Terça-feira, 3 de junho de 2008
São Carlos Lwanga, Mártir, Memória, 1ª do Saltério (Livro III), cor Vermelha
Vinde e escutai, todos os que temeis a Deus, e eu vos direi tudo o que o Senhor fez por mim. (Sl 65,16)
Santos: Justino (165, mártir palestino), Cândida, Herculano de Piegaro, Afonso Navarrete, Fernando Ayala, João Story, Tespésio (Séc. III, Capadócia), Isquirião (Séc. III, Egito), Próculo (Séc. III, Itália), Inácio (Espanha), Panfílio (309, mártir, Cesaréia da Palestina), Valêncio, Branca, Próculo (542, bispo) e Próculo (304, soldado), Caprásio (430), Vistrano (849), Simeão (1035, Siracusa/Sicília), Êneco (1057, abade), Teobaldo de Alba (1150), João Pelingotto (1304), Herculano de Piegaro (1451), João Storey (15,71, beato, mártir), Félix de Nicósia (1787, beato)
Oração: Ó Deus, que fizestes do sangue dos mártires semente de novos cristãos, concedei que o campo da vossa Igreja, regado pelo sangue de são Carlos e seus companheiros, produza sempre abundante colheita. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura:
2ª Carta de S. Pedro (2Pd 3, 12-15a.17-18)
Esperamos novos céus e uma nova terra
Caríssimos, 12esperais com anseio a vinda do dia de Deus, quando os céus em chama se vão derreter, e os elementos, consumidos pelo fogo, se fundirão? 13O que nós esperamos, de acordo com a sua promessa, são novos céus e uma nova terra, onde habitará a justiça. 14Caríssimos, vivendo nesta esperança, esforçai-vos para que ele vos encontre numa vida pura e sem mancha e em paz. 15aConsiderai também como salvação a longanimidade de nosso Senhor. 17Vós, portanto, bem-amados, sabendo disto com antecedência, precavei-vos, para não suceder que, levados pelo engano destes ímpios, percais a própria firmeza. 18Antes procurai crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor e salvador Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, desde agora, até o dia da eternidade. Amém. Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura[1]
Esperamos novos céus e uma nova terra
Mudará um dia este mundo em que vivemos, esta nossa cultura? Sim, mas não sem nossa colaboração, sem nossa conversão. Dentro da moldura cósmica, o tema do quadro é a esperança, que é “expectativa operosa” do dia do Senhor. O que será destruído é o mundo do mal: egoísmo, dor, morte. Cumpre alegrar-se: é deveras achar-se em “novos céus e em nova terra”, é outro viver, outro ser homens. Diz o apóstolo que isto deve ser “apressado”. Da nossa parte constrói-se isso dia a dia, porém o acabamento total é obra de Deus que faz convergir todo o trabalho para a realização do “reino”, mesmo que o não percebamos. É como preparar “pré-fabricados” – quando tudo está pronto, só falta colocá-los juntos e está feita a obra. Tudo o mais passa, permanece apenas a “bondade feita homem”.
Salmo: 89(90),
2.3-4.10.14 e 16 (R/. 1)
Ó Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós!
Já bem antes que as montanhas fossem feitas ou a terra e o mundo se formassem, desde sempre e para sempre vós sois Deus.
Vós fazeis voltar ao pó todo mortal, quando dizeis: "Voltai ao pó, filhos de Adão!" Pois mil anos para vós são como ontem, qual vigília de uma noite que passou.
Pode durar setenta anos nossa vida, os mais fortes talvez cheguem a oitenta; a maior parte é ilusão e sofrimento: passam depressa e também nós assim passamos.
Saciai-nos de manhã com vosso amor, e exultaremos de alegria todo o dia! Manifestai a vossa obra a vossos servos, e a seus filhos revelai a vossa glória!
Evangelho:
Marcos (Mc 12, 13-17)
Dai a César o que é de César, e a deus o que é de deus
Naquele tempo, 13as autoridades mandaram alguns fariseus e alguns partidários de Herodes para apanharem Jesus em alguma palavra. 14Quando chegaram, disseram a Jesus: Mestre, sabemos que tu és verdadeiro, e não dás preferência a ninguém. Com efeito, tu não olhas para as aparências do homem, mas ensinas, com verdade, o caminho de Deus. Dize-nos: É licito ou não pagar o imposto a César? Devemos pagar ou não?" 15Jesus percebeu a hipocrisia deles, e respondeu: "Por que me tentais? Trazei-me uma moeda para que eu a veja". 16Eles levaram a moeda, e Jesus perguntou: "De quem é a figura e a inscrição que estão nessa moeda?" Eles responderam: "De César". 17Então Jesus disse: "Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus". E eles ficaram admirados com Jesus. Palavra do Senhor!
Comentando o Evangelho[2]
Oposições inexistentes
Para confundir Jesus, fariseus e herodianos propuseram-lhe uma pergunta capciosa a respeito da liceidade de pagar o tributo ao imperador romano.
O pano de fundo desta questão era complexo. Sob o aspecto político, tratava-se
de saber se Jesus era contra ou a favor da dominação estrangeira. Sob o aspecto
religioso, a resposta de Jesus revelaria que imagem ele fazia de Deus, que
escolhera Israel para ser o povo de sua predileção, e não se contentava em
vê-lo oprimido. Afinal, o Deus de Jesus era um Deus libertador? Sob o aspecto
econômico, a questão levava Jesus a posicionar-se diante da penúria do povo, do
qual se exigia pagamento de tributo. Sob o aspecto social, Jesus deveria dizer
se concordava com a situação de opressão a que estava reduzido o povo de
Israel.
A resposta do Mestre, aparentemente evasiva, revela sua visão da história,
centrada no Reino de Deus. Não existe contraposição entre César e Deus, uma vez
que estão situados em níveis diferentes. O pagamento do tributo ao imperador é
irrelevante, quando este não cede à tentação de usurpar o lugar de Deus,
tiranizando as pessoas. Deus é o Senhor absoluto da História. E César deve
submeter-se a ele. Importa que todos, inclusive o imperador, acolham a vontade
divina.
Conseqüentemente, a resposta de Jesus revela que ele se opunha a todo tipo de
opressão e exploração, pois o Pai é um Deus libertador. É preciso ser perspicaz
para compreender o sentido da posição de Jesus.
Santos Carlos Lwanga e companheiros[3]
O povo africano talvez tenha sido o último a receber a evangelização cristã, mas já possui seus mártires homenageados na história da Igreja Católica. O continente só foi aberto aos europeus depois da metade do século XIX. Antes disso, as relações entre as culturas davam-se de forma violenta, principalmente por meio do comércio de escravos. Portanto, não é de estranhar que os primeiros missionários encontrassem, ali, enorme oposição, que lhes custava, muitas vezes, as próprias vidas.
A pregação começou por Uganda, em 1879, onde conseguiu chegar a "Padres Brancos", congregação fundada pelo cardeal Lavigérie. Posteriormente, somaram-se a eles os padres combonianos. A maior dificuldade era mostrar a diferença entre missionários e colonizadores. Aos poucos, com paciência, muitos nativos africanos foram catequizados, até mesmo pajens da corte do rei. Isso lhes causou a morte, quase sete anos depois de iniciados os trabalhos missionários, quando um novo rei assumiu o trono em 1886.
O rei Muanga decidiu acabar com a presença cristã em Uganda. Um pajem de dezessete anos chamado Dionísio foi apanhado pelo rei ensinando religião. De próprio punho Muanga atravessou seu peito com uma lança, deixou-o agonizando por toda uma noite e só permitiu sua decapitação na manhã seguinte. Usou o exemplo para avisar que mandaria matar todos os que rezavam, isto é, os cristãos.
Compreendendo a gravidade da situação, o chefe dos pajens, Carlos Lwanga, reuniu todos eles e fez com que rezassem juntos,
batizou os que ainda não haviam recebido o batismo e prepararam-se para um
final trágico. Nenhum desses jovens, cuja idade não passava de vinte anos,
alguns com até treze anos de idade, arredou pé de suas convicções e foram todos encarcerados na prisão em Namugongo,
a setenta quilômetros da capital, Kampala. No dia seguinte, os vinte e dois
foram condenados à morte e cruelmente executados.
Era o dia 3 de junho de 1886, e para tentar não fazer tantos mártires, que poderiam atrair mais conversões, o rei mandou que Carlos Lwanga morresse primeiro, queimado vivo, dando a chance de que os demais evitassem a morte renegando sua fé. De nada adiantou e os demais cristãos também foram mortos, sob torturas brutais, com alguns sendo queimados vivos.
Os vinte e dois mártires de Uganda foram beatificados em 1920. Carlos Lwanga foi declarado "Padroeiro da Juventude Africana" em 1934. Trinta anos depois, o papa Paulo VI canonizou esse grupo de mártires. O mesmo pontífice, em 1969, consagrou o altar do grandioso santuário construído no local onde fora a prisão em Namugongo, na qual os vinte e um pagens, dirigidos por Carlos Lwanga, rezavam aguardando a hora de testemunhar a fé em Cristo.