Terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Quarta Semana do Advento, Ano “A” 4ª Semana do Saltério, Livro I, cor Litúrgica Roxa

 

Santos: Anastácio II de Antioquia (bispo, mártir), Baudacário de Bobbio (monge), Glicério da Nicomédia (mártir), Honorato de Tolosa (bispo), João e Festo (mártires da Toscana), João Vicente (monge, bispo), Pedro Canísio (presbítero, mártir), Severino de Trèves (bispo), Temístocles de Lícia (mártir), Adriano da Dalmácia (mártir, bem-aventurado)

 

Antífona: Eis que chega o Senhor dos senhores: seu nome será Emanuel, o “Deus-conosco”. (Is 7, 14; 8, 10)

 

Oração: Ouvi com bondade, ó Deus, as preces do vosso povo, para que, alegrando-nos hoje com a vinda do vosso Filho em nossa carne, alcancemos o prêmio da vida eterna, quando ele vier na sua glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Cântico (Ct 2, 8-14)[1]
 Declaração de amor a Jesus Cristo

 

8É a voz do meu amado! Eis que ele vem saltando pelos montes, pulando sobre as colinas. 9O meu amado parece uma gazela, ou um cervo ainda novo. Eis que ele está de pé atrás de nossa parede, espiando pelas janelas, observando através das grades.


10O meu amado me fala dizendo: “Levanta-te, minha amada, minha rola, formosa minha, e vem! 11O inverno já passou, as chuvas pararam e já se foram. 12No campo aparecem as flores, chegou o tempo das canções, a rola já faz ouvir seu canto em nossa terra. 13Da figueira brotam os primeiros frutos, soltam perfume as vinhas em flor. Levanta-te, minha amada, formosa minha, e vem! 14Minha rola, que moras nas fendas da rocha, no esconderijo escarpado, mostra-me teu rosto, deixa-me ouvir tua voz! Pois a tua voz é tão doce, e gracioso o teu semblante”. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura
Eis o meu amado que vem saltando pelos montes

 

“Deus criou o mundo e o movimenta com o único fito de fazer santos.” No dia em que a terra cessasse de dar a Deus o que ele procura, estaria finda a sua história. O homem deve empenhar-se em abrir a alma e acolher com total atenção e amor o amor que Deus vota a cada um. Quando está assim preparado para ouvir a Deus, para dar-lhe o que ele busca, sente a sua voz: “Ergue-te...”, sacode o torpor do inverno, não fiques inerte. O convite aguarda uma resposta, um olhar terno e suave, como sinal de absoluta confiança. A voz do Amado não é de um estranho, com quem nada se tem em comum e que não suscita simpatia alguma; é a do meu melhor amigo, até mesmo do amor de minha alma. Para poder tomar a estrada a percorrer na vida, cumpre deixar falar o Senhor. Façamos silêncio, se queremos ouvir no íntimo a sua voz. [MISSAL COTIDIANO. ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo Responsorial: 32 (33), 2-3.11-12.20-21 (R/.1a e 3a)

Ó justos, alegrai-vos no Senhor! Cantai

para o Senhor um canto novo!

 

2Dai graças ao Senhor ao som da harpa, na lira de dez cordas celebrai-o! 3Cantai para o Senhor um canto novo, com arte sustentai a louvação!


11Mas os desígnios do Senhor são para sempre, e os pensamentos que ele traz no coração, de geração em geração, vão perdurar. 12Feliz o povo cujo Deus é o Senhor, e a nação que escolheu por sua herança!

 

20No Senhor nós esperamos confiantes, porque ele é nosso auxílio e proteção! 21Por isso o nosso coração se alegra nele, seu santo nome é nossa única esperança.

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 1, 39-45)

Jesus e João Batista, o mesmo plano salvífico do Pai

 

39Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judéia. 40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42Com um grande grito, exclamou: "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! 43Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? 44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. 45Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu".Palavra da Salvação

 

 

Comentando o Evangelho

Um encontro histórico

 

O encontro das duas primas, Maria e Isabel, aconteceu numa cidade de Judá, povoado atualmente conhecido como Ain-Karin (Bíblia dos Capuchinhos), que fica a cerca de seis kilometros de Jerusalém. A visita de Maria santifica a casa de Isabel (ou Elisabete) com a presença do Senhor (título divino de Jesus Cristo).  Isabel fala profetizando e a interpretação profética menciona três elementos conjugados: fé, a maternidade, o Messias.

 

O encontro das duas futuras mães prenuncia o encontro dos dois filhos. A maternidade das duas primas tem como filhos sagrados João e Jesus; nenhuma maternidade da história, no entanto, pode ser comparada com a de Maria. A maior alegria de qualquer jovem mulher que está para ser mãe é indescritível; é algo que só a mulher sente e vivencia. Maria sentirá essa felicidade só que em grau maior, afinal ela está para ser a mãe do nosso Senhor.

 

Maria foi eleita por Deus para colaborar no projeto divino de salvação da humanidade. A criança que está para nascer é o instrumento divino para operacionalizar esse projeto de libertação. Somos todos alvos desse projeto de Deus, que deseja de todos nós uma vida de santidade. Somos todos convidados a reviver esse momento impar do renascimento de Cristo em nosso seio familiar.

 

O Natal do Senhor é para ser vivido, sobretudo, na família, com momentos de encontros e reencontros, de perdão sincero, de orações e de cura interior. Não deixe que esse momento seja ofuscado pelo luxo e pelas luzes coloridas, vazio de Deus em seu lar e em sua vida. Everaldo Souto Salvador, ofs

 

 

 

 

Preces dos Fiéis (Deus Conosco)

Para que a Igreja seja a voz dos excluídos, rezemos ao Senhor: Ó Senhor, ouvi nosso clamor!

Pela força da união dos pequenos e dos humildes, rezemos ao Senhor.

Para que os pobres sejam amados pela sociedade, rezemos ao Senhor.

Para que a justiça e a paz reinem em nosso mundo, rezemos ao Senhor.

Por todos os que lutam em favor da vida, rezemos ao Senhor.

Pela alegria em servir os outros, como fez Nossa Senhora, rezemos ao Senhor.

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Acolhei, ó Pai, com bondade estes dons que destes à vossa Igreja, para que vos fossem oferecidos; que o vosso poder os transforme no sacramento da vossa salvação. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Feliz és tu, que creste, porque se cumprirá o que te foi dito da parte do Senhor. (Lc 1, 45)

 

Depois da Comunhão:

Ó Deus, que a participação nestes divinos mistérios guarde sempre o vosso povo para que, devotando-se ao vosso serviço, receba a plenitude da salvação. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

São Pedro Canísio

A catequese sempre exerceu um fascínio tão grande sobre Pedro Canísio que, quando tinha menos de treze anos, ele já reunia meninos e meninas à sua volta para ensinar passagens da Bíblia, orações e detalhes da doutrina da Igreja. Mais tarde, seria autor de um catecismo que, publicado pela primeira vez em 1554, teve mais de duzentas edições e foi traduzido em quinze línguas. Mas teve também grande atuação no campo teológico, combatendo os protestantes.


Peter Kanijs para os latinos, Pedro Canísio nasceu em 8 de maio 1521, no ducado de Geldern, atual Holanda. Ao contrário dos demais garotos, preferia os livros de oração às brincadeiras. Muito estudioso, com quinze anos seu pai o mandou estudar em Colônia e, com dezenove, recebeu o título de doutor em filosofia. Mas não aprendeu somente as ciências terrenas. Com um mestre profundamente católico, Pedro também mergulhou, prazerosamente, nos estudos da doutrina de Cristo, fazendo despertar a vocação que se adivinhava desde a infância.


No ano seguinte ao da sua formatura, os pais, que planejaram um belo futuro financeiro para a família, lhe arranjaram um bom casamento. Mas Pedro Canísio recusou. Não só recusou como aproveitou e fez voto eterno de castidade. Foi para Mainz, dedicar-se apenas ao estudo da religião. Orientado pelo padre Faber, célebre discípulo do futuro santo Inácio de Loyola, em 1543 ingressou na recém-fundada Companhia de Jesus. Três anos depois, ordenado padre jesuíta, recebeu a incumbência de voltar para Colônia e fundar uma nova Casa para a Ordem. Assim começou sua luta contra um cisma que abalou e dividiu a Igreja: o protestantismo.


Quando era professor de teologia em Colônia, sendo respeitado até pelo imperador, Pedro Canísio conseguiu a deposição do arcebispo local, que era abertamente favorável aos protestantes. Depois, participou do Concílio de Trento, representando o cardeal Oto de Augsburg. Pregou e combateu o cisma, ainda, em Roma e Messina, onde lecionou teologia. Mas teve de voltar à Alemanha, pois sua presença se fazia necessária em Viena, onde o protestantismo fazia enormes estragos.


Foi nesse período que sua luta incansável trouxe mais frutos e que também escreveu a maior parte de suas obras literárias. Fundou colégios católicos em Viena, Praga, Baviera, Colônia, Innsbruck e Dillingen. Foi nomeado pelo próprio fundador, Inácio de Loyola, provincial da Ordem para a Alemanha e a Áustria. Pregou em Strasburg, Friburg e até na Polônia, sempre denunciando os seguidores do sacerdote Lutero, pai do protestantismo.


Admirado pelos pontífices e governantes do seu tempo, respeitado como primeiro jesuíta de nacionalidade alemã, Pedro Canísio morreu em 21 de dezembro de 1597, em Friburg, atual Suíça, após cinquenta e quatro anos de dedicação à Companhia de Jesus e à Igreja. Foi canonizado por Pio XI, em 1925, para ser festejado, no dia de sua morte, como são Pedro Canísio, doutor da Igreja, título que também recebeu nessa ocasião.

 

 

Abram-se as portas

Dom Benedicto de Ulhoa Vieira

 

Realizou-se a festa da Medalha, como chave de ouro do ano litúrgico da Igreja, cujo início se deu no dia 28 pp. no 1º Domingo do Advento. Nos nove dias que precederam a festa, o Santuário esteve repleto de fiéis. No dia da festa o templo ficou pequeno para as multidões que se revezavam. Não se pode fechar os olhos à amorosa e confiante devoção do povo cristão à Mãe de Deus. Assim pelas mãos de Maria Santíssima, entramos no Ano Novo da Igreja.

 

Há mais de dois mil anos, chegou para a humanidade o Filho de Deus na noite bendita de Belém. Ele veio na terna figura de criança. Chamou os pastores pela voz dos anjos. Atraiu os misteriosos magos pela estrela que se acendeu no céu. É o Salvador: “Nasceu hoje para vós o Salvador”. É preciso correr, como os pastores, para encontrá-lo. Por isto a Epístola aos Hebreus (4,1) nos adverte: “Tenhamos o cuidado de se não achar entre vós quem chegar atrasado”.

 

Nunca talvez o mundo, incluso o Brasil, estivesse tão necessitado de rever seus caminhos e reformá-los. O pecado, que nos desvia de Deus e do verdadeiro amor ao próximo, reina por todos os quadrantes da terra. A violência que amedronta, as injustiças que geram vinganças, as desonestidades que revoltam, a sensualidade solta que corrompe, as autoridades inertes que discursam em reuniões inócuas, a riqueza provocante que gasta sem controle, a miséria anti-humana que escancara o câncer da sociedade, tudo isto recorda o pecado pessoal e social. A vinda misericordiosa de Jesus Salvador é convite amoroso de Deus para nossa conversão sincera e eficaz.

 

Na história da humanidade, sempre o homem andou às apalpadelas à procura de Deus. Mas agora, com a chegada da plenitude dos tempos, com o advento do Salvador, tornou-s evidente que é Deus que vem à procura e à busca do homem. Pela encarnação do Verbo no seio virginal de Maria e por seu nascimento é Deus mesmo, em pessoa, que vem mostrar ao homem o caminho por onde se possa atingi-lO.

 

Note-se porém que o coração humano tem de abrir-se ao gesto salvador de Deus. E mais ainda: note-se que as portas e janelas do coração só se abrem por dentro. E quando, na noite estrelada, os carrilhões das torres anunciarem a chegada do Menino-Deus, abram-se sem medo as portas ao Salvador. Quando Ele entrar, a salvação chegou!

 

A fé é um milagre do amor. E a esperança, um carinho de Deus

na terra dos homens. (Pe. Roque Schneider)

 



[1] Ou Sf 3, 14-18a