Sexta-feira, 1º de fevereiro de 2008
III Semana do Tempo Comum, Ano Par, 3ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde
Cantai ao Senhor um canto novo, cantai ao Senhor, ó terra inteira; esplendor, majestade e beleza brilham no seu templo santo. (Sl 95, 1.6)
Santos: Artêmio de Clermont (bispo), Urbano, Prilidiano e Epolônio (mártires de Antioquia), Bertrando de Saint Quentin (abade), Exuperâncio de Cingoli (bispo), Feliciano de Foligno (bispo) e Messalina (virgem), (mártires), Macedônio Critófago (eremita de Antioquia), Mardônio, Musônio, Eugênio e Metélio (mártires de Neocesaréia de Mauritânia), Surano de Sora (abade), Zâmio de Bolonha (bispo), Felix O'Dullany (bispo, bem-aventurado), João Grove (mártir, bem-aventurado), Marcolino de Forli (dominicano, bem-aventurado), São Vicente Pallotti, William da Irlanda (jesuíta, mártir, bem-aventurado)
Oração: Deus eterno e todo-poderoso, dirigi a nossa vida segundo o vosso amor, para que possamos, em nome do vosso Filho, frutificar em boas obras. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura: II Samuel (2Sm 11, 1-10.13-17)
Davi comete adultério com a mulher de Urias
1No ano seguinte, na época em que os reis costumavam partir para a guerra, Davi enviou Joab com os seus oficiais e todo o Israel, e eles devastaram o país dos amonitas e sitiaram Rabá. Mas Davi ficou em Jerusalém. 2Ora, um dia, ao entardecer, levantando-se Davi de sua cama, pôs-se a passear pelo terraço de sua casa e avistou dali uma mulher que se banhava. Era uma mulher muito bonita. 3Davi procurou saber quem era essa mulher e disseram-lhe que era Betsabéia, filha de Eliam, mulher do hitita Urias. 4aEntão Davi enviou mensageiros para que a trouxessem. Ela veio e ele deitou-se com ela.
5Em seguida, Betsabéia voltou para casa. Como ela concebesse, mandou dizer a Davi: "Estou grávida". 6Davi mandou esta ordem a Joab: "Manda-me Urias, o hitita". E ele mandou Urias a Davi. 7Quando Urias chegou, Davi pediu-lhe notícias de Joab, do exército e da guerra. 8E depois disse-lhe: "Desce à tua casa e lava os pés". Urias saiu do palácio do rei e, em seguida, este enviou-lhe um presente real. 9Mas Urias dormiu à porta do palácio com os outros servos do seu amo, e não foi para casa. 10aE contaram a Davi, dizendo-lhe: "Urias não foi para sua casa".
13Davi convidou-o para comer e beber à sua mesa e o embriagou. Mas, ao entardecer, ele retirou-se e foi-se deitar no seu leito, em companhia dos servos do seu senhor, e não desceu para a sua casa. 14Na manhã seguinte, Davi escreveu uma carta a Joab e mandou-a pelas mãos de Urias. 15Dizia nela: "Colocai Urias na frente, onde o combate for mais violento, e abandonai-o para que seja ferido e morra". 16Joab, que sitiava a cidade, colocou Urias no lugar onde ele sabia estarem os guerreiros mais valentes. 17Os que defendiam a cidade, saíram para atacar Joab, e morreram alguns do exército, da guarda de Davi. E morreu também Urias, o hitita. Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura[1]
To me desprezaste e tomaste como esposa a mulher de Urias
No caminho de Davi há centenas de mortos, mas estes parecem vítimas da guerra e da política: a desconfiança dos adversários surge como um triunfo de Deus. Ao contrário, no adultério e no homicídio que se seguiram, há a injustiça gratuita, o crime contra a vida: o rei faz-se árbitro de vida e de morte, como se fosse Deus. Não se trata apenas de uma culpa sexual, de que precisa libertar-se com a purificação ritual; trata-se de pecado contra o homem, e portanto contra Deus. Tanto mais grave porque é o poderoso que oprime a pessoa do pobre.
Como pôde acontecer uma coisa dessas com o eleito de Deus? Cada um de nós pode respondei; reexaminando sua própria experiência - também se, graças a Deus, não chegou a cometer culpa grave. Um período de crise, a idade, o cansaço decorrente da rotina cotidiana, ideais apagados, talvez a incompreensão dos vizinhos e dos amigos, pequenas condescendências concedidas ao egoísmo, à sensualidade. O pecado está às portas, tanto mais perigoso quanto mais sorrateiro e tomado em doses pequenas. Devemos vigiar e orar!
Salmo: 50(51), 3-4.5-6a.6bc-7.10.11
Misericórdia, ó Senhor, porque pecamos! (+ cf. 3a)
Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! Na imensidão de vosso amor, purificai-me! Lavai-me todo inteiro do pecado, e apagai completamente a minha culpa!
Eu reconheço toda a minha iniqüidade, o meu pecado está sempre à minha frente. Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei, e pratiquei o que é mau aos vossos olhos!
Mostrais assim quanto sois justo na sentença, e quanto é reto o julgamento que fazeis. Vede, Senhor, que eu nasci na iniqüidade e pecador já minha mãe me concebeu.
Fazei-me ouvir cantos de festa e de alegria, e exultarão estes meus ossos que esmagastes. Desviai o vosso olhar dos meus pecados e apagai todas as minhas transgressões!
Evangelho: Marcos (Mc 4, 26-34)
Naquele tempo, 26Jesus disse à multidão: "O reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. 27Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece. 28A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. 29Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou".
30E Jesus continuou: "Com que mais poderemos comparar o reino de Deus? Que parábola usaremos para representá-lo? 31O reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra. 32Quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra". 33Jesus anunciava a palavra usando muitas parábolas como estas, conforme eles podiam compreender. 34E só lhes falava por meio de parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos, explicava tudo. Palavra da Salvação!
Comentário o Evangelho
Ensinando em Parábolas
Jesus foi um Mestre paciente que soube adaptar seus ensinamentos à capacidade de compreensão de seus ouvintes. Este esforço pedagógico e didático resultou na escolha das parábolas como meio de transmitir suas instruções.
As parábolas não eram somente as comparações. Também os provérbios, ensinamentos, enigmas e outros recursos literários eram classificados como parábolas. Por isso, afirma-se que, sem parábolas, Jesus não lhes falava".
Elas continham sempre um elemento para intrigar os ouvintes e levá-los a refletir sobre a mensagem veiculada. Só quem estava muito sintonizado com Jesus era capaz de passar da parábola à sua mensagem, e compreender o ensinamento do Mestre. Por isso, muita gente não sintonizada com Jesus ouvia suas palavras, sem entender nada.
Até mesmo os discípulos, muitas vezes, não eram capazes de atinar para o que Jesus lhes ensinava com as para-bolas. Era preciso que, em particular, o Mestre lhes explicas-se tudo, iluminando-lhes as mentes para compreenderem como o Reino acontece na história humana.
O discípulo esforça-se para entender as parábolas de Jesus, ou seja, para estar em sintonia total com o Mestre. Esta é a única maneira de captar seus ensinamentos. (O EVANGELHO DO DIA, Ano “A”. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1997)
Para sua reflexão pessoal[2]
“Os caminhos de Deus não são os nossos caminhos! Precisamos ser pacientes e deixar que Deus seja Deus!” (São Marcos). A parábola do agricultor adormecido nos dá uma idéia de como Deus faz a parte dele, a que atribuímos ser uma particular tarefa da nossa mãe natureza. A parábola do grão de mostarda nos dá a certeza de todos os esforços em prol da evangelização resulta no crescimento inevitável do Reino de Deus. Ora, a comunidade cristã primitiva inicialmente era pequena em seguidores mas hoje o rebanho é grande! Essa pequena semente pode ser qualquer um de nós, cristãos, quando tomamos alguma iniciativa em levar a outros irmãos (aos amigo(as), aos vizinhos, aos(às) colegas de trabalho) para os caminhos da salvação, através da Palavra e do exemplo de vida. Esforçar-se para a compreensão das parábolas é ter a certeza de sermos discípulos esclarecidos e, conseqüentemente, transformados. Como mudar o outro se não mudarmos a nós mesmos?
Santa Veridiana[3]
Santa Veridiana de Castelfiorentino (Castelo de Florença) nasceu em 1182. É, portanto, contemporânea de São Francisco de Assis que, segundo a tradição, a visitou em 1221 admitindo-a na Ordem Terceira. Era descendente da nobre família Attavanti, então em decadência, mas que gozava ainda de um grande prestígio. Um parente muito rico quis que Veridiana fosse administradora de seus bens. Ela, porém, só podia exercer esse cargo se lhe proporcionassem maior possibilidade de praticar a caridade. Por vezes, a Providência Divina ajudou-a com milagres. Conta-se que certo dia seu tio, após haver acumulado grande quantidade de víveres, os vendeu por alto preço. Quando o comprador chegou o celeiro estava sem nada. Veridiana tudo havia dado aos pobres. No dia seguinte, miraculosamente, o celeiro foi encontrado de novo repleto. Veridiana em peregrinação ao túmulo de São Tiago de Compostela. Compostela e Roma eram as grandes metas dos peregrinos após a perda da Terra Santa. De volta a Castelfiorentino sentiu maior desejo de solidão e penitência. Seus conterrâneos para a manterem próxima deles, edificaram-lhe uma cela, perto de oratório de Santo António, onde a santa ficou a habitar durante 34 anos. Por uma janelinha assistia à missa, falava com as visitas e recebia o escasso alimento de modo a não morrer de fome. Conta-se que sua santa morte, a 01 de Fevereiro de 1242, foi anunciada pelo repicar improviso e simultâneo dos sinos de Castelfiorentino sem que ninguém os tivesse tocado. O culto de Santa Veridiana representada com os hábitos da congregação Vallombrosana, foi aprovado por Clemente VII no ano de 1533 e ainda é muito popular na Toscana.