Segunda, 28 de janeiro de 2008

S.Tomás de Aquino (Presbítero e Doutor) Memória, 2ª do Saltério (Livro III), cor Branca

 

 

Os sábios refulgirão como o esplendor do firmamento; e os que ensinaram a muitos a justiça brilharão como estrelas para sempre. (Dn 12,3)

 

 

Hoje: Dia do Portuário

 

Santos: Amadeu de Lausanne (monge, bispo), Antimo de Brantôme (abade), Flaviano de Cività Vecchia (mártir), Glastiano de Kinglassie (bispo), João de Réomé (abade), Juliano de Cuenca (bispo), Leônidas e Companheiros (mártires do Egito), Odo de Beauvais (monge, bispo), Paládio de Antioquia (eremita), Paulino de Aquiléia (bispo), Pedro Tomás (bispo, mártir), Ricardo de Vaucelles (abade), Tiago da Palestina (eremita), Tirso, Lêucio e Calínico (mártires de Apolônia, na Frígia), Antonio de Amandola (agostiniano, bem-aventurado), Bartolomeu Aiutamicristo (eremita, bem-aventurado), Carlos Magno (imperador, bem-aventurado), Jerônimo Lu e Lourenço Wang (mártires da China, bem-aventurados), Juliano Maunoir (jesuíta, bem-aventurado), Maria de Pisa (viúva, bem-aventurada), Ricardo, o sacristão (monge, bem-aventurado), Rogério de Todi (franciscano, bem-aventurado)

 

Oração: Ó Deus, que tomastes Santo Tomás de Aquino um modelo admirável pela procura da santidade e amor à ciência sagrada, dai-nos compreender seus ensinamentos e seguir seus exemplos. Por nosso Senhor Jesus Cristo vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: II Samuel (2Tm 5, 1-7.10)
A Davi será confiada a missão de ser pastor e chefe do povo

 

Naqueles dias, 1todas as tribos de Israel vieram encontrar-se com Davi em Hebron e disseram-lhe: "Aqui estamos. Somos teus ossos e tua carne. 2Tempo atrás, quando Saul era nosso rei, eras tu que dirigias os negócios de Israel. E o Senhor te disse: 'Tu apascentarás o meu povo Israel e serás o seu chefe´".

 

3Vieram, pois, todos os anciãos de Israel até ao rei em Hebron. O rei Davi fez com eles uma aliança em Hebron, na presença do Senhor, e eles o ungiram rei de Israel. 4Davi tinha trinta anos quando começou a reinar, e reinou quarenta anos: 5Sete anos e seis meses sobre Judá, em Hebron, e trinta e três anos em Jerusalém, sobre todo o Israel e Judá. 6Davi marchou então com seus homens para Jerusalém, contra os jebuseus que habitavam aquela terra. Estes disseram a Davi: "Não entrarás aqui, pois serás repelido por cegos e coxos". Com isso queriam dizer que Davi não conseguiria entrar lá. 7Davi, porém, tomou a fortaleza de Sião, que é a cidade de Davi. 10Davi ia crescendo em poder, e o Senhor, Deus todo-poderoso, estava com ele. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura[1]

Tu apascentarás o meu povo Israel

 

Além da crônica, os acontecimentos que se referem à tomada do poder por parte de Davi deixam transparecer um desígnio providencial de Deus em via de realização.. As tribos dispersas reencontram num homem e numa cidade (Jerusalém) o centro de unidade política e, depois, também religiosa.

 

Davi e Jerusalém não são estranhos entre si; antes, a verdade mais profunda de ambos se encontra no novo povo de Deus. Cristo é o eleito e o consagrado por Deus (cf. Salmo), antes de qualquer intervenção humana, para ser o primogênito entre os irmãos. Os chefes da Igreja são escolhidos por Deus e consagrados por seu Espírito, e como tais reconhecidos pelos irmãos. A obediência ativa que  a eles se presta não os isola em absurda sacralidade, mas reconhecendo-os e impregnados de nossa pobreza, nós os escutamos como sinais visíveis do Cristo-cabeça, que reúne hoje e reunirá um dia definitivamente os seus. E Jerusalém, a Igreja, é o “lugar” simbólico de nossa identidade de crentes: imperfeita e pecadora, mas santificada por Deus, humana, mas dispensadora de sua misericórdia; ponto de encontro e de chegada, mas igualmente etapa de nossa peregrinação para a Jerusalém do céu.

 

Salmo: 88(89), 20.21-22.25-26 (+25a)

Minha verdade e meu amor estarão sempre com ele (+25a)[2]

 

20Outrora vós falastes em visões a vossos santos: "Coloquei uma coroa na cabeça de um herói e do meio deste povo escolhi o meu eleito.

 

21Encontrei e escolhi a Davi, meu servidor, e o ungi, para ser rei, com meu óleo consagrado. 22Estará sempre com ele minha mão onipotente, e meu braço poderoso há de ser a sua força.

 

25Minha verdade e meu amor estarão sempre com ele, sua força e seu poder por meu nome crescerão. 26Eu farei que ele estenda sua mão por sobre os mares, e a sua mão direita estenderei por sobre os rios.”

 

 

Evangelho: Marcos (Mc 3, 22-30)

Se um reino se divide contra si

mesmo, ele não poderá manter-se

 

Naquele tempo, 22Os mestres da lei, que tinham vindo de Jerusalém, diziam que ele estava possuído por Belzebul, e que pelo príncipe dos demônios ele expulsava os demônios. 23Então Jesus os chamou e falou-lhes em parábolas: "Como é que satanás pode expulsar a satanás? 24Se um reino se divide contra si mesmo, ele não poderá manter-se. 25Se uma família se divide contra si mesma, ela não poderá manter-se. 26Assim, se satanás se levanta contra si mesmo e se divide, não poderá sobreviver, mas será destruído.

 

27Ninguém pode entrar na casa de um homem forte para roubar seus bens, sem antes o amarrar. Só depois poderá saquear sua casa. 28Em verdade vos digo: tudo será perdoado aos homens, tanto os pecados, como qualquer blasfêmia que tiverem dito. 29Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca será perdoado, mas será culpado de um pecado eterno". 30Jesus falou isso, porque diziam: "Ele está possuído por um espírito mau".  Palavra da Salvação!

 

 

 

 

Comentário o Evangelho

Blasfêmia contra o Espírito Santo

 

A acusação que os escribas fizeram a Jesus é de extrema gravidade. Na avaliação deles, o Mestre estava possuído pelo demônio. E isto é considerado como uma blasfêmia contra o Espírito Santo, sem possibilidade de perdão. Por quê?

 

Toda a ação de Jesus desenrolava-se sob o impulso do Espírito Santo. O Mestre pregava e curava pelo poder do Espírito que recebera do Pai. A expulsão dos demônios resultava do mesmo poder. Jesus realizava gestos poderosos porque o Espírito de Deus habitava nele.

 

A blasfêmia consistiu em confundir o Espírito Santo com Belzebu. Declarar Jesus possesso significava dizer ser ele habitado pelo mau espírito, e assim, negar totalmente a obra que Deus realizava por meio de seu Filho.

 

A incapacidade de interpretar os fatos de maneira correta resultava não só da má vontade dos escribas em relação a Jesus, mas também em relação a Deus. Por desconhecer a pedagogia da ação divina, recusavam-se a reconhecer o dedo do Pai na ação de seu Filho. E se punham a fazer considerações inconvenientes a respeito dele.

 

Aos blasfemadores só restava um caminho para se tornarem objeto da misericórdia divina: reconhecer a presença de Deus na ação de Jesus, e confessar que, no Filho, a libertação divina acontecia na história da humanidade oprimida. (O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulina, 1998)

 

 

São Tomaz de Aquino[3]

 

Quando criança de cinco anos, Tomás, ouvindo os monges beneditinos cantar os louvores a Deus, cheio de admiração, perguntou: "Quem é Deus?" Toda sua vida foi uma incomparável e insaciável procura do mistério de Deus!

 

Tomás nasceu em 1225 de uma nobre família do condado de Aquino, perto de Roma. Teve a oportunidade de receber toda a formação possível na época. Estudou, primeiro, no vizinho mosteiro de Monte Cassino e depois na Universidade de Nápoles, onde travou conhecimento com a Ordem Dominicana à qual quis filiar-se.

 

O jovem Tomás, com 19 anos, a fim de realizar este desejo, teve que enfrentar oposição cerrada da família, especialmente da condessa sua mãe. Para subtrair-se a ela, viajou, às escondidas, para Roma, encerrando-se no mosteiro dominicano de Santa Sabina,  de  onde  pouco  depois  foi enviado a Paris.

 

Contudo, em sua viagem, foi detido por um pelotão de soldados, guiados por dois de seus irmãos, que serviam às tropas imperiais sediadas na Itália. Enviado ao lar paterno, no castelo de Roccaseca, Tomás ficou detido por ordem de sua mãe. Com isso esperava dissuadi-lo do serviço à Igreja. Os ambiciosos familiares o queriam destinar a um cargo político ou administrativo ou, pelo menos, a um rendoso ofício prelatício, ao passo que Tomás estava escolhendo uma ordem desconhecida, com o designativo de mendicante.

 

Toda a oposição resultou em vão. Apenas libertado, seguiu sua vocação. Esteve em Colônia para os estudos filosóficos e teológicos sob a direção do célebre mestre Alberto Magno. Passou depois para Paris, o maior centro de estudos superiores na Europa. Daí por diante sua vida foi inteiramente tomada pelo ensino e pela elaboração de suas obras filosóficas e teológicas.

 

"A curta vida de Santo Tomás (1225-1274) não foi de modo algum tranqüila, como poderia fazer-nos pensar a magnitude de sua obra. Viajou continuamente e desempenhou várias funções: professor universitário, consultor da Ordem, pregador oficial. Em meio de tantas viagens e ocupações, lia, meditava e redigia suas obras. Sua Suma Teológica é uma das obras fundamentais do pensamento humano. Obra que marcou o rumo da orientação filosófico-teológica da Igreja durante meio milênio. Santo Tomás aparece assim como um dos grandes elaboradores do pensamento cristão. O esforço realizado pelos Santos Padres na incorporação da cultura clássica à mensagem cristã foi completado por Santo Tomás no campo filosófico, enxertando a filosofia de Aristóteles em seu sistema teológico".

 

A convite do papa, Tomás preparou liturgia, ofício e missa da solenidade do Corpo de Deus; resultou uma maravilhosa síntese de teologia eucarística e, ao mesmo tempo, um monumento de fé e de amor à presença de Cristo na Eucaristia.

 

Em 1274, Tomás foi convidado a participar do Segundo Concílio Ecumênico de Lião, mas a morte o surpreendeu em viagem, no dia 7 de março. Foi canonizado pelo Papa João XXII que, aos que objetavam que faltasse milagre no processo, respondeu: "Quantas as proposições teológicas que ele escreveu, tantos são os milagres que fez". Sua memória venera-se no dia 28 de janeiro, dia em que seu corpo foi trasladado para Tolosa, em 1369.

 

Exemplo de pureza de vida, de desapego das grandezas mundanas, de firmeza na vocação religiosa, de amor entranhado à oração e à contemplação, de fidelidade à Igreja, Santo Tomás, declarado Doutor Angélico, agigantou-se no firmamento do pensamento católico como as torres das catedrais góticas, a desafiar os tempos e a apontar para o mistério de Deus.

 

 



[1] MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997

[2] O “titulo” do Salmo Responsorial é, de fato, o versículo da Resposta, conforme a indicação precedida do sinal de “+” (mais) ou “R/”, dentro de parêntesis, conforme as anotações adotas pela CNBB e por toda a Igreja.

[3] Extraído de O SANTO DO DIA de Dom Servilio Conti, páginas 53 e 54, Ó Editora Vozes, 1997