o mundo e Satanás; os que participam dos sofrimentos de Cristo participarão também de seu triunfo. (Missal Cotidiano, Paulus)

 

 

E o Verbo se fez carne, não se fez livro

Dom Salvador Paruzzo, Bispo de Ourinhos-SP

 

Aproxima-se o Natal de Jesus.

 

Natal não é só o 2010º aniversário do nascimento d’ Ele, mas é a celebração do Emanuel, do Deus conosco. Jesus, o Verbo de Deus, um dia descera entre nós, desempenhara a sua missão de Redentor e depois subiu ao céu, junto do Pai.

 

Mas a sua presença real permaneceu sobre a terra de várias maneiras: na Eucaristia, na sua Palavra, em cada irmão, entre nós unidos em seu nome, em nossos corações, na hierarquia da Igreja. Uma das presenças reais do Verbo, que é Deus, é, portanto a Palavra de Deus.

 

Bento XVI na Exortação Apostólica pós – Sinodal recém publicada, “Verbum Domini” afirma: “Na Palavra de Deus proclamada e ouvida e nos Sacramentos, Jesus hoje, aqui e agora, diz a cada um: « Eu sou teu, dou-Me a ti », para que o homem O possa acolher e responder-Lhe dizendo por sua vez: « Eu sou teu ».

 

Assim a Igreja apresenta-se como o âmbito onde podemos, por graça, experimentar o que diz o Prólogo de João: « A todos os que O receberam, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus » (Jo 1, 12). (n. 50).

Chiara Lubich com suas primeiras companheiras faziam três comunhões cotidianas: comunhão com Jesus Eucaristia, com a Palavra de Vida e com os irmãos.

 

A Missão Continental, fruto da 5ª Conferência latino americana e caribenha de Aparecida, foi um impulso para tornar-nos todos missionários e lançar-nos numa Nova Evangelização. Somos chamados a gerar Cristo no coração dos irmãos.

 

“Minha mãe e meus irmãos são todos aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática” (Lc 8,21)

Portanto, existe uma possibilidade admitida por Jesus de sermos de algum modo, sua mãe. Nós podemos gerar Cristo nas almas, como uma mãe gera justamente através a Palavra.

“Se alguém com sua palavra faz nascer o amor do Senhor na alma de um próximo, ele como que gera o Senhor, porque o faz nascer no coração de quem ouve a sua palavra, e se torna mãe do Senhor”  (São Gregório Magno)

 

Muitas vezes experimentei esta verdade.

 

Uma vez veio ter comigo uma senhora que queria separar do marido, por causa das bebedeiras dele. Ouvi com atenção e no final lembrei a ela o compromisso do casamento “Eu te recebo e Prometo ser fiel na alegria, na tristeza, na saúde e na doença, amando-te e respeitando-te todos os dias da minha vida”.  Falei da cruz de Jesus e da nossa. Convidando-a para refletir. A senhora foi embora chorando. Depois de um ano a mesma senhora me procurou para agradecer dizendo: “No ano passado fui embora até revoltada, pois pensei o Bispo não entendeu o que estou sofrendo. Depois fiquei pensando o que eu poderia melhorar. Procurei calar mais e dar mais atenção ao meu marido. Depois de alguns meses meu marido deixou a bebida. Hoje agradeço a Deus porque o meu marido está comigo e os meus filhos têm o pai perto deles.”

 

Outra vez um homem veio para queixar-se pela maneira pouco transparente em que era administrada a sua paróquia.  Ouvi com muita atenção, procurando ver com ele o que poderíamos fazer para ajudar a paróquia. Lembrei das críticas ao apóstolo Pedro, que foram  ocasião para fazer nascer os diáconos. De fato quando convidei este irmão para colaborar em vários trabalhos da Diocese, se prontificou com muita generosidade.

 

Algumas vezes, viajando pela diocese, peço a companhia de um seminarista. A viagem se torna um tempo precioso para rezar e para conversar. Um dia um deles pode partilhar toda a situação difícil de sua família e encontrar a atitude de fé para enfrentar com coragem as dificuldades. Ás vezes Deus permite que passemos dificuldades em família, para ter experiência pessoal e ao longo da vida poder ajudar tantos que passam pelas mesmas dificuldades.

 

Todo mês temos um dia de retiro do Clero e das religiosas que atuam nas paróquias. Uma vez faltou um dos padres. Percebi que não deveria ficar cobrando, mas amando. No dia seguinte fui de carro até a cidade onde ele morava, para fazer uma visita e saber se estava bem de saúde. Nasceu com aquele padre um novo relacionamento de abertura e confiança.

 

Nos encontros com os colegas Bispos, ouvi alguns que estavam com dificuldades financeiras para acertar as mensalidades dos seminaristas. Voltando para casa senti que poderia ajudar os colegas com mais dificuldades.  Liguei para eles e ofereci um empréstimo da minha Diocese a ser devolvido sem pressa.  Percebi a alegria deles, e cresceu a nossa fraternidade.

 

Participando a um encontro internacional de Bispos na Suíça notei um colega vindo da África que estava passando frio. Foi a ocasião para oferecer o meu agasalho; o colega ficou muito agradecido. Um ano depois, vi aquele colega usando aquele mesmo agasalho.

 

Na Visita ad Limina em Novembro de 2009 preparando-me para encontrar o Santo Padre pensei o que poderia comunicar para dar-lhe alegria. Falei com ele do compromisso de fazer da Diocese “a Casa e a Escola da comunhão”. Falei da variedade de Congregações religiosas masculinas e femininas, dos Movimentos e Novas Comunidades, das Associações e Irmandades, que trabalham unidas nos projetos pastorais de evangelização. E ele sublinhou: “É muito bom caminhar unidos.” com um sorriso de complacência.

 

Ainda maior a sua maravilha quando relatei dos vários encontros realizados com Pastores de outras Igrejas: Assembleia de Deus, Congregação Cristã do Brasil, Adventistas, Presbiterianos, Batistas, Metodistas. Ele exclamou: “Esta é uma coisa muito interessante, que ouço pela primeira vez”.

 

O Servo de Deus Card. Van Thuan quando estava na prisão de Phu - Khanh escreveu: “Observa uma única regra: o Evangelho. Esta norma está acima de todas as demais. É a regra que o próprio Jesus deixou para os seus discípulos (cf. Mt 4,19). Não é difícil nem mesmo complicada ou legalista como as outras regras. Ao contrário, é dinâmica e estimulante para o teu espírito. Um santo longe do evangelho é um santo falso”.

 

Preparando-nos para a festa do Natal queremos pedir a Nossa Senhora, que acolheu Jesus em seu seio e em seu coração, que nos ajude a fazer da Palavra o alimento quotidiano de nossa vida e que como ela possamos dizer a cada momento: “Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a vossa Palavra” (Fonte: CNBB)

 

Deus está encarnado em seu semelhante, para que você se aproxime e

 lhe dê provas de seu amor. (Santa Catarina de Sena)