Sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
III Semana do Tempo da Quaresma, III Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Roxa
Senhor, não há entre os deuses nenhum que se vos compares, porque sois
grande e fazeis maravilhas: só vós, Senhor, sois Deus. (Sl 85, 8.10)
Santos: Antônia de Florença (viúva, fundadora, bem-aventurada), Oswaldo (Séc. X, Inglaterra, bispo de Worcester e arcebispo de York), Hilaro, Macário, Hedviges da Polônia
Oração do Dia: Infundi, ó Deus, vossa graça em nossos corações, para que, fugindo aos excessos humanos, possamos, com vosso auxílio, abraçar os vossos preceitos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.
I Leitura: Oséias (Os 14, 2-10)
A necessidade urgente da conversão do povo
Assim fala o Senhor Deus: 2"Volta, Israel, para o Senhor, teu Deus, porque estavas caído em teu pecado. 3Vós todos, encontrai palavras e voltai para o Senhor; dizei-lhe: 'Livra-nos de todo o mal e aceita este bem que oferecemos; o fruto de nossos lábios. 4A Assíria não nos salvará; não queremos montar nossos cavalos, não chamaremos mais deuses nossos a produtos de nossas mãos; em ti encontrará o órfão misericórdia'.
5Hei de curar sua perversidade e me será fácil amá-los, deles afastou-se a minha cólera. 6Serei como orvalho para Israel; ele florescerá como o lírio e lançará raízes como plantas do Líbano. 7Seus ramos hão de estender-se; será seu esplendor como o da oliveira, e seu perfume como o do Líbano. 8Voltarão a sentar-se à minha sombra e a cultivar o trigo, e florescerão como a videira, cuja fama se iguala à do vinho do Líbano. 9Que tem ainda Efraim a ver com ídolos? Sou eu que o atendo e que olho por ele. Sou como o cipreste sempre verde: de mim procede o teu fruto.
10Compreenda estas palavras o homem sábio, reflita sobre elas o bom entendedor! São retos os caminhos do Senhor e, por eles', andarão os justos, enquanto os maus ali tropeçam e caem". Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura[1]
Não chamaremos mais “deuses nossos” a produtos de nossas mãos
O profeta Oséias apresenta a culpa não mais como violação de tradições antepassadas e sacrais, mas como a recusa de encontrar a Deus nos acontecimentos cotidianos, quem não ver a Deus na história. Até conversão assume particular significação: não abluções rituais..., porém, interiorização, com que o homem faz calar o próprio orgulho para aceitar o desígnio de Deus manifestado nos acontecimentos, para permitir a correta aplicação dos recursos humanos, a partir do centro e da fonte, Deus que tudo vivifica. Só este aspecto, a conversão é a atitude fundamental do cristão solidário com o mundo. Cumpre reconhecer que a conversão de Israel não é muito desinteressada. Ele volta a Deus em nome de uma apaixonada busca de felicidade e abundância. É uma mentalidade que pode desaguar na moral da retribuição e do mérito. É possível, no entanto, olhar também para a recompensa prometida às boas ações. Dizer que uma ação é recompensada significa afirmar que o presente tem sempre uma dimensão histórica; nunca é isolado, mas forma parte de um devir guiado pela iniciativa de Deus.
Salmo: 80
(81), 6c-8a. 8bc-9. 10-11ab. 14 e 17 (R/. cf. 11 e 9a)
Ouve, meu povo, porque eu sou o teu Deus!
6cEis que ouço uma voz que não conheço: 7"Aliviei as tuas costas de seu fardo, cestos pesados eu tirei de tuas mãos. 8aNa angústia a mim clamaste, e te salvei.”
8bDe uma nuvem trovejante te falei, 8ce junto às águas de Meriba te provei. 9Ouve, meu povo, porque vou te advertir! Israel, ah! se quisesses me escutar.
10Em teu meio não exista um deus estranho nem adores a um deus desconhecido! 11aPorque eu sou o teu Deus e teu Senhor, 11bque da terra do Egito te arranquei".
14Quem me dera que meu povo me escutasse! Que Israel andasse sempre em meus caminhos, 17eu lhe daria de comer a flor do trigo, e com o mel que sai da rocha o fartaria".
Evangelho: Marcos (Mc 12, 28b-34)
O amor de Deus e o amor dos homens
Naquele tempo, 28bum escriba aproximou-se de Jesus e perguntou: "Qual é o primeiro de todos os mandamentos?" 29Jesus respondeu: "O primeiro é este: Ouve, ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. 30Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força! 31O segundo mandamento é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo! Não existe outro mandamento maior do que estes".
32O mestre da lei disse a Jesus: "Muito bem, mestre! Na verdade, é como disseste: Ele é o único Deus e não existe outro além dele. 33Amá-lo de todo o coração, de toda a mente e com toda a força, e amar o próximo como a si mesmo é melhor do que todos os holocaustos e sacrifícios". 34Jesus viu que ele tinha respondido com inteligência e disse: "Tu não estás longe do reino de Deus". E ninguém mais tinha coragem de fazer perguntas a Jesus. Palavra da Salvação!
Comentário do Evangelho[2]
Onde centrar nossa vida
A pergunta pelo primeiro dos mandamentos comporta uma preocupação: onde a vida humana deve centrar-se? A resposta a este problema é fundamental para a vida do discípulo. Mas não basta responder teoricamente. É mister que discípulo tome consciência onde efetivamente sua vida está centrada. O engano, aqui, pode ser fatal!
A resposta de Jesus ao mestre da Lei aponta para os dois eixos vertebradores da vida do discípulo: Deus e o próximo. Considerando bem, ambos os eixos se exigem mutuamente, a ponto de um levar ao outro, e a ausência de um provocar a ausência do outro.
Quem está centrado em Deus, está necessariamente aberto ao amor e à solidariedade, está sempre pronto para lutar pela justiça, não suportando ver o próximo ser vilipendiado. Sobretudo, torna-se um lutador incansável pela causa do Reino, ansiando por vê-lo acontecer em sua própria vida e na de seus semelhantes.
Por outro lado, tem sua vida centrada no próximo quem é capaz de superar o egoísmo e romper as amarras das paixões, quem se esforça para se libertar da tirania do pecado, tornando-se livre para Deus. Em outras palavras, quem tem Deus no coração.
Todos os demais eixos são espúrios e devem ser rejeitados pelo discípulo do Reino. Basta considerar o modo de proceder de quem não ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. São pessoas desumanizadas e desumanizadoras.
Santo Leandro[3]
Religioso espanhol nascido em Cartagena , Leandro foi bispo de Sevilha e fez parte de uma família de santos. Além dele, foram canonizados seus irmãos Fulgêncio e Isidoro, além da irmã Florentina.
Desde rapaz, Leandro era conhecido como dono de grande cultura e sua fama
cresceu ainda mais quando entrou para a Ordem de São Bento, em Hispalis,
Espanha. Assim, nada mais natural que, morto o bispo de Sevilha, fosse ele,
Leandro, nomeado para o cargo, com grande aceitação popular e também do clero.
Porém, teve que enfrentar os poderosos governantes que queriam destruí-lo,
pois, graças a ele, Hermenegildo, filho mais velho do rei Leovegildo havia se
convertido cristão. A conversão do príncipe real, que significava a futura
conversão do reino, bem como de dezenas de outros pagãos, deixou irados os
hereges arianos, que arquitetaram vários planos para matá-lo.
Os registros mostram que o bispo Leandro só escapou da morte pela Providencia
Divina. Mas, se não conseguiram matar o bispo, os hereges passaram a pressionar
tanto o rei, que até o príncipe convertido foi condenado à morte e levado ao
martírio. Leandro, por sua vez, foi exilado e teve que deixar suas paróquias.
No entanto, mesmo afastado de seu rebanho ele não parou de guiá-los. Enviava
contínuas cartas e artigos orientando sobre o cristianismo e combatendo os
arianos, além de dirigir e seguir as pastorais mesmo no exílio.
De repente, o vento voltou a soprar a seu favor. Diversos prodígios e graças
passaram a ser registrados no túmulo do príncipe cristão martirizado, com o rei
se arrependendo do que fizera. Mandou repatriar o bispo Leandro e a ele
entregou a educação religiosa do segundo filho, Recaredo, que seria o futuro
monarca.
A conversão do rei acabou com o poder dos hereges seguidores de Ário e fez com
que quase toda a população se convertesse também. Por este trabalho de
evangelização, o bispo Leandro, que morreu aos oitenta anos, na cidade de
Sevilha, em 600, figura na História da Igreja