Sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Depois das Cinzas, Tempo da Quaresma, 4ª Semana do Saltério (Livro III), cor Roxa

 

O Senhor me ouviu e teve compaixão. O Senhor se tornou o meu amparo. (Sl 29,11)

 

 

Santos do Dia: Dionísio, Emiliano e Sebastião (monges mártires da Armênia), Elgiva (abadessa, virgem), Estêvão Cuénot (bispo, mártir), Estêvão de Grandmont (abade), Honorato de Milão (bispo), Jacoba de Settesoli (franciscana terciária), Jerônimo Emiliani (presbítero) ,João Carlos Cornay (mártir de Tonkin), João da Mata (presbítero, fundador da Ordem dos Trinitários), Josefina Bakhita (virgem), Juvêncio de Pavia (bispo), Niceto de Besançon (bispo), Paulo, Lúcio e Ciríaco (mártires de Roma), Paulo de Verdun (monge, bispo), Pedro Igneus (bispo, cardeal), Quinta da Alexandria (virgem, mártir), Isaías de Cracóvia (agostiniano, bem-aventurado)

 

Oração do Dia: Ó Deus, assisti com vossa bondade a penitência que iniciamos, para que vivamos interiormente as práticas externas da Quaresma. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Isaias (Is 58, 1-9a)

O jejum que prefiro é romper todo tipo de sujeição

 

Assim fala o Senhor Deus: 1"Grita forte, sem cessar, levanta a voz como trombeta e denuncia os crimes do meu povo e os pecados da casa de Jacó. 2Buscam-me cada dia e desejam conhecer meus propósitos, como gente que pratica a justiça e não abandonou a lei de Deus. Exigem de mim julgamentos justos e querem estar na proximidade de Deus: 3'Por que não te regozijaste, quando jejuávamos, e o ignoraste, quando nos humilhávamos?'

 

É porque no dia do vosso jejum tratais de negócios e oprimis os vossos empregados. 4É porque ao mesmo tempo que jejuais, fazeis litígios e brigas e agressões impiedosas. Não façais jejum com esse espírito, se quereis que vosso pedido seja ouvido no céu. 5Acaso é esse jejum que aprecio, o dia em que uma pessoa se mortifica? Trata-se 'talvez de curvar a cabeça como junco, e de deitar-se em saco e sobre cinza? Acaso chamas a isso jejum, dia grato ao Senhor?

 

6Acaso o jejum que prefiro não é outro: - quebrar as cadeias injustas, desligar as amarras do jugo, tornar livres os que estão detidos, enfim, romper todo tipo de sujeição? 7Não é repartir o pão com o faminto, acolher em casa os pobres e peregrinos? Quando encontrares um nu, cobre-o, e não desprezes a tua carne. 8Então, brilhará tua luz como a aurora e tua saúde há de recuperar-se mais depressa; à frente caminhará tua justiça e a glória do Senhor te seguirá. 9aEntão invocarás o Senhor e ele te atenderá, pedirás socorro, e ele dirá: 'Eis-me aqui"'. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura[1]

Acaso é este o jejum que aprecio?

 

Jejum, penitência e oração são totalmente destituídos de valor e de sentido se não forem vivificados pela caridade e acompanhados das obras de justiça. Assim, o jejum verdadeiramente agradável a Deus consiste em libertar-se do egoísmo e prestar alívio e ajuda ao próximo. A Igreja, abolindo quase inteiramente o preceito do jejum exterior; entendeu empenhar-se com maior força em favor dos pobres e humildes. Durante a Quaresma, o premente convite à prática da caridade está em estreita relação com o convite ao jejum. A Quaresma ajuda-nos a descobrir as necessidades do próximo e lembra-nos que podemos encontrar a maneira de ir-lhe ao encontro, renunciando a algo de pessoal. O jejum cumprido por amor de Deus e dos homens é sinal do desejo de conversão; neste sentido, conserva ainda hoje o seu valor.

 

 

 

Salmo: 50(51), 3-4.5-6a.18-19 (R/.19b)

Ó Senhor, não desprezeis um coração arrependido!

 

3Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! Na imensidão de vosso amor, purificai-me! 4Lavai-me todo inteiro do pecado, e apagai completamente a minha culpa!

 

5Eu reconheço toda a minha iniqüidade, o meu pecado está sempre à minha frente. 6aFoi contra vós, só contra vós, que eu pequei, e pratiquei o que é mau aos vossos olhos!

 

18Pois não são de vosso agrado os sacrifícios, e, se oferto um holocausto, o rejeitais. 19Meu sacrifício é minha alma penitente, não desprezeis um coração arrependido!

 

 

Evangelho do dia: Mateus (Mt 9, 14-15)

Dias virão em que o esposo lhes será tirado, e então jejuarão

 

Naquele tempo, 14os discípulos de João aproximaram-se de Jesus e perguntaram: "Por que razão nós e os fariseus praticamos jejuns, mas os teus discípulos não?" 15Disse-lhes Jesus: "Por acaso os amigos do noivo podem estar de luto enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, sim, eles jejuarão". Palavra da Salvação!

 

 

 

Comentando o Evangelho

O esposo está para partir

 

 

Os discípulos de João, atrelados aos dos fariseus, ficavam incomodados com o comportamento dos discípulos de Jesus no tocante à prática do jejum. Ao supervalorizar este ato de piedade, imaginavam estar dando mostras de santidade e de seriedade de vida. Não acontecendo o mesmo com o grupo de Jesus, concluíam faltar-lhes profundidade. Quiçá os considerassem levianos e desregrados.

 

Estas considerações não chegaram a influenciar a pedagogia de Jesus, no trato com os discípulos. Servindo-se da metáfora da festa de casamento, estabeleceu uma clara distinção entre o tempo de alegrar-se e o tempo de jejuar. O primeiro corresponderia ao tempo de sua presença, qual um noivo, junto dos que escolhera para estar consigo. Seria o tempo de festejar, comemorar, desfrutar de uma presença tão querida. O segundo diz respeito ao tempo de sua ausência, a ser consumada por meio da morte de cruz. Figurativamente, seria o tempo da ausência do noivo, no qual todos se preparam para sua chegada, e se privam de alimentos, em vista do banquete que será oferecido.

 

Portanto, os discípulos não jejuavam simplesmente pelo fato de terem ainda Jesus junto de si. O tempo em que o esposo lhes seria tirado estava se aproximando. Aí, sim, o jejum seria uma exigência, em vista de preparar-se para acolher a segunda vinda do Senhor. (O EVANGELHO DO DIA, Ano “A”. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1996)

 

São Jerônimo Emiliano[2]

Jerônimo Emiliano nasceu em Veneza, em 1481. Aos 15 anos, tornou-se soldado e, aos 25, senador. Amante dos prazeres, das festas, Jerônimo Emiliano tinha 28 anos quando caiu prisioneiro de guerra de Luis XII. Na prisão começou a meditar sobre o sentido da vida. Depositando-as cadeias sob o altar de Nossa Senhora, Jerônimo mudou radicalmente de vida. Vendeu o que possuía e entregou tudo aos pobres e necessitados. Dedicou-se de corpo e alma aos órfãos, às viúvas e aos jovens entregues `a prostituição. Fundou hospitais, orfanatos, asilos, escolas profissionalizantes para meninos. Vivia em companhia dos pobres, dos mendigos, dos injustiçados, de quem se tornou pai  e defensor. Suas atividades apostólicas estenderam-se por varias cidades da Itália, como Verona, Brescia, Como e Bergamo. Em Samasca, Bergamo, surge a Sociedade dos Clérigos Regulares, os Padres Samascos, por ele fundada, cujo apostolado era o ensino gratuito de órfãos e jovens carentes.  São Jerônimo Emiliano morreu em Samasca, enquanto assistia os doentes, no dia 8 de fevereiro de 1537. Foi canonizado em 1767. É o protetor dos órfãos e dos jovens abandonados.

 



[1] MISSAL DOMINICAL ©Paulus, 1997

[2] www.asj.org.br