Terça-feira, 20 de maio de 2008
7ª Semana do Tempo Comum, 3ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde
Confiei, Senhor, na vossa misericórdia; meu coração exulta porque me salvais. Cantarei ao Senhor pelo bem que me fez. (Sl. 12, 6)
Santos: Bernardino de Sena (presbítero), Columba de Rieti (Beata, virgem), Austregésilo (ou Austrilo, bispon de Bourges) , Baudélio (mártir), Astério e seus companheiros (mártir), Taleleu (mártir), Basila (ou Basilissa, virgem e mártir), Etelberto (mártir)
Oração: Concedei, ó Deus todo-poderoso, que, procurando conhecer sempre o que é reto, realizemos vossa vontade em nossas palavras e ações. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura: Tiago (Tg 4, 1-10)
Só a doação e a conversão de coração
permite o cristão andar no caminho de Deus
Caríssimos, 1de onde vêm as guerras? De onde vêm as brigas entre vós? Não vêm, justamente, das paixões que estão em conflito dentro de vós? 2Cobiçais, mas não conseguis ter. Matais e cultivais inveja, mas não conseguis êxito. Brigais e fazeis guerra, mas não conseguis possuir. E a razão está em que não pedis. 3Pedis, sim, mas não recebeis, porque pedis mal. Pois só quereis esbanjar o pedido nos vossos prazeres.
4Adúlteros, não sabeis que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Assim, todo aquele que pretende ser amigo do mundo torna-se inimigo de Deus. 5Ou julgais ser em vão que a escritura diz: "Com ciúme anela o espírito que nos habita"? 6Mas ele nos dá uma graça maior. Por isso, a escritura diz: "Deus resiste aos soberbos, mas concede a graça aos humildes".
7Obedecei pois a Deus, mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. 8Aproximai-vos de Deus, e ele se aproximará de vós. Purificai as mãos, ó pecadores, e santificai os corações, homens dúbios. 9Ficai tristes, vesti o luto e chorai. Transforme-se em luto o vosso riso, e a vossa alegria em desalento. 10Humilhai-vos diante do Senhor, e ele vos exaltará. Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura[1]
Pedis, sim, mas não recebeis, porque pedis mal
O trecho todo é uma forte e eficacíssima contestação dos discípulos que não conhecem a paz interior e exterior, incapazes de domínio de si, privados da força que vem da seqüela resoluta de Cristo.
Os frutos magníficos de uma vida segundo o evangelho só se conseguem “pedindo-os” a Deus, e “pedindo-os bem”, com o espírito decididamente desprendido do “amor ao mundo”, que é “ódio de Deus”, com humildade e submissão que atraem a graça, reconhecendo a própria miséria, “chorando” as próprias culpas, desejosos de “purificação” e “santificação” que “aproximam de Deus”. Então, o Senhor “os exaltará”.
Salmo: 54(55), 7-8.9-10a.10b-11a.23 (/.23a)
Confia teus cuidados ao Senhor, e
ele há de ser o teu sustento!
É por isso que eu digo na angústia: "Quem me dera ter asas de pomba e voar para achar um descanso! Fugiria, então, para longe, e me iria esconder no deserto.
Acharia depressa um refúgio contra o vento, a procela, o tufão". Ó Senhor, confundi as más línguas.
Dispersai- as, porque na cidade só se vê violência e discórdia! Dia e noite circundam seus muros.
Lança sobre o Senhor teus cuidados, porque ele há de ser teu sustento, e jamais ele irá permitir que o justo para sempre vacile!
Evangelho do dia: Marcos (Mc 9, 30-37)
Purificai as mãos, ó pecadores, e santificai os corações
Naquele tempo, 30Jesus e seus discípulos atravessavam a Galiléia. Ele não queria que ninguém soubesse disso, 31pois estava ensinando a seus discípulos. E dizia-lhes: "O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens, e eles o matarão. Mas, três dias após sua morte, ele ressuscitará". 32Os discípulos, porém, não compreendiam estas palavras e tinham medo de perguntar.
33Eles chegaram a Cafarnaum. Estando em casa, Jesus perguntou-lhes: "O que discutíeis pelo caminho?" 34Eles, porém, ficaram calados, pois pelo caminho tinham discutido quem era o maior. 35Jesus sentou-se, chamou os doze e lhes disse: "Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos!" 36Em seguida, pegou uma criança, colocou-a no meio deles, e abraçando-a disse: 37"Quem acolher em meu nome uma destas crianças, é a mim que estará acolhendo. E quem me acolher, está acolhendo, não a mim, mas àquele que me enviou". Palavra da Salvação!
Essa passagem bíblica também está presente nos seguintes sinóticos: Mt 17, 22-23 e
Lc 9, 43-45 (Segundo Anúncio da Paixão); Mt 18, 1-5 e Lc 9, 46-48 (Quem é o maior)
Comentário o Evangelho[2]
Novo modo de ser
No longo processo de sua formação, os discípulos foram sendo instruídos no modo de ser, característico de quem aderiu ao Reino. Jesus ensinou-os a serem solidários, a cultivar a união fraterna, a estarem sempre prontos para servir. Não tinham sido organizados a partir de critérios humanos de superioridade/inferioridade, pois entre eles deveria reinar a igualdade.
As lições do Mestre nem sempre encontraram corações abertos para acolhê-las. Os discípulos mostravam-se reticentes em abrir mão de sua mentalidade. Daí a preocupação em saber quem, dentre eles, seria o maior. Ou seja, quem teria autoridade sobre os outros; quem seria mais importante, objeto da reverência e do respeito dos demais. Tudo ao inverso do que lhes fora ensinado!
Jesus resumiu, numa frase, um princípio de ação que deveria nortear a vida do discípulo: "Quem quiser ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos". Esta era sua pauta de ação. Ele se apresentava como Servo, e sua vida definia-se como serviço a todos, sem distinção. Nunca esteve em busca de grandezas, muito menos reduziu os discípulos à condição de escravos seus. Não se preocupou em granjear a estima e a reverência alheias, a qualquer custo. Simplesmente seguiu o seu caminho de servidor, esforçando-se por remediar as carências e os sofrimentos humanos. Apresentou-se como exemplo a ser imitado!
São Bernardino de Sena[1]
Órfão de mãe aos três anos e de pai aos sete, foi criado por duas tias. Freqüentou a universidade de Sena e, aos 22 anos ingressou na Ordem Franciscana. Ordenado sacerdote, São Bernardino percorreu toda a Itália, pregando o evangelho e propagando a devoção ao nome de Jesus, simbolizada pelas três letras iniciais do nome de Jesus: JHS (Jesus Salvador do Homens), hoje conhecidas pelos católicos do mundo inteiro. São Bernardino foi sem dúvida o pregador mais famoso na Itália do século XV, ao lado de São Vicente Ferrer e São João de Capistrano. O seu tempo foi marcado por calamidades que assolaram toda a Europa, causando morte e destruição. Em 1400, o próprio São Bernardino, que nessa ocasião tinha 20 anos, percorria com seus companheiros as ruas de Sena, cuidando das vítimas. Ao lado da peste, a guerra e a fome imprimiam um tom apocalíptico à situação, o que favorecia o misticismo e a meditação da paixão de Cristo. Dentro desse quadro, a contribuição de São Bernardino para uma espiritualidade cristã, centrada no amor pessoal a Cristo, foi enorme: Cristo é o centro de toda a vida cristã. Pregador popular, conseguia conversões prodigiosas de seus ouvintes. Obteve mais de 2000 vocações para a Ordem franciscana. Foi grande propagandista da devoção ao Santo Nome de Jesus e recusou três vezes a dignidade de bispo.
A mais profunda realização humana brota da alegria de servir. (Pe. Roque Schneider)