Terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

II Semana do Tempo da Quaresma, II Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Roxa

 

Iluminai meus olhos Senhor, guardai-me do sono da morte. Que meu inimigo não possa dizer: triunfei sobre ele. (Sl 12, 4-5)

 

Santos: Álvaro de Córdoba (presbítero), Auxíbio de Chipre (bispo, foi batizado por São Marcos e consagrado por São Paulo como primeiro bispo de Soli), Barbato de Benevento (bispo), Beato de Liébana (monge), Belina de Troyes (virgem, mártir), Bonifácio de Lausanne (monge, bispo), Conrado de Piacenza (franciscano terciário), Gabino de Roma (presbítero, mártir), Jorge de Lodève (monge), Mansueto de Milão (bispo), Públio, Juliano, Marcelo e Companheiros (mártires da África), Valério de Antibes (bispo), Zambdas de Jerusalém (bispo), Isabel de Picenardi (virgem, bem-aventurada), Lúcia (virgem, mártir da China, bem-aventurada)

 

Oração do Dia: Guardai, Senhor Deus, a vossa Igreja com a vossa constante proteção e, como a fraqueza humana desfalece sem vosso auxílio, livrai-nos constantemente do mal e conduzi-nos pelos caminhos da salvação. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Isaías (Is 1, 10.16-20)
Aprendei a fazer o bem!

 

10Ouvi a palavra do Senhor, magistrados de Sodoma, prestai ouvidos ao ensinamento do nosso Deus, povo de Gomorra. 16Lavai-vos, purificai-vos. Tirai a maldade de vossas ações de minha frente. Deixai de fazer o mal! 17Aprendei a fazer o bem! Procurai o direito, corrigi o opressor. Julgai a causa do órfão, defendei a viúva.

 

18Vinde, debatamos - diz o Senhor. Ainda que vossos pecados sejam como púrpura, tornar-se-ão brancos como a neve. Se forem vermelhos como o carmesim, tornar-se-ão como lã. 19Se consentirdes em obedecer, comereis as coisas boas da terra. 20Mas se recusardes e vos rebelardes, pela espada sereis devorados, porque a boca do Senhor falou! Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura[1]

Aprendei a fazer o bem

 

O pecado é fratura, divisão, dilaceramento. Ele pode insinuar-se até em nossa vida de fé e separar a fé da vida. Chega-se a este ponto quando se cede à tentação, continuamente presente na humanidade, de reduzir a fé prevalentemente à sua manifestação, à chamada prática cristã. Reduz-se assim a fé a uma etiqueta superficial, pratica-se uma religião sem fé, intolerável aos olhos de Deus. A reforma litúrgica, empenhada em tornar mais ativa e consciente a participação dos cristãos nas celebrações litúrgicas, torna mais difícil o exercício de um culto considerado como tributo a pagar. A liturgia hoje nos força a ser mais sinceros e autênticos em nossas atitudes religiosas.

 

 

Salmo: 49(50), 8-9.16bc-17.21 e 23 (R/.23b)

A todos que procedem retamente, eu 

mostrarei a salvação que vem de Deus

 

“Eu não venho censurar teus sacrifícios, pois sempre estão perante mim teus holocaustos; não preciso dos novilhos de tua casa nem dos carneiros que estão nos teus rebanhos.

 

Como ousas a repetir os meus preceitos e trazer minha Aliança em tua boca? Tu que odiaste minhas leis e meus conselhos e deste as costas às palavras dos meus lábios!

 

Diante disso que fizeste, eu calarei? Acaso pensas que eu sou igual a ti? E disso que te acuso e repreendo e manifesto essas coisas aos teus olhos.

 

Quem me oferece um sacrifício de louvor, este sim é que me honra de verdade. A todo homem que procede retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus”.

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 23, 1-12)

Um só é vosso mestre e todos vós são irmãos

 

Naquele tempo, 1Jesus falou às multidões e aos seus discípulos e lhes disse: 2"Os mestres da Lei e os fariseus têm autoridade para interpretar a Lei de Moisés. 3Por isso, deveis fazer e observar tudo o que eles dizem. Mas não imiteis suas ações! Pois eles falam e não praticam. 4Amarram pesados fardos e os colocam nos ombros dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los, nem sequer com um dedo.

 

5Fazem todas as suas ações só para serem vistos pelos outros. Eles usam faixas largas, com trechos da Escritura, na testa e nos braços, e põem na roupa longas franjas.

 

6Gostam de lugar de honra nos banquetes e dos primeiros lugares nas sinagogas. 7Gostam de ser cumprimentados nas praças públicas e de serem chamados de Mestre. 8Quanto a vós, nunca vos deixeis chamar de Mestre, pois um só é vosso Mestre e todos vós sois irmãos.

 

9Na terra, não chameis a ninguém de pai, pois um só é vosso Pai, aquele que está nos céus. 10Não deixeis que vos chamem de guias, pois um só é vosso Guia, Cristo. 11Pelo contrário, o maior dentre vós deve ser aquele que vos serve. 12Quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado". Palavra da Salvação!

 

 

Comentário do Evangelho[2]

Cuidado com o exibicionismo

 

Jesus cuidou para que seus discípulos não imitassem os maus costumes dos fariseus. Abusando da boa-fé das pessoas simples, eles as oprimiam. Quando consultados, faziam interpretações rigorosas e exigentes da Lei. No entanto, tudo era diferente quando chegava a vez deles cumprirem essa mesma Lei. Seu agir pautava-se por um dualismo intransigente: severidade para os outros e permissividade para si mesmos.

 

Os fariseus distinguiam-se pelo exibicionismo. Suas roupas eram adornadas por franjas exageradas. Traziam, amarrados na fronte e nos braços, pequenos estojos contendo textos da Lei. Para que todos se dessem conta disto, usavam tiras de couro bem largas para atar esses estojos. Quando chegavam nas sinagogas, faziam questão de ocupar um lugar de destaque. Na rua, gostavam de ser saudados pelos passantes. Na época, essa saudação constava de um ritual bem complicado. Além disso, não abriam mão de serem chamados de "rabinos", para que sua importância ficasse bem evidente.

 

Jesus procurou banir tal comportamento do meio de seus discípulos, ensinando-lhes o caminho do serviço e da humildade. Nada de querer parecer melhor que os outros, querendo assim assumir um lugar que pertence unicamente a Deus e acabando por se tornar um terrível opressor. O discípulo deve ser movido por outros sentimentos!

 

 

São Martiniano[3]

 

São Martiniano foi eremita mas acabou por tornar-se andarilho para que o pecado nunca o achasse "em endereço fixo". Seu argumento é justificável, já que ele pôde comprovar pessoalmente como a carne é fraca e a vigilância tem que ser constante, principalmente para quem escolhe uma vida santa e sacrificada. Ele havia sucumbido ao prazer da carne, mas encontrou força na fé para se recuperar. Esse é seu exemplo maior.

 

Martiniano era natural da Cesaréia, na Palestina, e ali viveu no século IV. Muito jovem, entregou-se à vida reclusa e passou a viver como eremita numa montanha próxima à sua cidade natal, onde permaneceu por vinte e cinco anos. Sua fama percorreu a Palestina e Martiniano passou a ser procurado por gente de todo o país que lhe pedia conselhos, orientação espiritual e até a cura de doenças e expulsão de maus espíritos. Ganhou fama de santo e essa fama atraiu Cloé. Cloé era milionária e conhecida como uma mulher de maus costumes. Fez uma espécie de aposta em seu círculo de amizades e afirmou que faria o santo se perder. Trocou suas roupas luxuosas por andrajos e procurou Martiniano, pedindo abrigo. Ele deixou que entrasse, mas tratou de dormir longe dali. Mesmo assim, ao voltar pela manhã, Cloé trocara os farrapos por uma roupa muito sensual. Com argumentos espertos seduziu Martiniano, que só ao sair da caverna para atender discípulos, muitas horas depois, é que percebeu o que fizera. Arrependeu-se e converteu Cloé que, a partir de então, recolheu-se ao convento de Santa Paula, em Belém, passando ali o resto de seus dias. Santificou-se como consagrada. São Martiniano mudou-se dali para uma ilha. Mas, certa vez, nas águas que rodeavam a ilha, naufragou um navio e uma passageira donzela lhe pediu abrigo. Ele consentiu que ficasse, mas abandonou o lugar a nado, apesar de o continente ficar muito distante. Conta a lenda que Deus mandou dois delfins para apanhá-lo e levá-lo à terra firme. O fato é que, ao chegar, tomou outra decisão radical.

 

Tornou-se andarilho para nunca mais ter de abrigar ninguém e acabar abordado pelo pecado. Passou a viver da caridade alheia e morreu em Atenas, no ano 400, depois de parar a caminhada numa igreja da cidade. Sabia que o momento chegara, recebeu os sacramentos e partiu.



[1] Extraído do MISSAL COTIDIANO,  ©Paulus, 1997

[2] O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Jaldemir Vitório, ©Paulinas

[3] www.asj.org.br