Terça-feira, 10 de junho de 2008

10ª Semana do Tempo Comum, 2ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Verde

 

O Senhor é minha luz e minha salvação, a quem poderia eu temer? O Senhor é o baluarte de minha vida, perante quem tremerei? Meus opressores e inimigos, são eles que vacilam e sucumbem. (Sl 26, 1-2)

 

Hoje: Dia da Artilharia

Santos: Olívia, Getúlio, Itamar, Luciliano, Astério (bispo da Arábia), Eduardo Poppe, João Dominici, Rogato (cristão da África), Timóteio (bispo da Ásia), Máximo (bispo de Nápoles, Itália), Bem-Aventurado Censúrio (bispo)

 

Oração: Ó Deus, fonte de todo bem, atendei ao nosso apelo e fazei-nos, por vossa inspiração, pensar o que é certo e realizá-lo com vossa ajuda. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

Leitura: I Livro dos Reis (1Rs 17, 7-16)
A providência de Deus age em favor de Elias

 

Naqueles dias, 7secou a torrente do lugar onde Elias estava escondido, porque não tinha chovido no país. 8Então a palavra do Senhor foi-lhe dirigida nestes termos: 9"Levanta-te e vai a Sarepta dos sidônios, e fica morando lá, pois ordenei a uma viúva desse lugar que te dê sustento".

 

10Elias pôs-se a caminho e foi para Sarepta. Ao chegar à porta da cidade, viu uma viúva apanhando lenha. Ele chamou-a e disse: "Por favor, traze-me um pouco de água numa vasilha para eu beber". 11Quando ela ia buscar água, Elias gritou-lhe: "Por favor, traze-me também um pedaço de pão em tua mão!" 12Ela respondeu: "Pela vida do Senhor, teu Deus, não tenho pão. Só tenho um punhado de farinha numa vasilha e um pouco de azeite na jarra. Eu estava apanhando dois pedaços de lenha, a fim de preparar esse resto para mim e meu filho, para comermos e depois esperar a morte".

 

13Elias replicou-lhe: "Não te preocupes! Vai e faze como disseste. Mas, primeiro, prepara-me com isso um pãozinho, e traze-o. Depois farás o mesmo para ti e teu filho. 14Porque assim fala o Senhor, Deus de Israel: 'A vasilha de farinha não acabará e a jarra de azeite não diminuirá, até o dia em que o Senhor enviar a chuva sobre a face da terra"'.

 

15A mulher foi e fez como Elias lhe tinha dito. E comeram, ele e ela e sua casa, durante muito tempo. 16A farinha da vasilha não acabou nem diminuiu o óleo da jarra, conforme o que o Senhor tinha dito por intermédio de Elias. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura[1]

A farinha da vasilha não acabou conforme o

que o Senhor tinha dito por intermédio de Elias

 

Estamos em atmosfera de fé; se acharmos irrespirável este ar fino, todo o relato se torna absurdo. Exigem-se pulmões sadios para o ar das alturas: quem aí vive tem vida forte. Elias diz de si: "Estou na presença de Deus"; tem ele esta fé, eis por que ousa fazer para a viúva um pedido e uma promessa excessiva. Mas igual fé demonstra a estrangeira, que acredita no Deus de Elias e tem um gesto de caridade. Ela preludia aquela mulher, também de Sarepta, que será louvada por Jesus por causa de sua grande fé (Mt 15,21-28). Contraste estridente: Elias deverá opor-se a Jezabel, que adora Baal (1Rs 18,19) e é acolhido por uma estrangeira, que crê em Javé; a perfídia de Jezabel merecerá uma maldição (1Rs 21,17-24) e a viúva de Sarepta mereceu uma bênção. Esta página fala de universalismo da fé e mostra-nos um contraste: também fora daquele que se chama "povo de Deus" encontram-se fé e caridade autênticas enquanto dentro dele faltam em muitos tais virtudes

 

 

 

Salmo: 4, 2-3.4-5.7-8 (R/.7)
Sobre nós fazei brilhar o esplendor da vossa face!

 

Quando eu chamo, respondei-me, ó meu Deus, minha justiça! Vós que soubestes aliviar-me nos momentos de aflição, atendei-me por piedade e escutai minha oração! Filhos dos homens, até quando fechareis o coração? Por que amais a ilusão e procurais a falsidade?

 

Compreendei que nosso Deus faz maravilhas por seu servo, e que o Senhor me ouvirá quando lhe faço a minha prece! Se ficardes revoltados, não pequeis por vossa ira; meditai nos vossos leitos e calai o coração!

 

Muitos há que se perguntam: "Quem nos dá felicidade?" Sobre nós fazei brilhar o esplendor de vossa face! Vós me destes, ó Senhor, mais alegria ao coração, do que a outros na fartura do seu trigo e vinho novo.
 
 

Evangelho: Mateus (Mt 5, 13-16)
Brilhe a todos a vossa luz

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 13"Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens. 14Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. 15Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim num candeeiro, onde ela brilha para todos os que estão em casa. 16Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus. Palavra da Salvação!

 

 

Comentando o Evangelho[2]

Sal e Luz

 

As parábolas do sal e da luz confrontam os discípulos do Reino com sua responsabilidade perante a realidade humana, apelando para a força transformadora de sua presença no mundo. Na medida em que se revelam servidores, manifestam a profundidade de sua adesão ao projeto de Deus.


A vocação de servidor concretiza-se na ajuda às pessoas a fim de que elas enfrentem as insinuações do maligno que quer corrompê-las pela maldade e pelo egoísmo.


Se, diante da corrupção do mundo, o discípulo permanece impassivo, recusando-se a agir, será como o sal insosso. Logo, tornar-se-á imprestável, e deverá ser jogado fora. A cozinheira não terá por que conservá-lo. Algo semelhante passa-se com o Pai em relação ao discípulo omisso diante da realidade a ser transformada.


Por outro lado, o discípulo mostra-se servidor, quando irradia a luz de Cristo para que seus semelhantes trilhem o caminho da verdade, do amor e da justiça. Sem esta luz, correriam o risco de descambar para a mentira, o egoísmo e a injustiça, com uma conseqüente condenação. No entanto, ele deverá buscar a posição adequada para que seu testemunho de vida abranja o maior número possível de pessoas. Sua luz deve chegar a todos os seres humanos, sem distinção, de modo a fazê-los encontrar o caminho para Deus.

Beato João Dominici[3]

 

 

 

 

Entre os registros do Beato João Dominici que nos chegaram, há uma breve biografia escrita por São Antonino, Arcebispo de Florença, assim como um retrato pintado do famoso Fra Angélico, nos muros da catedral de São Marcos. São João era um florentino de origem humilde que veio ao mundo em 1376. Aos 18 anos recebeu o hábito dos dominicanos, na priorado de Santa Maria Novella, apesar da certa oposição causada por sua falta de educação e sua tendência a gaguejar. Porém aquelas carências ficaram compensadas por sua extraordinária capacidade de reter na memória o que aprendia. O Santo converteu-se, em pouco tempo, em um dos melhores teólogos de sua época e em um pregador eloqüente. Escreveu os ´laudio´ o hinos na língua vernácula. Após terminar seus estudos na Universidade de Paris, dedicou 12 anos ao ensinamento e à pregação em Veneza. Foi nomeado prior em Santa Maria Novella. Em Fiésole e em Veneza, fundou novas casas para monges e estabeleceu um convento para monjas dominicanas, chamado Corpus Christi. A partir daí trabalhou para introduzir ou restabelecer a estrita regra de Santo em vários priorados. Também preocupou-se muitíssimo para que compartilhassem uma educação cristã à juventude e foi o primeiro a combater as perniciosas tendências da nova heresia que já começava a ser um perigo: o humanismo. Em 1406, assistiu ao conclave que escolheu ao Papa Gregório XII. Depois foi o confessor e conselheiro do Pontífice e este, sagrou-o Arcebispo de Ragusa e Cardeal de São Sixto. Seu culto foi confirmado em 1832.

 

 

 



[1] Missal Cotidiano ©Paulus, 1998

[2] Evangelho nosso de cada dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997

[3] Associação do Senhor Jesus (www.asj.org.br)