Sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

IV Semana do Advento, 4ª do Saltério, Livro I, cor Roxa – à tarde Solene Vigília do Natal

 

Hoje: Dia do Órfão

 

Santos: Adão e Eva (nossos primeiros pais, segundo a Bíblia), Adélia de Pfalzel (viúva, abadessa), Bruno de Ottobeuren (monge), Carano da Escócia (bispo), Charbel Makhlouf, o Maronita (eremita), Delfim de Bordéus (bispo), Emiliana de Roma (virgem), Eutímio de Nicomédia (mártir), Gregório de Spoleto (presbítero, mártir), Irmina de Oehren (virgem, abadessa), Luciano e Companheiros (mártires de Trípoli), Tarsila de Roma (virgem), Venerando de Clermont (bispo), Alberico de Gladbach (monge, bem-aventurado).

 

Antífona: Eis que já veio a plenitude dos tempos, em que Deus mandou à terra o seu Filho (Gl 4, 4)

 

Oração: Apressai-vos e não tardeis, Senhor Jesus, para que a vossa chegada renove as forças dos que confiam em vosso amor. Vós que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: II Samuel (2Sm 7, 1-5.8b-12.14a.16)
 Deus construirá a casa de Davi

 

1Tendo-se o rei Davi instalado já em sua casa e tendo-lhe o Senhor dado a paz, livrando-o de todos os seus inimigos, 2ele disse ao profeta Natã: "Vê: eu resido num palácio de cedro, e a arca de Deus está alojada numa tenda!" 3Natã respondeu ao rei: "Vai e faze tudo o que diz o teu coração, pois o Senhor está contigo".

 

4Mas, naquela mesma noite, a palavra do Senhor foi dirigida a Natã nestes termos: 5"Vai dizer ao meu servo Davi: Assim fala o Senhor: 'Porventura és tu que me construirás uma casa para eu habitar? 8bFui eu que te tirei do pastoreio, do meio das ovelhas, para que fosses o chefe do meu povo, Israel. 9Estive contigo em toda a parte por onde andaste, e exterminei diante de ti todos os teus inimigos, fazendo o teu nome tão célebre como o dos homens mais famosos da terra. 10Vou preparar um lugar para o meu povo, Israel: eu o implantarei, de modo que possa morar lá sem jamais ser inquietado. Os homens violentos não tornarão a oprimi-lo como outrora, 11no tempo em que eu estabelecia juízes sobre o meu povo, Israel. Concedo-te uma vida tranquila, livrando-te de todos os teus inimigos. E o Senhor te anuncia que te fará uma casa. 12Quando chegar o fim dos teus dias e repousares com teus pais, então, suscitarei, depois de ti, um filho teu, e confirmarei a sua realeza. 14aEu serei para ele um pai e ele será para mim um filho. 16Tua casa e teu reino serão estáveis para sempre diante de mim, e teu trono será firme para sempre” Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura
O reino de Davi será estável para sempre

 

Davi morrerá sem poder realizar o desejo de construir uma casa para o seu Deus. Na verdade, Deus agradece o propósito de Davi, mas lhe faz compreender que todo o universo é seu e que para ele é muito mais agradável a disponibilidade a seus planos, a fé em suas promessas e a fidelidade à aliança: um povo "estável para sempre". Ele próprio construirá uma "casa"; a promessa terá pleno cumprimento no reino do Messias. Jesus Cristo será o construtor da morada estável e eterna. Todo o povo de Deus será chamado a ser sua verdadeira casa. Esta é a maravilhosa realidade que agora vivemos, pois sabemos que ele veio habitar no meio de nós. Jesus não vem ao nosso meio para se abrigar numa cidadela, mas para nos abrir um caminho de conversão incessante. Um caminho de contínua luta pela conquista da verdadeira paz, que consiste em restabelecer relações de lealdade e de amor com Deus, com nós mesmos, com os homens. com as coisas. [MISSAL COTIDIANO. ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 88(89), 2-3.4-5.27 e 29 (R/.cf.2a)

Ó Senhor, eu cantarei eternamente o vosso amor!

 

2Ó Senhor, eu cantarei eternamente o vosso amor, de geração em geração eu cantarei vossa verdade! 3Porque dissestes: "O amor é garantido para sempre!" E a vossa lealdade é tão firme como os céus.

 

4"Eu firmei uma aliança com meu servo, meu eleito, e eu fiz um juramento a Davi, meu servidor. 5Para sempre, no teu trono, firmarei tua linhagem, de geração em geração garantirei o teu reinado!"

 

27Ele, então, me invocará: "Ó Senhor, vós sois meu Pai, sois meu Deus, sois meu rochedo onde encontro a salvação!" 29Guardarei eternamente para ele a minha graça e com ele firmarei minha aliança indissolúvel.

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 1, 67-79)

Cântico de Zacarias: "benedictus"

 

Naquele tempo, 67Zacarias, o pai de João, repleto do Espírito Santo, profetizou, dizendo: 68"Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, 69que fez aparecer para nós uma força de salvação na casa de seu servo Davi, 70como tinha prometido desde outrora, pela boca de seus santos profetas, 71para nos salvar dos nossos inimigos e da mão de todos os que nos odeiam. 72Ele usou de misericórdia para com nossos pais, recordando-se de sua santa aliança 73e do juramento que fez a nosso pai Abraão, para conceder-nos, 74que, sem temor e libertos das mãos dos inimigos, nós o sirvamos, 75com santidade e justiça, em sua presença, todos os nossos dias.

 

76E tu, menino, serás chamado profeta do altíssimo, pois irás adiante do Senhor para preparar-lhe os caminhos, 77anunciando ao seu povo a salvação, pelo perdão dos seus pecados. 78Graças à misericordiosa compaixão do nosso Deus, o sol que nasce do alto nos visitará, 79para iluminar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte, e dirigir nossos passos no caminho da paz". Palavra da Salvação!

 

 

Comentando o Evangelho

“E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo”

 

O Benedictus (Cântico de Zacarias, Lc 67-79) é um dos três grandes cânticos dos dois primeiros capítulos de Lucas. Os outros dois são: Magnificat (Cântico de Maria, Lc 1, 46-55) e Nunc Dimittis (Cântico de Simeão, Lc 2, 29-32). O Benedictus está relacionado com o nascimento, a circuncisão, a imposição do nome de João Batista e sua manifestação pública. O hino não é dedicado a João, não podemos perder de vista que a afirmação mais importante de todo o hino se concentra na proclamação de caráter messiânico de Jesus.

 

Lembrando Lc 1, 5-25, quando comunicado pelo anjo que sua mulher haveria de gerar um filho Zacarias hesitou em acreditar pois, tanto ele como Isabel já eram anciãos e, por esta razão, ficou mudo até o nascimento do filho. Após a vinda de João, Zacarias e Isabel levam o menino para ser circuncidado no oitavo dia, segundo a Lei de Moisés. Conforme visto na leitura do Evangelho do dia 22 de dezembro, quando perguntado qual seria o nome do menino Isabel disse que seria João e depois de confirmar Zacarias fica livre da mudez (Lc. 1.57-66) e surge este cântico maravilhoso.

 

O cântico de Zacarias (Benedictus), como o de Maria (Magnificat), organiza citações e temas hebraicos tradicionais em um hino de louvor. A profecia não significa primordialmente um presságio do futuro, mas uma proclamação divinamente iluminada dos acontecimentos. É, portanto, uma ação de graças pela salvação messiânica (68-75) e uma visão profética da missão de João Batista (76-79). Aparece como paralelo aos oráculos de Simeão e de Ana sobre a missão de Jesus.

 

Este cântico é recitado na Liturgia das Horas, que começa ganhar força também no mundo laico, nas orações chamadas de Completas. Na véspera do Natal a Igreja recita o cântico de Zacarias pela manhã, quando o sol nascente põe em fuga a noite e as trevas. Cristo vem e traz restauração a todo o universo. Traz a reconciliação e a paz, há pouco anunciada pelos anjos. Everaldo Souto Salvador, ofs (edd@mundocatolico.com.br)

 

 

Preces dos Fiéis (Deus Conosco)

Por toda a Igreja que vive a alegria da espera do nascimento de Jesus, rezemos ao Senhor: Vinde, Senhor Jesus!

Para que todos nós celebremos com alegria a festa da fé e da esperança, que é o nascimento de Cristo, rezemos ao Senhor.

Por todos os povos e nações, para que não abandonem jamais o desejo da paz, da solidariedade e da esperança, rezemos ao Senhor.

Para que os pobres sejam amados e respeitados, e na força da unidade aliviemos suas dores, rezemos ao Senhor.

Para que, neste Dia do Perdão, abramos sinceramente nosso coração e aprendamos a receber e dar o perdão, rezemos ao Senhor.

(intenções próprias da Comunidade)

 

Oração sobre as Oferendas:

Acolhei, ó Deus, nossas oferendas para que, recebidas em comunhão, apaguem nossos pecados, e preparem os corações para a vinda gloriosa do vosso Filho. Que vive e reina para sempre.

Antífona da comunhão:

Bendito o Senhor, Deus de Israel, que visitou e resgatou seu povo! (Lc 1, 68)

 

Depois da Comunhão:

Renovados por esta Eucaristia, concedei-nos, ó Deus de misericórdia, que, preparando hoje o solene natal do vosso Filho, mereçamos colher com alegria os seus dons eternos. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

 

Porque se celebra o Natal a 25 de dezembro

 

Pe. Lucas de Paula Almeida, CM

 

Dia: 25; Mês: sexto mês a contar da concepção de seu primo João, isto é, dezembro.

Ano: Provavelmente entre os anos 7 - 6 a.C. que corresponde ao ano 153 da Fundação de Roma.


Por que se celebra o Natal a 25 de dezembro? Os historiadores demonstraram que a festa tem a sua origem numa brilhante operação pastoral realizada pela Igreja de Roma na primeira metade do quarto século. Nessa época, os povos da Europa Ocidental, sob a influência cultural latina, comemoravam o "solstício do inverno". É quando o sol, tendo chegado aos trópicos, parece estacionário durante alguns dias.  Isto acontece aos 25 de dezembro. Os dias então se alongam, eliminando o temor da invasão das trevas. O "sol invicto" era tido como símbolo de vida.


A igreja fez uma transferência de significado, indicando na pessoa de Jesus o verdadeiro sol de justiça, autêntica luz da verdade e transformando o dia do nascimento do sol em dia do Nascimento de Jesus Cristo.

 

Revanche do paganismo


Os ídolos foram derrubados, mas não destruídos. Hoje, parece que renascem das cinzas.  Herodes  ameaça de extinção o menino Jesus.  Luzes em profusão caracterizam o período natalino nas ruas e nas vitrinas, troca de  presentes e cartões de boas festas, árvores decoradas, papai Noel de todos os  tamanhos acabam por tomar conta do quadro da celebração do Natal.


Este se torna mera ocasião de festa, é aparato exterior, fábula, coreografia, anúncio publicitário. Natal passa a ser festa natalícia sem aniversariantes. Embora a comercialização, o consumo materialista esvaziem a festa do seu significado, nem por isso deixam de chamar a atenção para o acontecimento. Faz-se necessário recuperar o valor cristão do Natal.

 

O dia do nascimento


Os Evangelhos não pretendem apresentar a biografia histórica de Jesus e nem estavam em condições disso. Assim, só se pode ter uma cronologia da vida de Jesus em suas linhas gerais:

 

·         Mt 2 situa o nascimento de Jesus antes da morte de Herodes, em 4 a.C.

·         Lc 3,1-2 situa o início de sua vida pública no 15º ano do reinado de Tibério, data que pode significar o ano 26 ou o 28.

·         Jo 2,20 situa a purificação do Templo no 46º ano de sua construção, que foi iniciada no 18º ano de Herodes, ou seja, segundo a cronologia de Josefo no ano 20 a.C.

 

Não se pode calcular com segurança a data do nascimento de Jesus nem a data de sua morte. Sua vida deve ter-se desenvolvido quase completamente entre a morte de Herodes (4 a.C.) e o ano 30 dC, data que se deve estar próxima da data real da morte de Jesus.


Os três Evangelhos sinóticos apresentam um roteiro comum da vida pública de Jesus: o batismo de João, a tentação, a pregação na Galiléia, a viagem a Jerusalém, um breve ministério em Jerusalém e sua Paixão e Morte.

 

O provável ano do nascimento de Jesus


Jesus nasceu provavelmente entre os anos 7 - 6 a.C. que corresponde ao ano 753 da Fundação de Roma. A era cristã estabelecida por Dioniso, o pequeno, (século VI) resulta de um cálculo errôneo. São Lucas estabelece um sincronismo entre a história profana e história da salvação.


Tibério sucedeu a Augusto (LC 2,1) aos dezenove de agosto do ano 14 d.C. O ano 15 vai, pois, de 19 de agosto de 28 a 18 de agosto de 29, ou segundo o modo de calcular os anos do reinado em uso na Síria, de setembro-outubro de 27 a setembro-outubro de 28.


Jesus tem, portanto, no mínimo 33 anos, provavelmente até mesmo 35 a 36 anos. A indicação do capítulo 2, 23 é aproximativa.


Apenas sublinhe que Jesus tinha a idade requerida para exercer missão pública. A "Era Cristã" fixada por Dioniso, o pequeno, no século VI resulta de se ter tomado estritamente o número de trinta anos: os 29 anos completos de Jesus, descontados do ano 782 de Roma (XV ano de Tibério), indicaram 753 para início de nossa era.

 

 

Tempo Litúrgico do Natal

 

A salvação prometida por Deus aos homens em suas mensagens aos patriarcas e profetas, torna-se realidade concreta na vinda de Jesus o salvador. O eterno Filho de Deus, leito homem, é a mensagem conclusiva de Deus aos homens: ele é aquele que salva.

 

O nascimento histórico de Jesus em Belém é o sinal de nosso misterioso nasci­mento à vida divina. O Filho de Deus se fez homem para que os homens se pudessem tornar filhos de Deus. Este nascimento é o início de nossa salvação, que se completará pela morte e ressurreição de Jesus. No pano de fundo do Natal já se entrevê o mistério da Páscoa. Os dias que vão do Natal à Epifania e ao Batismo do Senhor devem ajudar-nos a descobrir em Jesus Cristo a divindade de nosso irmão e a humanidade de nosso Deus. Os textos litúrgicos deste tempo convidam à alegria, mas apresentam também riqueza de doutrina. Convidam-nos constantemente a dar graças pelo misterioso intercâmbio pelo qual participamos da vida divina de Cristo. Enquanto nos faz pai4icipantes do amor infinito de Deus, que se manifestou em Jesus, a celebração do Natal abre-nos à solidariedade profunda com todos os homens.

 

 

Para a celebração

 

1.    Tempo de Natal começa com as primeiras Vésperas de Natal e termina no domingo depois da Epifania, ou seja, o domingo que cai após o dia 6 de janeiro.

2.    A liturgia do Natal do Senhor caracterizada pela celebração das três Missas natalinas (meia-noite, de manhã. durante o dia), inicia-se com a Missa vespertina "na vigília", que faz parte da solenidade.

3.    A solenidade do Natal prolonga sua celebração por oito dias contínuos, que são indicados como Oitava de Natal. Esta é assim ordenada:

·         no domingo imediatamente após o Natal celebra-se a festa da sagrada Família; nos anos em que falta esse domingo, celebra-se esta festa a 30 de dezembro;

·         26 de dezembro é a festa de santo Estevão, protomártir;

·         27 de dezembro é o dia da festa de são João, apóstolo e evangelista; - a 28 de dezembro celebra-se a festa dos Santos Inocentes;

·         os dias 29, 30 e 31 de dezembro são dias durante a oitava, nos quais ocorrem também memórias facultativas;

·         no dia 1º de janeiro, oitava de Natal. celebra-se a solenidade de Maria, Mãe de Deus, na qual também se comemora a imposição do santo nome de Jesus.

4.    As festas acima enumeradas, quando caem em domingo, deixam o lugar à celebração do domingo; se, porém, em algum lugar forem celebradas como "solenidades", neste caso têm precedência sobre o domingo. Fazem exceção as festas da sagrada Família e do Batismo do Senhor; que tomam o lugar do domingo.

5.    Os dias de 2 de janeiro ao sábado que precede a festa do Batismo do Senhor (domingo depois da Epifania) são considerados dias do Tempo de Natal. Entre 2 e 5 de janeiro cai, habitualmente, o II domingo depois de Natal4; a 6 de janeiro celebra-se a solenidade da Epifania do Senhor. Nas regiões em que esta solenidade não é de preceito, sua celebração é transferida para 2 e 8 de janeiro, conforme normas particulares anexas a essa transferência.

6.    Com a festa do Batismo do Senhor (domingo depois da Epifania) termina o Tempo natalino e principia o Tempo comum (segunda-feira da 1 semana); portanto, omitem-se as férias que naquele ano não podem ter celebração.

Para a celebração da Eucaristia nas férias do Tempo natalino:

a)     os dias 29, 30 e 31 de dezembro (que fazem parte da oitava de Natal) tem formulário próprio para cada dia (Oracional + Lecionário). A memória designada para esses dias (29 e 31) no calendário perpétuo pode achar lugar na Missa da oitava, substituindo a coleta dessa Missa pela do santo (ver n. 3);

b)     os dias de 2 de janeiro ao sábado que precede a festa do Batismo do Senhor têm um Oracional próprio (Missal), disposto segundo os dias da semana (isto é da segunda-feira ao sábado), com um ciclo fixo de leituras (Lecionário) que segue os dias do calendário; a "coleta" muda conforme a indicação lá referida

7.     Diz-se o Glória nas Missas durante a oitava de Natal. O Prefácio que dá início à Oração eucarística (I,II, III) é próprio do Tempo do Natal-Epifania: o de Natal (com três textos à escolha) é rezado durante a oitava e nos outros dias do Tempo natalino; o da Epifania diz-se nos dias que vão da solenidade da Epifania ao sábado que precede a festa do Batismo do Senhor (domingo depois da Epifania).

8.     A cor das vestes litúrgicas nas Missas feriais do Tempo natalino é a branca.

Missal Cotidiano, ©Paulus, 1997

 

Bem-aventurado quem tem uma Belém em seu coração

para que o Cristo possa nascer a cada dia. (Jerônimo de Estridón)