Sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Cátedra de São Pedro, Ofício de Festa, II Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Branca

 

O Senhor disse a Simão Pedro: Roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça. E tu, por tua vez, confirma os teus irmãos. (Lc 22, 32)_

 

Santos: Abílio de Alexandria (bispo), Aristeu de Salamis (mártir), Atanásio de Nicomédia (abade), Margarida de Cortona (franciscana terciária), Maximiano de Ravena (bispo), Papias de Hierápolis (bispo), Pascásio de Viena (bispo), Rainério de Beaulieu (monge), Talássio e Lineu (eremitas), Ângelo Portasole (bispo, bem-aventurado).).

 

Oração: Concedei, ó Deus todo-poderoso, que nada nos possa abalar, pois edificastes a vossa Igreja sobre aquela pedra que foi a profissão de fé do apóstolo Pedro. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura:I Carta de Pedro (1Pd 5, 1-4)

Presbítero como eles, testemunha dos sofrimentos de cristo

 

Caríssimos, 1exorto aos presbíteros que estão entre vós, eu presbítero como eles, testemunha dos sofrimentos de Cristo e participante da glória que será revelada: 2Sede pastores do rebanho de Deus, confiado a vós; cuidai dele, não por coação, mas de coração generoso; não por torpe ganância, mas livremente; 3não como dominadores daqueles que vos foram confiados, mas antes, como modelos do rebanho. 4Assim, quando aparecer o pastor supremo, recebereis a coroa permanente da glória. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura[1]

Conselhos aos dirigentes da Igreja

 

O código de deveres domésticos estende-se agora de maneira explícita aos deveres mútuos de dirigentes e membros da Igreja. Os anciãos da comunidade são alvo da primeira exortação e suas funções na Igreja são esclarecidas: seu ministério deve ser exercido de bom grado; seus motivos devem ser nobres, não mercenários; seu exercício de liderança seve ser de apoio, não de poder autoritário. Neste conselho característico, a primeira carta de Pedro reflete a tradição comum no Novo Testamento sobre a qualidade de liderança que é valorizada na Igreja: os Evangelhos nos dão o conselho de Jesus para ser servos uns dos outros (Mc 10, 42-45); os deveres do epíscopo em 1Tm 3, 3 advertem contra a cobiça como motivo para o ministério; Ef 4, 11-16 também nos ensina que os dirigentes são chamados a missões especiais, mas que não negam a igualdade cristã do batismo. É evidente que a Igreja primitiva era sensível às dificuldades que o poder autoritário causaria a sua catequese batismal de liberdade, dignidade e igualdade de todos os cristãos (Gl 3, 28). A liderança não era e não é um múnus fácil na Igreja e, por isso, é feita menção especial às preocupações do pastor supremo pelo rebanho. O serviço fiel receberá uma recompensa especial (v. 4, cf. 2Tm 4, 1; Mt 19,28; 24, 25-47)

 

Alternativamente, é lembrado aos membros da Igreja que tenham respeito pelas funções e autoridade de seus pastores (v.6) a fim de não impossibilitar o ministério de liderança. Embora todos sejamos livres e iguais em Cristo, sabe a nós mostrar que, como povo livre, servimos a Deus com uma vida ordeira e responsável (cf. Rm 6, 16-18). Assim, nossa liberdade nos leva à humanidade e a laços estreitos com a Igreja. O chamado à humildade e à obediência deve ser visto em ligação com os conselhos dados na carta toda: como os cristãos devem ser bons cidadãos do Estado, bons membros da família e membros responsáveis da Igreja cristã. Nessa exortação, há certo apelo à propaganda de uma vida justa e ordeira, dando a entender que os cristãos são membros muito bons e abnegados de qualquer parte da sociedade.

 

 

Salmo: 22 (23), 1-3a.3b-4.5.6 (+1)
O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma

 

1O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma. 2Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas repousantes me encaminha, 3e restaura as minhas forças.

 

Ele me guia no caminho mais seguro, pela honra do seu nome. 4Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal temerei. Estais comigo com bastão e cajado, eles me dão a segurança!

 

5Preparais à minha frente uma mesa, bem à vista do inimigo; com óleo vós ungis minha cabeça, e meu cálice transborda.

 

6Felicidade e todo bem hão de seguir-me, por toda a minha vida; e, na casa do Senhor, habitarei pelos tempos infinitos.

 

 

Evangelho do dia: Marcos (Mt 16, 13-19)

Tu és Pedro e eu te darei as chaves do Reino dos Céus

 

Naquele tempo 13Jesus veio à região de Cesaréia de Filipe e ali perguntou a seus discípulos: "Quem dizem os homens ser e Filho do homem?" 14Eles responderam: "Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas". 15Então Jesus lhes perguntou: "E vós, quem dizeis que eu sou?" 16Simão Pedro respondeu: "Tu és o messias, o Filho do Deus vivo". 17Respondendo, Jesus lhe disse: "Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. 18Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. 19Eu te darei as chaves do reino dos céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus". Palavra da Salvação!

 

 

Comentário o Evangelho[2]

Fé e missão

 

A missão de liderança confiada a Pedro exigiu dele uma explicitação de sua fé. Antes de assumir o papel de guia da comunidade, foi preciso deixar claro seu pensamento a respeito de Jesus, de forma a prevenir futuros desvios.


Se tivesse Jesus na conta de um messias puramente humano, correria o risco de transformar a comunidade numa espécie de grupo guerrilheiro, disposto a impor o Reino de Deus a ferro e fogo. A violência seria o caminho escolhido para fazer o Reino acontecer.


Se o considerasse um dos antigos profetas reencarnados, transformaria a Boa Nova do Reino numa proclamação apocalíptica do fim do mundo, impondo medo e terror. De fato, pensava-se que, no final dos tempos, muitos profetas do passado haveriam de reaparecer.


Se a fé de Pedro fosse imprecisa, não sabendo bem a quem havia confiado a sua vida, correria o risco de proclamar uma mensagem insossa, e levar a comunidade a ser como um sal que perdeu seu sabor, ou uma luz posta no lugar indevido.


Só depois que Pedro professou sua fé em Jesus, como o “Messias, o Filho do Deus vivo”, foi-lhe confiada a tarefa de ser “pedra” sobre a qual seria construída a comunidade dos discípulos: a sua Igreja. Entre muitos percalços, esse apóstolo deu provas de sua adesão a Jesus, selando o seu testemunho com a própria vida, demonstração suprema de sua fé. Portanto, sua missão foi levada até o fim.

Cátedra de São Pedro[3]

Costumamos empregar expressões como poder do "trono", herdeiro do "trono", privilégios da "coroa" etc., indicando com as insígnias concretas a dignidade do próprio cargo. Essa mesma metonímia é familiar em assuntos eclesiásticos. "Santa Sé" nada mais é que Sancta Sedes, a santa cátedra, pois a palavra “sé” e simplesmente sedes. Os romanos, porém, tinham outra palavra tirada do grego, significando o assento ocupado por um professor ou qualquer outro que falasse com autoridade. Tal palavra era cathedra, e o seu emprego, neste sentido, não só pode ser rastreado até os primeiros séculos cristãos, mas sobrevive até hoje, notavelmente na expressão ”uma decisão ex cathedra”, que significa o pronunciamento no qual o papa fala como doutor da Igreja Universal.

 

Ao se falar sobre a festa da cátedra de S. Pedro em 18 de janeiro, dissemos que originalmente havia apenas uma festa da cátedra e que essa era celebrada a 22 de fevereiro, sem referência alguma a Antioquia, mas com referência presumível ao inicio do episcopado de S. Pedro em Roma. O que sabemos de certo é que o calendário filocaliano, que traz a lista das celebrações litúrgicas em Roma no ano 354 ou mesmo talvez 336, em 22 de fevereiro registra natale Petri de cathedra, isto é, "festa da Cátedra de Pedro", pois nesse tempo o termo natale passara a designar não apenas o dia do nascimento, mas qualquer tipo de aniversário. Podemos assim estar inteiramente seguros de que em meados do século IV, muito pouco tempo depois da morte do Imperador Constantino, a Igreja romana honrava S. Pedro como uma festa ligada, de algum modo, à sua investidura no múnus pastoral. E sumamente improvável que esta comemoração tivesse de fato algo a ver com Antioquia. Nem mesmo no calendário de S. Vilibrordo (c. AD. 704), vários séculos mais tarde, encontramos a referência Cathedra Petri in Antiochia, e essa é, no gênero, a referência mais antiga que chegou até nós. Por outro lado, consta que no "Hieronymianum" de Auxerre, do século VI, o registro Cathedra Petri in Roma já estava ligado a 18 de janeiro. Entretanto, as liturgias galicanas em sua maior parte adere a 22 de fevereiro, sem qualquer menção a Antioquia.

 

 

 



[1] MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997

[2] O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulina, 1998

[3] Textos obtidos nas seguintes fontes: VIDA DOS SANTOS DE BUTLER II,  © Vozes, 1985