Sexta-feira, 6 de junho de 2008

9ª Semana do Tempo Comum, 1ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Verde

 

Olhai para mim, Senhor, e tende piedade, pois vovo sozinho e infeliz. Vede minha miséria

e minha dor e perdoai todos os meus pecados! (Sl 24, 16.18)

 

Santos: Justino (165, mártir palestino), Cândida, Herculano de Piegaro, Afonso Navarrete, Fernando Ayala, João Story, Tespésio (Séc. III, Capadócia), Isquirião (Séc. III, Egito), Próculo (Séc. III, Itália), Inácio (Espanha), Panfílio (309, mártir, Cesaréia da Palestina), Valêncio, Branca, Próculo (542, bispo) e Próculo (304, soldado), Caprásio (430), Vistrano (849), Simeão (1035, Siracusa/Sicília), Êneco (1057, abade), Teobaldo de Alba (1150), João Pelingotto (1304), Herculano  de Piegaro (1451), João Storey (15,71, beato, mártir), Félix de Nicósia (1787, beato)

 

Oração: Ó Deus, cuja providência jamais falha, nós vos suplicamos humildemente: afastai de nós o que é nocivo e concedei-nos tudo o que for útil. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

Leitura: 2ª Carta de S. Paulo a Timóteo (2Tm 3, 10-17)
Aprender de Paulo e da escritura

 

10Tu, porém, seguiste de perto meus ensinamentos, minha conduta, meu ideal, minha fé, minha longanimidade, minha caridade, minha perseverança, 11as minhas perseguições e aflições, que tive de suportar em Antioquia, em Icônio, em Listra onde tantas perseguições sofri, das quais o Senhor me livrou. 12Assim sofrerão perseguições todos os que aspiram a viver piedosos em Cristo Jesus. 13Os homens maus e sedutores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados. 14Tu, porém, permanece fiel ao que aprendeste e que é tua convicção, considerando de quem o aprendeste. 15Desde a infância conheces as Sagradas Escrituras e sabes que podem instruir-te para a salvação pela fé em Cristo Jesus. 16Pois toda Escritura é divinamente inspirada e útil para ensinar, para repreender, para corrigir, para educar na justiça, 17a fim de que o homem de Deus seja perfeito e capacitado para toda boa obra. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura[1]

Todos os que quiserem levar uma vida

fervorosa em Cristo Jesus serão perseguidos 

 

Paulo teve que suportar muita coisa em que Timóteo foi seu co-participante; pôde este ver como Deus o “libertou” de tudo. Singular libertação , que não suprime o sofrimento, mas torna-o frutuoso para a salvação. O mesmo acontece com todos os verdadeiros cristãos, sabedores de que, enquanto caminham rumo à salvação, a ruína espera aqueles que obstinadamente e até o fim combatem neles o Cristo. A força dos cristãos na luta pela fé é a “palavra de Deus”, autenticamente conservada na Sagradas Escrituras. Estas se resumem numa só grande e viva palavra: “Jesus Cristo, Filho e Verbo de Deus feito homem”. Nele não só sabemos quando Deus nos estima e ama, mas ainda como devemos viver para também nós sermos filhos de Deus

 

Salmo: 118 (119), 157.160.161.165.166.168 (R/.165a)
Os que amam vossa lei, têm grande paz!

 

Tantos são os que me afligem e me perseguem, mas eu nunca deixarei vossa aliança!

Vossa palavra é fundada na verdade, os vossos justos julgamentos são eternos.

Os poderosos me perseguem sem motivo; meu coração, porém, só teme a vossa lei.

Os que amam vossa lei têm grande paz, e não há nada que os faça tropeçar.

Ó Senhor, de vós espero a salvação, pois eu cumpro sem cessar vossos preceitos.

Serei fiel à vossa lei, vossa aliança; os meus caminhos estão todos ante vós.

 

 

Evangelho: Marcos (Mc 12, 35-37)
 Como é que os mestres da lei dizem que o Messias é filho de Davi?

 

Naquele tempo, 35Jesus ensinava no Templo, dizendo: “Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? 36O próprio Davi, movido pelo Espírito Santo, falou: “Disse o Senhor ao meu Senhor: senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos debaixo dos teus pés”.

 

37Portanto, o próprio Davi chama o Messias de Senhor. Como é que ele pode então ser seu filho?” E uma grande multidão o escutava com prazer. Palavra da Salvação!

 

 

Comentando o Evangelho[2]

Questionando uma crença

 

A crença de que o Messias descenderia de Davi vinha de longa data. No início da monarquia, Deus prometera suscitar para Davi um descendente que o sucedesse no trono, de maneira a consolidar a realeza. A relação entre Deus e o monarca seria como a de pai e filho: "Eu serei para ele um pai, e ele será meu filho". O Senhor comprometia-se a garantir a estabilidade do trono real de Israel, a fim de que subsistisse para sempre.


O fim da monarquia deu lugar à crença de que, no final dos tempos, Deus haveria de suscitar um descendente de Davi, para restaurar Israel. Esta esperança messiânica era muito viva no tempo de Jesus. Aliás, ele mesmo foi identificado como filho de Davi.


Contudo, Jesus olhava com reservas para esta antiga tradição, e a questionou servindo-se da citação de um salmo. Considerado do rei Davi, este salmo refere-se a alguém superior a seu autor: "Disse o Senhor ao meu Senhor". O Messias não seria um descendente de Davi, mas seu Senhor. Por conseguinte, deveria ser procurado fora da descendência davídica. Fixar-se na continuidade dinástica, ao longo dos tempos, poderia levar a identificações enganosas.


Relativizado o critério davídico, Jesus sugere aos ouvintes perguntar-se por uma outra identidade do Messias. Não seria ele o Filho de Deus?

 

 

São Norberto[3]

 

 

Norberto nasceu, por volta de 1080, em Xauten, na Alemanha. Filho mais novo de uma família da nobreza, podia escolher entre a carreira militar e a religiosa. Norberto escolheu a segunda, mas buscou apenas prazeres e luxos, como faziam muitos nobres da Europa. Circulava em altas rodas, vestindo riquíssimas roupas da moda, dedicando-se a caçadas e à vida da corte, até que um dia foi atingido por um raio, quando cavalgava no bosque.

 

Seu cavalo morreu e, quando o jovem nobre despertou do desmaio, ouviu uma voz que lhe dizia para abandonar a vida mundana e praticar a virtude para salvar sua alma. Entendeu o acontecido como um presságio para uma conversa com Deus. A partir daquele instante, abandonou a família, amigos, posses e a vida dos prazeres. Passou a percorrer, na solidão, com os pés descalços e roupa de penitente, os caminhos da Alemanha, Bélgica e França. Para aprimorar o dom da pregação, completou os estudos teológicos no mosteiro de Siegburgo e recebeu a ordenação sacerdotal.

 

Talvez envergonhado pelo passado, empreendeu a luta por reformas na Igreja, visando acabar com os privilégios dos nobres no interior do cristianismo. Foi muito contestado, principalmente pelo próprio clero, mas conseguiu o apoio do papa e seu trabalho prosperou. Quando as reformas estavam já implantadas e em andamento, retirou-se para a solidão e fundou a Ordem dos Cônegos Regulares Premonstratenses, também conhecida como "dos Monges Brancos", uma referência ao hábito, que é dessa cor.

 

A principal regra da nova Ordem era fazer com que os sacerdotes vivessem sua vida apostólica com a disciplina e a dedicação dos monges, uma concepção de vida religiosa revolucionária para a época. Mas não encerrou aí seu apostolado, pois desejava continuar como pregador fora do mosteiro. Reiniciou sua obra de evangelização itinerante como um simples sacerdote mendicante.

Em 1126, foi nomeado arcebispo de Magdeburgo, lutando contra o cisma que ameaçava dividir a Igreja naquele tempo. Respeitado pelo rei Lotário III, da Alemanha, foi por ele escolhido para seu conselheiro espiritual e chanceler junto ao papa. Norberto morreu no dia 6 de junho de 1134, na sua sede episcopal, onde foi sepultado.

 

Ele foi canonizado, em 1582, pelo papa Gregório XIII. Devido à Reforma Protestante, suas relíquias foram trasladadas para a abadia de Strahov, na cidade de Praga, capital da República Tcheca, em 1627, onde estão guardadas até hoje.

 

Ao lado de são Bernardo, são Norberto é considerado um dos maiores reformadores eclesiásticos do século XII. Atualmente, existem milhares de monges da Ordem de São Norberto, em vários mosteiros encontrados em muitos países de todos os continentes, inclusive no Brasil.

 

 

 

 

 

 

Ninguém deve aceitar para si um destino pequeno, um caminho sem grandeza. (Frei Neylor J. Tonin)

 



[1] Missal Cotidiano, © Paulus

[2] Evangelho nosso de cada dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997

[3] www.paulinas.org.br