Terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Santa Âgueda (Virgem e Mártir), Memória, 4ª Semana do Saltério (Livro III), cor Vermelha
Esta é uma virgem sábia, do número das prudentes, que foi ao encontro de Cristo com sua lâmpada acesa.
Hoje: Dia do Datiloscopista
Santos do Dia: Abraão de Arbela (bispo, mártir), Adelaide de Bellich (abadessa, virgem), Águeda Hildegarda de Caríntia (viúva), Agrícola de Tongres (bispo), Albino de Brixen (bispo), Avito de Viena (bispo), Bertulfo de Artois (abade), Genuíno de Brixen (bispo), Indrato e Domingas de Glastonbury (mártires), Jacó (Patriarca bíblico do Antigo Testamento), Modesto de Salzburgo (monge, bispo), Vodoaldo (eremita), João Morosini (abade, bem-aventurado).
Oração do Dia: Ó Deus, que Santa Águeda, virgem e mártir, agradável ao vosso coração pelo mérito da castidade e pela força do martírio, implore vosso perdão em nosso favor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura: II Samuel (2Sm 18, 9-10.14b.24-25a.30-19,3)
A bondade, a piedade e o amor de Davi
Naqueles dias, 9Absalão encontrou-se por acaso na presença dos homens de Davi. Ia montado numa mula e esta meteu-se sob a folhagem espessa de um grande carvalho. A cabeça de Absalão ficou presa nos galhos da árvore, de modo que ele ficou suspenso entre o céu e a terra, enquanto a mula em que ia montado passou adiante. 10Alguém viu isto e informou Joab, dizendo: "Vi Absalão suspenso num carvalho". 14bJoab tomou então três dardos e cravou-os no peito de Absalão.
24Davi estava sentado entre duas portas da cidade. A sentinela que tinha subido ao terraço da porta, sobre a muralha, levantou os olhos e divisou um homem que vinha correndo, sozinho. 25aPôs-se a gritar e avisou o rei, que disse: "Se ele vem só, traz alguma boa-nova". 30O rei disse-lhe: "Passa e espera aqui". Tendo ele passado e estando no seu lugar, 31apareceu o etíope e disse: "Trago-te, senhor meu rei, a boa-nova: O Senhor te fez justiça contra todos os que se tinham revoltado contra ti". 32O rei perguntou ao etíope: "vai tudo bem para o jovem Absalão?" E o etíope disse: "Tenham a sorte deste jovem os inimigos do rei, meu senhor, e todos os que se levantam contra ti para te fazer mal!"
19,1Então o rei estremeceu, subiu para a sala que está acima da porta e caiu em pranto. Dizia entre soluços: "Meu filho Absalão! Meu filho, meu filho Absalão! Por que não morri eu em teu lugar? Absalão, meu filho, meu filho!" 2Anunciaram a Joab que o rei estava chorando e lamentando-se por causa do filho. 3Assim, a vitória converteu-se em luto, naquele dia, para todo o povo, porque o povo soubera que o rei estava acabrunhado de dor por causa de seu filho. Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura[1]
Meu filho Absalão! por que não morri eu em teu lugar?
Em face da morte, Absalão não é mais o rebelde, mas somente o filho. Considerações decorrentes de razão de estado estimulavam os colaboradores de Davi a soluções radicais: extinguir com intransigência as tentativas dos diversos grupos familiares de garantirem para si a sucessão da dinastia. Em Davi prevalece a piedade, a dor e o amor. É uma imagem tocante de Deus Pai, cuja maior alegria está em perdoar o filho "pródigo" e readmiti-lo, arrependido e renovado, na intimidade de sua casa.
Há também neste trecho um convite para considerarmos o absurdo de qualquer guerra e de toda luta de partido, em que vencidos e vencedores terão de chorar os mortos e reconstruir sobre as ruínas materiais e morais. Nem sempre é fácil perceber, através dos fatos como este aqui narrado, um desígnio divino preciso. A fidelidade de Deus é assegurada a Davi e à sua descendência; mas só de longe aparece a linha de conduta divina, a pedagogia com que educa os poderosos e o povo para a compreensão de que o sucesso não está na vitória armada e na astúcia política, mas na fidelidade religiosa e moral a Deus e à sua lei.
Salmo: 85(86), 1-2.3-4.5-6 (R/.1a)
Inclinai, ó Senhor, vosso ouvido, escutai, pois sou pobre e infeliz! Protegei-me, que sou vosso amigo, e salvai vosso servo, meu Deus, que te espera e confia em vós!
Piedade de mim, ó Senhor, porque clamo por vós todo o dia! Animai e alegrai vosso servo, pois a vós eu elevo a minha alma.
Ó Senhor, vós sois bom e clemente, sois perdão para quem vos invoca. Escutai, ó Senhor, minha prece, o lamento da minha oração!
Evangelho: Marcos (Mc 5, 21-43)
A importância da fé de Jairo em Jesus Cristo
Naquele tempo, 21Jesus atravessou de novo, numa barca, para a outra margem. Uma numerosa multidão se reuniu junto dele, e Jesus ficou na praia.
22Aproximou-se, então, um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo. Quando viu Jesus, caiu a seus pés, 23e pediu com insistência: "Minha filhinha está nas últimas. Vem e põe as mãos sobre ela, para que ela sare e viva!" 24Jesus então o acompanhou. Uma numerosa multidão o seguia e o comprimia.
25Ora, achava-se ali uma mulher que, há doze anos, estava com uma hemorragia; 26tinha sofrido nas mãos de muitos médicos, gastou tudo o que possuía, e, em vez de melhorar, piorava cada vez mais. 27Tendo ouvido falar de Jesus, aproximou-se dele, por detrás, no meio da multidão, e tocou na sua roupa. 28Ela pensava: “Sr eu ao menos tocar na roupa dele ficarei curada". 29A hemorragia parou imediatamente, e a mulher sentiu dentro de si que estava curada da doença.
30Jesus logo percebeu que uma força tinha saído dele. E, voltando-se no meio da multidão, perguntou: "Quem tocou na minha roupa?" 31Os discípulos disseram: "Estas vendo a multidão que te comprime e ainda perguntas: 'Quem me tocou?"' 32Ele, porém, olhava ao redor para ver quem havia feito aquilo. 33A mulher, cheia de medo e tremendo, percebendo o que lhe havia acontecido, veio e caiu aos pés de Jesus, e contou-lhe toda a verdade. 34Ele lhe disse: "Filha, a tua fé te curou. Vai em paz e fica curada dessa doença"
35Ele estava ainda falando, quando chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, e disseram a Jairo: "Tua filha morreu. Por que ainda incomodar o mestre?" 36Jesus ouviu a notícia e disse ao chefe da sinagoga: "Não tenhas medo. Basta ter fé!" 37E não deixou que ninguém o acompanhasse, a não ser Pedro, Tiago e seu irmão João. 38Quando chegaram à casa do chefe da sinagoga, Jesus viu a confusão e como estavam chorando e gritando. 39Então, ele entrou e disse: "Por que essa confusão e esse choro? A criança não morreu, mas está dormindo".
40começaram então a caçoar dele. Mas, ele mandou que todos saíssem, menos o pai e a mãe da menina, e os três discípulos que o acompanhavam. Depois entraram no quarto onde estava a criança. 41Jesus pegou na mão da menina e disse: "Talitá cum" - que quer dizer: "Menina, levanta-te!" 42Ela levantou-se imediatamente e começou a andar, pois tinha doze anos. E todos ficaram admirados. 43Ele recomendou com insistência que ninguém ficasse sabendo daquilo. E mandou dar de comer à menina. Palavra da Salvação!
Comentando o Evangelho
Transbordando vida
Os dois milagres realizados por Jesus apresentam-no como fonte donde transborda a vida. Sua missão consistiu em fazer jorrar vida onde a morte e a doença pareciam impor-se. Missão de resgatar a vida humana.
O chefe da sinagoga, cuja filha havia morrido, viu seu pedido atendido: com uma ordem de Jesus, a menina retornou à vida e levantou-se, para espanto de todos. Igualmente a mulher, vitima de uma hemorragia que não se estancava, viu-se curada pelo Mestre. Em ambos os casos, Jesus se manifestou como Senhor a fonte da vida.
Essa mulher, certa de ser curada, tocara nas vestes de Jesus. Este imediatamente percebeu que uma força saíra dele. Num primeiro momento, parece que o milagre se realizara por um poder mágico, uma vez que bastou a mulher tocá-lo para sentir-se curada. Contudo, levada a explicar o sentido de seu gesto, confessou ter sido movida pela fé no poder do Mestre. Ao que ele declarou: "A tua fé te salvou!"
Nada consegue de Jesus quem o busca por considerá-lo possuidor de forças mágicas de cura. Só a fé abre caminho para a vida que dele transborda. Portanto, uma fé salvífica que supera o simples benefício físico e oferece ao ser humano muito mais que a vida material. Fé que o predispõe para a vida eterna. (O EVANGELHO DO DIA, Ano “A”. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998)
Para sua reflexão pessoal[2]
Eis mais um relato de curas promovidas por Jesus; duas mulheres são contempladas: a filha de Jairo e a mulher que sofria de hemorragias. Eis o povo que busca Jesus, que cura, que faz milagres, que apresenta um sinal de Deus. O essencial desses dois eventos é sem dúvida a fé que pode contrastar com o ceticismo de alguns presentes. Jairo confia em Jesus mesmo depois de saber que ela tinha morrido, mas tem a felicidade de ser testemunha dos feitos do Mestre. Já a mulher demonstra sua confiança no Senhor apenas tocando as suas vestes. Aproximar-se de Jesus, em qualquer circunstância e em qualquer época, com apelos fervorosos em favor dos doentes e moribundos, a exemplo de Jairo e da mulher, nos trás a certeza de que, através da oração, focada unicamente na fé, podemos fazer, pela intercessão de Jesus, verdadeiros milagres. Trata-se, sobretudo, de um ato de caridade e amor ao próximo, cuja importância e valor estão muito bem explicados em 1Cor 12, 31-13,13 (a primeira leitura do domingo que passou).
As cidades de Palermo e Catânia, na Sicília, disputam a honra de ser o berço de Santa Águeda, mas concordam em que a santa recebeu a coroa do martírio em Catânia. Suas atas, que existem com muitas variações em latim e grego mas carecem de valor histórico, afirmam que ela pertenceu a uma rica e ilustre família e que, tendo se consagrado a Deus, desde os mais tenros anos, venceu muitos assaltos contra sua pureza. Em sua posição de cônsul, Quintiano pensava que ia poder realizar seus maus desígnios em relação a Águeda, aproveitando-se do edito do imperador contra os cristãos. Ordenou, pois, que ela fosse trazida à sua presença. Vendo-se nas mãos de seus perseguidores, Águeda orou: "Jesus Cristo, Senhor de tudo, tu vês meu coração e conheces meus desejos. Faze com que só por ti eu seja toda possuída. Sou tua ovelha: que eu mereça vencer o diabo". Quintiano mandou que ela fosse entregue a Afrodísia, uma perversa mulher que com suas seis filhas mantinha uma casa de ma' fama. Neste lugar pavoroso, Águeda sofreu contra sua honra assaltos e artimanhas mais terríveis do que a tortura e a morte, mas permaneceu firme. Passado um mês, Quintiano tentou amedrontá-la com ameaças, mas ela continuou sem medo e declarou que por ser serva de Jesus Cristo estava verdadeiramente em liberdade. Ofendido por suas respostas resolutas, o juiz ordenou que ela fosse açoitada e lançada na prisão. No dia seguinte, ela foi submetida a novo interrogatório e respondeu que Jesus Cristo era sua luz e salvação. Quintiano então ordenou que ela fosse estirada na catasta - tortura geralmente acompanhada de açoite, dilaceramento por meio de ganchos de ferro, e queimadura com chamas de tochas. Furioso por vê-la sofrer tudo isso com alegria, o governador ordenou cruelmente que os seios dela fossem esmagados e arrancados. Mais tarde reencarcerou-a, e determinou que nenhum alimento ou socorro médico lhe fosse concedido. Deus porém confortou-a: na visão que ela teve, S. Pedro encheu o calabouço de uma luz celestial, a confortou e curou. Quatro dias depois, Quintiano mandou que ela fosse arrastada nua por cima de carvões acesos misturados com cacos de vasos. Ao ser levada de volta para a prisão, ela orou: "Senhor, meu Criador, tu me tens protegido sempre desde meu nascimento; tu me tens livrado do amor ao mundo, e me tens dado paciência para sofrer. Recebe agora minha alma". Após dizer essas palavras, entregou sua vida.
Existe boa prova de culto antigo de Santa Águeda. Seu nome ocorre no Calendário de Cartago (c. 530), e no "Hieronymianum", e seus louvores são cantados por Venâncio Fortunato (Carmina, VIII, 4), mas não podemos afirmar com segurança coisa alguma sobre sua história. Ela aparece na procissão dos santos pintada em Sant'Apollinare Nuovo em Ravena. Lembrando que seus seios foram arrancados, na arte eles são muitas vezes mostrados em um prato. Na Idade Média, foram muitas vezes confundidos com pães, e daí é que parece ter surgido a prática de benzer no dia de Santa Águeda os pães levados num prato até o altar. Como na Sicília se acreditava que ela podia deter as erupções do monte Etna, ela é invocada contra qualquer catástrofe de fogo.