Terça-feira, 27 de maio de 2008
8ª Semana do Tempo Comum, 4ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde
O Senhor se tornou o meu apoio, libertou-me da angústia e me salvou porque me ama. (Sl 17, 19-20)
Hoje: Dia do Profissional Liberal
Santos: Agostinho de Cantuária (bispo, monge romano, memória facultativa), Ranulfo, Nossa Senhora de Caravaggio (padroeira da diocese de Caxias do Sul, RS), Ranulfo, Júlio e dois companheiros (mártires), Eutrópio (Bispo de Orange), Bruno (bispo de Wurzburg, Alemanha), Restituta de Sora (Virgem e mártir), Júlio (e seus companheiros, mártires), João I (Papa e mártir), Melângela (ou Monacela, virgem), Benvenuto de Recanati (beato confessor franciscano, 1ª ordem).
Oração: Fazei, ó Deus, que os acontecimentos deste mundo decorram na paz que desejais e vossa Igreja vos possa servir, alegre e tranqüila. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura: I Pedro (1Pd 1, 10-16)
“Sede santos, porque eu sou santo”
Caríssimos, 10esta salvação tem sido objeto das investigações e meditações dos profetas. Eles profetizaram a respeito da graça que vos estava destinada. 11Procuraram saber a que época e a que circunstâncias se referia o Espírito de Cristo, que estava neles, ao anunciar com antecedência os sofrimentos de Cristo e a glória conseqüente. 12Foi-lhes revelado que, não para si mesmos, mas para vós, estavam ministrando estas coisas, que agora são anunciadas a vós por aqueles que vos pregam o evangelho em virtude do Espírito Santo, enviado do céu; revelações essas, que até os anjos desejam contemplar!
13Por isso, aprontai a vossa mente; sede sóbrios e ponde toda a vossa esperança na graça que vos será oferecida na revelação de Jesus Cristo. 14Como filhos obedientes, não modeleis a vossa vida de acordo com as paixões de antigamente, do tempo da vossa ignorância. 15Antes, como é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos, também vós, em todo o vosso proceder. 16Pois está na Escritura: “Sede santos, porque eu sou santo”. Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura[1]
Eles profetizaram a respeito da graça que vos estava destinada
O que os profetas indagaram e o povo de Deus viveu no passado cumpre-se hoje para o cristão. Os hebreus viveram algum tempo no deserto e, para recordar esse acontecimento, estabeleceram uma noite por ano; os cristãos estão sempre no deserto e celebram a Páscoa a cada instante. A obediência dada aos mandamentos recebidos no Sinai, torna-se doravante atitude de filhos e acesso à santidade de Deus. Este apelo à santidade não diz respeito apenas ao Deus de majestade, inefável, transcendente, perfeito, infinito; volve-se para Jesus, santo e justo, cuja santidade está ao alcance dos homens, modelo vivo que nos dá as normas (as bem-aventuranças) e nos fornece os meios: o Espírito Santo e a graça.
Salmo: 97 (98), 1.2-3ab.3c-4 (+2a)
Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios! Sua mão e o seu braço forte e santo alcançaram-lhe a vitória.
O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça; recordou o seu amor sempre fiel pela casa de Israel.
Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus.
Acalmai o Senhor Deus, ó terra inteira, alegrai-vos e exultai!
Evangelho do dia: Marcos (Mc 10, 28-31)
Naquele tempo, 28começou Pedro a dizer a Jesus: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos” 29Respondeu Jesus: “Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, 30receberá cem vezes mais agora, durante esta vida — casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, a vida eterna. 31Muitos que agora são os primeiros serão os últimos. E muitos que agora são os últimos serão os primeiros”. Palavra da Salvação!
Comentário o Evangelho[2]
Nós deixamos tudo!
A opção pelo discipulado exigiu dos discípulos deixarem tudo para seguir Jesus. O gesto deles deveu-se tanto ao amor por Jesus quanto ao amor pelo Evangelho. Em suma, ao amor pelo Reino de Deus. Este amor despontou com tal força na vida dos seguidores do Mestre, que os levou a relativizar os laços familiares e afetivos, bem como seus projetos profissionais e todos os demais planos.
É compreensível a preocupação dos discípulos com seu futuro,
subentendida nas palavras de Pedro. Que recompensa poderiam esperar como
resultado de seu gesto de desapego? Estariam fadados a viver na penúria e na
indigência? Que esperança poderiam cultivar, posto que o Reino exigiria deles
sempre contínuas renúncias?
A resposta de Jesus, embora clara, requeria dos discípulos uma
grande dose de discernimento para perceberem de que modo a promessa do Mestre
fazia-se verdadeira. Ele falava em recompensa centuplicada, correspondente a
tudo quanto fora deixado para trás: familiares e propriedades. E, como
coroamento de tudo, a vida eterna. Tudo isto, em meio a perseguições e
dificuldades.
A recompensa prometida, neste mundo e no outro, seria puramente espiritual? As
palavras de Jesus referiam-se à recompensa material? Estaria o Mestre iludindo
seus discípulos? Foram questionamentos que passaram pelas mentes dos
discípulos. Só o tempo iria revelar o verdadeiro sentido das palavras do
Mestre.
São Agostinho de Cantuária[3]
Santo Agostinho de Cantuária viveu no século VI. Juntamente com 40 monges, em 597, São Gregório Magno enviou-os como missionários à Inglaterra. Chegados a Lerins, ficaram de tal modo intimidados com o que se dizia dos saxões que pediram ao Papa que mudasse os planos. São Gregório, para incentivar Santo Agostinho, nomeou-o abade e deu-lhe cartas de recomendação. Pouco tempo depois, nomeou-o bispo. Ao contrário do que imaginavam, foram bem recebidos pelo rei Etelberto. Receberam como residência a cidade de Cantuária ou Canterbury, de onde surgiria a célebre abadia de São Pedro e São Paulo que será, mais tarde, de Santo Agostinho. Etelberto fez-se batizar e com ele muitas outras pessoas se converteram ao cristianismo. Santo Agostinho foi nomeado então arcebispo primaz da Inglaterra, consolidando assim o cristianismo nessa nação. Morreu no ano de 1605.