Sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
I Semana do Tempo da Quaresma, I Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Roxa
Livrai-me, Senhor, das minhas aflições, vede minha dor; perdoai todos os meus pecados. (Sl 24, 17-18)
Santos: Ágape de Terni (virgem, mártir), Cláudio de la Colombière (jesuíta), Craton e Companheiros (mártires de Roma), Decoroso de Capua (bispo), Eusébio de Aschia (eremita), Euseus de Serravalle (eremita), Faustino e Jovita (mártires), Fausto de Glanfeuil (monge), Geórgia de Clermont (virgem), José de Antioquia (diácono, mártir), Quinídio de Vaison (bispo), Saturnino, Cástulo, Magno e Lúcio (mártires), Sigfrido de Wexlow (monge, bispo), Tanco de Werden (monge, bispo, mártir), Walfrido della Gheradesca (abade), Winaman, Unaman e Sunaman (monges de Wexlow, mártires), André de Conti (franciscano, bem-aventurado), Ângelo de Borgo San Sepolcro (agostiniano, bem-aventurado), Conrado da Bavária (monge, bem-aventurado) , Júlia de Certaldo (virgem, bem-aventurada)
Oração do Dia: Concedei, ó Deus, que vossos filhos e filhas se preparem dignamente para a festa da Páscoa, de modo que a mortificação desta Quaresma frutifique em todos nós. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
I Leitura: Ezequiel (Ez 18, 21-28)
Arrependendo-se de todos os pecados, viverá
Assim fala o Senhor: 21"Se o ímpio se arrepender de todos os pecados cometidos, e guardar todas as minhas leis, e praticar o direito e a justiça, viverá com certeza e não morrerá. 22Nenhum dos pecados que cometeu será lembrado contra ele. Viverá por causa da justiça que praticou. 23Será que eu tenho prazer na morte do ímpio? - oráculo do Senhor Deus. Não desejo, antes, que mude de conduta e viva?
24Mas, se o justo se desviar de sua justiça e praticar o mal, imitando todas as práticas detestáveis feitas pelo ímpio, poderá fazer isso e viver? Da justiça que ele praticou, nada mais será lembrado. Por causa da infidelidade e do pecado que cometeu, por causa disso morrerá.
25Mas vós andais dizendo: 'A conduta do Senhor não é correta'. Ouvi, vós da casa de Israel: É a minha conduta que não é correta, ou antes é a vossa conduta que não é correta? 26Quando um justo se desvia da justiça, pratica o mal e morre, é por causa do mal praticado que ele morre. 27Quando um ímpio se arrepende da maldade que praticou e observa o direito e a justiça, conserva a própria vida. 28Arrependendo-se de todos os seus pecados, com certeza viverá; não morrerá.” Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura[1]
Será que eu tenho prazer na morte do ímpio?
Ezequiel levanta um problema candente: o problema da responsabilidade em lace do pecado e do sofrimento que dele resulta. Existe certamente um pecado coletivo: a Bíblia fala especialmente do pecado do povo. Jesus é "o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (Jo 1,29). O mal da humanidade é considerado como uma só e enorme pecaminosidade. Mas o profeta acautela contra o perigo que se pode esconder nesta visão: o risco de lançar sobre a coletividade ou sobre Deus toda a responsabilidade, ficando surdo a todo apelo à conversão individual; o risco de esquecer que a luta profunda entre o bem e o mal se trava no coração do homem. Afirmam os bispos latino-americanos que, no contexto de injustiça institucionalizada que gera uma "situação de pecado social", "não teremos um continente novo sem novas estruturas, mas sobretudo não existirá ali um continente novo sem homens novos que, à luz do Evangelho, saibam ser verdadeiramente livres e responsáveis".
Salmo: 129(130),
1-2.3-4ab.4c-6.7-8 (R/.3)
Se levardes em conta nossas faltas, que haverá de subsistir?
1Das profundezas eu clamo a vós, Senhor, 2escutai a minha voz! Vossos ouvidos estejam bem atentos ao clamor da minha prece!
3Se levardes em conta nossas faltas, quem haverá de subsistir? 4Mas em vós se encontra' o perdão, eu vos temo e em vós espero.
5No Senhor ponho a minha esperança, espero em sua palavra. 6A minh´alma espera no Senhor mais que o vigia pela aurora.
7Espere Israel pelo Senhor, mais que o vigia pela aurora! Pois no Senhor se encontra toda graça e copiosa redenção. 8Ele vem libertar a Israel de toda a sua culpa.
Evangelho: Mateus (Mt 5, 20-26)
Vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 20"Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos céus.
21Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: 'Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal'. 22Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo; quem disser ao seu irmão: 'patife!' será condenado pelo tribunal; quem chamar o irmão de 'tolo' será condenado ao fogo do inferno.
23Portanto, quando tu estiveres levando a tua oferta para o altar, e ali te lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, 24deixa a tua oferta ali diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão. Só então vai apresentar a tua oferta. 25Procura reconciliar-te com teu adversário, enquanto caminha contigo para o tribunal. Senão o adversário te entregará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e tu serás jogado na prisão. 26Em verdade eu te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo". Palavra da Salvação!
Comentário do Evangelho[2]
A exigência da comunhão fraterna
O ensinamento de Jesus foi sempre incisivo na questão da comunhão fraterna. Este tema aparece já nas primeiras páginas da Bíblia que relatam o terrível episódio do assassinato de Abel pelas mãos de seu irmão Caim, nos primórdios da humanidade. Este fratricídio brutal e injustificado abriu a porta para todos os demais homicídios que mancharam de sangue a história da humanidade. Quando o Decálogo declarou, de maneira inequívoca, “Não matarás”, estava visando a preservação da humanidade. Sem respeito à vida, a sobrevivência dos seres humanos estaria comprometida.
Os
discípulos de Jesus foram confrontados com uma exigência superior à da Lei
mosaica. Era preciso dar um passo adiante e assumir a comunhão fraterna como
imperativo. Dela decorria a capacidade de ser compreensivo com o outro,
evitando irritar-se com ele ou jogar-lhe em rosto palavras ofensivas. O
relacionamento com Deus deveria ser vivido juntamente com o relacionamento com
o próximo. A oferenda a Deus seria inútil, se o coração do oferente fosse contaminado
pela inimizade, e o seu relacionamento com alguém estivesse rompido. A
reconciliação tem prioridade em relação ao culto.
O
discípulo sensato apressa-se a cumprir a ordem do Mestre, mesmo reconhecendo
que deverá superar inúmeras barreiras, para chegar à reconciliação e acontecer
a comunhão. (O EVANGELHO DO DIA, Ano “A”. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1996)
São Cláudio de La Cambière[3]
"Nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus" Mt 4,4. São Cláudio La Colombière, nasceu na França em 1641, numa família muito religiosa. Após completar os estudos humanísticos o jovem Cláudio decidiu entrar no seminário, e pôde ouvir de sua mãe a profecia: "Meu filho, tu hás de ser um santo religioso". Entrou no noviciado da Companhia de Jesus e em meio a muitas lutas ele conseguiu ser fiel a sua vida religiosa, por isso escreveu no seu diário: "Os planos de Deus nunca se realizam senão à custa de grandes sacrifícios". Lecionou até chegar a ser superior do colégio jesuíta. Passou dezoito meses em Paray-le-Monial, na França, tornando-se o guia espiritual e orientador teológico de Santa Margarida Maria Alacoque, bem conhecida de todos nós, por ter sido a grande incentivadora da devoção ao Coração de Jesus. São Cláudio La Colombière tornou-se ainda pregador, em Londres, nos tempos difíceis da Reforma Anglicana. Acabou sendo expulso, vindo a morrer depois, vítima de tuberculose, em 1682. A contemplação precisa da ação para alimentar-se, assim como a ação se alimenta da contemplação. Morreu com quarenta e um anos depois de caluniado por protestantes poderosos que o santo preso e quase condenado a morte, se não fosse a providente intervenção do rei francês Luís XIV. São Cláudio fora expulso da Inglaterra e faleceu em Paray le Monial, conforme Santa Margarida havia profetizado a seu respeito, pois deste local é que iniciou-se a grande devoção ao Sagrado Coração de Jesus, no qual São Cláudio encontrou repouso eterno.